Notas para a prova de antropologia: SAHLINS, Marshall. Ilhas de História

Grifos do texto: Introdução

  • Esquemas culturais são ordenados historicamente porque, em maior ou menor grau, os significados são reavaliados quando realizados na prática [...] por uma lado, as pessoas organizam seus projetos e dão sentido aos objetos partindo das compreensões preexistentes da ordem cultural. A cultura é historicamente reproduzida na ação. Geertz: um evento é uma atualização única de um fenômeno geral, uma realização contingente do padrão cultural. Os homens criativamente repensam seus esquemas convencionais. É nesses termos que a cultura é alterada historicamente na ação – transformação cultural. A alteração de alguns sentidos muda a relação de posição entre as categorias culturais, havendo assim uma mudança sistêmica [p 7]
  • Estrutura: relações simbólicas de ordem cultural – é um objeto histórico. Essa afirmação cancela a oposição de noção entre estrutura e história [...] não é possível manter a premissa de que o funcionamento dessas sociedades está baseado em uma lógica cultural autônoma [...] incapazes de dar conta da diversidade de respostas locais ao sistema mundial [...] a riqueza europeia está atrelada à reprodução e até mesmo à transformação criativa da ordem cultural desses povos [p 8];
  • O mesmo tipo de mudança cultural, induzida por forças externas mas orquestrado de modo nativo, vem ocorrendo há milênios [...] A antropologia: obcecada pelo interesse evolucionista [...] A história é construída da mesma maneira geral tanto no interior de uma sociedade, quanto entre sociedades [p 9];
  • Existência e interação dual entre a ordem cultural enquanto constituída na sociedade e enquanto vivenciada pelas pessoas. Os homens em seus projetos práticos e em seus arranjos sociais, informados por significados de coisas e de pessoas, submetem as categorias culturais a riscos empíricos. Na medida em que o simbólico é pragmático, o sistema é a síntese da reprodução e da variação [p 9];
  • Se a cultura for, como querem os antropólogos, uma ordem de significação, mesmo assim os significados são colocados em risco na ação. As coisas não só tem uma razão própria, independente do que as pessoas possam fazer com elas, como são inevitavelmente desproporcionais aos sentidos dos signos pelos quais são apreendidas. As coisas são contextualmente mais particulares e potencialmente mais gerais que os signos e o são por serem, os signos, classes de significados, não estando restritos como conceitos a um referente particular. As coisas são relacionadas a seus signos enquanto problemas empíricos para os tipos culturais. A cultura é uma aposta feita com a natureza [p 9]
  • Os nos antigos adquirem novas conotações, distantes de seus sentidos originais: reavaliação funcional de categorias [...] As pessoas chegam a diferentes conclusões e as sociedades elaboram os consensos, cada qual a sua maneira [...] Os signos são passiveis de serem retomados pelos poderes originais de sua criação, ou seja, pela consciência simbólica humana; nada é tabu em termos de princípio intelectual [p 10];
  • O domínio envolve uma servidão; não temos a liberdade de sairmos por aí nomeando as coisas, como fez Adão, dependemos das possibilidades dadas de significação, de outro modo, seriam ininteligíveis e incomunicáveis [...] Ordens culturais diversas têm modos próprios de produção histórica [...] Culturas diferentes, historicidades diferentes [p 11]
  • A distinção entre prescritivo e performático forma um paralelo com o contraste lévi-straussiano entre modelos mecânicos e modelos estatísticos. O problema está centrado nas relações entre as formas sociais e os atos apropriados [...] Tipos de ações sociais podem precipitar formas sociais. Nas ciências sociais damos prioridade às formas sociais sobre as práticas a elas associadas [...] o comportamento dos grupos envolvidos derivando de uma relação preexistente [...] Entretanto os amigos criam presentes, os presentes também criam amigos; dádivas criam escravos. A forma cultural: a ação criando a relação adequada; No Havaí é possível tornar-se nativo pela ação certa; até estranhos tornam-se filhos da terra; a própria intercambialidade entre o ser e a prática depende das comunidades de significação; a significação será estruturalmente motivada; um estranho é metamorfoseado em filho da terra com direitos iguais aos filhos reais [p 12];
  • Estruturas performativas e prescritivas teriam historicidades diversas; diferencialmente abertas para a história; no Havaí o parentesco, a posição social, os direitos de propriedade e a filiação local são abertos a negociação; as pessoas agem sobre esses arranjos para reconstruir suas condições sociais; em um modelo prescritivo nada é novo, os acontecimentos são valorizados por sua similaridades com o sistema constituído – projeção da ordem existente; a ordem havaiana é historicamente mais ativa; A sua estabilidade é uma história volátil dos destinos mutáveis das pessoas e dos grupos; O sistema simbólico é altamente empírico e submete continuamente as categorias recebidas a riscos materiais, as inevitáveis desproporções entre signos e coisas [p 13];
  • A temperatura histórica é relativamente quente [p 14];
  • Estruturas performativas e prescritivas são tipos ideais. As duas podem ser encontradas na mesma sociedade [...] O interessante do ensaio está justamente no incomodo problema da relação entre estrutura e evento; Relação: contingência de eventos e a recorrência de estruturas [p 14]
  • Um evento transforma-se naquilo que lhe é dado como interpretação. Somente quando apropriado por, e através do esquema cultural, é que adquire significância histórica; O evento é a relação entre um acontecimento e a estrutura (ou estruturas) [p 15]
  • Estrutura da conjuntura é a realização prática das categorias culturais em um contexto histórico especificoAlém da análise de acontecimentos, esta noção de práxis, enquanto uma sociologia situacional do significado, pode ser aplicada à compreensão geral de mudança cultural. Há uma descrição do desenvolvimento social – e reavaliação funcional – de significados na ação, não é necessariamente restrita a circunstâncias de contato intercultural. A estrutura da conjuntura possui um valor estratégico para determinação dos riscos simbólicos (por exemplo de referência) e das retificações seletivas (por exemplo, pelos poderes estabelecidos) [p 15, 16]
  • A estrutura possui uma diacronia interna, consistindo das relações mutantes entre as categorias gerais, uma ‘vida cultural das formas elementares’ [p 16]
  • Sugiro que deveríamos incorporar a diacronia às nossas noções de ‘estrutura’, evitando assim certas dificuldades da visão saussuriana [...] uma sincronia saussuriano estrita embaraça-se nas famosas ‘instabilidade lógicas’ das categorias culturais [...] Tomando isso como uma descrição empírica e sincrônica, não há muito o que se fazer [...] Da posição da estrutura diacrônica, este é um efeito derivativo, tendo igualmente princípio e lógica [...] Podemos nos livrar do problema corolário que se vem desenvolvendo nas formulações atuais sobre ‘estrutura’, isto é, as extensas listas [...] podemos tentar desenvolver a estrutura a partir (ou como) um conjunto indefinido de permutações contextuais [p 17]
  • Torna-se claro que qualquer proporção dada é uma expressão parcial e motivada da estrutura, e presume que haja algum espectador ou sujeito definido em uma relação definida com a totalidade cultural. Já a estrutura apropriadamente se refere a essa totalidade: é ela em si mesma o sistema de relações entre categorias [...] esse conceito tem importância histórica [...] poderemos ver o funcionamento da história através da seleção motivada entre o funcionamento da história através da seleção motivada entre as inúmeras possibilidades lógicas dos agentes sociais [p 18]
  • Estou me referindo aos radicais contrastes binários pelos quais geralmente se pensa a cultura e a história: passado e presente, estático e dinâmico, sistema e evento, infraestrutura e superestrutura. Concluo que essas suposições não são apenas fenomenologicamente enganadoras, mas que também são analiticamente debilitantes [...] é necessário fazer o reconhecimento teórico, encontrar o lugar conceitual, do passado no presente, da superestrutura na infraestrutura, do estático no dinâmico, da mudança na estabilidade [p 19]
  • A antropologia tem algo a contribuir para a disciplina histórica. E o inverso é igualmente válido [...] O problema agora é de fazer explodir o conceito de história pela existência antropológica das cultura [p 19]

Grifos do texto: Capitão James Cook

  • [Cook foi visto como deus e depois a história mudou] a transição é repentina e ocorre quando o rei começa a perceber Cook como um inimigo ,mortal. Esta é a crise estrutural quando todas as relações sociais começam a mudar seus signos [p 143]
  • O evento se desdobra simultaneamente em dois planos: como ação individual e como representação coletiva; como a relação entre certas historias de vida e uma história acima e além dessas outras; o evento é uma atualização única de um fenômeno geral; temos por um lado, a contingência histórica e as particularidades da ação individual e por outro, aquelas dimensões recorrentes do evento, onde podemos reconhecer uma certa ordem cultural  [p 143, 144]
  • Uma presença histórica é uma existência cultural [p 145]
  • O mundo de coisas naturais nasce das noções primordiais, elas próprias sendo princípios de reprodução [p 146]
  • Os poderes estabelecidos havaianos tinham a capacidade singular de objetivar de forma pública sua própria interpretação. Tinham o poder de fazer a estrutura pesar sobre questões de opinião [p 157]
  • Temos que nos utilizar daquilo que foi chamado de uma ‘estrutura da conjuntura’: um conjunto de relações históricas que enquanto reproduzem as categorias culturais, lhes dão novos valores retirados do contexto pragmático [p 160]

Grifos do texto: Estrutura e história

  • [história do Havaí com relação ao capitão Cook]
  • Relação entre estrutura e evento: se inicia com a proposição de que a transformação de uma cultura também é um modo de sua reprodução. Cada qual à sua maneira, chefe e povo reagiram ao estrangeiro de acordo com suas autoconcepções e seus habituais interesses. As formas culturais tradicionais abarcavam o evento extraordinário e recriavam as distinções dadas de status, com o efeito de reproduzir a cultura da forma que estava constituída. As condições especificas do contato europeu deram origem a formas de oposição entre chefia e pessoas comuns que não estavam previstas nas relações tradicionais. No mundo ou na ação categorias culturais adquirem novos valores funcionais [p 174]
  • O princípio global mais importante de organização era a própria hierarquia (solidariedade hierárquica) [p 175]
  • Nas décadas seguintes à visita fatal de Cook, chefia e plebe, homens e mulheres, tabus rituais e bens materiais, se engajaram na troca prática com europeus, de maneira a alterar os sentidos e as relações habituais. A estrutura dominante da situação inicial [...] tornou-se um conceito de identidade pessoal – do qual surgiria uma ordem de economia política. Os chefes se apropriaram de personagens da grandeza europeia ao mesmo tempo que imitavam o estilo adequado de vida luxuosa da Europa [p 176]
  • Transformação funcional: o tabu era cada vez mais usado como signo de direito material e de propriedade [...] utilidade comercial do tabu teve significado para a população, aquelas restrições sagradas que (quando respeitadas) prometiam benefícios divinos, estavam agora diretamente contrapostas ao bem estar comum [...] o status sagrado do homem em relação à mulher acabou também a partir do momento em que viram que tinham os mesmos interesses na transgressão do tabu [...] é uma verdadeira transformação estrutural, ou seja, a redefinição pragmática das categorias alterando as relações entre as mesmas. O tabu agora sacralizava de forma singular as oposições de classe às expensas daquelas de gênero [p 179]
  • Fenomenologia da Vida Simbólica:
  • A história havaiana: a cultura funciona como uma síntese de estabilidade e mudança, de passado e presente, de diacronia e sincronia [...] Toda mudança prática também é uma reprodução cultural; a chefia havaiana, enquanto incorpora identidades e meios materiais estrangeiros, reproduz o status cósmico do chefe como um ser celestial; a chefia havaiana, segura de seus privilégios cósmicos, pode incluir a aparição do capitão Cook em seus próprios termos mitopráticos; toda reprodução da cultura é uma alteração; assimilam algum novo conteúdo empírico; o que proponho: explorarmos essas distinções reificadas com vistas a descobrir sua síntese mais verdadeira. [p 180, 181]
  • O problema enfim recai na relação de conceitos culturais e experiência humana, ou o problema de referência simbólica: de como conceitos culturais são utilizados de forma ativa para engajar o mundo; aquilo que está em questão é a existência de estrutura na história e enquanto história. [...] As categorias tradicionais, quando levadas a agir sobre um mundo com razões próprias, um mundo que é por si mesmo potencialmente refratário são transformadas. Pois, assim como o mundo pode escapar facilmente dos esquemas interpretativos de um dado grupo humano, nada pode garantir que sujeitos inteligentes e motivados, com interesses e biografias sociais diversas, utilizarão as categorias existentes das maneiras prescritas. Chamo essa contingência dupla de o risco das categorias na ação [p 181, 182]
  • Toda percepção consciente tem a natureza de um reconhecimento, o que é o mesmo que falar que o objeto é percebido como aquilo que é... não é suficiente dizer que estamos conscientes de algo, estamos conscientes de algo como sendo uma coisa, porem é uma espécie de reconhecimento: o evento é inserido em uma categoria preexistente e a história está presente na ação corrente. O surgimento de Cook, vindo de além horizonte… um evento sem precedentes jamais visto antes [p 182]
  • Não há tal coisa que seja a imaculada percepção. A representação ‘objetiva’ não é ponto de partida para o processo de formação da linguagem, mas sim o ponto de chegada [...] as categorias pelas quais a experiência é constituída não surgem do mundo, mas de suas relações diferenciais no interior de um esquema simbólico [p183];
  • Os objetos são mais particulares enquanto emblemas em um espaço-tempo específico do que os signos; as coisas são mais gerais do que suas expressões; é impossível esgotar a descrição de qualquer objeto  [...] Cook já era uma tradição para os havaianos antes de se tornar um fato [p 185]
  • Formas elementares da vida simbólica: o risco da ação cultural, que é o risco das categorias em referência. As pessoas colocam, na ação, seus conceitos e categorias em relações ostensivas com o mundo, põem em jogo outras determinações dos signos [p 185]
  • A ação envolve um sujeito pensante relacionado ao signo na posição de agente. O esquema cultural é colocado em uma posição duplamente perigosa, isto é, tanto subjetiva quanto objetivamente [...] um significado é posto em primeiro plano em relação a todos os outros significados possíveis [p 186]
  • O signo, no sistema cultural, tem um valor conceitual fixado por contraste a outros signos; interesse e sentido são dois lados da mesma coisa, ou seja, do signo, enquanto este é respectivamente relacionado a pessoas e a outros signos [p 187]
  • Da maneira como o signo for posto em ação, ele estará sujeito a outro tipo de determinação: aos processo de consciência e inteligência humana [188]
  • Antítese e síntese:
  • A ação simbólica é um composto duplo, constituído por um passado inescapável e por um presente irredutível [...] as pessoas, enquanto responsáveis por suas próprias ações, realmente se tornam autoras de seus próprios conceitos, tomam a responsabilidade pelo que sua própria cultura possa ter feito com elas; se sempre há um passado no presente, há também ‘uma vida que se deseja a si mesma’ [p 189]
  • Uma prática antropológica total não pode omitir que a síntese exata do passado e do presente é relativa à ordem cultura [p 190]
  • O princípio da mudança se baseia no princípio da continuidade [p 190]
  • O evento é uma forma empírica do sistema [p 190] é de fato um acontecimento de significância, é dependente na estrutura por sua existência e por seu efeito; tem um significado e acontece por causa deste significado; é a relação entre um acontecimento e um dado sistema simbólico; é a interpretação do acontecimento, e interpretações variam; é a significância que transforma um simples acontecimento em uma conjuntura fatal, aquilo que parece para alguns como um mero encontro para o almoço, para outros é um evento radical [p 191]
  • Não há materialismo algum que não seja histórico [p 192]
  • A cultura é a organização da situação atual em termos de passado [p 192]

Notas de aula:

  • “um evento transforma-se naquilo que lhe é dado como interpretação”. Somente quando for apropriado por, e através do esquema cultural, é que adquire uma significância histórica.
  • Sahlins refere-se à proposta analítica como uma fenomenologia da ação simbólica,  parte da ação e interação dos indivíduos e como se pode interpretar
  • É uma fenomenologia da ação simbólica – como ela emerge
  • História e estrutura não são um a negação do outro, ele retoma Geertz
  • Qual a sua contribuição à antropologia? Rever a relação entre história, estrutura e cultura; o estruturalismo não está preocupado com os agentes históricos [agências] o estruturalismo está preocupado com as significâncias mais abrangentes, no plano do sincrônico; aqui não, ele quer intercruzar história e estrutura [diacronia]
  • Ele quer mostrar que é importante não apartar estrutura de história
  • LS falava que a história trabalhava com outros métodos, ele colocava separações entre estrutura e história, sintonia e diacronia
  • Diferença entre os dois autores [ação simbólica] o que se quer interpretar é a ação dos indivíduos e o significado que eles dão a essa ação. Se dá muita importância à agência, no sentido da ação dos indivíduos nos conjuntos sociais
  • Fazer relação entre estrutura e história esse é o pensamento do autor, para LS há apartações.
  • O que são estruturas prescritivas? Uma relação prescreve um modo apropriado de interação social
  • BOAS: o olho que vê é o órgão da tradição Ex. amizade engendra ajuda material
  • As ordens descritivas “tendem a assimilar as circunstâncias a elas mesmas, por um tipo de negação do seu caráter contingente e eventual”
  • [se tem um acontecimento como eu vejo, isso é determinado pela cultura na qual eu estou situada – percepção do evento]
  • Em um modelo prescritivo nada é novo ou, pelo menos, os acontecimentos são valorizados por sua similaridade com o sistema constituído [1990:13]
  • A maneira como os havaianos veem Cook tem a ver com a estrutura prescritiva [quando Cook chega é também a época do Deus chegar]
  • A ideia é que há uma estrutura anterior e é ela que faz com que se interprete aquele evento daquele modo
  • O que são estruturas performativas? O ato cria uma relação apropriada performaticamente. Ex.: eu vos declaro marido e mulher. O ato cria a estrutura
  • Como Sahlins define estrutura da conjuntura? Estrutura da conjuntura: síntese situacional entre a estrutura e o evento. “é a realização prática…[1990: 15]; um conjunto de relação [160] Por meio da estrutura da conjuntura pode-se efetuar uma análise estrutural diacrônica da cultura. Essa práxis pode tanto reproduzir como transformar a ordem cultural
  • Para encaixar Cook como categoria da estrutura [sei lá]; para transformar as relações, pois as categorias mudam, ele faz diacronicamente, mostra como um evento pode transformar a estrutura a partir dos seus elementos.
  • Como a estrutura ou ordem cultural se reproduz na passagem de Cook pelo Havaí?
    • Cook = deus Lono
    • Para os sacerdotes > um deus ancestral
    • Para o rei > um rival em potencial
    • Para o chefe> um guerreiro divino
    • Para o povo > um outro senhor
      • Isso tudo gera uma complexidade
      • Quando Cook chega ao Havaí é feito, pelos sacerdotes, com ele uma REPRESENTAÇÃO  do deus Lono
      • Buscar um senhor: relação com reivindicações junto aos poderes estabelecidos;
      • Como a ordem cultural se transforma a partir do episódio envolvido? Categorias adquirem novos valores: relações entre as categorias mudam: a estrutura é transformada
      • [tabu para o autor é o norteador da cultura havaiana]
      • Transformação do tabu como princípio ordenador e transformação da relação entre as categorias que ele ordena: homens: mulheres: chefes: pessoas do povo…
      • Tabu: comida, preparo da comida e como se alimentar [a mulher não faz a sua comida na mesma panela da do marido e não senta à mesa com o ele]
      • Noa = mulher = livre de restrição
      • Há vários tabus que mediam as relações
      • TABU = coisas colocadas à parte
      • O rei começa a inventar tabu para tudo e as mulheres quebram esses novos tabus. E isso traz consequências
      • As categorias adquirem novos valores; há transformação nas relações entre homens e mulheres e do povo com o chefe; começa-se a contestar normas elaboradas pelos chefes = UM EVENTO HISTÓRICO GEROU UMA TRANSFORMAÇÃO NO PRINCÍPIO ORDENADOR QUE ERA O TABU, TRANSFORMANDO AS RELAÇÕES.
      • O que o autor propõe que deve ser repensado pela antropologia?
      • Crítica ao modo como se pensa as relações entre cultura e história por intermédio de contrastes binários; passado e presente; estático e dinâmico
      • Nas paginas 143 e 144 eu acho que resolve a questão dos eventos como alterações das categorias, e esse está na história que interfere na estrutura.
      • Qual é a explicação dentro da ordem cultural quanto ao deicídio? Ao violar um tabu, torna-se o puro em impuro. Assim, os ingleses trariam impurezas e um deus não se polui. Haveria uma mudança no modo de ver o próprio Lono/Cook. Outra explicação seria recorrer a outro mito, a irmã do deus que é disputada para a reprodução… sei lá mais o que…

 

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Notas para a prova de antropologia: SAHLINS, Marshall. Cultura na Prática

[Isto não cai na prova, mas é importante para entender o pensamento do autor]

Grifos do Livro:

Introdução:

  • [eu acho que para ele é uma crise na antropologia; década de 60, entendi que é mais ou menos assim “aí camaradas donos da verdade, coloquem suas violas no saco”]
  • Em toda mudança existe continuidade, ideia defendida tanto quanto à bibliografia, quanto à cultura [p 10];
  • No momento da ação social, campo em que os povos indígenas lutam para abarcar o que lhes acontece nos termos de seu próprio sistema mundial, é deles o movimento que engloba uma periférica cultura da modernidade [p 10];
  • Os ensaios do livro concernem à distintividade cultural dos povos, não apenas fora ou antes do imperialismo ocidental, mas também no momento em que eles suportaram a força avassaladora do capitalismo mundial [p 10]
  • Podemos nos impressionar tanto com a dominação mundial quanto com a resistência local, com a hegemonia cultural ou com a autonomia nativa [p 11];
  • O pós-estruturalismo, o pós modernismo criaram uma sensação tão opressiva de determinismo cultural, uma ideia tão totalizante de ordem social, que chegam a invocar as noções “superorgânicas” de cultura [p 10];
  • Para White: a cultura era uma ordem independente e com moto próprio da qual a ação humana podia apenas ser a expressão; Foucault “trata de privar o sujeito de seu papel originador e analisa-lo como uma função variável e complexa do discurso”; o “discurso” é o novo superorgânico cultural – tornando ainda mais draconiano como expressão de “poder” que está em toda parte, em todas as instituições e relações cotidianas [p 12];
  • O conceito de cultura é um instrumento de discriminação – uma ideia funcional que também pressupõe tal cultura como um sistema onipotente de coerção. Ao atentarem dessa maneira para as diferenças culturais, os antropólogos conseguem encarcerar os povos em sua alteridade e com isso conspiram a favor do trabalho do imperialismo ocidental. Esse movimento bloqueia qualquer interesse sério pelos modos como os diferentes povos construíram sua existência [p 12, 13];
  • Para os estrutural-funcionalistas, a cultura era o complemento ideativo e representacional do objeto real de sua ciência antropológica, que era e estrutura social ou o sistema de relações sociais. Segundo essa visão, a cultura é o meio expressivo e costumeiro pelo qual um sistema social se mantém; [...] pode-se ter uma ciência da sociedade, mas apenas uma história da cultura [p 15];
  • A crise na cultura da década de 60, que jogou o material contra o simbólico, foi exacerbada pela antítese crescente entre as ideias norte-americanas da ecologia cultural e a importação do estruturalismo francês [p 18];
  • Estruturalismo de LS: cultura era apenas um nome para comportamentos específicos da espécie, a serem compreendidos como e através de seus efeitos adaptativos, e não por seus conteúdos significativos, não mais dignos de destaque como fenômenos de natureza distinta do que os comportamentos de qualquer outra espécie animal. Tudo podia ser reduzido ao comportamento e, ainda por cima, ao comportamento utilitarista, e o símbolo se perdia [p 18];
  • O caráter impregnante do simbólico resolveu parte da tensão entre as determinações culturais da utilidade… [entretanto] era preciso questionar como disse Geertz “a pura e simples possibilidade de que alguém, de dentro ou de fora, apreendesse algo tão vasto quanto o todo de um estilo de vida, e encontrasse as palavras para descrevê-lo” [...] o que se busca é a lei e não a cultura [p 20];
  • “A destruição da consciência moral do Vietnã” não foi apenas essa experiência que desconstruiu a minha antropologia cientifica, foi o envolver-me na invenção de um movimento para por fim à guerra que teve reflexos curiosos e contraditórios no que eu vinha fazendo intelectualmente [p 24]
  • [quanto às manifestações na universidade contra a guerra]  o que aconteceu não foi apenas uma virada cultural decisiva, mas, para mim, foi também uma parábola antropológica.
  • A ação histórica é uma relação com a ordem cultural: uma encarnação de poderes coletivos em pessoas individuais [que lindo], quer essa materialização seja efetuada pela feliz oportunidade situacional de um ato, que esteja constituída na autoridade estrutural do ator [...] se o professor que o inventou [a manifestação] teve uma influencia poderosa, foi apenas porque o ato foi potencializado pela conjuntura sócio-histórica [...] e assim a ação foi incluída na agenda – não em oposição à estrutura, mas em certas relações com ela [p 26];
  • “O retorno do evento, outra vez! Se refere à posição estrutural complementar da ação: a eficácia histórica dos chefes fijianos, que provém de sua posição constituída numa totalidade social ou, mais precisamente, da encarnação da coletividade em suas pessoas particulares, de modo que seus atos individuais, bons ou ruins, inteligentes ou néscios, são necessariamente eventos universais. O mais interessante é que a totalidade que eles assim influenciaram não determinou, a sua individualidade [p 26]. Pois toda a ideia de que a ação individual depende de sua potencialização cultural bem poderia passar por algo que nada tem de novo – ou pior ainda, por um determinismo cultural antiquado – caso não se observasse também existirem razões para que o ato de que estamos tratando tivesses um caráter diferente de suas dimensões coletivas [p 27];
  • [Satre] a formação social não determina a individualidade dos lideres que ela se dá – ainda que dê a esses lideres, e portanto, à suas individualidades, certos poderes sobre o destino da mesma [p 27];
  • Parece [que fofo] que a totalidade da cultura é assim, composta de práticas cujas razões são suficientes para sua existência, mas nunca necessárias [...] um esquema cultural tem uma espécie de liberdade que o universo físico não possui [...] tudo o que é culturalmente necessário é que as coisas sejam suficientemente lógicas, inteligíveis e comunicáveis, e que façam sentido num certo universo de significado [p 28]
  • [Bakhtin] uma relação complexa de  diferenças compartilhadas – que explica porque a história pode ser culturalmente ordenada sem ser culturalmente prescrita; dizer que uma dada frase é gramatical não equivale a dizer que a gramatica tenha determinado o que foi dito; dizer que certo ato foi lógico, que fez sentido cultural, não significa que a logica tenha determinado sua execução, nem que outros atos não teriam sido logicamente adequados e socialmente autorizados [p 28, 29];
  • [pesquisa no Havaí] reconhecimento crescente de que os esquemas culturais havaianos haviam ordenado significativamente essa história, ao mesmo tempo que eles próprios eram reordenados no decorrer dela [p 29];
  • As culturas são formas de vida relativas e históricas, cada qual com uma validade particular, sem uma necessidade universal [...] as coisas físicas têm causas, mas as coisas humanas têm razões – razões simbólicas construídas, mesmo quando são fisicamente causadas [eu gosto dele] [...] o caráter distintivo do saber antropológico está em que ele envolve uma unidade substancial do sujeito conhecedor com aquilo que é conhecido [p 30];
  • Quanto mais sabemos sobre os objetos físicos, menos familiares eles se tornam, mais se distanciam de qualquer experiência humana [p 31];
  • Quando se chega à natureza mais profunda das coisas materiais, tal como descoberta pela física quântica, ela só pode ser descrita sob a forma de equações matemáticas, a tal ponto essa compreensão se distancia de nossas maneiras ordinárias de perceber e pensar os objetos [p 32];
  • Dos feitos humanos temos uma compreensão ‘por meio das causas’, do porque de serem feitos como são, porem, das coisas não humanas só temos uma compreensão pelos atributos, por aquilo que são [p 32]
  • O primeiríssimo principio da nova ciência antropológica teria de ser o ‘respeito à especificidade do objeto cultural’. Essa antropologia poderia então realizar seu destino singular de Cosmologia das Formas Simbólicas

Notas de aula:

  • Sobre a introdução: a questão das partes do livro se referem a uma revisão de sua própria trajetória, como o seu modo de pensar e de abordar mudaram [ele quer dar uma lógica à sua trajetória intelectual]
  • Os textos da primeira parte correspondem ao período de 1960 – 1970; da 2ª parte são sobre a guerra do Vietnã, 1970; e 3ª a parte é de 1980 – 1990. Nessa parte ele começa a discutir a relação entre história e cultura, estrutura e processo, evento e estrutura.
  • Os textos da 1ª parte estão em torno de uma discussão sobre o que é cultura para o autor, e também uma discussão em que ele se contrapõe a dois tipos de determinismo, o biológico e econômico/utilitarismo = razão simbólica X razão prática [sua questão se aprofunda mais da contraposição entre determinismo econômico X razão prática]
  • Ele também pensa quanto à relação entre natureza e cultura [assim como Geertz]
  • Quando pensa “A sociedade Afluente Original” ainda faz uma discussão sobre as origens do homem.
  • [Ele começou como neo-evolucionista; tinha um interesse pela evolução; depois teve influências de alguém que eu não consegui entender o nome] [no início de sua carreira teve interesse sobre o neo-evolucionismo e isso mostra o quanto ele mudou sua abordagem]
  • [neo-evolucionista – 1950 – muito importante nos EUA; no que ele se difere do evolucionismo? O evolucionismo claro tem uma evolução unilinear, um olhar etnocêntrico de progresso, que parte de hoje para trás; eles veem o topo da evolução na civilização ocidental, assim olha-se para trás partindo de sociedades contemporâneas fazendo uma equivalência com as sociedades pré-históricas, isso é incoerente. O neo-evolucionismo diverge porque ele não é unilinear, não tem a visão de que as transformações da sociedade foram em uma única direção, entendem que há uma diversidade que influenciam o caminhar das sociedades, porém eles têm muito interesse de como surgiram as civilizações; dão ênfase à tecnologia – o estudo do desenvolvimento de tecnologias que possibilitaram o surgimento de civilizações-; tal como o evolucionismo clássico, utilizando a tecnologia, fazem uma classificação das sociedades do ponto de vista do trabalho e da política – assim, a ideia de evolução ainda está presente de alguma maneira]
  • Preocupação com o surgimento das sociedades – estuda o período do Paleolítico. [essa questão do neo-evolucionismo será vista hoje a partir do texto]
  • [ele também é influenciado, nesta parte, por L.S.]
  • [Darcy Ribeiro tinha interesse no neo-evolucionismo]
  • Como ele aborda sua trajetória: aconteceu a guerra do Vietnã e isso mudou o seu enfoque teórico/metodológico que tem a ver com o impacto desse processo histórico/evento.
  • Por que a guerra gerou impacto? Ele está preocupado com o modo de produção e economia; quer ver como é um modo de vida [confusão da porra]; houve pela primeira vez movimentos sociais que geraram impactos políticos na história dos EUA [se iniciou na faculdade, ele participou porque era professor; utilizavam a faculdade para discutir a guerra, suspendendo as aulas e toda atividade tradicionalmente acadêmica; esse movimento ganhou as ruas e fez com que finalmente o governo americano saísse do Vietnã]
  • Assim, a partir de sua participação nesses eventos políticos mudou o seu enfoque teórico e metodológico, ele começa a achar interessante como eventos podem alterar a história, eventos com significados simbólicos impactantes conseguem gerar transformações.
  • Repensar como a cultura se transforma a partir dos eventos [?]
  • [Ele muda de neo-evolucionismo, para o estruturalismo, depois tem mais, mas eu perdi]
  • [ele sempre tem preocupação com o econômico/produção, isso o diferencia de LS]
  • [entender a lógica cultural da sociedade americana = utiliza o método estruturalista]
  • [razão simbólica = a cultura é construída a partir de uma lógica simbólica e essa lógica simbólica vai englobar o modo de produção, vai organizar o modo como se dão as relações de produção]
  • Sua pergunta: como eventos impactantes conseguem transformar as sociedades [eu acho isso meio óbvio... sei lá];
  • Outra pergunta: Qual a relação entre as sociedades diversas e o capitalismo?
  • Na última fase seu importante interlocutor é Wallersten, que escreveu um livro sobre capitalismo enquanto sistema mundial, e Sahlins contesta o conceito de capitalismo como sistema mundial.
  • Acho que na última parte passa a pensar em história e processo = eventos. Opondo razão prática com razão simbólica.
  • 3 autores importantes: LS, Leslie White e Wallersten [influenciadores importantes em cada fase teórica e metodológica do autor – a professora disse que é importante guardar esses nomes, não sei porque... tá bom]

Sobre o período Paleolítico [neo-evolucionismo]: Livro “A origem da Sociedade [1960]

  • Neste texto ele pergunta como o homem se diferencia dos outros primatas. [o que é natureza e cultura, como o homem se transforma em homem? Seria um texto influenciado por LS]
  • Estes estudos partem de inferências, o autor utiliza estudo de sociologia primata [a estrutura social dos primatas] e também utiliza o estudo de caçadores e coletores; são estudos contemporâneos e por meio de inferência quer utilizar estes estudos para falar alguma coisa sobre o paleolítico, sobre a origem da espécie.
  • Ele sabe que as sociedades são diferentes, mas o que ele vai tirar das sociedades contemporâneas seriam traços comuns que estariam presentes nas sociedades humanas originais [paleolítico = época em que o homem está fazendo instrumentos de pedra, são caçadores e coletores]
  • Faz pesquisas sobre caçadores e coletores contemporâneos nas áreas da África e outro lugar que eu perdi, e faz um contraste quanto à organização social dos primatas superiores e o homem.
  • O autor enfatiza LS, a questão do sexo, dos tabus em relação ao sexo. Mas ele não fica apenas na proibição do sexo, mas também enfatiza a organização social, a questão da família e na família a divisão sexual do trabalho, ele vê a família como unidade de produção.
  • “Se eu olho os primatas superiores eu vejo que eles começam a viver em bandos e que em alguns desses primatas as relações sexuais já não se dão apenas na época do cio, não estaria ligado apenas à reprodução”. O sexo é importante na organização sexual, organizam-se a ordem em função da disputa pelas fêmeas, por exemplo. No caso dos homens haveria um grande contraste, pois as questões dos primatas são inatas, o homem para a questão sexual, estabelece regras, que podem ser de parentesco e aliança garantem a sobrevivência e a cooperação, assim, a família seria a unidade de produção e estabelecimentos de relação com outros bandos.
  • As sociedades de caçadores e coletores não tem guerra. O estabelecimento da cultura se dá por intermédio da colaboração, assim ele se contrapõe a uma série de autores que nas décadas de 50 e 60 diziam que o homem era por natureza agressivo [interessante].
  • [LS escreve estruturas elementares do parentesco em 49, assim o autor já tinha tido acesso a esse estudo]
  • Quanto ele chega ao texto “a sociedade afluente original”, a partir dos caçadores e coletores contemporâneos, que anteriormente se contrapôs ao determinismo biológico [agressividade natural do homem], ele agora se contrapõe com os deterministas econômicos.

Grifos do texto: Introdução à parte I

  • Se uma sociedade investe de sentido a diferença entre o vermelho e o amarelo, ela buscará os contrastes referenciais máximos desses termos, o vermelho e o amarelo vivos e saturados; não é que os nomes das cores tenham seus sentido impostos pelas limitações da natureza humana e física, ao contrário, eles adquirem essas limitações na medida em que são dotados de sentido [p 38, 39]
  • [cores para pessoas daltônicas que passam a significar as cores assim como as pessoas que enxergam normalmente] elas aprendem  a estabelecer distinções de brilho em seu próprio espectro, correspondem às discriminações que as outras pessoas fazem da coloração [...] mas, o que parece mais estupendo, como um poderoso comentário sobre a natureza da cultura, é que as pessoas possam participar plena e mutuamente de uma mesma sociedade, num mesmo universo de sentido, tendo experiências totalmente diferentes do mundo. Pensar por conceitos, como disse Durkheim “não é meramente ver a realidade em seu aspecto mais geral, mas projetar sobre a sensação uma luz que a ilumina, penetra e transforma [suspiros] [p 39]; o fenômeno do daltônico que é competente em matéria de cor é uma lição sobre a construção cultural da natura [p 40];
  • Comparação: pelas diferenças aprendem-se as propriedades [p 40];
  • Um dos aspectos mais tristes do atual clima pós modernista e antiessencialista é a maneira como ele parece lobotomizar alguns de nossos melhores pós-graduandos, sufocando-lhes a imaginação por medo de estabelecer alguma ligação estrutural interessante ou uma generalização comparativa. O único essencialismo seguro que lhes resta é o de que não existe ordem [p 41];
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A falta de autonomia do Estado e os limites da política

KURZ, Robert. “A falta de autonomia do Estado e os limites da política”. In: Os últimos combatentes. 3ª Edição. Petrópolis: Vozes, 1997 pp 91-115

Robert Kurz entende que o campo da política, no mundo moderno, tem como pólos que se chocam, os pares Mercado e Estado e Economia e Política, segundo o autor, a sociedade é orientada por um Mercado vitorioso, gerando uma crise estrutural. O Mercado e o Estado, o dinheiro e o poder, a economia e a política, o capitalismo e o socialismo constituiriam pólos de um mesmo campo histórico da modernidade, assim como o capital, e o trabalho e todos eles não existiriam em si mesmos, todos contribuem para um cenário que orienta o mundo para a produção de mercadorias gerando uma economicização abstrata do mundo. Os planejamentos estatais teriam suas bases formatadas nos modelos do Mercado, cujas categorias seriam a mercadoria e o dinheiro, amparadas pelo pólo político.

A partir de 1989, em um discurso neoliberal, foi advertida a possibilidade dos riscos de uma radicalização unilateral do Mercado e para mitigar tais ricos seria necessário encontrar uma “mistura certa” entre Mercado e Estado. Segundo o autor, não seria possível encontrar tal “mistura certa” para o equilíbrio do desenvolvimento do sistema.

Na análise de Kurz, as funções econômicas do Estado Moderno podem ser entendidas com a expansão da economia de mercado que demandou, igualmente e em uma relação de reciprocidade, a expansão de suas atividades e esse processo perpassaria por cinco níveis ou setores:

  • Jurídico: processo de juridificação. As relações tradicionais e as relações sociais passariam a ser relações contratuais, seguiriam pelo caminho da instituição do Direito, o Estado neste sentido, passa a ser uma máquina legislativa, quanto mais relações de mercadoria e dinheiro, maior o número de leis.
  • Problemas sociais e ecológicos: O sistema social (as pessoas) passou a ser o sistema nacional (impessoal e público) tomando a forma de mercadoria e dinheiro, insensível às etapas da vida humana, que não corresponderiam às expectativas do mundo moderno, monetarizado e juridificado. Os problemas ecológicos seguem na esteira da modernização, da mesma maneira como as etapas da vida humana não dialogam com a modernização, também o ar, as águas e o clima não correspondem às expectativas da produção, enquanto substratos naturais e necessários para a vida.
  • Agregados infra-estruturais: Construção de rodovias, abastecimento energético, comunicação, instituições científicas, canalização de esgotos, etc, não representam uma produção de mercadorias na forma do mercado, são as condições para que a produção de mercadorias se desenvolva ao contento do cenário atual.
  • Estado como empresário: Com o lucro das empresas estatais seriam beneficiadas as finanças públicas, entretanto uma parte desses lucros é utilizada pela administração e controle das próprias empresas estatais, ou da manutenção das empresas não rentáveis que precisam ser mantidas por questões políticas.
  • Política de subsídios e protecionismo: O Estado poderia, ainda que indiretamente, influenciar o processo de mercado da produção de mercadorias através do Direito, garantindo legalmente a sobrevivência de empresas privadas que seriam assim beneficiadas com subsídios e com a proteção do Estado.

Os níveis ou setores descritos acima constituem a expansão das despesas do Estado, os custos anteriores aumentam os custos futuros, expandindo o sistema, bem como, a atividade e demanda financeira do Estado.

Haveria uma falta estrutural de autonomia do subsistema estatal-político, representada pelo predomínio do Mercado sobre o pólo estatal-político. O Estado depende do mercado e assim, do dinheiro. Todas as medidas estatais precisam ser financiadas, inclusive o poder, o dinheiro tem o caráter de meio universal e totalizante, um fim em si mesmo.  Entretanto, o Estado não produz dinheiro, mas depende da “produção” do dinheiro através da sociedade civil e essa produção deve ser o suficiente, de modo a financiar a atividade crescente do Estado, a consequência dessa dependência é tornar o Estado contraditório, não tendo ele outra finalidade senão estimular a produção de mercadorias que gerará mais dinheiro para sua própria manutenção. Ocorre que quando a produção de recursos financeiros, seja pela mercadoria ou pela tributação, não dá conta das despesas estatais, faz-se necessário recorrer ao endividamento junto aos participantes do mercado e da sociedade civil, tal medida não deve ser entendida como um “luxo”, mas uma necessidade sistêmica.

Seria possível entender a demanda de recursos financeiros do Estado como um Sistema de Crédito necessário para atender à sua manutenção, porém esse Sistema transbordaria em um colapso, uma desvalorização do capital fictício que é obtido através de empréstimos. A ideia de um Estado soberano infalível só se realizaria com a desapropriação dos seus cidadãos e de um colapso das finanças nacionais.

Uma tomada de crédito excessivamente elevada por parte do Estado, que limpa, por assim dizer, o mercado financeiro, pode produzir um efeito similarmente negativo sobre a conjuntura, sobre o crescimento, sobre toda a economia nacional, como uma tributação excessivamente elevada dos rendimentos. (KURZ, 1997: 107-107)

Após recorrer à produção de mercadorias e às poupanças da sociedade, haveria o endividamento externo, elevando as despesas do Estado ao âmbito internacional com novos e adicionais potenciais de risco, e se ainda faltar dinheiro no “caixa” entra em cena o dinheiro produzido de maneira impressa, ou seja, produzido a partir do nada, segundo o autor, o castigo vem na forma de hiperinflação. É possível perceber que a dependência do Estado pelo dinheiro, subtrai-lhe a autonomia diante do Mercado, e a sua política diante da economia.

O autor anuncia uma crise secular da regulação estatal-política, pois os custos da economia de mercado começam a superar os seus rendimentos. As atividades do Estado e seus respectivos custos enfraquecem a sua finalidade enquanto Estado e consequentemente abalam a sua estrutura de maneira permanente, de modo que uma crise de financiabilidade estatal aumenta permanentemente de forma gradativa.

Não só a atividade necessária do Estado encarece excessivamente, como a valorização do capital também regride de ciclo a ciclo em todo o mundo. A reprodução da economia de mercado parece esgotar-se na sua própria base.

Robert Kurz foi feliz em sua análise quanto à possibilidade da superação da autonomia do Estado pela autonomia do Mercado monetarizado, em alguns trechos de sua obra é possível perceber um ambiente caótico e descontrolado em que as ações dos atores principais entram em choque, quando de um lado está a manutenção do Estado e de seus integrantes e de outro o capitalismo na manutenção e acumulação de sua produção. Entretanto, seu estudo, assim como de outros autores do tema, é relevante, pois coloca em pauta questões que clamam por atenção e análise, abrem o debate para um reposicionamento do Estado frente aos seus cidadãos, proporcionando uma visão ampliada de que o Estado, ainda que aos solavancos e talvez dançando uma música que não seja do seu gosto, procura executar a sua manutenção e em meio ao caos e a uma imagem de descontrole, futuramente venha a trilhar o caminho para o qual foi instituído.

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Notas para a prova de Sociologia: A apresentação do Eu na vida cotidiana, Erving Goffman

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

Notas da aula

  • Ele se encaixa na Escola de Chicago
  • Ele utilizou o teatro e criou categorias
  • A interação de um indivíduo com outro ou com outros [compreender a dinâmica de grupos e essa dinâmica passa a ser a compreensão central da sociologia]
  • A representação do Eu através de máscaras é A IDEIA CENTRAL do modus operandi da sociedade
  • Os indivíduos têm comportamentos dentro de um determinado grupo
  • Ele utiliza a dramaturgia [cenário, trilha], apresenta uma representação do Eu que constitui a nossa personalidade, e ela é pautada por alguns rumos, e são essas questões que dão o tom da representação do Eu, a partir do conhecimento deste tom é que encontraremos uma compreensão de como os indivíduos estabelecem relações de aceitação e devem ser lidas por nós como uma representação da vida, da sua representação social, de modo a otimizar sua vida social, o objetivo é o de manter-se adaptado à sociedade, a inserção é vista como um modo de  sobrevivência [isso tem a ver com a linha da Escola de Chicago]
  • Em Elias [lembrar do círculo com os triângulos]: a questão de ser um estabelecido e ser um outsider, na ideia de inclusão e exclusão é que se entende o grupo; ele está preocupado em entender a interação, pautada por um processo de racionalidade: processo civilizador
  • Goffman está preocupado como os indivíduos constroem essa interação [a interação é importante para os dois autores]; Goffman entende a interação como uma forma de sobrevivência social e diz respeito a um método construído e denominado pela escola de Chicago como ECOLOGIA HUMANA e é descrito como uma forma de compreender a interação entre um indivíduo e a sociedade [na sociedade temos que compreender UM grupo; a Escola de Chicago não fala de sociedade fala de comunidade, que seria a base para uma sociedade se estabelecer; uma avalição da forma: tanto do indivíduo quanto do grupo estabelece uma relação com o espaço: a cidade – no caso da Escola de Chicago; seria uma forma de entender a permutação entre os grupos]
  • Um indivíduo urbano de repente se muda para uma comunidade de pescadores que tem todo um comportamento determinado pelo espaço, daí esse individuo pode ser expelido simplesmente porque não teve a oportunidade de ao longo do tempo ser um pescador
  • Na ES o espaço é fundamental, para Goffman não seria o ponto central de sua análise
  • Teoria de Darwin: o indivíduo só sobrevive se se adapta ao espaço, se não se adapta, morre e a espécie vai para o espaço
  • O homem tem um habitat simbólico, o universo simbólico fabrica as cidades, só que a cidade é dinâmica, não se trata de se adaptar a cidade de SP; mas os homens influenciam na cidade [caso do trânsito, por exemplo, adaptar-se-ia o habitar para a melhor vida dos homens, e isso não acontece com nenhum outro animal]
  • Personalidade vem da palavra persona que é a mascara do teatro grego, a ideia da máscara é uma metáfora utilizada por Goffman: a  ideia de que o indivíduo em um palco se utiliza de uma aparato expressivo para que ele possa representar vários tipos de personagens.
  • Não é à toa que a palavra máscara tenha dado origem a palavra pessoa.
  • Tríade: indivíduo – comunidade-sociedade – espaço: necessidade de recursos de adaptação e máscaras para representações visando uma aceitação social.
  • Questões como, cara de pau, falsidade etc, para Foffman são normais para a aceitação social, os indivíduos precisam desses aparatos para serem aceitos socialmente; a representação não é só a forma, também está no discurso, tudo isso para sermos aceitos. Tudo seria uma representação, que diz respeito a manter a aparência para fortalecer a personalidade e isso é uma maneira de sempre estar inserido em algum grupo
  • A questão do estereótipo é o que evidencia a existência de representações, quando alguém pede para descrevermos um católico, por exemplo, lançamos mão de características que tomamos conhecimento em algum momento, seria um significado atribuído a partir de um modelo que nos fora apresentado. E quando um católico não atender a minha representação eu poderei julgá-lo como um não católico.
  • A incoerência para o autor é inevitável, quando a incoerência não existe é gerado um sofrimento para o indivíduo… sei lá… podemos representar de acordo com os contextos, o homem se adaptaria a todos os ambientes porque ele tem a capacidade de simbolizar.
  • Existe um movimento interno em todos os indivíduos, assim são criados personagens demandados pelo ambiente em que estamos inseridos.
  • Se entra um aluno de terno e gravata há um estranhamento porque há um estereótipo do aluno de sociologia.
  • Se entrar um cara segurando uma panela ele terá destaque, alguns não querem destaque outros querem e lançam mão desses métodos [usar um colar de mortadela – é alguém que foge dos estereótipos comuns para ganhar destaque]
  • A ideia de adaptação não pode ser vista como um dado qualitativo, a questão é de adaptação ao contexto [roupa, discurso, etc], a questão é a busca da aceitação.
  • Se quero fazer parte de um grupo e me adapto a ele, a interpretação teve sucesso, a questão dos estabelecidos e outsiders não é importante para o autor, a questão é o indivíduo se adaptando ao grupo e ao espaço, o indivíduo é o ponto de partida, ele modifica-se em função do espaço ou vice-versa.
  • [lembrar da tríade do Goffman]
  • O estereótipo auxilia na interação [é o primeiro recurso]
  • Com o tempo vamos corrigindo nossa interpretação de acordo com a interação [QUE LEGAL]; a interação é dinâmica nos dois lados, os dois representam; as intenções se modificam ao longo do tempo, assim, o tempo não é capaz de permitir que conheçamos uma pessoa, porque tudo muda com a interação.
  • O tempo todo as pessoas querem conhecer umas as outras, e vão acumulando dados e assim, interpretando e se modificando, não dá para entender ninguém [que saco]
  • Não seria possível, sem ser monótono, ter uma personalidade por toda a vida.
  • Na adaptação há uma parcela consciente e outra inconsciente, o cachorro quando mostra os dentes para se defender é inconsciente, mas quando faz cara de coitado para ganhar carinho é consciente
  • O autor cria um repertório de elementos para que o sociólogo compreenda as interpretações e indivíduos em determinados cenários [pautado por experiências anteriores]
  • Na expressividade do indivíduo: expressões que transmitem e outras que emitem [formas de comunicação objetivas: fala, símbolos que carregamos; e as que têm o caráter não intencional: inconsciente fenomenológico, refuta a estrutura determinante no comportamento humano, o inconsciente aqui é o que eu tenho e não percebo mas o outro percebe]
  • A comunicação tem dois fluxos objetivos

 Emite ——–> recebe
          Objetivo e
    Caráter subjetivo
inconsciente que só está
   naquele que recebe 

  • Cada um entende a fala do outro de um jeito.
  • Quando falamos é preciso perguntar ao receptor a sua impressão para que possamos ter simetria na comunicação, mas o outro pode mentir, assim, não há como garantir nada, a simulação sempre pode existir tanto no emissor quanto no receptor.
  • Mensagem:
    • Objetivo: transmite
    • Subjetiva: emite
      • Ambas podem mentir ou interpretar
  • Normal > norma > anormal = quem não segue a norma
  • Começamos com uma mentira cínica, depois uma mentira sincera e por fim se torna uma verdade.
  • Começamos com uma intenção que pode se modificar [lembrar do médico que queria ser rico e foi trabalhar na África]
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Notas para a prova de Sociologia: Mozart – Sociologia de um gênio, Norbert Elias

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

[Atenção 2: O texto abaixo está besta]

Notas da aula

  • A estrutura para o Elias é flexível
  • A passagem de Mozart para outra estrutura teria se devido a uma reelaboração, por atender melhor aos seus “novos” interesses
  • O dom para Elias não é inato, ele se daria pela demanda da estrutura em que o sujeito está inserido, assim, não conheceríamos Mozart em sua genialidade se não tivesse ido para Viena [ele foi embora de Salzburgo, lá ele tinha um limite para suas composições, quando muda de local, tem a possibilidade de manifestar seu “dom”].
  • Mozart fica a vida inteira em Viena sem conseguir se estabelecer [estabelecidos e outsiders]
  • Quando chega à Viena é um outsider que quer se estabelecer, mas não consegue, pois lá não havia uma estrutura que comportasse sua irreverência musical.
  • O processo de amadurecimento – o processo civilizador – mostra a Mozart que aquele lugar não teria a possibilidade de receber uma música artística e Mozart acreditava que era possível
  • O centro musical do mundo era Viena, a questão é que a sua genialidade foi trabalhada durante toda a vida de Mozart; as pessoas se impressionavam com a sua irreverência, mas a verdadeira música de Mozart ainda não estava pronta
  • Quando ele vai à Viena é uma aposta arriscada, ele não consegue o emprego, o que fazia de Viena o centro da música era a busca pelo novo, assim, uma hora seria superado
  • Ele saiu de uma sociedade tradicional para uma de vanguarda, ou seja, movida pelo novo, mas ainda não preparada para a sua música [ô confusão da moléstia]
  • Quando Mozart constrói uma ópera totalmente diferente [mudança de hierarquia quanto à musica e à voz, ele dá mais importância à música]. Quando precisou do aval do imperador esse diz “notas demais, se eu não acompanhei, Viena não acompanhou”
  • Isso não é exclusivo da música.
  • É preciso de uma conjuntura para se aceitar o “novo”. Tem a ver como determinada população percebe determinados fatos. É preciso uma configuração. Tomamos as nossas referências argumentos para julgar o outo. Não entra certo e errado neste debate, não há um parâmetro universal para avaliar.
  • Quando pensamos um dom, devemos saber que ele não é independente da sociedade.
  • O contexto, uma configuração mais ampla são necessários para perceber e reconhecer uma genialidade.
  • A estrutura da época de Mozart era extremamente violenta assim, Mozart não encontrou o seu lugar, mesmo sendo estimulado pelo pai.
  • Tudo varia, não só os espaços, as demandas, mas nós também, quando enxergamos a realidade percebemos os lugares de afirmação para o nosso discurso.
  • A sociedade de indivíduos pressupõe que os indivíduos tenham esse olhar
  • [lembrar de um artista na época da ditadura que colocou fogo em galinhas, naquela configuração cabia, hoje seria impossível – a questão do tempo é importante e para o Elias o tempo é muito, muito importante].
  • O indivíduo não pode ser visto isoladamente como referência para julgar o contexto, o que vale são as adaptações, se pode dar tempo para que o “triângulo branco” fique “preto” como os outros.
  • Se Mozart não tivesse sido estimulado em sua genialidade pelo pai, ele não teria ido buscar o Mais.
  • [a minha genialidade é possível dentro da minha casa, aqui ela não vale nada]
  • Processo civilizador dos críticos deve estar em sintonia com o processo civilizador do artista
  • A revolta de Mozart considerada uma anomalia em Salzburgo não exerce um impacto na existência de Mozart, mas sim o rompimento com o pai. O desenvolvimento do artista está vinculado ao desenvolvimento do homem, assim, a grande referência do pai, quando é rompida, causa a “decadência” de Mozart. [sei lá], sei que o desenvolvimento do artista ligado à vida do homem e é defendido por Elias. Mozart não ser aceito na estrutura tudo bem, mas não aceito pelo pai era inconcebível e assim, ficou doente.
  • No caso do moribundo quando não faz sentido para ninguém faz dele desinteressado pela vida e busca a morte, quando tão estabelece vínculos com suas referências pessoais a vida não faz sentido. Os indivíduos precisam que seus vínculos sejam fortalecidos constantemente. O exemplo do Mozart é importante principalmente por isso. Há um processo civilizador individual, um amadurecimento do homem enquanto artista, há o reconhecimento e um amparo social, principalmente por parte do pai e no momento em que ele arrisca um estabelecimento em Viena e perde o apoio do paterno, perde o suporte identitário, e a morte é uma consequência de todo esse cenário.
  • Existe, segundo Elias, dois modelos de aceitação, em Salzburgo uma música tradicional e em Viena uma música de vanguarda. A relação que o bispo tinha com Mozart e sua música era uma relação de mercadoria, Mozart não tinha liberdade para produzir o que gostava. Em Viena ele encontrou uma incerteza, achou que encontraria um público que o entenderia, sua busca era de reconhecimento por parte do público, das autoridades, da burguesia local, queria ser aplaudido e reconhecido. Um ego foi construído por toda a sua vida e este mito deveria ser reconhecido. Em Viena o público não estava certo de seu próprio gosto musical, um local onde os vínculos artísticos não existiam, lá os artistas ganhavam e perdiam fama rapidamente e ele não queria isso, queria algo mais sólido.
  •  Graças a um processo civilizador há uma contenção do emocional, a sociedade vai sendo racionalizada, uma espécie de coesão por um estado maior [?]
  • Elias apresenta o problema de um artista dentro de um processo racional. Em uma sociedade onde o emocional é racionalizado, onde fica o espaço da arte?
  • Os modelos de Salzburgo e Viena, significam que a sociedade será uma rede de interdependência formada por indivíduos, este dependem de vínculos estabelecidos entre eles, pautados pelas construções e interpretações. Essa rede de interdependência vai criando uma estrutura que compreende os fatores internos e externos que permite que o indivíduo se situe como estabelecido ou não.
  • A configuração não é estanque; há uma configuração em Salzburgo e uma outra que mantém o indivíduo integrado [em Viena não há vínculos, ele continua sendo uma anomalia com outras configurações e outras interpretações] a sociedade é uma interdependência de indivíduos. Em Elias a sociedade é necessariamente um coletivo de indivíduos.
  • Tem-se um grupo das bolinhas, só que as bolinhas são diferentes, assim como as pessoas, então eles têm que estabelecer uma interdependência, estabelecer vínculos que estejam vinculados a fatores, sejam morais, econômicos, etc. Em cada grupo há características especificas.
  • Elias dá relevância às assimetrias das sociedades para que avaliemos a interação. Ele vê Mozart como fora da estrutura, porém a pessoa pode se adaptar, deverá haver algum estabelecimento, ou o grupo ao individuo ou este ao grupo.
  • O fato de um indivíduo sair de uma estrutura social, deixa uma lacuna, o vazio pode fazer parte da estrutura, mas a sociedade pode se organizar de maneira a preenche-la.
  • Para o Bourdieu há uma estrutura que se impõe sobre a sociedade e ela é fixa. Elias recusa, ele fala de uma estrutura que se altera com a sociedade, pois o que faz a estrutura é a interação simbólica. A partir dos vínculos constroem-se ideias, há interdependência. Mozart queria ir à Viena a partir de informações que obteve, os grupos não são isolados, os indivíduos fazem parte de vários grupos, cada um deles contribui para a construção da sociedade. O simples abandono de Salzburgo fez com que as pessoas da cidade se organizassem, a revolta de Mozart quanto ao bispo, proporciona a mudança do pensamento do outro, a manifestação de um manifesta-se no outro.
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Notas para a prova de Sociologia: Os Estabelecidos e os outsiders, Norbert Elias

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

Notas da aula

  • O próprio objeto demanda novos métodos durante as pesquisas.
  • Este é o primeiro texto que trata de uma pesquisa empírica [uma experiência], dentro de uma cidade industrial.
  • Sua pesquisa tem outros propósitos, mas à medida que vai se desenvolvendo, surge um outro objeto de pesquisa, que é uma incompreensão com respeito ao comportamento de alguns moradores [por que alguns são privilegiados e outros não?]
  • Sua questão é de INCLUSÃO e de EXCLUSÃO [o termo exclusão é sempre problemático dentro das ciências sociais]
  • Em geral encontramos situações em que um grupo é excluído de algumas situações por questões étnicas, econômicas… questões que evidenciem diferenciações, mas no caso da pesquisa não há diferenças explicitas, e ele quer saber porque.
  • Ele desenvolve um repertório de entendimento, para chegar à sua pergunta sociológica: o motivo da exclusão [questionário, entrevistas, observação de campo, análise de documentos, etc – há explicações que não batem com os documentos, assim é preciso cruzar as duas fontes, recorrer a uma possível memória coletiva; ele utiliza uma série de metodologias: o que explica o fator de exclusão é o tempo, segundo o autor.
  • As relações de poder e os vínculos estabelecidos durante o tempo são obscurecidos pelas questões de exclusão, como gênero, etnia, isso faz com que não se considere o fator tempo. Assim ele sugere que a questão seja levada em consideração nos casos de exclusão.
  • Pertencer a um grupo significa seguir as regras; normalmente há um líder que faz vínculos com os outros do grupo antigo, é possível que com o tempo os “novos” indivíduos se insiram no grupo antigo, ou construam um novo grupo. No caso do Elias, o grupo antigo tinha mecanismos de exclusão [está no texto, nêga]
  • Uma guerra que se apresenta por mortes sociais [lembrar do Foucault]
  • O estudo do Elias permite entender as dinâmicas de grupo em geral. Entender a relação entre os incluídos e os excluídos.
  • Elias procura entender os indivíduos de dentro e os de fora, analisando os seus discursos. Enquanto há regras dentro do grupo, há liberdade do lado de fora, o preço da liberdade é a exclusão. O embate entre regras e liberdade é o tema essencial da política: como é possível que os indivíduos vivam juntos de maneira razoavelmente passivas? Afinal surgem conflitos nessa dinâmica e a política surge para mediá-los.
  • Elias: ideia de um processo civilizador [não se pode deixar isso de lado = O TEMPO]
  • Conforme o passar do tempo haveria um processo de racionalidade, um processo de revisão de regras = o processo civilizador do grupo = está atrelado ao tempo; assim pode ser aplicado a outros contextos e a outros indivíduos. Quando quero pensar um indivíduo devo pensar que ele se relaciona com o exterior, está no tempo e partir deste faz suas elaborações e construções = processo civilizador.
  • A questão de Elias é o tempo, ele tem o livro SOBRE O TEMPO, é bom ler, viu florzinha?
  • O tempo é fundamental para as construções de entendimento.
  • Os outsiders não têm as experiências construídas pelos estabelecidos e não conseguem nem estabelecer contato, etc [elaborar melhor isso, neguinha]
  • [é natural do humano querer viver em grupo]
  • [é preciso criar um mecanismo de exclusão para fortalecer o grupo]
  • [Próxima aula: o interacionismo simbólico entende que há coisas inatas, diferentemente de Locke]
  • [Próxima aula: os indivíduos nascem com tonalidades afetivas diferentes, é um autor... sei lá... não entendi o nome; há alguma coisa que ultrapassa a experiência, não seríamos a tábula rasa; teríamos uma predisposição afetiva; assim, o físico e o metafisico jamais podem se separar]
  • Voltando…
  • O estudo desenvolvido fez com que o autor retomasse conceitos de autores passados que escreveram, em outros contextos, sobre questões semelhantes [esse é basicamente o procedimento de qualquer pesquisa bibliográfica; é um método; Durkheim e o estado de anomia é utilizado por Elias]
  • No debate entre sociedade e individuo no interacionismo simbólico, não há divisão entre eles, há uma interação, é isso o que o Elias faz, é através do contato interno que se estabelecem os vínculos, bem como, os mecanismos de inclusão e exclusão. Assim, como um configuracionista [que é a sociologia do Elias – um ordenamento de tensões onde se é possível entender os fenômenos] utiliza a sociedade acima do individuo. Isso, a princípio seria uma incoerência, não poderia lançar mão de conceitos opostos; seriam feitas adaptações, mas poderia forçar a barra. No caso do Elias não, quanto à anomia [seria a ausência de regras do grupo dos outsiders com relação aos estabelecidos].
  • A questão do contágio é muito importante [sei lá porque... mas está no texto] Ah…. acho que uma vez que uns não obedecem as regras, poderiam influenciar os que estão propensos a isso. [Freud: quando o indivíduo está em grupo agira diferente caso estivesse sozinho] [tomam-se atitudes sem se pensar nas consequências, as consequências são do grupo, não do indivíduo] [há a possibilidade de ser manipulável; ou seja, o outsider não está manipulável, ele consegue racionalizar... hã?... eita confusão]
  • O processo civilizador seria muito abrangente. Segundo o autor, se dá tanto com os outsiders quanto com os estabelecidos. Quando um indivíduo é excluído ele procurará um grupo para se inserir, sempre, ainda que seja procurar por outros excluídos. [o tempo demanda uma racionalidade para a sobrevivência social]
  • O autor trata de relações de poder, tanto internas que fortaleçam o grupo estabelecido, quanto a exclusão dos outsiders.
  • No grupo estabelecido se seguem as regras, independentemente se se concordam ou não. No caso dos outsiders não se seguem as regras do grupo estabelecido, pois não há coesão. [lembrar da fofoca depreciativa, lembrar que o professor ficava no bar... ele era um outsider, que mesmo tendo privilégios por seu status de professor, o fato de ficar no bar, gerava a tal fofoca, e esta, passa a ter valor de verdade; caso o professor falasse que um dos estabelecidos também ficasse no bar, não teria valor de verdade, na verdade fortaleceria o grupo dos estabelecidos... não estou entendendo isso... ah... a questão do TEMPO é mais importante para o grupo estabelecido. No caso do professor, ele só conseguiu ficar naquele local sem deprimir, porque havia outros outsiders assim como ele. O dono do bar acabou ficando amigo dos professores, e acabou sendo excluído do grupo estabelecido, do qual ele fazia parte. Os estabelecidos “chamavam” os outsiders de anômicos, pois não seguiam regras]
  • Elias só percebeu que os estabelecidos eram recalcados apenas com as entrevistas, não com a observação. Quando ele perguntava porque os estabelecidos não lidavam com os outsiders é resposta era: eles são sujos. E essa resposta não tinha coerência.
  • O discurso da exclusão é vazio, mas a questão de pertencer ao grupo estabelecido não tem racionalidade [uma forma de cegueira]
  • O que faz a fofoca funcionar é a dinâmica de grupos: falar que baiano é preguiçoso na Bahia, não dá certo, a fofoca não circula, ela circula apenas em São Paulo.
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Notas para a prova de Sociologia: Solidão dos Moribundos , Norbert Elias

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

Notas da aula

  • Morte: tema que tem a ver com todos.
  • Analisar a morte não é o suficiente para analisar a sociedade, mas talvez a forma como os indivíduos lidam com isso.
  • Processos de interação: dizem respeito à interação entre indivíduos e dos indivíduos com a vida: um acúmulo de percepções culturais que permitem um certo tipo de interação que não é universal, varia de acordo com a cultura, com os estímulos e os fatores externos aos homens. Se faço parte de uma sociedade guerreira o tema da morte está mais presente no meu cotidiano e o contrário é verdadeiro
    • Lida-se de maneira mais fria e mais racional [evolução do pensamento]
  • Elias: processo civilizador que diz respeito à sociedade e ao indivíduo. [o processo civilizador não tem nada a ver com os primitivos, mas sim um processo de racionalidade], depende do meu processo de racionalidade, lido de maneira mais fria e racionalizada com a morte. [sociedades mais ou menos civilizadas lidam de maneiras diferentes].
  • Lidar com a morte de maneira afetiva: menor processo civilizador.
  • Sociedade biopolítica: na potencialização da vida, a morte representa um fracasso, assim ela é deixada de lado, e quando é preciso lidar com ela é insuportável.
  • Quando não há a biopolítica de forma dominante, a sociedade é mais mecânica do que orgânica [sociedade simples ou medieval], a morte é considerada parte da vida.
    • Os indivíduos têm mecanismos para não lidar com a morte [terceirizações: funerárias]
    • A primeira forma de lidar com a morte é a criação de um mito.
    • Há um grau de abstração que cria o mundo e acaba com a vida [a vida continua após a morte]
      • Depois disso há o processo civilizador que vem até os dias de hoje [filosofia e ciência], a ciência não chega a uma resposta = desamparo =  desenvolvimento das biopolíticas.
        • A morte vira um tabu.
  • Elias: se a morte é uma coisa universal por que no passado lidavam com ela de uma maneira e agora é de outra? É a cultura, através de mecanismos [a cultura são os processo de interação]; a cultura sobre a morte passa a ser uma não-cultura.
    • Entendendo que a morte é um “não lidar” como fica a cultura lida com as coisas?
    • Isso traz consequências, pois embora cultuemos a vida, o fim é a morte [que horror]
    • Os homens saudáveis passam a se afastar dos moribundos, numa tentativa de se livrar da morte. Lidar com alguém morrendo, nos aproxima da morte, pois é um humano morrendo, assim como nós.
    • O processo civilizador não conseguiu colocar nada no lugar do mito, assim, exclui a morte do dia-a-dia
  • Racionalidade > infraestrutura social > criação de profissionais, de agências funerárias, médicos, etc > profissionais da morte, que permitem aos indivíduos se afastarem dela. Mas, antes não era assim, a morte fazia parte da vida; esses processos são uma configuração social e fazem parte do processo civilizador.
  • [Elias faz uma sociologia configuracional: a partir de medições de determinados fatos é possível configurá-lo]
  •  Para Elias as pessoas NUNCA lidam bem com a morte, pois é do humano ter medo do desconhecido. Ele faz uma sociologia dos vivos, não dos mortos [rarará... isso é lógico, sua tonta], os primeiros querem sempre se afastar dela.
  • Manter um moribundo afastado gera a ideia de se manter afastado da morte [uma solução mágica]
  • A culpa é central no estudo do autor, quanto à exclusão do moribundo. Essa culpa tem o sentido de dívida [sentido alemão], sinto culpa na medida em que entendo que fiquei devendo algo para o moribundo, trocas simbólicas.
  • O moribundo quando excluído, passa a não pertencer a nada, a solidão começa a ser sentida quando se percebe que não se significa mais nada para o outro – que triste – [a ideia é que eu tenho sentido na minha vida porque faço sentido para outra pessoa; quando estou para morrer deixo de fazer sentido para o outro]; a solidão está totalmente ligada à interação simbólica. Isso é demonstrado quando nos sentimos sós no meio da multidão, pois há a necessidade de interação de reconhecimento no outro; a solidão está ligada ao reconhecer-se no outro. A existência da vida só tem sentido com relação a outras pessoas; para que haja trocas simbólicas e reconhecimentos por parte do outro, vemos importância em nós mesmos. As interações dão sentido à vida [dizer que sente saudade, cantar uma música que foi composta por você, falar de você, etc]
  • Quando terceirizamos a morte, lidamos ou justificamos melhor a culpa.
  • [o relacionamento humano é como um caminho que deve ser percorrido constantemente, senão o mato toma conta; se não se percorre a interação simbólica a relação se perde; se perdemos contato com um amigo perde-se a interação simbólica e a amizade acaba... ai que triste... tenho feito isso]
  • A solidão é não ter alguém que reconheça a sua interação simbólica… AHHHHHH QUE HORROR… sente-se solitário porque não se tem por perto as pessoas que caminharam lado a lado durante a vida.
  • A culpa está relacionada a uma possibilidade de agir que não foi levada a cabo. AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH… CULPADO PORQUE NÃO SE INTERAGIU… AI, QUE AULA SOFRIDA.
  • [Espiculo: carta à felicidade LER: só tem medo da morte quem olha para ela sem a razão, ela é apenas a falência dos sentidos... DEUS ME DEFENDA!]
  • Não teríamos medo da morte [para o Elias] teríamos medo da perda dos vínculos, da interação.
  • [o processo civilizador deve ser dado também no âmbito do individual, pois há diferentes maneira de lidar com a morte; há uma história em jogo; para o autor, a exclusão se dá quando essa história é deixada de lado]
  • O moribundo quererá morrer porque sua vida perdeu o sentido, ele não significa nada para ninguém. Não faz sentido viver sem estabelecer vínculos, se eles não existem a vida deixa de ser interessante.
  • Aspecto positivo da culpa: possibilidade de ser melhor, de se reelaborar
    • Se reestabelecerão novas interações simbólicas a fim de ter outras atitudes
    • É um aspecto positivo da culpa, uma culpa que te leva para cima e não a comum, aquela que te leva para baixo
  • Ideia de dependência dos homens entre si, fazem parte de uma rede de interação; o sentido que uma pessoa tem para a outra
  • Dependência: locus da interação simbólica, não é possível ser um indivíduo em si mesmo
  • Morte: as interações deixam de existir e as pessoas passam a sentir falta daquela interação: homens vitimados pelo tabu da morte, que não concebe a morte como parte da vida
  • Não é possível separar sujeito do objeto: a morte faz parte de todos
  • A independência é uma falácia, ela tem sido construída, seria a única maneira de lidar com o capital
    • Criam-se mecanismos de afastamento entre as pessoas
      • Metrópole: viver por si: privação da interação simbólica que é o que nos faz humanos
      • Viver na metrópole: reivindica a solidão
      • Controle biopolítico que coloca a morte como um tabu
      • Formação das metrópoles: individualismo
  • Dois processos complementares civilizadores:
    • Lidar com a vida esquecendo que a morte faz parte dela [formação da metrópole > individualismo; criação da biopolítica > controle – razão = tabu da morte]
      • O medo da morte é um pretexto do autor para perceber o impacto da interação simbólica.
        • Na interação simbólica é onde podemos ser humanos.
        • A CONFIGURAÇÃO DA METROPÓLE ASSIM É APRESENTADA NO TRABALHO DO AUTOR; não é possível desconsiderar o individualismo, a biopolítica, por exemplo. A exclusão é composta por um processo muito mais amplo do que a simples morte, o que pode ser percebido é a questão do tempo [?] uma “coisa” essencial para a sociologia.
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Notas para a prova de Sociologia: Sobre a Televisão, Bourdieu

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

Notas da aula

  • Esse livro é histórico: é oferecido, a um acadêmico, um horário na TV para que ele faça o que queira.
  • Bourdieu: sociologia da cultura. Debate sobre o impacto que a TV causa na dinâmica social. Ele não pensa na TV como produto da indústria cultural. Sua aposta é no estruturalismo.
  • Há duas visões sobre a TV: apocalípticos e integrados.
    • Integrados: mídia de massa proporciona velocidade à informação, melhorando a vida dos homens
    • Apocalípticos: banalização do pensamento, diminuição da reflexão.
  • A mídia não causaria a individualidade do indivíduo, ela faz a manutenção, enfim, é o que temos como veículo de massa, seria preciso assim, vê-la com algum aspecto positivo [circulação simbólica].
  • Debate inicial: impacto na sociedade. Possível existência de uma manutenção, não das pessoas, mas da informação, e não seria consciente, seria fruto de uma estrutura. [Freud: haveria uma força inconsciente]. Haveria uma estrutura no âmbito do jornalismo para a coerção e isso não seria consciente.
  • Ele usa o campo jornalístico. Campo é tudo o que diz respeito à determinada atividade. Esse campo sofreria a intervenção do campo político e econômico: seriam forças que atuariam diretamente no campo do jornalismo, mas este último também influência os dois primeiros.
    • O campo jornalístico é pautado em uma estrutura [como o jornalismo funciona]
    • Como aluno de jornalismo, se começa a aprender técnicas [escrever, por exemplo, número de caracteres que gerem atração por parte do leitor]: constrói-se a estrutura.
    • Com o atendimento a essa estrutura pode-se dizer que não haveria uma intencionalidade no tratamento da matéria, o que valeria seria a estrutura e também os campos políticos e econômicos.
  • O autor tenta abordar esta estrutura, mostrando como as noticias se afastam da realidade, a informação de massa é de representação e não de correspondência da realidade. Temos imagens da realidade e isso diminui a importância ou a complexidade dos fatos concretos do dia-a-dia.
  • O jornalismo de TV sempre trabalha com imagens, isso faz parte da estética e tem influência no campo econômico, que precisa da audiência para que haja os anunciantes.
    • No caso do programa do Bourdieu não tinha nenhum campo de influência. Sua questão sociológica é quanto ao tempo caro que a TV tem, e que é gasto com futilidades. Se este espaço é valioso e preenchido com banalidades, é porque de fato não são banalidades, mas de qualquer maneira, é um espaço não utilizado com informações úteis.
    • Por que não se utiliza um horário nobre para se discutir o fato social? Vide a programação da TV cultura que está se modificando porque precisa sobreviver e para isso precisa de anunciantes.
    • A realidade vivida deve ser mostrada de maneira extraordinária: estrutura [técnica] jornalística. A maneira como se escreve determina se um fato é ou não notícia.
    • Qual o impacto [nos níveis da vida social] do banal transformado em extraordinário? Esse é um tema para o autor e deve ser estudado pela sociologia.
    • Se não estamos olhando a vida no dia a dia e refletindo sobre seus fatos, o que nos informa é a TV [veículos de comunicação]
    • O homem é privado de sua ferramenta de reflexão, de ser ativo politicamente, quando só absorve informações divulgadas nos veículos.
  • Velocidade da internet: informações no universo da superfície, seria impossível publicar um fato em cinco minutos, pois para que houvesse o mínimo de legitimidade deveria ter um espaço mínimo para reflexão, considerações, etc. para o autor a informação sempre fica na superficialidade, não dá tempo para a reflexão e para o debate. Seria uma superfície estereotipada que também passamos à frente. Quando há debate ele está no âmbito do senso comum [apresenta-se soluções fáceis para questões complexas: soluções messiânicas]
  • O autor “diz” ao jornalista: você está prestando um desserviço à sociedade, sem saber. E isso teria incomodado o jornalista, pois para eles o trabalho é bem intencionado, estão obedecendo à estrutura. Essa “afirmação” do autor causou estremecimento entre os jornalistas e isso foi um dos motivos que levaram o livro a ser importante tratando-se de um livro acadêmico.
  • “violência simbólica”
  • “quanto mais enquadramentos/opiniões sobre o mesmo fato, mais próximo se está da realidade”

 Bourdieu e Giovanni Sartori

    • O segundo é muito respeitado na área da ciência política [política dura], livro: Homo Videns [ele está no grupo dos apocalípticos]
    • Temos uma realidade e o jornalismo faria uma referência a esta realidade, colocando barreiras entre o indivíduo e ela; a questão política que se põe é que o telespectador também é um cidadão, deveria ser um ator político e para isso não deveria ter uma comunicação mediada com instrumentos que afastam o indivíduo da realidade.
    • A comunicação indivíduo-indivíduo permite trocas simbólicas mais reais, pois não há a  mediação planejada e estruturada pela mídia.
    • Bourdieu: Os indivíduos são reflexivos e poderia questionar o jornalismo. A postura crítica pode vir do individuo, o poder está nas mãos do receptor, ele pode por exemplo desligar a televisão ou tampar os ouvidos.
    • O jornal poderia deixar de existir com leitores críticos [a Veja poderia ser objeto de piadas, por exemplo]
    • Sartori: não está centrado na emissão da informação e sim na recepção. Há um longo processo de comunicação, há uma história de escrita.
    • Cada letra do alfabeto tem uma história icnográfica que começou com uma imagem, associados por fonemas, constituem uma palavra: a comunicação acontece; há a possibilidade de expressar coisas que não seriam possíveis apenas com imagem [angústia, por exemplo]. Quem não conhece os códigos da linguagem tem problemas com a comunicação que gira em torno da palavra, da escrita.
      • Para o Sartori haveria um anacronismo; homo vídeos: os homens constroem sua sociedade que é em torno da palavra, através da imagem; seu argumento é biológico, o homem passa por uma alteração de apreender as informações.
      • Quando se olha para o desenho de um boi identifica-se o que é um boi e para ler BOI daria mais trabalho: pensar para depois entender. Não seria um pensamento reflexivo seria apenas um entender. [ver > pensar > entender [percebemos esse processo quando observamos alguém que está aprendendo a ler]. Mas quando olha-se a imagem a identificação é mais rápida e essa privação da leitura privaria o homem da capacidade reflexiva.
        • Mas no final ele mesmo diz que a sua tese não muda nada [ô coitado!]
        • Ele fala da vídeo-criança que é educada antes pelo vídeo do que pela palavra. Isso causa dificuldades para interpretar um texto por exemplo. Seriam crianças facilmente manipuladas. 

 

 

    Que beleza hein Dotô Bourdieu?

Há esperanças para a sociologia…rs…. \o/

 

Ô lá em casa…

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Notas para a prova de Sociologia: Interacionismo Simbólico

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática] 

 

Notas da aula

 

  • Sociedade <-> individuo
  • Interação duplicada entre indivíduo e indivíduo (troca entre um e outro e entre o grupo e o indivíduo)
    • Não interessa para a sociologia identificar um e outro, mas sim sua relação, sua interação.
  • Troca simbólica: envolve uma permuta de significados
  • Homo Sapiens Sapiens: capacidade simbólica, o sentido do mundo e os símbolos que o cerca.
  • Neste sentido o interacionismo não quer estabelecer regras gerais; as trocas no âmbito micro, caracterizam a consciência do mundo: é na troca que os indivíduos simbolizam o mundo
  • Não importa avaliar o mundo como um acumulado de matérias [seria o âmbito das ciências naturais, não para a sociologia]
  • A característica da sociologia: qual o sentindo da natureza para o homem [mito, por exemplo; uma “coisa” em si mesma, não significa nada, só quando é simbolizada pelo homem]
    • Quais as relações entre a natureza e o homem [pedra X um Deus]?
  • A sociologia tem vários objetos; vários aspectos na interação social – uma compreensão gradual dos indivíduos e dos objetos.
  • Os sentidos atribuídos estão o tempo todo em mutação [interação simbólica: ressignificação]
    • Cada coisa tem um significado/sentido para cada pessoa, de acordo com seu repertório. Não há uma regra geral para uma significação/sentido.
  • Os sentidos são partilhados, pelo menos com um outro; estabelecimento de redes [da natureza do indivíduo: a partir da formação de grupos; estabelecimento de trocas simbólicas]
  • Cada grupo se forma por um eixo de identidade [não é identificação, mas pela identificação que os indivíduos estabelecem com o líder; pode ser uma ideia, uma instituição, etc, isso dá coesão ao grupo = Deus e cristãos]
    • Um sujeito que é cristão e corintiano faz permuta/troca de representações simbólicas entre os dois grupos dos quais faz parte.
  • Dentro de uma metrópole os indivíduos procuram manterem-se vivos em sua individualidade, a fim de se proteger.
    • Como viabilizam-se movimentos sociais dentro deste contexto? Através do estabelecimento de redes: Compartilhamento de símbolos.
  • Através do internacionalismo simbólico [...]; não há método; não tem como identificar uma estrutura; sempre há a necessidade de reelaborações quando de cada pesquisa.
  • Interacionismo Simbólico: crítica direta ao cartesianismo [este é visto como metafísica (?)]; confusão: construção de alternativas metodológicas para a “ciência” da sociologia, mas ao mesmo tempo quer abandonar o cartesianismo que tem essa qualidade.
    • Cartesianismo: superioridade da vida contemplativa sobre a vida ativa [a primeira é o mundo das ideias e a segunda é o mundo sensível: um é verdadeiro e o outro “mentiroso” – o cidadão deve atingir o mundo das  ideias, lembrar que o cidadão é o filosofo = PLATÃO; segundo o professor esta perspectiva já começa errada, pois a vida ativa contribui para a simbolização da vida]
    • Para Hannah Arendt esta superioridade é equivocada, a vida ativa é que proporciona a significação [símbolo].
    • Descartes: matematização do pensamento [duvidar de sua própria existência teria sido uma perda de tempo; por que já não partir do que já existe? = daí a crise, passa-se a ignorar este método e adotar uma série de outros, de acordo com o contexto]
  • Interacionismo Simbólico: considerar uma mescla [hibridismo] de métodos que levam em conta procedimentos para a realização das pesquisas e também uma espécie de incentivo do vínculo entre o pesquisador e o objeto.
    • A experiência do pesquisador influência na pesquisa de campo.
    • Procedimentos que “norteiam/sugerem” as metodologias para determinadas pesquisas [não há regra fechada]
    • Na sociologia clássica é possível utilizar “padrões” por tratam de conceitos amplos/macros; a sociologia contemporânea está mais próxima do micro objeto/ambiente
    • Para Durkheim há uma força exterior que me faz tomar uma ação, para o Interacionismo Simbólico há um pensamento [ação] que faz a conduta.

 

 Escola de Chicago 

 

  • Linha pouco estudada, a ESP a estuda por conta da tradição em pesquisas, entretanto é esta linha que mais se utiliza no interacionismo simbólico.
  • Edgar Morin: propõe um modelo de religação dos saberes
    • Não adianta recortar o objeto, sendo que ele faz parte de um todo maior.
    • O recorte não é perdido, mas o Interacionismo Simbólico leva em consideração o contexto em que está inserido [há leis, por exemplo, que interagem com o objeto, os significados se alteram independente do objeto]
  • Escola de Chicago: método que associa a sociologia à biologia e à psicologia, pois emprestam conceitos que contribuem para analisar os objetos em questão.
    • Busca inspirações em outras disciplinas
    • Busca de padrões [competição entre os homens, por exemplo]
  • Interacionismo Simbólico da Escola de Chicago: os seres sociais estabelecem vínculos competitivos e solidários; os seres estabelecem relações [...]; o ambiente determinaria as relações entre os indivíduos [relação do ser vivo com o espaço: estudo sociológicos urbanos, tentativa de compreender o espaço, a interação dos indivíduos com relação a ele]
  • Self: inspirado na psicanálise [Jung – inconsciente coletivo], conceito que estabelece a reciprocidade entre os indivíduos através de expectativas sociais[esperamos comportamentos do outro quanto à nossa percepção]
    • Com o tempo ampliamos o nosso universo de informações sobre o outro para criarmos expectativas. Quando o repertório é restrito criamos estereótipos = risco nas interações/relações.
    • A maneira como nos apresentamos nessas expectativas é o tal do SELF; características/itens/dados se incorporam à nossa vida: Interacionismo Simbólico
    • A maneira como enxergo uma coisa é imprecisa, mas a que me interessa, é a que eu conheço [isto não é fixo]
    • A interpretação é o elemento central da sociologia [quem começa com isso é Weber; as ações têm a ver com as intenções do indivíduo; chocar-se com uma bicicleta não significa nada, mas se houve um desvio, o porquê o desvio é o que interessa ao Weber e à sociologia, os aspectos subjetivos interessam aqui, no cartesianismo não; a intencionalidade não poderia ser mensurada]
      • Talvez esse aspecto subjetivo tenha deixado a Escola de Chicago meio de escanteio, seria um afastamento da matematização da vida, não é possível cientificar aspectos subjetivos.
  • Interacionismo Simbólico vê o pragmatismo com muito cuidado; porém ele tem seu valor no que diz respeito à vida ativa, sem conceitos universais.
    • Vida Ativa: não apenas a vida física, mas a vida, mais especificamente a vida política. A sociologia é eficaz quando tem como perspectiva a vida ativa.
  • O Interacionismo Simbólico fornece informações que suscitam a transformação social.
    • O papel da universidade é estabelecer conceitos sociais e não a transformação social, pode-se qualificar a interação social [?]
  • Ordem social: atrela-se à democracia e à comunicação; condição para organização social
    • Democracia: fortalece possibilidades de interação simbólica. É pautada por fatores de comunicação [meios de comunicação: fala, corpo, veículos = interação]:
      • Presente no debate político [aspectos de coerção];
      • Poder econômico;
      • Poder simbólico [ideológico, coloca um debate de ideias, não é coerção – EQUILIBRIO DE TENSÕES [chega-se a um equilíbrio, não é exatamente a vontade de um ou de outro, mas a busca de consensos universais]
      • Poder ideológico e poder político = tipologia de Bobbio
        • Thompson à Politica (consensos); Econômico (bens materiais); Coercitivo (força); Simbólico (o que permeia todos os outros e está inserido em toda forma de comunicação
        • O conceito de poder (Weber): interação simbólica é a sua matéria prima.
  • Ações sociais: intencionalidade como preventiva, aposta-se em projetos futuros, mediante as ações sociais, suas expectativas. Tentamos visualizar as consequências futuras – construímos as coisas –  agimos com relação ao futuro e não ao passado. Isso põem por terra as regras gerais – Projeções subjetivas a partir das expectativas criadas
    • Elementos criados a partir das expectativas
    • Conceito de Self: não é possível visualizá-lo individualmente, porque a ação é tomada com relação ao outro
    • Modelo da sociedade com relação ao futuro (ações): não é a manutenção de uma vida que nasceu, mas de uma vida que vai morrer: as interações sociais servem para fazer a manutenção dos grupos, a fim de reelaborarmos e resignificarmos, para que haja a possibilidade de construir projetos.
  • Escola de Chicago e Interacionismo Simbólico: concepção de sociedade que não mais diminui o indivíduo com relação a ela [diferente de Durkheim].
    • Indivíduos que partilham dos “mesmos” vínculos, quando outros indivíduos se integram a este grupo, os últimos sempre abrem mão de seus significados para pertencerem ao primeiro grupo (Raciocinamos com relação ao custo X beneficio; os indivíduos têm vontades individuais, mas quando querem pertencer a um grupo abrem mão de determinadas vontades, haveria um pressão do grupo, a liberdade perderia terreno).
      • Caso o indivíduo tenha uma atitude contrária ao grupo, ele exerceu sua vontade, porém de qualquer maneira ele fará parte de outro grupo = podemos exercer a nossa vontade (cambiar entre os grupos, por exemplo)
        • O indivíduo interage com os grupos e é com isso que ele próprio se constrói, acumula-se experiência e significados
          • A partir da sociedade se faz o indivíduo ativo – realiza-se o indivíduo -, é na troca que o indivíduo existe
          •  Permutação de experiências
            • As regras são construídas e fabricam os indivíduos
            • Viver em sociedade pode se valer do simbólico a fim de ampliar o individuo em suas experiências e significações.
  • O indivíduo só consegue elaborar a partir da interação com o outro (vide psicanálise)
  • Não seria possível manipular pessoas, manipula-se coisas, os seres humanos são simbólicos, portanto, não manipuláveis [?]

 

SOCORRO!
QUE CONFUSÃO!
EU QUERO A MINHA MÃE!
ALGUÉM PODERIA ME ABRAÇAR?

 

 

 

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Notas para a prova de Sociologia: GIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática] 

Notas da aula

  • Modo de olhar a realidade.
  •  Aproximar o olhar sociológico da verdade e da ciência.
  • Crise epistemológica (século  XX).
  • Caminhar em busca de uma verdade: projeto cartesiano (início do sec. XX) não atendeu à expectativa =  crise.
  • Depois da crise: estudos embasados na fenomenologia
    • Que diabeisso? Kant: ciência que estuda a matéria enquanto objeto possível da experiência; Husserl: método que visa encontrar as leis puras da consciência intencional.
    • Religação dos saberes.
    • Fenda na sociologia = não dar à sociologia o rotulo de ciência
    • Esforço da sociologia: algumas alternativas para se aproximar da ciência: estruturalismo (lembrar da matemática de Lévi-Strauss)
    • Saussure: língua é premente para toda a cultura humana.
    • Lévi-Strauss: a partir de Saussure traça sua estrutura elementar do parentesco (independente do lugar a estrutura do parentesco se repete = proibição do incesto, por exemplo). A proibição é da ordem da cultura, não da natureza.
    • A língua permite se vincular. É através dela que se realiza o pensamento. Também se dão as regras sociais, etc. Só com a língua é permitido realizar coisas. Sempre nomeamos as coisas. Exteriorizamos através dela, ela é uma chave de acesso. Para o professor o estruturalismo é muito acertado, porque tudo passa pela fala.
    • (Platão) Pharmakón (língua) é o mesmo que remédio, veneno e/ou máscara-cosmético (é algo que engana = maquiagem).
    • Na corrente estrutural está implícito que todo homem é passível de linguagem, ele pode através da fala estabelecer todas as coisas em uma sociedade (conhecimento, mentira, verdade). Se eu sei como a fala se organiza é possível compreender os projetos dos homens.
    • Aristóteles: o homem se move por algum motivo exterior, o homem é atraído por alguma coisa que o move.
    • Intenção como projeto: associa-se a uma visão de futuro. Os indivíduos não estão no presente por conta do passado, mas por conta do futuro. “não estou aqui porque nasci, estou aqui porque vou morrer (eita conversa de doido). Passo a projetar a minha vida, vou me aposentar com tal idade para fazer sei lá o que com tantos anos. Compreender essa intencionalidade (padrões)  voltada para o futuro (sempre através da fala) é compreender os projetos da sociedade.
    • Aristóteles: o homem é homem porque fala e porque fala é o homem politico.
      •  (lembrar da moça que nasceu muda, surda e cega: ela conseguiu pensar após aprender a “falar”)
      • A linguagem não é apenas um conjunto de signos, ela compreende uma forma lógica de existir. A linguagem compreende o pensamento como um todo. (lembrar do cara que separou as fitas azuis)
      • O pensamento pode ser compreendido através da linguagem.
      • Na sociologia: uma força invisível não é necessariamente a língua, por não ser absoluta. Há algo que extrapola a intencionalidade. Dar-se-ia uma compreensão melhor da realidade. Ela quer uma explicação universal mais próxima da ciência: estariam além do estruturalismo.
      • O inconsciente não é totalmente inconsciente, pois alguém sempre sabe identificar esse “inconsciente”: alguém nos conta algo que não sabemos que fazemos, daí fica consciente. (isso é muito interessante)
      • Essa coisa de inconsciente/consciente já é uma critica ao estruturalismo. Não haveria uma força invisível que conduziria a minha vida sem a possibilidade de mudança.
      • “o que é morto (estruturalismo) é a questão de ser apenas uma forma de estabelecer um complexo de perspectivas para compreender um fato”. É possível utilizar o estruturalismo, mas não seria o único meio.
      • A crítica é um alerta quanto ao estruturalismo como mais um método de análise, não é o único.
      • A língua é viva, ela se modifica e quem permite isso é o homem.
      • Signo = significante (materialidade) e significado
      • Palavra-signo = significado de coisas (significantes)
      • A realidade social altera as coisas; os significados podem ser alterados, “surgem” novas palavras; uma forma mais orgânica de compreensão. No estruturalismo há uma força maior na palavra-signo (a questão do dogma é estrutural, por exemplo, é possível estabelecer vínculos dentro desse ambiente religioso).
      • O texto é uma tentativa de estabelecer uma conexão do estruturalismo e pós-estruturalismo dentro da sociologia. Ele trata das implicações dos conceitos. A tentativa da aula é deixar o texto mais palatável. Haveria sempre a possibilidade de avaliar a estrutura de determinado fato, com os pés atrás, pois há a necessidade de ampliar o fato no contexto em que ele se insere; o sentido que dou à determinado objeto só faz sentido dentro de determinada estrutura: o significado da palavra balada, por exemplo. Os significados são alterados através da vivência social.
      • Para que o pensamento estruturalista seja útil ele deverá se ampliar a partir de variados pontos de vista e variadas estruturas.
      • O autor e propõe a falar de uma teoria morta. Comte utiliza as ciências naturais para analisar as sociais, assim, procura colocar leis universais para a sociedade, naquele momento ele teve algum mérito, deixou-se o campo da filosofia para ir ao campo da ciência exata, hoje sabemos que não era possível analisar a sociedade com ferramentas exatas, pois o ser humano tem o universo simbólico. Assim, o estruturalismo seria uma tentativa de, independente do contexto, explicar determinadas coisas (condutas, atitudes), encontrar-se-ia certas universalidades.
      •  O estruturalismo daria subsídios para o olhar sociológico, significa que não olharíamos a esfera rolando e faríamos anotações, olharíamos o que haveria por traz, no caso dos homens seria possível “olhar para além do evidente”.
      • Declarar o estruturalismo uma ciência morta, significa deixar de lado, por exemplo a dinâmica do trabalho, ou então o estudo: estuda-se por uma série de motivos, por exemplo.
      • O estruturalismo motivaria as formas de interpretações e perspectivas. “no fundo queremos enxergar o que ninguém enxerga”. “O viver dentro do vivido”. “Vivenciar com os objetos, adquire-se experiência”
      • Acontece uma necessidade de adequar métodos aos contextos que se queira pesquisar.
      • A linguagem é mais um produto das relações sociais do que algo que determina as ações.
      • De um lado se tem a estrutura que determina as ações e as ações que determinam a estrutura, para os estruturalistas, é a estrutura que determina as ações. Porém os sentidos e significados são adaptados a novos contextos.  A estrutura se movimenta (Lévi-Strauss não pensa assim), a tradição estruturalista não se sustenta sozinha, ela é um referencial. Tem que se construir a estrutura a partir do fato. A estrutura é apenas uma perspectiva dentre tantas outras.

Tópicos/anotações do Texto:

GIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje. p 281, 319

Estruturalismo, Pós-Estruturalismo e a Produção da Cultura:

  • [Acho que ele não acredita no estruturalismo].
  • Estruturalismo e pós-estruturalismo: tradições mortas de pensamento, embora não hajam transformado nosso universo intelectual da maneira que pretendiam, chamaram nossa atenção para alguns problemas de considerável e duradoura importância.
  • Características persistentes e definitivas do estruturalismo e do pós-estruturalismo:
    • linguística é de importância fundamental;
    • ênfase na natureza relacional das totalidades ligada à tese do caráter arbitrário do signo e da primazia do significante sobre o significado;
    • descentralização do sujeito;
    • aspecto temporal como algo constitutivamente integrante da natureza dos objetos e eventos.
    • Nenhum desses temas deixa de suscitar questões importantes para a teoria social contemporânea. Mas também nenhum deles recebeu uma explicação aceitável.

Problemas de Linguística:

  • A distinção de Saussure entre langue (língua) e parole (fala) pode ser, com justiça, considerada a ideia-chave da linguística estrutural [...] a língua deve ser isolada dos usos múltiplos dos atos particulares da fala. Parole: “o lado executivo da língua”, langue é “um sistema de signos onde o elemento essencial único é a união de significados com imagens acústicas”. Portanto, a língua é um sistema idealizado, inferido dos usos particulares da fala, mas independente deles. Os conteúdos sonoros da língua são, de certa maneira, irrelevantes para a análise da langue, pois o que importa são sua substancia real.
  • A língua é um produto coletivo, um sistema de representações sociais [...] se a língua for essencialmente uma realidade psicológica, os signos não serão arbitrários. [...] se a língua for vista como uma realidade mental, o signo deixará de ser arbitrário e sua significação de modo algum poderá ser definida por suas relações com elementos contemporâneos da língua.
  • Bloomfield e Harris tentaram separar completamente a linguística de todo tipo de mentalismo ou psicologia.
  • Chomsky conseguiu reconciliar a base mentalista da língua com um modelo complexo de linguística formal.
  • Chomsky reintroduz a interpretação, pois a identificação da correção sintática depende do que é considerado aceitável pelos falantes de uma determinada língua.
  • O que falta é uma descrição do “termo mediador” ente langue e parole. O agente é, para Chomsky, o locus daquilo que ele considera a “criatividade normativamente governada” da linguagem como sistema.
  • A linguística da Escola de Praga concentra-se na língua como meio de comunicação. Dessa forma, a semântica não é completamente apartada da sintaxe e a natureza da langue exprime relações de significação.
  • Pareceria então que a língua teria de ser analisada nas instituições da vida social.
  • Em épocas diversas, tanto Lévi-Strauss quanto Barthes supuseram que as bases principais do estruturalismo consistiam na aplicação de procedimentos linguísticos a outras áreas de análise. Para Lévi-Strauss, a linguística estruturalista fornece modos de análise aplicáveis em toda parte e chaves concretas para explicar a natureza da mente humana.
  • É que a linguística estrutural nos permite discernir aquilo que, mais tarde, ele considerou “realidades fundamentais e objetivas, formadas por sistemas de relações que são o produto de processos de pensamento inconscientes”. Culler, atribui à linguística uma importância capital para o estruturalismo geralmente acarreta inúmeras implicações.
  • Dadas as conexões entre linguística estruturalista e estruturalismo em geral, diz-se com frequência que o estruturalismo participou da ampla “reviravolta linguística” que caracteriza a filosofia e a teoria social moderna. Eis ai uma conclusão falaciosa.
  • Embora Chomsky reconheça e mesmo acentue a capacidade criativa do ser humano, essa qualidade é atribuída às características da mente e não a agentes conscientes que desempenham suas atividades diárias no âmbito das instituições sociais. Conforme declarou um observador “o poder criador do indivíduo deve ser tomado logo que seja reconhecido e dado a um mecanismo inscrito na constituição biológica da mente
  • Conduta social. A competência linguística pressupõe não apenas o domínio sintático de sentenças, mas o controle das circunstâncias em que determinados tipos de sentenças são viáveis. Nas palavras de Hymes “a pessoa adquire competência a respeito de quando falar e quando calar, o que falar com quem, quando, onde e como”. O domínio da língua é inseparável do controle da variedade de contextos em que essa língua é utilizada.
  • A obra de autores tão dispares quando Wittgenstein e Garfinkel nos conscientizou do que isso significa tanto para a compreensão da natureza quanto para a apreensão do caráter da vida social. Saber uma língua significa certamente conhecer regras sintáticas, mas, igualmente importante, saber uma língua é adquirir um conjunto de recursos metodológicos para, ao mesmo tempo, produzir sentenças e constituir (e reconstruir) a vida social nos contextos diários da atividade social. [...] conhecer uma forma de vida é poder aplicar certas estratégias metódicas ligadas a qualidades iniciais dos contextos em que se executam as práticas sociais.
  • Crítica. Lévi-Strauss algumas vezes pretendeu, que a vida social é como uma língua. A linguística não pode fornecer um modelo analítico da natureza da ação ou das instituições sociais porque, fundamentalmente, ela só se explica graças à compreensão destas. A “reviravolta linguística” não passa de um afastamento da linguística, concebida como uma disciplina de formação independente, rumo ao exame da coordenação mútua de língua e práxis.

A Natureza Relacional das Totalidades:

  • A ideia fundamental por demonstrar que a totalidade linguística não “existe” nos contextos do uso da língua. “A totalidade não está presente” nas exemplificações que constituem seus traços.
  • A crítica de Saussure baseia-se inteiramente na ideia da constituição da langue por meio da diferença. Considerando-se que a palavra extrai sua significação apenas das diferenças estabelecidas entre ela e outras palavras, as palavras não podem “significar” seus objetos. A língua é forma, não substancia, e só consegue gerar significação graças ao jogo interno de diferenças.
  • O que importa não é o que se usa para significar, mas sim as diferenças que criam o “espacejamento” ente eles.
  • Se a substância real revestida pelos significados pouco importa, sem as diferenças criadas pelos sons, marcas e outros diferenciadores nenhuma significação existiria. Portanto, o programa da semiótica não é apenas um acessório da linguística na formulação saussuriana, mas uma coextensão do exame da langue em si.
  • A filosofia de Derrida radicaliza ainda mais nesse ponto. Sua negação da “metafisica da presença” deriva diretamente de seu tratamento da ideia da diferença como elemento constitutivo, não apenas dos modos de significação, mas também da existência em geral. Derrida não buscava propriedades universais da mente nem tentava construir de modo alguma uma filosofia sistemática. [...] o estudo de Lévi-Strauss sobre as culturas orais seria, paradoxalmente, uma forma de “logocentrismo” ocidental.
  • Graças à distinção ente langue e parole, Saussure pôde inserir a ideia de diferença num “sistema virtual” fora do tempo. A transformação da versão saussuriana de diferença na différance de Derrida foi realizada pela introdução do elemento temporal. Diferenciar é também diferir (adiar).
  • Derrida: Toda significação opera por meio de traços: traços de lembrança no cérebro, o esmorecimento dos sons à medida que vão sendo emitidos, traços que a escrita deixa.
  • A inversão de Derrida da prioridade usual concedida à fala sobre a escrita denuncia a preocupação com o significante em detrimento dos significados. Para Derrida, a fala parece representar um momento em que forma e significação estão presentes ao mesmo tempo. Depois de percebermos, conforme o próprio Saussure demonstra, que isso não é possível, somos levados a questionar o pressuposto de que a fala constitui a expressão mais elementar da língua. Quando ouço minha própria fala, é como se as palavras proferidas fossem meros veículos de meus pensamentos: a língua envolve e expressa consciência. (LINDO)
  • A escrita surge como a melhor ilustração da diferença.
  • A fala “personaliza” a língua vinculando-a aos pensamentos do falante. Na verdade, a língua é essencialmente anônima, jamais propriedade de falantes individuais, e sua forma depende de propriedades retroativas. Derrida não pretende com isso conceder, à escrita concreta, primazia sobre instâncias de fala.
  • A proto-escrita, sustenta Derrida “é invocada pelos temas da arbitrariedade do signo e da diferença”, mas “jamais poderá ser reconhecida como objeto de ciência”. Quer dizer, não deve ser o objeto de investigação de uma linguística não-logocêntrica.
  • Critica. A noção do caráter arbitrário do signo é responsável não apenas por alguns pontos fortes, mas também pela duradoura fraqueza que contamina as tradições estruturalistas e pós-estruturalista de pensamento.
  • Saussure: O uso linguístico decerto não é arbitrário no sentido de que o usuário da língua pode escolher qualquer possibilidade expressiva que queira. Ao contrário, o uso aceito é fortemente coercitivo.  [...] a natureza dos significados permanece em grande medida inexplicada. [...] a significação de uma palavra não é o objeto a que essa palavra pode referir-se; [...] a confusão percebida por Benveniste.
  • Os escritos de Saussure promoveram uma “retirada para o código” que, desde então, caracterizou os autores estruturalistas e pós-estruturalistas. Ou seja, a descoberta de que os componentes da langue só possuem identidade graças à sua diferenciação dentro do sistema geral afasta a língua de quaisquer conexões referenciais com o mundo objetivo. O pensamento estruturalista e pós-estruturalista não conseguiu elaborar um conjunto de referência e, seguramente, não é por acaso que essas tradições de pensamento tanto se concentraram na organização interna dos textos.
  • Os escritos de Derrida, o produto mais sofisticado da transição do estruturalismo para o pós-estruturalismo. [...] os objetivos da metafísica [...] têm de ser “desconstruídos” e não “reconstruídos”, pois repousam em premissas enganosas [...] não existem essências a serem apreendidas por formulações linguísticas adequadas.
  • Wittgenstein protestaria contra a ambição de Derrida de ampliar o conceito de escrita, mas concordaria com ele em que a língua não deve ser interpretada nos termos das significações subjetivas dos agentes individuais. A rejeição, por parte de Wittgenstein, da tese da língua privada. [...] as instâncias da língua são necessariamente uma produção “anônima” e, portanto, “impessoal”.
  • Ao invés de promover uma “retirada para o código”, Wittgenstein procura compreender o caráter relacional de significação no contexto das práticas sociais. [...] a visão de língua e significação apta a ser extraída de sua filosofia (ou pelo menos de algumas noções básicas dessa filosofia) sejam mais sofisticadas que as oferecidas pelo estruturalismo e o pós estruturalismo.
  • O caráter insatisfatório da tese da arbitrariedade do signo, tal qual se difundiu pelas tradições estruturalistas, empobreceu radicalmente os trabalhos sobre significação que estas tradições poderiam oferecer.
  • Para Wittgenstein, a significação dos itens lexicais deve ser buscada na mescla de língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes nas formas de vida. [...] a compreensão da significação implica a apreensão da veracidade de certas classes de declarações.

A Descentralização do Sujeito

  • Como gostam de salientar os próprios autores estruturalistas e pós-estruturalistas, a psicanálise já mostrou que o ego não reina em sua própria casa sendo suas características reveladas só por um desvio através do inconsciente.
  • Saussure: A língua é um sistema de signos constituídos por diferenças e em relação arbitrária com os objetos [...] Assim como a significação de “árvore” não é o objeto árvore, a significação de termos referentes à subjetividade humana, em especial o “eu” do sujeito pensante ou atuante, não podem ser os estados de consciência. Como qualquer outro termo numa língua, “eu” se constitui em signo apenas por causa de suas difernças em relação a “tu”, “nós”, “eles”, etc.
  • Lévi-Strauss. Seus escritos foram o elo mediador entre Saussure e as críticas do humanismo na filosofia pós-estruturalista. [...] “não como os homens pensam em forma de mito, mas como os mitos atuam na mente dos homens sem que eles se deem conta do fato”; “os mitos traduzem a mente que os elabora utilizando o mundo do qual ela mesma faz parte”. Não há um “eu penso” nessa caracterização da mente humana. As categorias inconscientes da mente são o pano de fundo contra o qual se revelam os sentimentos da individualidade. A consciência se torna possível graças à estruturas mentais que não lhe são imediatamente acessíveis.
  • O “eu” não é imediatamente acessível a si mesmo, já que deriva sua identidade do envolvimento num sistema de significação. O “eu” não é expressão de um núcleo constante de identidade que constitua sua base. O “ser” sugerido pelo “existo” independe da capacidade do sujeito de empregar o conceito “eu”. Aquilo que Lacan chama de “discurso do Outro” seria a fonte tanto da capacidade do sujeito de empregar o “eu” quanto da afirmação existencial em “existo”. Lacan: “O outro é, portanto, o sítio onde se constitui o Eu que fala a quem o escuta, aquilo que é dito por um sendo já a resposta, enquanto o outro decide escutá-lo quer o primeiro tenha ou não falado”.

Todos os autores acima mencionados concordam quanto à irrelevância do autor para a interpretação do texto. [...] o “eu” do autor é uma forma gramatical e não um agente em carne e osso. O texto se organiza em termos de jogo interno de significantes, pouco importa à nossa compreensão, o que seu criador ou criadores quiseram colocar nele. Os autores estão em toda parte e consequentemente em parte alguma de seus textos. Barthes: “um texto é … um espaço multidimensional em que toda uma variedade de escritos, nenhum deles original, se mistura e se choca”. Isso, repetimo-lo, não é uma conclusão especificamente do âmbito do pós-estruturalismo. [...] tanto a análise textual quanto a crítica literária precisam romper com as perspectivas “intencionalistas”.

Rejeitar a ideia de que a consciência (a consciência de si ou o registro sensorial do mundo exterior) possa embasar o conhecimento de uma das mais importantes transições da moderna filosofia.

  • Os estudos estruturalistas e pós-estruturalistas sobre a descentralização do sujeito estão inevitavelmente ligados às versões de língua e inconsciente associadas à linguística estruturalista e sua influência.
  • O desvio necessário para se recuperar o “eu” não é só tomado, de modo muito amplo, através da língua como é filtrado por uma teoria linguística particular. Se situarmos a língua nas práticas sociais e rejeitarmos a distinção estruturalista/pós-estruturalista entre consciente e inconsciente, alcançaremos uma concepção diversa do sujeito humano – como agente. [que bonito]

Escrita e Texto

  • Derrida:
  • Nenhum elemento pode funcionar como signo sem se relacionar a outro elemento que não esteja meramente presente. Esse vínculo significa que cada “elemento” – fonema ou grafema – se constitui por referência aos traços que nele deixam os outros elementos da sequencia… Nada, nos elementos ou no sistema, está mais simplesmente presente ou ausente.
  • Wittgenstein. O que precisa ser elucidado, na verdade, é a “gramática” do tempo. O tempo não possui essência, não há formulações abstratas capazes de explicar sua natureza.
  • A imagem wittgensteiniana do caráter relacional da significação, tal qual expressa na organização de práticas sociais, não implica o colapso do tempo em espaço. Tempo e espaço não entram na estruturação da significação através da dimensão “plana” da escrita, mas através da contextualidade das próprias práticas sociais.
  • Importante: o que importa não é o “uso” e sim o processo de usar palavras e frases nos contextos de conduta social. A significação não é construída pelo jogo dos significantes, mas pela interseção da produção de significantes com objetos e eventos do mundo, enfocados e organizados pelo agente. A ser isso correto como penso que é, a prioridade da escrita sobre a fala – ou antes, a conversa – volta a impor-se a outros meios de significação. A conversa, que ocorre em contextos cotidianos de atividade, é o “veículo” fundamental da significação porque opera em contextos comportamentais e conceituais saturados. A escrita possui certas propriedades distintas que podem ser explicadas com precisão apenas quando as opomos ao caráter cotidiano da conversa. A constituição da significação, nessa conversa, condiciona além disso as propriedades significativas da escrita e dos textos.
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