A Suástica no dedo de Deus

(Análise do Filme “Arquitetura da Destruição”)

Assim como um Deus, o Nazismo decretou a recriação do homem, do Corpo do Povo da Alemanha, de uma Alemanha etnocêntrica. Utilizando-se da linguagem estabelecida e criando novos signos com relação àquela linguagem, determinou a formação de um novo padrão estético e cultural alemão.

Despertado pela Ópera Rienzi , de Richard Wagner , e apoiado na arte clássica grega , Adolf Hitler, líder do Nazismo, encontrou os fundamentos necessários para a higienização e conseqüente embelezamento do mundo, sendo este a Alemanha. O conceito da arte, em sua perfeição, de acordo com o padrão grego, foi projetado na sociedade alemã. Os alemães foram convocados à perfeição, à construção do centro arquitetônico do mundo, onde não haveria espaço para a miscigenação (causadora de deformidades), falta de higiene (causadora de doenças), pobreza, vícios, etc. A Alemanha foi predestinada a ser uma grande e indiscutível obra de arte, portanto o cumprimento de seu destino justificaria quaisquer atitudes e decisões.

A sofisticada e elaborada propaganda foi determinante para a veiculação e respectiva assimilação do novo conceito estético e cultural. Através de discursos e documentários fundamentados nos desejos latentes humanos (a busca da perfeição e a supremacia cultural, esta última, desencadeadora da supremacia racial), as campanhas publicitárias obtiveram resultados positivos, de acordo com os seus objetivos, independente da ética e moral do senso comum. O novo homem, em nome do Corpo do Povo, foi recriado e junto com ele uma nova cultura, sendo assim justificada, pois identificava aquele grupo e atendia ao seu novo padrão estético.

Os formatos e intenções da Comunicação Social, no que diz respeito à avaliação e julgamento do saber (abstrato) e seu respectivo fazer (concreto), são responsáveis pela construção de novas culturas, que influenciam outras. Reinterpretando e criando símbolos, determina verdades, conceitua princípios e valores. O dedo de Deus, de Michelangelo, deu vida ao homem e a cultura Nazista, através de sua propaganda/comunicação, determinou qual o tipo de homem tinha direito àquela vida.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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2 respostas para A Suástica no dedo de Deus

  1. Antonio Ishaq disse:

    Ô Alê que isso?, que papo reto é esse meu amor? Vc. tá querendo me dizer então que o cara pintou a capela sinistra?

    • Alê Almeida disse:

      Oi Antonio, tudo bem?
      Não, eu não quis dizer que o cara (?) pintou a capela sinistra (?). O texto trata da análise de um documentário sobre a propaganda utilizada naquele período e a obra serviu apenas como alegoria.
      Abraços e feliz ano novo,
      Alê

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