Era uma vez, num reino muito distante.

O texto abaixo trata-se do relatório individual referente à conclusão do 1º Módulo de Comunicação Social da Universidade Cidade de S. Paulo.

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Curso Superior de Tecnologia em

COMUNICAÇÃO E MARKETING

Módulo: Comunicação e Sociedade

Alessandra Felix de Almeida
Noturno – Sala 207

Relatório Individual
Conceitos aplicados no Módulo que compõem a minha formação
Aplicação dos conceitos na elaboração do Projeto Mídia Radical/Mídia Viral para a Expressão Sociocultual “Nordestinos Paulistanos”

 São Paulo
Junho/2009

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Fiat Lux

Faça-se o conhecimento.

Se este curso fosse uma releitura do filme The Matrix[1], teria sido-me oferecida apenas a pílula vermelha[2]. A Comunicação Social seria a protagonista e o elenco teria sido composto por uma lista em eterno processo de construção, mutação e aprendizado.

Norval Baitello[3] apresentou Charles Sanders Peirce,[4] e seu surpreendente estudo da semiótica[5], ensinando que o captado pelos olhos, não é necessariamente o que o cérebro assimila, portanto a protagonista dever ter seriedade e responsabilidade em sua atuação.

René Armand Dreifuss[6] congelou a todos com sua teoria sobre os Tecnobergs[7], porém sinalizou um caminho neste enredo, com a frase de encerramento de seu livro Transformações: Matrizes do Século XXI: “E o jogo continua…”.

John Downing[8], sacudiu o status quo da Comunicação Contemporânea, gritou a plenos pulmões “Mídia Radical”, uma ferramenta difícil de se executar, pois demanda tempo, paciência e dedicação, porém simples de se compreender, pois o desejo de expressão é inato e a hegemonia, fundamento dos atuais meios de comunicação, é a antítese desse desejo.

Pierre Lévy[9], em seu livro Cibercultura, apresentou as novas ferramentas tecnológicas da comunicação, percebendo-as com uma capacidade humanizadora, através da livre troca de informações, tornando o espaço virtual um espaço democrático e este pensamento foi reforçado pela Declaração de Independência do Ciberespaço, de John Perry Barlow[10].

Milton Santos[11] com sua delicadeza paradoxal à realidade da Globalização, emocionou a atriz principal dessa suposta releitura, apresentando as possibilidades de uma transformação positiva em prol da sociedade, em que ela, a Comunicação Social, deverá fazer por merecer o seu papel de protagonista.

Estamos convencidos de que a mudança histórica em perspectiva provirá de um movimento de baixo para cima, tendo como atores principais os países subdesenvolvidos e não os países ricos; os deserdados e os pobres e não os opulentos e outras classes obesas; o indivíduo liberado partícipe das novas massas e não o homem acorrentado; o pensamento livre e não o discurso único.[12]

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Dura Lex Sed Lex

 

O estudo é duro, mas é o estudo. Apesar de exigir sacrifícios, o estudo deve ser cumprido.

O módulo Comunicação e Sociedade, dividido nas Unidades Curriculares, Comunicação Contemporânea e Cenários do Mercado de Comunicação, percorreu os caminhos da história, cultura, política, tecnologia, ética, deveres e diretos, todos com um único destino, o entendimento da Comunicação Social e sua respectiva responsabilidade para com o seu receptor: a Sociedade.

A existência da sociedade dialética, que segundo a minha opinião, é a que melhor expressa o sentindo da evolução, necessita de uma comunicação legítima para o gerenciamento de seus conflitos, propiciando a interação humana e social, através de informações com intenções definidas para esse fim.

A história da humanidade demonstra o desejo da comunicação. Desde o início da linguagem até a Sociedade da Informação, o homem tem manifestado sua intenção de revolução, de modificar o que não está suficiente, de compreender o que foi entendido, rever conceitos e se emancipar. Portanto se a informação comunicada tiver o caráter da responsabilidade social, enriquecerá o universo abstrato possibilitando atitudes positivas e de âmbito social no universo concreto.

A Comunicação Contemporânea caracterizada pelos veículos de massa, sendo o principal a Televisão, procura hegemonizar os telespectadores, transformando-os em consumidores de bens materiais e culturas apropriadas, subjulgadas e transformadas em produtos volúveis que sempre necessitaram de um substituto, perfazendo-se assim, um infinito ciclo de consumo desenraizado.

Controlada pela política atual e por grandes grupos e corporações empresariais, a Televisão, não atende à regulamentação vigente em nosso país, que, entre outros aspectos, está fundamentada na produção cultural e educativa. A Televisão brasileira segue o Modelo Norte Americano baseado na publicidade e sua respectiva captação financeira. O não atendimento à regulamentação ganha reforço em nossos representantes no Estado, pois há interesses políticos nessa questão, e provavelmente não há intenções de se indisporem com quem lhes transmitirão suas imagens e informações.

Os veículos de comunicação no Brasil são controlados por nove famílias:

  • Abravanel (SBT);
  • Bloch (Manchete);
  • Civita (Editora Abril);
  • Frias (Folha de S. Paulo);
  • Levy (Gazeta Mercantil – em processo de encerramento das atividades);
  • Marinho (Organizações Globo);
  • Mesquita (O Estado de S. Paulo);
  • Nascimento Brito (Jornal do Brasil); e
  • Saad (Rede Bandeirantes)

E 40% da comunicação no mundo é controlada por sete grandes grupos. Estes cenários demonstram a facilidade da apropriação e manipulação da informação, comprovando assim, a teoria dos Tecnobergs.

A sociedade contemporânea é comunicada através dos veículos de massa, os produtos ali anunciados seguem esta mesma nomenclatura, sem atender às necessidades individuais de cada cultura, tudo é consumido por todos. Globalização, muito prazer.

O Consenso de Washington tem as seguintes regras básicas:

  • Disciplina fiscal;
  • Redução dos gastos públicos;
  • Reforma tributária;
  • Juros de mercado;
  • Câmbio de mercado;
  • Abertura comercial;
  • Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições;
  • Privatização das estatais;
  • Desregulamentação (afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas); e
  • Direito à propriedade intelectual.

Estas regras atendem às necessidades de quem as criou, passou a prevalecer um discurso único através da mídia, as regras descritas propiciaram aos países pobres, entre eles o Brasil o desemprego, a violência estrutural, o não investimento em pesquisas, portanto o não crescimento do país. O mundo se unificou em atendimento às expectativas dos controladores, sejam eles de informação ou bens de consumo, padronizando e homogenizando as culturas.

A democratização dos meios de comunicação é uma ferramenta de inserção social, de revisão dos paradigmas impostos pelos controladores da mídia. A comunicação deve ser de direito, assim como a habitação, saúde e segurança, deve ser assegurada pelo Estado, portanto por este regulamentada.

[…] os aspectos desse processo se modificaram constantemente, mas, os objetivos continuam sendo os mesmos: justiça, igualdade, maior reciprocidade no intercâmbio de informações, menor dependência nas relações de informação, menor difusão de mensagens vindas dos países desenvolvidos; auto-suficiência e reforço das identidades nacionais[13].

“os meios eletrônicos de comunicação contraem o mundo, reduzindo-o às proporções de uma aldeia ou tribo onde tudo acontece a toda gente ao mesmo tempo: todos estão a par de tudo o que acontece e, portanto, no momento mesmo do acontecimento.” (MCLUHAN e CARPENTER, 1966: 47)

Essa democratização pode utilizar a ferramenta “Mídia Radical” em diversos meios, de acordo com o ambiente onde o público desta mídia está localizado, sejam rádios comunitárias, a utilização da TV Digital, criação de grupos socioculturais, criação e/ou presença em eventos de comunidades, utilização no meio virtual através da internet, entre outros.

Mobilizações populares como estudado por Milton Santos, pode gerar a emancipação da sociedade e a conquista de seu lugar de direito: parte do organismo da nação. Os profissionais de Comunicação Social têm papel fundamental nestas ações, pois é um estudioso da sociedade, de sua ética e moral, dos meios de comunicação e suas respectivas possibilidades.

“O homem é o limite do próprio homem”, Rousseau.

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Ex Corde

 

De razão.

A Mídia Viral e Radical desenvolvidas para o grupo sociocultural “Nordestinos Paulistanos”, apoiou-se na análise dos conceitos de semiótica, linguagem, apropriação cultural, meios de comunicação, comunicação de massa, tecnologia da informação, hegemonização, ética, moral, senso comum, positivismo e dialética, ideologia e democratização dos meios de comunicação.

A Mídia Viral, no formato de filme, abordou a moral, um conjunto de pensamentos aprendidos e não discutidos, uma forma de senso comum, o senso comum do preconceito com relação ao porquê da existência do nordestino na cidade de São Paulo.

A Mídia Radical, no formato de Blog[14] apresentou em seu layout uma nova abordagem simbólica com relação ao universo nordestino. Os layouts característicos recorrem às cores quentes que remetem à diversão, e às imagens de chapéus de couro e bandeirinhas de festas juninas, que remetem ao cangaço e ao folclore, respectivamente. A escolha foi por cores neutras sem nenhuma imagem, a não ser as relacionadas ao tema, que em sua maioria são relativos às atualidades nas áreas políticas, econômicas, culturais e de responsabilidade social. Essa escolha teve a intenção de modificar a resposta inconsciente do receptor, visitante do Blog.

Foi utilizado o vocabulário nordestino em todos os títulos, menus e páginas, para que houvesse o reconhecimento e conhecimento da linguagem típica.

São informados, através de biografias ou matérias, as origens culturais, intelectuais, cientificas, políticas, etc, provenientes de nordestinos, para que não haja a possibilidade de uma suposta apropriação ou na melhor das hipóteses, o desconhecimento destas origens.

O Blog traz diariamente notícias pertinentes ao público abordado, através de pesquisas na internet, jornais, rádio e TV. Foram utilizadas as ferramentas da Comunicação Contemporânea para o rastreamento destas informações. O processo dessas pesquisas mostraram o aspecto positivista da nossa sociedade quanto ao tema abordado, pois segundo respostas dos visitantes do Blog, muitas daquelas informações eram desconhecidas, ou seja, há um estado estabelecido de dominante e dominado: os dominadores da informação que divulgam o que lhes é interessante e os dominados aceitam aquela informação, vivendo “felizes” para sempre. Mas, frases, como por exemplo: “Eu não sabia disso”, pode levar ao conflito de verdades estabelecidas, assim a discussão será inevitável, ainda que intimamente, portando a dialética é iminente.

Os pontos citados interferem na minha formação e consequentemente na elaboração do Blog, no que dizem respeito à responsabilidade social. A responsabilidade passou a nortear a minha formação e minhas atitudes no dia-a-dia. Responsabilidades de como compreender uma informação e como transmiti-la, “dormir a idéia”, pensar no antes, no durante e no depois. Pesquisar, analisar, trocar informações, pedir opinião, a quem quer que seja, ouvir mais do que falar, todos com responsabilidade, são os fundamentos da profissão de Comunicador.

A consciência do estado em que se encontra a nossa sociedade, levou-me a reflexão do longo caminho a ser percorrido (provavelmente gerações), nossos costumes e ideologias são como cicatrizes em nosso modo de vida, a cultura herdada de nossos civilizadores, parece fazer parte de nosso DNA, o jogo de interesses, por parte dos controladores sejam eles políticos ou midiáticos, parece estar além de nossas forças. Tive a sensação de estar dentro do livro “1984” de George Orwell[15], que tanto me assustou, quando de sua leitura. Porém, este curso, posicionou-me enquanto elemento integrante da sociedade, era necessário que eu começasse a ter conhecimento do que de fato acontece, e não apenas absorver a informação, este é o fundamento da condição de cidadã.

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Ave Caesar, morituri te salutant

 

Salve professores, os que verão a realidade te saúdam.

A responsabilidade social adquirida pelos conceitos transmitidos gerou um fruto, o Blog “Ao Senhor Estado,”[16].

Muitos fatores, senão todos, vistos durante o curso, foram novidades. Tive uma ressaca de informações. Com direito a boca seca, dor de cabeça e culpa. Boca seca de apavoramento, dor de cabeça de sentir que muito tempo foi perdido na alienação e culpa, por não ter percebido minha função enquanto cidadã.

Tantas coisas que eu não queria ver e vi mesmo assim, durante as aulas, fizeram com que minha visão adquirisse uma sensibilidade fortificada.

O Blog traz imagens do que vemos, mas não enxergamos, são fotos que demonstram a ausência do Estado, e conversam com a Constituição da República Federativa do Brasil, tentando apresentar o paradoxo entre elas. Quero pensar que este Blog é uma Mídia Radical e estou feliz com isso, mesmo sabendo que demorará um certo tempo para que a sociedade obtenha resultados positivos com ele, pois tenho consciência do quanto é difícil olhar em volta.

O conteúdo é colaborativo, mas por enquanto é uma parceria minha com o fotógrafo Fabio Zanin, porém aguardamos ansiosamente a participação de todos, pois todos têm algo a mostrar, isso é inato, está além do querer, basta que saibamos que temos esse direito, direito a se comunicar.

 


[1] Em um futuro próximo, Thomas Anderson (Keanu Reeves), um jovem programador de computador que mora em um cubículo escuro, é atormentado por estranhos pesadelos nos quais encontra-se conectado por cabos e contra sua vontade, em um imenso sistema de computadores do futuro. Em todas essas ocasiões, acorda gritando no exato momento em que os eletrodos estão para penetrar em seu cérebro. À medida que o sonho se repete, Anderson começa a ter dúvidas sobre a realidade. Por meio do encontro com os misteriosos Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), Thomas descobre que é, assim como outras pessoas, vítima do Matrix, um sistema inteligente e artificial que manipula a mente das pessoas, criando a ilusão de um mundo real enquanto usa os cérebros e corpos dos indivíduos para produzir energia. Morpheus, entretanto, está convencido de que Thomas é Neo, o aguardado messias capaz de enfrentar o Matrix e conduzir as pessoas de volta à realidade e à liberdade. (http://www.interfilmes.com/filme_13869_Matrix-(The.Matrix).html)

[2] Morpheus oferece a Neo duas pílulas. Se tomar a azul, terá o esquecimento e a ignorância. Se tomar a vermelha, ele conhecerá a verdade sobre Matrix. (http://www.terra.com.br/cinema/ficcao/matrix.htm)

[3] Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP e fundador do Centro Interdisciplinar de Semiótica da Cultura e da Mídia – CISC.

[4] Fundador do Pragmatismo e da ciência dos signos, a semiótica.

[5] Ciência geral dos signos e da semiose que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Ocupa-se do estudo do processo de significação ou representação, na natureza e na cultura, do conceito ou da idéia.

[6] Cientista Social.

[7] Montanhas tecnológicas que possuem maior base do que se mostra sobre a superfície. Essa base é cultural-civilizatória. Tornam o consumidor individual em um reformulador de práticas, deslocando o cidadão no exercício de sua cidadania, com o distanciamento e a transfronteirização dos centros de poder.

[8] Autor do livro Mídia Radical. Pesquisador britânico e professor da Southern Illinois University – EUA.

[9] Filósofo da informação (doutorado em Sociologia e Ciência da Informação e da Comunicação)

[10] Co-fundador da  Fundação da Fronteira Eletrônica.

[11] Geógrafo, autor do livro Por uma Outra Globalização.

[12] Trecho do livro Por uma Outra Globalização p. 14

[13] Prólogo do Relatório da Comissão Internacional para o Estudo dos Problemas da Comunicação. O relatório conhecido como Relatório McBride ou Um mundo e muitas vozes, foi publicado no Brasil pela Fundação Getúlio Vargas, em 1983.

[14] http://nordestinospaulistanos.wordpress.com

[15] Em um mundo onde o Estado domina e nada é de ninguém, mas tudo é de todos, tudo o que resta de privado são os poucos centímetros quadrados do cérebro. E é aí que a batalha se desenvolve, entre o indivíduo e o Estado lutando na tentativa de controlar a mente. (http://www.geocities.com/andre_nho/1984/)

[16] http://aosenhorestado.wordpress.com

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Alessandra Felix de Almeida
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