Duas faces de uma mesma moeda: Tiroteio no Morro dos Macacos (Rio de Janeiro)

Oi Gente,

A atividade era para analisar a mesma notícia através de dois veículos, um “tradicional” e outro “alternativo.

Beijo, abraço e aperto de mão.

Alê

* * *

Core Curriculum UNICID – Análise Social – Atividade 5

Em 17/10/2009 teve início o confronto entre traficantes de quadrilhas rivais no Morro dos Macacos que neste trabalho trará a análise dos veículos Caros Amigos e O Globo.

“Máquina mortífera: Uma política de extermínio levada a cabo pela polícia carioca, com apoio de setores da mídia e a omissão do Ministério Público e do Judiciário, vem provocando um verdadeiro genocídio no Rio de Janeiro. Nesta década já foram eliminadas quase 10 mil pessoas, a maioria delas nas favelas da capital”, introdução da Caros Amigos à matéria.

“Tiroteio no Morro dos Macacos leva pânico a moradores de Vila Isabel e Grajaú e derruba helicóptero da PM: Doze pessoas morreram – sendo dez bandidos e dois policiais – durante um intenso tiroteio no Morro dos Macacos, que começou na madrugada, estendeu-se por toda a manhã deste sábado e continua causando pânico em moradores de Vila Isabel, do Grajaú e de outros bairros próximos. Os tiros atingiram uma escola municipal e provocaram curto-circuito e incêndio em duas salas. À tarde, o clima de guerra se espalhou pela cidade e oito ônibus foram incendiados em várias comunidades. Até o momento, três pessoas foram presas”, introdução de O Globo à matéria.

As duas introduções são verdadeiras e procuram chamar a atenção por seus vocábulos fortes: máquina mortífera, pânico, omissão, incêndio.

As favelas no Brasil são ocupadas basicamente por negros, conforme imagem e análise abaixo:

Distribuição de domicílios urbanos em favelas, segundo sexo e cor/raça do chefe. Brasil, 2007

 

Ao se observarem as características raciais dos chefes dos domicílios, pode-se encontrar que, enquanto apenas 3% daqueles chefiados por brancos encontram-se em situação de adensamento excessivo, no caso dos chefes negros, a proporção é mais do que o dobro: 7%. No caso das desigualdades de gênero, é possível perceber que domicílios densamente habitados são mais comuns em famílias chefiadas por homens (5,1%) do que por mulheres (4,5%). Nesse caso, é possível fazer uma ligação com o tipo de chefia característica de cada um dos sexos, uma vez que as famílias chefiadas por homens tendem a ser mais numerosas, o que as torna mais propensas ao adensamento excessivo.[1] 

O veículo O Globo trata o evento apenas um lado da história, o lado dos policias, que são tão vítimas quanto a população abordada pela Caros Amigos,  porém sendo o primeiro um veículo de maior acesso, pode levar o leitor a ter uma conclusão unilateral do episódio, desconsiderando os fatores sociais e ambientais que possibilitaram os moradores de favelas a terem princípios e valores avessos ao senso comum.

Como demonstrado no estudo do IPEA, em o Retrato das Desigualdades, essa população é a que mais enfrenta situações de preconceito, ficando a margem da sociedade convencional e assim, criando a sua própria, conforme demonstrado na letra do funk criada após os combates “Não tem Colômbia, nem Afeganistão. O morro dos Macacos explodiu o caveirão”, essa manifestação apresenta o valor proporcionado à “guerra”, dentro do código de ética desse grupo, que tomou corpo diante da miopia social, onde o Estado deu espaço ao crime organizado.

O alcance midiático do O Globo, proporciona a revolta da população, com relação ao tema deste trabalho, não possibilitando uma imparcial reflexão dos fatos, que é o foco da matéria da Caros Amigos, com um alcance muito menor, portanto uma reflexão igualmente proporcional ao seu alcance.

O fato é que todos padecem nesse cenário que mistura o controle da comunicação, omissão do Estado e segregação social.


[1] Retrato das Desigualdades. Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – 3ª Edição – 2008. Pg. 28 e 29. http://www.ipea.gov.br/sites/000/2/pdf/081216_retrato_3_edicao.pdf

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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