Fichamento: Considerações em torno do acesso ao mundo da escrita

OSAKABE, Haquira. “Considerações em torno do acesso ao mundo da escrita”. In: Zilberman, Regina (org). Leitura em crise na escola. 5ª edição. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1985 p 147-152.

 A escrita, pensada como um microcódigo não-natural e uma simples transposição da língua oral, é tratada neste texto como complemento da oralidade, um instrumento de “interlocução á distância”, que supre as limitações de tempo e espaço, característicos da comunicação oral.

A língua registrada sob forma de texto preserva-a no processo do produtor-receptor, porém seu formato monológico manifesta, em seu receptor-ouvinte, um suposto entendimento do texto produzido, portanto a escrita está marcada pelas condições de assimilação das camadas sociais.  Assim, ler e escrever não seria apenas o registro da comunicação oral, mas a iniciação em um processo de aquisição de poderes que podem diferenciar o sujeito de outros membros de seu grupo social.

Na sociedade contemporânea, o ler e escrever, tem caráter discriminatório, vincula-se a uma necessidade pragmática, tornando o indivíduo produtivo de acordo com o sistema do qual faz parte, onde é conduzido pelo que lhe é oferecido em um universo fechado com valores sociais pré-determinados, não condicionados à diversidade de conhecimento, resultando em uma sociedade homogênea.

O acesso ao mundo da escrita deveria permitir ao individuo reconhecer sua identidade, seu lugar social e sobretudo a compreensão, assimilação e questionamento do que se escreve e do que se lê.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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3 respostas para Fichamento: Considerações em torno do acesso ao mundo da escrita

  1. Kuka disse:

    Oi Alê, caí no seu blog procurando o texto do Osakabe na íntegra (o meu acaba na p. 151). Aproveito para compartilhar que gostei da visão dele: o custo social contemporâneo de impôr a língua escrita é incompatível com o valor da língua escrita, de afirmação do sujeito e franquia da diversidade. Adorei quando ele usa “quase iniciático” para falar do primeiro livro de leitura. Aliás, o meu foi O menino do dedo verde.

    PS Vou guardar o seu blog: faço Sociologia 1º semestre na ESP e gostei de ler sobre a sua espécie de síndrome de Cabral!

    • Alê Almeida disse:

      Oi Kuka,
      Olha eu aqui, finalmente.
      Obrigada pelo comentário, mesmo.
      A questão da linguagem é mágica, entretanto seria preciso saber utilizar essa magia, pois o seu contrário é uma maldição. Tenho muito cuidado ao escrever, pois tenho pavor de utilizar uma linguagem restrita a um pequeno grupo, sou pela democratização da informação e acredito que o discurso rebuscado e cheio de não- me-toques fará com que os homens sejam solitários.
      Beijos e até breve.
      alê

  2. Talita Castro disse:

    Adorei o Fichamento, mas precisaria do texto completo para uma mesa redonda hoje na faculdade.
    Faço Letras na UFPA, e estou no 5º semestre.
    Parabéns pelo blog, está muito bom.
    Beijão e até a proxima =)

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