Novamente… ainda não foi desta vez (PIC)

Oi Gente,

Esta foi uma tentativa de projeto de Iniciação Científica, talvez sirva de referência, boa ou má… acho que má, porque não obtive nenhuma resposta (novamente)… enfim…

Beijo, abraço e aperto de mão.

Alê

* * *

Estado, este é o Cidadão, Cidadão, este é o Estado.

Desconhecidos ou não reconhecidos, assim estariam o Estado e o Cidadão, o primeiro seria o conjunto do segundo e o segundo a realização do primeiro, portanto o desconhecimento de ambos ocasionaria na não existência dos mesmos, o estabelecimento do Nada. Tendo o Nada como cenário, tudo pode compor o espetáculo e reconceituar nossos atores principais.

Em discurso de lançamento de candidatura à presidência do Brasil, para o exercício 2011/2014, o candidato José Serra ensaia o conceito do Cidadão Brasileiro:

O Brasil não tem dono. O Brasil pertence aos brasileiros que trabalham; aos brasileiros que estudam; aos brasileiros que querem subir na vida; aos brasileiros que acreditam no esforço; aos brasileiros que não se deixam corromper; aos brasileiros que não toleram os malfeitos; aos brasileiros que não dispõem de uma ‘boquinha’; aos brasileiros que exigem ética na vida pública porque são decentes; aos brasileiros que não contam com um partido ou com alguma maracutaia para subir na vida.
Este é o povo que devemos mobilizar para a nossa luta; este é o povo que devemos convocar para a nossa caminhada; este é o povo que quer, porque assim deve ser, conservar as suas conquistas, mas que anseia mais. Porque o Brasil, meus amigos e amigas, pode mais. E, por isso, tem de estar unido. O Brasil é um só[1].

Pronto, já sei que o Estado não tem dono, a não ser aquele do novo conceito de Brasileiro, quem é o Cidadão e aproximadamente 80.954.408[2] de Cidadãos já saberiam quem são:

  

 Gráfico: Intenção de Voto pesquisada em 17/03/2010[3]

Porém, na coxia há um objeto de cena que espreita o enredo dessa história, ele atende pelo nome de Violência e deseja ser a atriz principal, ela tem um facilitador muito voraz chamado Crime, que por sua vez tem vários assessores e, segundo minhas especulações, teria como gerente um sujeito chamado Droga.

As drogas e o crime estão indissociavelmente ligados, mas essa relação nem sempre é direta. Indivíduos podem cometer crimes sob o efeito de drogas; e também podem cometer crimes para financiar o uso das drogas. Além disso, a maioria dos países proíbe o cultivo, a produção, a posse, o uso, a troca, a venda, a distribuição, a importação e exportação de drogas. Dados sobre delitos “diretos” estão mais imediatamente disponíveis, e eles podem ser agrupados em delitos relacionados ao “consumo pessoal”, e delitos mais sérios relacionados ao tráfico. Estes dados são importantes, pois refletem tanto a extensão da atividade ilícita, quanto à extensão do enfrentamento à droga[4].

As drogas estão ligadas ao crime em pelo menos quatro maneiras: 1. A posse não-autorizada e o tráfico de drogas são considerados crimes em quase todos os países do mundo. Só nos Estados Unidos, a polícia prende por ano cerca de um milhão de pessoas por envolvimento com drogas. Em alguns países, o sistema judicial está tão lotado de processos criminais ligados às drogas que a polícia e os tribunais simplesmente não conseguem dar vazão. 2. Visto que as drogas são muito caras, muitos usuários recorrem ao crime para financiar o vício. O viciado em cocaína, por exemplo, talvez precise de uns mil dólares semanais para sustentar o vício. Não é para menos que os arrombamentos, os assaltos e a prostituição floresçam quando as drogas fincam raízes numa comunidade. 3. Outros crimes são cometidos para facilitar o narcotráfico, um dos mais lucrativos negócios do mundo. O comércio ilícito das drogas e o crime organizado são mais ou menos interdependentes. Para garantir o fluxo fácil das drogas, os traficantes tentam corromper ou intimidar as autoridades. Alguns têm até mesmo um exército particular. Os enormes lucros dos barões da droga também criam problemas. Sua fabulosa receita poderia facilmente incriminá-los se esse dinheiro não fosse “lavado”. Assim, bancos e advogados são usados para despistar a movimentação do dinheiro das drogas. 4. Os efeitos da própria droga podem levar a atividades criminosas.[5]

A Polícia  Militar do Estado de São Paulo ilumina minhas especulações:

Pesquisas indicam que 22,8% da população no Brasil consome drogas. 49% das escolas estaduais tem problemas com o consumo e o tráfico de drogas segundo pesquisa feita em 5 capitais Brasileiras.
20.000 brasileiros morrem a cada ano em decorrência do consumo de entorpecentes ou de crimes relacionados ao tráfico. O Departamento de Investigação sobre entorpecentes (Denarc), tem mais de 100.000 traficantes fichados em seus Arquivos. As estatísticas indicam que 10% dos presos brasileiros (16.000) são traficantes, percentual que em 94 era de 0,7%. 80% dos crimes urbanos cometidos no Brasil têm alguma relação com droga. Em 97, foram assassinados na capital paulista, 247 menores com idades entre 10 e 17 anos, sendo que 80% das mortes estavam relacionadas com a venda e o uso de drogas. O número de viciados em crack, cocaína e maconha na capital paulista chega a 1,6 milhão.
Dos 150.000 usuários de Crack em São Paulo, continuam vivos apenas 1.500 por se absterem. O comércio de Crack movimenta cerca de 18 Milhões por mês e cresce todos os meses.[6] 

Façamos uma continha:

Novo conceito de Cidadão +
Estado sob a guarda do Novo conceito de Cidadão
————————————————-
= Final Feliz

Final Feliz +
Criminalidade e consequente violência
————————————–
= Falso

Falso +
Final Feliz
———–
= Final Infeliz

O Final Feliz, aquele que encerra as histórias infantis, novelas, alguns filmes e livros, normalmente traz as características do amor, benevolência, paciência, virtude e luta, é vivido, por no mínimo, dois personagens que se conhecem, e seria esse elo de conhecimento que fundamentaria a história. Assim os fatores do relacionamento e respectivo conhecimento do Estado-Cidadão e do Cidadão-Estado, pretendem gerar a hipótese dessa pesquisa.

A violência vivenciada diariamente nos semáforos, ruas, casas, escolas, e/ou corporações, seja ela patrimonial, física ou emocional, pode ter como princípio o consumo de drogas.

Esse estudo procurará analisar:

1. Os fatores que levam o indivíduo a essa prática.

Sempre se soube que o uso de drogas acompanha o desenvolvimento das civilizações. Embora tenhamos consciência de que esse uso, de “forma epidêmica”, é uma característica dos tempos mais atuais, e mesmo considerando que o desejo de “transcender” é inerente ao ser humano, verifica-se que esse desejo se tornou um risco e um perigo, agravados pelas doenças que se desenvolveram junto com esse avanço.
Sabe-se que o consumo de drogas não é um fato novo na historia da humanidade, a droga apresenta uma função lúdica e ritualística em muitas comunidades, facilita a inserção grupal e intensifica sentimentos de pertencimento e comunhão com demais pessoas, mundo ou universo cósmico. Seus efeitos favorecem o combate às sensações de angustia, abandono, solidão: proporcionam, enfim, um momento de esquecimento ou suspensão das ansiedades e incertezas de mundo indiferente ou ameaçador[7].

2. Como uma pessoa entra em situação de rua, agride e violenta seus familiares e concidadãos, abre mão de sua cidadania, portanto não pertencente ao Estado.

3. O Estado, por sua vez, reconhece quem como cidadão, seria aquele ensaiado por José Serra e entendido como certo por 80.954.408 de Brasileiros?

Pode dizer-se, realmente, que pela importância particular que atribuem ao valor próprio da pessoa humana, à autonomia de cada um dos homens em relação aos semelhantes no tempo e no espaço, devem os espanhóis e portugueses muito de sua originalidade nacional. Para eles, o índice do valor de um homem infere-se, antes de tudo, da extensão em que não precise depender dos demais, em que não necessite de ninguém, em que se baste. Cada qual é filho de si mesmo, de seu esforço próprio, de suas virtudes… – e as virtudes soberanas para essa mentalidade são tão imperativas, que chegam por vezes a marcar o porte pessoal e até a fisionomia dos homens[8].

4. Qual seria o fato gerador da não construção, por parte do usuário, do combate a angustia, abandono e solidão?

5. Quando ou onde foi que o Estado (e o nosso histórico civilizatório) ensinou ao indivíduo o imediatismo do prazer?

6. Seria o Estado também imediatista ao cegar-se diante do consumo de drogas e consequente violência, em razão de seu desejo de ordem, uma ordem maquiada, com sutiã de enchimento, calcinha com nádegas próprias, pele bronzeada por um cosmético qualquer que esconde um corpo esquálido?

Não sei se o Final Feliz existe, mas sei que todo final é vivido por atores, e esses da nossa história, não se conhecem. Assim, “Estado, este é o Cidadão, Cidadão, este é o Estado”.

* * *

Sugestão de Pesquisa:

1.      Histórica: processo civilizatório (focar em desejos, trabalho e cidadania).

2.      O que o cidadão entende por cidadão? (elaboração de questionários divididos por classes sociais)

3.      De quem é a posse do Estado segundo o cidadão (idem)?

4.      Levantamento de consumidores de drogas.

5.      Levantamento da criminalidade na cidade de São Paulo.

6.      Cruzamento dos itens 3 e 4. (geração de gráfico)

7.      Levantamento de estudos relacionados ao tema. (base teórica)

8.      Mídia: fatores midiáticos no consumo de drogas. (noticiários violentos, propaganda de bebidas alcoólicas).

9.      Filmes nacionais e internacionais: cenas que apresentam o consumo de drogas (há regulamentação?).

10.  Entrevistas com usuários (elaboração de questionário com o objetivo de levantar as questões do porque do consumo e de qual sua sensação com relação à cidadania e ao Estado).

11.    Levantamento dos projetos do Estado e empresas do Terceiro Setor, relativos ao tema.


[1] http://www.amigosdoserra.com.br/integra-do-discurso-de-serra-o-brasil-nao-tem-dono/ , http://www.youtube.com/watch?v=0gniV0NkcPI

[2] 44% da população do Brasil (Total em 2007: 183.987.291)  http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/contagem2007/contagem_final/tabela1_1.pdf

[3] http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1231414-7823-IBOPE+DIVULGA+NOVOS+NUMEROS+DA+PESQUISA+DE+INTENCOES+DE+VOTO+PARA+PRESIDENTE,00.html

[4] http://www.unodc.org/brazil/pt/ASCOM_20090624.html

[5] http://www.antidrogas.com.br/narcotrafico.php

[6] http://www.polmil.sp.gov.br/inicial.asp

[7] http://www.unodc.org/brazil/pt/politicaspublicas_violencia_publication.html

[8] HOLANDA, Sergio Buarque. Raízes do Brasil. 26º ed. Companhia das Letras, 2008, p.32 e 33.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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