Ficha de Resumo: Manifesto do Partido Comunista

Obra: Manifesto do partido comunista
Autores: Karl Marx e Friedrich Engels
Tradução: Sueli Tomazini Barros Cassal
Comentários (Notas): Friedrich Engels – às edições inglesa de 1888 e alemã de 1890.
Prefácios (2): por Karl Marx e Friedrich Engels (1872); e por Friedrich Engels, (1890) 

A proposta do texto refere-se à unificação do pensamento e da voz do proletariado, a fim de se reposicionarem no contexto mundial, esse objetivo é traçado logo no primeiro prefácio onde é informado que a presente obra teve, em alemão, pelo menos doze edições  diferentes (Alemanha, Inglaterra e América do Norte), três traduções para o inglês e tantas outras em francês, russo, polaco e dinamarquês, ou seja, a linguagem, instrumento primeiro da comunicação e identificação entre os seres, foi utilizada de modo a disseminar a proposta dos autores.

O vocabulário utilizado, bem como, o seu emprego, é de fácil interpretação, formam uma estrutura lógica e argumentativa, são utilizadas afirmações, interrogações e respostas, em um movimento cíclico, levando o leitor à participação efetiva no conteúdo apresentado, como se ele próprio afirmasse, perguntasse e respondesse, para tanto o uso da retórica é explícito, os argumentos estão ambientados em metáforas, ironia, fúria, autocondenação, submissão, revolta, coragem e apoteose. Os autores trazem palavras que dizem respeito à condição de ser humano, às lendas que norteiam os sentimentos da vida humana, seus medos, assombrações, paixões e desejos de ser livre, tais palavras e seus respectivos sentimentos, proporcionam uma sensação de que a obra não está apenas escrita, está viva, assim como um mar bravo, nos assusta e nos seduz, que entre o avanço de uma onda voraz há o seu recolhimento, onde podemos adentrá-lo e fazer parte dele.

Os capítulos estão divididos em Burgueses e Proletários; Proletários e Comunistas; Literatura Socialista e Comunista; e Posição dos Comunistas Diante dos Diversos Partidos de Oposição, respectivamente, formando uma coerência didática. Os parágrafos, em sua maioria, são breves, conclusivos e retóricos, proporcionando conforto na leitura e clareza dos argumentos apresentados: “A propriedade, fruto do trabalho, do esforço, do mérito pessoal! Será que se está falando da propriedade do pequeno-burguês, do pequeno camponês, forma de propriedade que precedeu a propriedade burguesa? Não precisamos suprimi-la; o desenvolvimento da indústria suprimiu-a e continua suprimindo-a diariamente”. As notas explicativas, embora em pequena quantidade, são suficientes pois o texto não trata de questões técnicas, não é essa a sua intenção, é um texto didático, é um livro de fé.

O primeiro capitulo, “Burgueses e Proletários”, traz as ideias e/ou defesas centrais da obra, de modo a explicar as duas conclusões da introdução sendo: “1º O comunismo já é reconhecido como força […]; e 2º) É tempo de os comunistas exporem, à face do mundo inteiro, seu modo de ver, seus fins e suas tendências […] ”.

A história do homem está fundamentada na tese de que sempre houve classes distintas, opostas e lutando entre si, opressores e oprimidos em um embate constante, seja de forma explícita ou velada, essa diferenciação entre os seres conduz a leitura amparada pela reflexão de tais afirmações, pois de fato, na história da humanidade, independente das dimensões, há diferenças sociais, lutas, revoluções e transformações.

A burguesia, segundo os autores, é revolucionária, uma vez que substituiu a ordem social anterior, o feudalismo. Teria a burguesia, transformado em nada os laços que prendiam o homem feudal à religião, relações humanas em relações de troca, a família em relações monetárias, etc. Esse movimento revolucionário burguês manteve a mesma divisão social, cujos atores são os opressores e oprimidos, sendo o primeiro interpretado pela burguesia e o último pelo proletariado. “A burguesia só pode existir com a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produção, por conseguinte, as relações de produção e, com isso, todas as relações sociais”.

A nova ordem instaurada pela burguesia, seria determinada por sua própria Lei, submetendo a ela toda a sociedade, independente das aptidões ou desejos individuais. Os poderes político, geográfico, social e econômico estariam centralizados na burguesia, os homens estariam à disposição de suas determinações, seriam os proletários o meio pelo qual a burguesia alcançaria os seus fins, o acúmulo de Capital, que se daria pela exploração do mercado mundial, este, pelo domínio arbitrário da utilidade do homem, o homem como força de trabalho, nada mais.

Esse ciclo de dominação é interrompido por uma “luz no fim do túnel”, a própria burguesia estaria refém do seu objetivo, pois uma vez que o aumento do Capital fosse o seu princípio, teria esquecido que para isso também deveria aumentar os instrumentos para o alcance de tal objetivo: os proletários. Sentir-se-iam, os proletários, constrangidos por perceberem-se como mercadoria, como meio de ganho financeiro ou temporal para outro, que não ele próprio, alheios às normas do mercado, desprovidos assim de interesse quanto ao seu trabalho. Além da construção do Capital, a burguesia também construiria uma massa de homens insatisfeitos, identificados como máquinas, propensos a cumprir a natureza de ser humano e a validação da história da humanidade: a luta.

Os proletários, compostos por camponeses, artesãos e operários, teriam a princípio indivíduos insatisfeitos isolados, depois de uma mesma fábrica, depois de um mesmo segmento e assim sucessivamente. Suas lutas seguiriam o processo de destruição das mercadorias estrangeiras, quebra das máquinas, queima das fábricas, fundação de associações e estariam assim organizados e conscientizados, prontos para uma luta com força e fundamentos próprios, e consequentemente com um posicionamento político: o Comunismo.

Esse cenário revolucionário impossibilitaria a burguesia de continuar como classe dominante, não possuiria meios de manter a servidão de seus instrumentos humanos, o desejo de transformação proletária passa a ser incompatível com as características da burguesia.

Os autores afirmam que apenas o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária, não se apoderam das forças produtivas, estas são abolidas, seu objetivo é destruir as garantias e seguranças da propriedade privada, em nome da maioria, a maioria é composta pelos proletários, é mais forte e essa força deve deter o poder.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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7 respostas para Ficha de Resumo: Manifesto do Partido Comunista

  1. Pingback: Os números de 2010 | Uma pirueta, duas piruetas. Bravo! Bravo!

  2. Kuka disse:

    Alê, acabei de ler o Manifesto – efetivamente, uma obra de fé.

    Entendo mas não compreendo como Marx insistia em criticar Proudhon (p. 20). O ato de fé de Proudhon era acreditar na possibilidade de um equilíbrio econômico e em um sistema de contrato social – sem origem histórica – fundamentado nas características básicas da consciência humana: a solidariedade e a ajuda mútua.

    Tudo bem, tudo bem, não critico Marx: a solidariedade e a ajuda mútua são seres tão abstratos, mas tão abstratos, que, talvez, só talvez, admito que não seja possível encontrá-los nas esquinas da vida. =:o( Parabéns pelo seu post – original!

    • Alê Almeida disse:

      Sabe Kuka, não vou muito com a cara do Marx (talvez porque eu não o entenda… rarará… rarará… quem desdenha sempre quer comprar…), mas uma coisa eu sei: se não acreditarmos na solidariedade e na ajuda mútua não vale a pena viver.
      Beijos,
      Alê

  3. Dayanna disse:

    O post tá muito legal, adorei! Também não concordo com algumas argumentações de Marx, porém o comunismo não é uma coisa que possa ser alcançada. O capitalismo tá aí, e não surgiu “ontem”… Vivemos num mudo globalizado, o individualismo vem desde a época da idade da pedra lascada ou da pedra polida. O sentimento de posse vem dos nossos ancestrais, como quando se dividiam em bandos a procura de comida… Enfim, podemos abafar o individualismo, mas não extingui-lo. Por favor, não quero ser considerada como pessimista, mas é a realidade que prova isso. Porém não podemos mudar o mundo em si, mas podemos mudar o mundo de certas pessoas. Depende do sentimento de coletividade de cada ser humano… Isso é o que eu e mais meia dúzia de pessoas pensam. Beijão!

    • Alê Almeida disse:

      Obrigada, Dayanna.
      Abraços para você.
      Alê

    • Alê Almeida disse:

      Você tem toda a razão, às vezes, na ânsia de mudar o mundo, esquecemos de olhar para o nosso mundo particular, e do meu ponto de vista este é o primeiro passo para uma “revolução”.

      Quanto ao individualismo… ah que tema difícil de abordar, não é mesmo? Para mim ele é a condição para a manutenção do capitalismo, quanto mais individuais somos, mais precisamos de consumo e o consumo é a mola do capitalismo.

      Como você mesma disse o capitalismo não surgiu ontem, e assim, não acabará amanhã. Confesso que não sou contra o Capitalismo (assim como Marx) o problema é a tamanha desigualdade que ele fomenta, é o ganho exagerado dos donos dos meios de produção. Sempre penso no quanto uma pessoa deve ter de dinheiro para viver, não é possível que seja necessário bilhões de dinheiros. Seria preciso uma transformação na consciência, mas sem partirmos para a metafísica. Seria um pensar no outro como extensão de si mesmo para a manutenção da vida e não do capital. Neste sentido, fica difícil não recorrer a metafísica… rs.

      Beijos para você.

  4. sergio disse:

    gente todos vos tendes razao,mas temos ki perceber que a sociedade antiga era mais complexa que a actual, e para tal cada um descreve o seu saber,eu estou do lado do marx,abraxo para todos.

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