Franz Boas e Claude Lévi-Strauss

Oi Gente,

Abaixo segue a minha interpretação das críticas de Franz Boas e Lévi-Strauss referentes aos métodos de análise antropológica que os antecederam. Esse texto foi utilizado para uma prova que valia 5,0 e minha nota foi 3,5, coloquei nele, em vermelho, as anotações da professora que eu consegui entender.

Beijo, abraço e aperto de mão.

Alê

* * *

Comparação entre Raça História com as Limitações do Método Comparativo da Antropologia

Franz Boas (1858 – 1942) e Claude Lévi-Strauss (1908 – 2009), em suas obras de 1896 e 1952, respectivamente, apresentam suas teses quanto às falhas dos métodos e teorias utilizados para as pesquisas antropológicas, referentes à evolução humana e sua respectiva cultura. Ambos concordam que os métodos devem ser revistos ou reinventados. Boas, mais técnico, sugere uma abordagem mais ampla de análise e Strauss, mais retórico, afirma que a maneira como se observou as culturas, nada mais fez, senão reforçar a supremacia racial.

A relação entre os dois trabalhos está no entendimento da uniformidade mental, sendo que esta não seria suficiente para traçar a evolução cultural, deveria ser analisada uma série de outros fatores (geográficos, históricos, psicológicos, etc, e cruzados entre si) para que os resultados das pesquisas chegassem o mais próximo da realidade, entendendo ainda, que esta tarefa não seria simples de se alcançar, pelo espaço temporal que divide a existência de determinado grupo e a ocasião da pesquisa. Com base nesses entendimentos os trabalhos poderiam diferir-se no que diz respeito às propostas, sendo que o de 1896, sugere um novo método, contestando o anterior (Método Comparativo) de maneira preliminar e o de 1952, contesta-o de fato, pede prudência, vai mais fundo quanto às suas consequencias (racismo, por exemplo), uma vez que a história da antropologia, até aquela data, já deveria ter derrubado as teorias do Método Comparativo e do Evolucionismo.

Boas e Strauss entendem a uniformidade mental, enquanto referência de capacidades. Egípcios e mexicanos têm a mesma capacidade de construir uma pirâmide, por exemplo, mas isso não significa que uma pirâmide tem o mesmo objetivo ou simbolismo para ambos os povos, ou seja, cada um escolhe sua cultura, fazendo coisas diferentes de acordo com o gosto ou necessidade. Boas diz ainda que só se poderia generalizar as culturas quando todas forem estudadas e isto está próximo do impossível. Strauss aborda essa teoria como a impossibilidade de se saber exatamente o processo de uma cultura, pelo simples fato de não a ter vivenciado. Os autores abordam ainda a importância da troca de elementos culturais entre os grupo, sendo que isso as enriqueceria, Strauss diz que “a diversidade das culturas humanas não nos deve levar a uma observação fragmentadora ou fragmentada. Ela é menos função do isolamento dos grupos que das relações que os unem. A fatalidade exclusiva e a única tara que podem afligir um grupo humano, impedi-lo de realizar plenamente sua natureza, é a de ser só”.

Os autores discorrem sobre uma infinidade de exemplos que demonstram que as culturas não são melhores nem piores do que outras, pois cada uma delas têm suas particularidades instrumentais, todas possuem uma linguagem, técnicas, arte, crenças religiosas, organizações familiares, sociais, econômicas e políticas, e os métodos criticados preocupam-se em fazer um diário sobre essas características e não descobrir suas origens.

[pouco preciso] As críticas aos métodos anteriores são tratadas por ambos, como ineficazes quanto à definição de uma única causa comum para as diversas manifestações e evoluções culturais, Boas propõe uma investigação preliminar a todos os estudos comparativos mais amplos, pois eles tenderiam a explicar costumes e idéias e almejariam descobrir as leis e a [?] história da evolução da sociedade humana, Strauss concorda com sua proposta quando diz que esses métodos evolucionistas ou comparativos seriam uma tentativa de “suprimir a diversidade das culturas, fingindo reconhecê-la plenamente, tratando os diferentes estados em que se encontram as sociedades humanas, tanto antigas quanto longínquas, como estágios ou etapas de um desenvolvimento único que, partindo do mesmo ponto, deve fazê-los convergir para a mesma meta”.

Os autores coincidem com sua visão de antropologia, pois esta seria a busca pelo conhecimento do processo e desenvolvimento das culturas e não simplesmente sua explicação. Boas concorda que “existam certas leis governando o desenvolvimento das culturas humanas”, porém, seu empenho (enquanto antropólogo) está em descobri-las, pois afirma que os costumes e as crenças, em si mesmo, não constituem a finalidade última da pesquisa antropológica, é preciso saber as razões pelas quais tais costumes e crenças existem. Strauss defende a importância da diversidade cultural e complementa a tese de Boas, quando diz que “é o fato da diversidade que deve ser salvo, não o conteúdo histórico que cada época lhe deu; é preciso também estar pronto para considerar sem surpresa, sem repugnância e sem revolta, o que todas essas novas formas sociais de expressão não poderão deixar de oferecer de inusitado”.

Tomando as devidas e certas proporções, os autores apresentam teses similares, sugerem uma maior prudência, responsabilidade e idoneidade no trabalho antropológico e etnográfico. Boas falou à nossa mente, apresentando técnicas e métodos, e Strauss falou ao nosso coração:

A diversidade das culturas humanas está atrás de nós, à nossa volta e à nossa frente. A única reivindicação que podemos fazer a este respeito, é que ela se realize de modo que cada forma seja uma contribuição para a maior generosidade das outras.

[formular com mais cuidado!]

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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