Prova de Sociologia (Durkheim)

Oi Gente,

Abaixo segue a prova de Sociologia.

Quando vi a professora com o envelope das provas, minha barriga começou a fazer um barulho estranho, minhas mãos ficaram suadas e geladas, pensei que eu teria um Piriri. Minha última nota foi 3,5, daí essas sensações. A nota desta foi bem melhor, embora eu esteja muito insatisfeita com o texto (na minha opinião, desapretechada de sensatismo, está besta e mal escrito), acho que estou no caminho de aprender a redigir um texto para prova, ou seja, no frigir dos ovos: estou menos preocupada e deixarei mais para o futuro a ideia de ser quituteira.

O meu esquema de estudo foi o seguinte: digitei tudo o que anotei durante as aulas e também o que eu sublinhei nos textos lidos, daí juntei tudo e fiz uma dissertação, que levei na aula. Depois editei com a questão da prova. Ficou meio barro, meio tijolo, mas dá para entender o pensamento do Dukheim.

Beijo, abraço e aperto de mão.

Alê

P.S. No final do texto estão as minhas anotações de aula que não utilizei na prova, mas acredito serem úteis.

* * *

Durkheim entende a sociologia como uma ciência, uma ferramenta objetiva para compreender a sociedade, seu objeto de estudo é o Fato Social, sem relações com a biologia ou psicologia, esse objeto é tratado como Coisa e esse tratamento é o que faria de sua ciência objetiva. A sociedade é vista como um organismo, um corpo, com seus respectivos órgãos, que mesmo em suas particularidades, precisam estar integrados para que esse corpo funcione de maneira harmônica e ordenada. Para o pesquisador, a realidade é constituída por dados, sendo estes percebidos pelos indivíduos como uma representação – como símbolos -, apenas o sociólogo, por ser um cientista, portanto neutro e imparcial, teria a possibilidade de ter acesso a real realidade.

Sendo a sociedade um corpo, estaria ela submetida a uma regra geral, nomeada como Força Coercitiva, sempre presente e exterior ao indivíduo. Teria a forma de um padrão moral, determinaria as ações dos indivíduos, mesmo se saberem, só se dando conta da existência da Força Coercitiva, no momento em que não a atendessem, pois haveria uma força social sempre disposta a preservar as determinações da sociedade afim de preservá-la.

Tratando os Fatos Sociais como coisas, onde o Bem e o Mal não existem, Durkheim os percebia em um jogo entre o normal e o patológico, o primeiro seria os fatos presentes na vida social, dos mais triviais até os crimes e os suicídios, é normal por sua freqüência e generalidade, para que esses fatos perdessem a normalidade deveria haver um aumento considerável em suas taxas, seriam assim anomalias, fatos anômicos, representados pela ausência ou desintegração das normas sociais. Durkheim faz um analogia para explicar esse jogo “tal como para os indivíduos, a saúde é boa e desejável também às sociedades, ao contrário da doença, que é coisa má e de se evitar”[não lembro a página, preciso pesquisar]. Assim, o normal está para a saúde e o patológico para a doença. Porém, tanto um quanto o outro, devem ser classificados de maneira criteriosa, pois embora haja conceitos gerais de conduta, as sociedades têm suas particularidades.

Os fatos sociais são observados de maneira a diferenciá-los das representações individuais e coletivas, as individuais são necessárias para que os indivíduos possam viver em sociedade, explicar o mundo, seguir a vida, enquanto que as coletivas servem de objeto de estudo, pois apresentam a sociedade e seus respectivos fenômenos como um todo, o todo é o objeto de Durkheim.

Suas pesquisas demonstraram que a ordem da sociedade se dá pelo consenso de seus indivíduos, apresentada como uma moral comum, que os indivíduos se integram a partir de instituições (religião, família, partido político, etc) e pertencem à sociedade quando são ativos nela, quando são solidários, no sentido de contribuírem para o seu funcionamento, onde cada um tem um papel e uma função social, a isso denominou Solidariedade Mecânica e Orgânica. A solidariedade mecânica está presente nas sociedades simples, seus indivíduos partilham representações comuns, eles se assemelham, têm os mesmos valores, assim, a força coercitiva é menos percebida. Nas sociedades complexas há a solidariedade orgânica – haveria um consenso coletivo, o indivíduo é a expressão da coletividade – obtida na divisão do trabalho, dá a ela uma atribuição de ciência moral, que proporciona harmonia às relações sociais, ao corpo social e constitui a sociedade.

A sociedade analisada é industrial, assim, a divisão do trabalho é caracterizada principalmente pela especialização do trabalho. Seria necessário que os homens tivessem uma função especializada, um precisaria do trabalho do outro para viver na sociedade complexa, como um organismo harmônico, portanto vivo. As instituições matrimoniais, religiosas, políticas, etc, também são vistas como fortalecedoras dos laços sociais, também haveria nelas a solidariedade, mas para Durkheim apenas a instituição profissional garantiria a harmonia do corpo social.

Durkheim afirma que não somos obrigados a nos interessarmos profundamente por uma ciência, mas temos a obrigação de não sermos ignorantes, a ignorância representaria um problema de ordem moral e enfraqueceria a solidariedade, a divisão do trabalho também tem um caráter moral, com um princípio ordenador, integrador, regulador e solidário, faz dos homens, homens.

Reafirmando sua posição científica, cujo objeto são os fatos sociais, coercitivos e exteriores, e defendendo sua tese de que os indivíduos agem determinados pela coletividade, Durkheim dá atenção especial ao fato suicídio, a ação, aparentemente, mais individual possível. Seu trabalho é iniciado baseado em dados estatísticos, o que garantiria à sua pesquisa legitimidade e objetividade, ficando no mesmo nível das outras ciências. Utilizando seu método sociológico, dados numéricos, históricos e antropológicos, conclui que há uma taxa tal de suicídios e uma série histórica para este fato social, com quedas ou altas abruptas, sempre retornando àquele número, essas oscilações corresponderiam a algum fator específico, ou seja, sempre há suicídio, variando de acordo com alguns fenômenos/acontecimentos, outros fatos sociais, assim, naquela ocasião, prova sua teoria.

* * *

Não foram utilizados os seguintes trechos anotados em aula:

  • As percepções coletivas estariam em funcionamento nas sociedades, antes mesmo do indivíduo nascer, através de determinações sociais (moeda e língua, por exemplo).
  •  Nas sociedades simples a percepção da realidade, normalmente é coincidente, e nas complexas é o reflexo da coletividade. Haveria uma natureza social, com regras e suas respectivas quebras, sendo a última a promotora do desenvolvimento das sociedades, onde a simples se transformaria em complexa.
  • A força coercitiva, com suas regras morais e de ordem, proporcionaria aos indivíduos uma sensação de conforto, de pertencimento, eles buscariam esta ordem, através de ações que a fortaleçam e protejam, essas ações podem ser percebidas como a indignação diante de crimes hediondos ou sensibilidade diante de uma separação conjugal, esses dois casos estariam em contraposição às regras morais e de ordem da força coercitiva, pois ela é composta por representações, por um consenso, que organiza a sociedade e orienta seus indivíduos.
  • Para Durkheim os fatos sociais têm causas sociais, não são em um fato da psicologia individual. Assim, em seu método, o pesquisador possibilita a construção de um fato social a partir de outro, delimitando seu objeto, como por exemplo: o suicídio de determinado gênero, etnia, faixa-etária, região, etc, sem entrevistas, pois o que vale é o coletivo e as “opiniões” seriam meras percepções dos entrevistados. Esse método traria objetividade à pesquisa, que deveria ainda ser tratada de maneira neutra, sem paixões, como coisa. Sua ciência é positivista, pretende descobrir verdades, verdades sociológicas.
  • Nos é chamada à atenção quanto aos perigos da sociedade orgânica, no que diz respeito a uma acentuação do individualismo na especialização do trabalho, à princípio pareceria positivo, mas poderia gerar distância com o coletivo, perdendo o “espírito” da solidariedade, a sociedade encontraria-se em situação de anomia. Para que a anomia possa ser evitada, seria preciso que a divisão do trabalho não fosse imposta de uma classe para outra, ela deveria estar de acordo com a distribuição dos talentos e das capacidades.
  • Sociedade simples: convivem por semelhança (a sociedade complexa vive pela interdependência de seus membros). Nas sociedades simples também há divisão do trabalho, porém com menor representatividade, ela poderia ser caracterizada pelo papel sexual de seus indivíduos.
  • Onde a divisão do trabalho é mais acentuada a organização social também o é (o contrário também é verdadeiro), Durkheim utiliza o Direito (sistema Jurídico) para medir o nível da organização, os efeitos sociais e morais nas diferenças e formas de solidariedade.
  • Durkheim, livrando-se de hábitos mentais, delimitando seu campo de análise, utilizando seu método sociológico com dados históricos, estatísticos e antropológicos, concluí que pessoas religiosas se suicidam menos do que as que não tem religião, esta daria um certo grau de preservação, assim como as casadas, principalmente as com filhos, pelo mesmo motivo da preservação percebe que em situação de guerra a taxa de suicídios cai.
  • Seu estudo demonstra que o suicídio está ligado à coesão social, para um grupo existir ele precisa ser coeso, não existe coesão social sem integração e regulação; o primeiro é preciso para que os homens se sintam ligados uns aos outros, o segundo está ligado às regras de referência, capazes de fazer com que os indivíduos limitem seus desejos com relação à coletividade (um conjunto de valores e critérios), um sacrifício das demandas individuais, cabe ao grupo instituir tais regras, assim a sociedade só existe se está interligada e regulada.
  • Há sociedades que têm fraquezas ou excessos em um destes dois aspectos, o suicídio teria razões nessas modalidades. Dentro desta delimitação, chegou à quatro perfis de suicídio: é causado por excesso ou ausência de um dos fatores da coesão social:
    – excesso de integração: suicídio altruísta
    – ausência (fraca) integração: suicídio egoísta
    – excesso de regulação: suicídio fatalista
    – ausência (fraca) regulação: suicídio anômico
  • Esses tipos parecem ter causas diferentes, porém são manifestações com uma mesma causa.
  • Para que uma relação exista, são necessárias duas partes, assim, quando a integração é fraca, a sociedade não consegue atrair os homens, o termo sociedade se apaga, se ela se retira, não existe mais relação, dá-se uma situação de anomia, a sociedade perde sua função: suicídio egoísta
  • Suicídio altruísta: a sociedade está mais presente do que o homem, sufocando-o, acontece um padrão coletivo, desaparece a individualidade.
  • O fatalista é, mais ou menos, a mesma coisa do altruísta, também desaparece a expressão individual, também uma parte da relação se perde.
  • A mesma causa do suicídio é a quebra da relação entre o homem e a sociedade.
  • Sociedade ausente: deixa o homem entregue a si mesmo, e quando está muito presente, apaga-se a individualidade.
  • Interesse de Durkheim (mundo moderno(: 02 modalidades de suicídio: Egoísta (muito individualismo, pensamos a identidade particular a partir da diferença); e Suicídio anômico (falta de regra).
  • O egoísmo é quando a pessoa esta à parte da sociedade.
  • Durkheim é muito ousado ao refutar questões climáticas, hereditárias, psicológicas, em que todo mundo acreditava, ele diz corajosamente que há uma causa coletiva, há um fator social, a quebra da coesão. Por exemplo, quando perco o emprego, perco o vínculo com a sociedade. No caso do frio, não é o frio que faz o suicídio, é a menor possibilidade de viver em grupo.
  • Religião, família e sociedade política:
    – Religião: poderia oferecer uma certa proteção, reuniria os fieis, ligaria as pessoas, daria um sentimento de pertencimento, evitando que as pessoas fiquem em situação de egoísmo. A religião é a que mais integra, mais protege contra o suicídio; contribui para a integração: um dos fatores da coesão social.  Católico (integra mais – o fiel vai à igreja); Protestante (há um individualismo religioso – não precisa de um mediador com Deus); Judaísmo (protege mais, além da religião, tem a questão étnica, o fator de comunidade)
    – Família: também há proteção; casados com filhos (há um feixe de relações – mais uma vez a integração); o fator mais importante são os filhos.
    – Sociedade Política: temos uma ligação mais geral com o mundo, uma sociedade nacional; há situações em que isso é reavivado, quando há um grande desastre natural, ou guerra por exemplo; na guerra a nacionalidade é reavivada, assim a taxa de suicídio diminui
  •  O negócio todo é a relação e ligação entre indivíduos e sociedade.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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