Notas para a Prova de Antropologia: Clifford Geertz (Uma Descrição Densa: Por uma Teoria Interpretativa da Cultura)

[Atenção 1: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

[Atenção 2: O que segue abaixo está uma confusão da moléstia]

Notas do texto

Uma Descrição Densa: Por uma Teoria Interpretativa da Cultura, Clifford Geertz

  • O conceito de cultura, em torno do qual surgiu todo o estudo da antropologia e cujo âmbito essa matéria tem se preocupado cada vez mais em limitar, especificar, enfocar e conter.
  • Kluckhohn conseguiu definir cultura como: 1. O modo de vida global de um povo; 2. O legado social que o indivíduo adquire do seu grupo; 3. Uma forma de pensar, sentir e acreditar; 4. Uma abstração do comportamento; 5. Uma teoria, elaborada pelo antropólogo, sobre a forma pela qual um grupo de pessoas se comporta  realmente; 6. Um celeiro de aprendizagem em comum; 7. Um conjunto de orientações padronizadas para os problemas recorrentes; 8. Comportamento aprendido; 9. Um mecanismo para a regulamentação normativa do comportamento; 10. Um conjunto de técnicas para se ajustar tanto ao ambiente externo como em relação aos outros homens; 11. Um precipitado da história; o que é mais importante, que tenha um argumento definido a propor, representa um progresso. O ecletismo é uma auto frustração, não porque haja somente uma direção a percorrer com proveito, mas porque há muitas: é necessário escolher.
  • O conceito de cultura que o autor defende e cuja utilidade os ensaios tentam demonstrar, é essencialmente semiótico. Acreditando, como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e a sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.
  • Se você quer compreender o que é a ciência, você deve olhar, em primeiro lugar, não para as suas teorias ou as suas descobertas, e certamente não para o que seus apologista dizem sobre ela; você deve ver o que os praticantes da ciência fazem.
  • Etnografia; compreender o que é a etnografia, ou mais exatamente, o que é a prática da etnografia, é que se pode começar a entender o que representa a análise antropológica como forma de conhecimento; essa não é uma questão de métodos; é estabelecer relações, selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear campos, manter um diário etc. o que o define é o tipo de esforço intelectual que ele representa: um risco elaborado para uma “descrição densa (Ryle)”.
  • [caso das piscadelas] O caso é que, entre o que Ryle chama de “descrição superficial” do que o ensaiador (imitador, piscador, aquele que tem o tique nervoso…) está fazendo (“contraindo rapidamente sua pálpebra direita”) e a “descrição densa” do que ele está fazendo (“praticando a farsa de um amigo imitando uma piscadela para levar um inocente a pensar que existe uma conspiração em andamento”) está o objeto da etnografia: uma hierarquia estratificada de estruturas significantes em termos das quais os tiques nervosos, as piscadelas, as falsas piscadelas, as imitações, os ensaios das imitações são produzidos, percebido e interpretados, e sem as quais eles de fato não existiriam.
  • Descrição etnográfica da espécie mais elementar – como ela é extraordinariamente “densa”; o que chamamos de nossos dados são realmente nossa própria construção das construções de outras pessoas, do que elas e seus compatriotas se propõe – está obscurecido, pois a maior parte do que precisamos para compreender um acontecimento particular, um ritual, um costume, uma ideia, ou o que quer que seja está insinuado como informação de fundo antes da coisa em si mesma ser examinada diretamente; Isso leva à visão da pesquisa antropológica como uma atividade mais observadora e menos interpretativa do que ela realmente é; nós já estamos explicando e, o que é pior, explicando explicações. Piscadelas de piscadelas de piscadelas…
  • A análise é, portanto, escolher entre as estruturas de significação que Ryle chamou de códigos estabelecidos.
  • Etnografia é uma descrição densa; é uma multiplicidade de estruturas conceituais complexas, muitas delas sobrepostas ou amarradas umas às outras, que são simultaneamente estranhas, irregulares e inexplícitas; primeiro apreender e depois apresentar. Fazer etnografia é como tentar ler um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escrito não com sinais convencionais do som, mas com exemplos transitórios de comportamento modelado.
  • A cultura, esse documento de atuação, é portanto pública, como uma piscadela burlesca ou uma incursão fracassada aos carneiros. Embora uma ideação, não existe na cabeça de alguém; embora não física, não é uma identidade oculta. O debate interminável, porque não-terminável, dentro da antropologia, sobre se a cultura é subjetiva ou objetiva; o problema se a cultura é uma conduta padronizada ou um estado da mente ou mesmo as duas coisas juntas, de alguma forma perde o sentido. O que se deve perguntar a respeito de uma piscadela burlesca ou de uma incursão fracassada aos carneiros não é qual o seu status ontológico. Representa o mesmo que pedras de um lado e sonhos do outro – são coisas deste mundo. O que devemos indagar é qual é a sua importância.
  • A cultura está localizada na mente e no coração dos homens.
  • A cultura é pública porque o significado o é. Você não pode piscar (ou caricaturar a piscadela) sem saber o que é considerado uma piscadela ou como contrair, fisicamente, suas pálpebras; é revelar uma confusão tão grande como, assumindo as descrições superficiais por densas, identificar as piscadelas com contrações de pálpebras.
  • [crítica] O que é necessário é verificar se as noticias a respeito chegam à antropologia; e em particular esclarecer que dizer que a cultura consiste em estruturas de significados socialmente estabelecidas, nos termos das quais as pessoas fazem certas coisas como sinais de conspiração e se aliam ou percebem os insultos e respondem a eles, não é mais do que dizer que esse é um fenômeno psicológico, uma característica da mente, da personalidade, da estrutura cognitiva de alguém, ou o que quer que seja, ou dizer ainda o que é tantrismo, a genética, a forma progressiva do verbo, a classificação dos vinhos.
  • Falamos de algumas pessoas que são transparentes para nós. Todavia, é importante no tocante a essa observação que um ser humano possa ser um enigma completo para outro ser humano. Aprendemos isso quando chegamos a um país estranho, com tradições inteiramente estranhas e, o que é mais estranho, mesmo que se tenha um domínio total do idioma do país. Nós não compreendermos o povo. Não nos podemos situar entre eles [lembrar da briga de galos]
  • Situar-nos, um negócio enervante que só é bem-sucedido parcialmente, eis no que consiste a pesquisa etnográfica como experiência pessoal.
  • O objetivo da antropologia é o alargamento do universo do discurso humano.
  • Como sistemas entrelaçados de signos interpretáveis, a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo dentro do qual eles podem ser descritos de forma inteligível – isto é, descritos com densidade.
  • Compreender a cultura de um povo expõe a sua normalidade sem reduzir sua particularidade. Isso os torna acessíveis: colocá-los no quadro de suas próprias banalidades dissolve sua opacidade.
  • “ver as coisas do ponto de vista do ator”
  • Nada mais necessário para compreender o que é a interpretação antropológica, e em que grau ela é uma interpretação, do que a compreensão exata do que ela se propõe dizer – ou não se propõe – de que nossas formulações dos sistemas simbólicos de outros povos devem ser orientadas pelos atos.
  • O objeto de estudo é uma coisa e o estudo é uma outra.
  • No estudo da cultura a análise penetra no próprio corpo do objeto – isto é, começamos com as nossas próprias interpretações do que pretendem nossos informantes, ou o que achamos que eles pretendem, e depois passamos a sistematizá-los.
  • Os textos antropológicos são eles mesmos interpretações e na verdade, de segunda e terceira mão.
  • Nem sempre os antropólogos têm plena consciência desse fato: que embora a cultura exista no posto comercial, no forte da colina ou no pastoreiro de carneiros, a antropologia existe no livro, no artigo, na conferencia… Convencer-se disso é compreender que a linha entre o modo de representação e o conteúdo substantivo é tão intraçável na análise cultural como é na pintura. E este fato, por sua vez, parece ameaçar o status objetivo do conhecimento antropológico, sugerindo que sua fonte não é a realidade social, mas um artifício erudito. Essa ameaça existe, na verdade, mas ela é superficial.
  • Não precisamos mediar a irrefutabilidade de nossas explicações contra um corpo de documentação não-interpretada, descrições radicalmente superficiais, mas contra o poder da imaginação científica que nos leva ao contato com as vidas dos estranhos. Conforme disse Thoreau, não vale a pena correr o mundo para contar os gatos de Zanzibar. [ele é muito FOOOOOOOOFO]
  • Deve-se atentar-se para o comportamento, e com exatidão, pois é através do fluxo do comportamento – ou, mais precisamente, da ação social – que as formas culturais encontram articulação. Elas encontram-na também, certamente, em várias espécies de artefatos e vários estados de consciência. Todavia, neste casos, o significado emerge do papel que desempenham no padrão de vida decorrente, não de quaisquer relações intrínsecas que mantenham umas com as outras. Quaisquer que sejam, ou onde quer que estejam esses sistemas de símbolos “em seus próprios termos”, ganhamos acesso empírico a eles inspecionando os acontecimentos e não arrumando entidades abstratas em padrões unificados.
  • Os sistemas culturais têm que ter um grau mínimo de coerência, do contrário não os chamaríamos de sistemas. A força de nossas interpretações não pode repousar, na rigidez com que elas se mantêm ou na segurança com que são argumentadas.
  • [exemplo dos carneiros] Isso é apenas para demonstrar em que consiste um tipo de interpretação antropológica: traçar a curva de um discurso social; fixá-lo numa forma inspecionável.
  • [o etnógrafo] o que inscrevemos não é o discurso social bruto ao qual não somos atores, não temos acesso direto a não ser marginalmente, ou muito especialmente, mas apenas àquela pequena parte dele que os nossos informantes nos podem levar a compreender; isso torna a visão da análise antropológica como manipulação conceitual dos fatos descobertos, uma reconstrução lógica.
  • [crítica a quem quer uma análise exata… eu acho] é pretender uma ciência que não existe e imaginar uma realidade que não pode ser encontrada. A análise cultural é (ou deveria ser) uma adivinhação dos significados, uma avaliação de conjecturas, um traçar de conclusões explanatórias a partir das melhores conjecturas e não a descoberta do Continente dos Significados e o mapeamento da sua paisagem incorpórea.
  • Há três características da descrição etnográfica: ela é interpretativa; o que ela interpreta é o fluxo do discurso social e a interpretação envolvida consiste em tentar salvar o “dito” num tal discurso da sua possibilidade de extinguir-se e fixá-lo em formas pensáveis. O kula desapareceu ou foi alterado, mas de qualquer forma, Os Argonautas do pacífico Ocidental, continua a existir. Há ainda, em andamento uma quarta característica de tal descrição, pelo menos como eu a pratico: ela é microscópica.
  • O antropólogo aborda caracteristicamente tais interpretações mais amplas de análises mais abstratas a partir de um conhecimento muito extensivo de assuntos extremamente pequenos. As constâncias demasiado humanos (trabalho, paixão, autoridade, beleza…) assumem uma forma doméstica em tais contextos caseiros. Mas essa é justamente a vantagem; já existem suficientes profundidades no mundo.
  • O locus do estudo não é o objeto do estudo. Os antropólogos não estudam as aldeias, eles estudam nas aldeias. Você pode estudar diferentes coisas em diferentes locais; isso não faz do lugar o que você está estudando.
  • A noção de “laboratório natural” tem sido igualmente perniciosa, não apenas porque a analogia é falsa – que espécie de laboratório é esse onde nenhum dos parâmetros é manipulável?
  • A palavra favorita é elementar.
  • [acho que é uma crítica ao Lévi-Strauss] A grande variação natural de formas culturais é, sem dúvida, não apenas o grande (e desperdiçado) recurso da antropologia, mas o terreno do seu mais profundo dilema teórico: de que maneira tal variação pode enquadrar-se com a unidade biológica da espécie humana? Mas não se trata de uma variação experimental, uma vez que o contexto na qual ela ocorre varia simultaneamente com ela e não é possível listar os y’s dos x’s para escrever a função adequada.
  • Os famosos estudos que se propuseram mostrar que o complexo de Édipo funcionava ao contrário nas ilhas Trobriand, que os papéis do sexo estavam invertidos em Tchambuli e que faltava agressividade aos índios Pueblo, qualquer que seja a sua validade empírica, são hipóteses não testadas e aprovadas cientificamente. São interpretações, ou interpretações errôneas, como tantas outras, a que chegamos da mesma maneira que tantos outros, e tão inerentemente inconclusivas como tantas outras, e a tentativa de investi-las da autoridade da experimentação física não passa de uma prestidigitação metodológica. Os achados etnográficos não são privilegiados, apenas particulares: um outro país do qual de ouve falar. Vê-los como qualquer coisa mais (ou qualquer coisa menos) do que isso distorce a ambos e às suas implicações para a teoria social, muito mais profundas que o simples primitivismo.
  • O que é importante nos achados do antropólogo é sua especifidade complexa, sua circunstancialidade.
  • As ações sociais são comentários a respeito de mais do que elas mesmas; de que, de onde vem uma interpretação não determina para onde ela poderá ser impelida a ir. Fatos pequenos podem relacionar-se a grandes temas, as piscadelas à epistemologia, ou incursões aos carneiros à revolução, porque eles são levados a isso.
  • Ou você apreende uma interpretação ou não, vê o ponto fundamental dela ou não, aceita-a ou não. Aprisionada na imediação de seu próprio detalhe, ela é apresentada como auto validante ou, o que é pior, como validade pelas sensibilidades supostamente desenvolvidas da pessoa que a apresenta; qualquer tentativa de ver o que ela é em termos diferentes do seu próprio é vista como um travesti – como etnocêntrico, o termo mais severo do antropólogo para o abuso moral.
  • Estamos reduzidos a insinuar teorias porque falta-nos o poder de expressá-las [eita cabra bão]
  • Ao mesmo tempo, deve admitir-se que há uma série de características de interpretação cultural que tornam ainda mais difícil o seu desenvolvimento teórico.
  • O ponto global no qual vivem os nossos sujeitos, de forma a podermos, num sentido um tanto mais amplo, conversar com eles.
  • Com efeito, quanto mais longe vai o desenvolvimento teórico, mais profunda se torna a tensão. Essa é a primeira condição para a teoria cultural: não é seu próprio dono.
  • Qualquer generalidade que consegue alcançar surge da delicadeza de suas distinções, não da amplidão das suas abstrações.
  • Os estudos constroem-se sobre outros estudos, não no sentido de que retomam onde outros deixaram, mas no sentido de que, melhor informados e melhor conceitualizados, eles mergulham mais profundamente nas mesmas coisas.
  • Se alguém procura tratados sistemáticos na área, logo se desaponta, principalmente se encontra algum.
  • Não se pode escrever uma “Teoria Geral de Interpretação da Cultura”, ou se pode, de fato, mas parece haver pouca vantagem nisso, pois aqui a tarefa essencial da construção teórica não é codificar regularidades abstratas, mas tornar possíveis descrições minuciosas; não generalizar através dos casos, mas generalizar dentro deles.
  • No estudo da cultura, os significantes não são sintomas ou conjuntos de sintomas, mas atos simbólicos ou conjuntos de atos simbólicos e o objetivo não é a terapia, mas a análise do discurso social.
  • As interpretações devem ser capazes de continuar a render interpretações defensáveis à medida que surgem novos fenômenos sociais.
  • Nossa dupla tarefa é descobrir as estruturas conceituais que informam os atos dos nossos sujeitos, o “dito” no discurso social, e construir um sistema de análise em cujos termos o que é genérico a essas estruturas, o que pertence a elas porque são porque são o que são, se destacam contra outros determinantes do comportamento humano. Em etnografia, o dever da teoria é fornecer um vocabulário no qual possa ser expresso o que o ato simbólico tem a dizer sobre ele mesmo – isto é, sobre o papel da cultura na vida humana.
  • O objetivo é tirar grandes conclusões a partir de fatos pequenos, mas densamente entrelaçados.
  • Um recado numa garrafa, de aspecto tão inocente, é mais do que um retrato das estruturas de significado dos negociantes judeus, dos guerreiros berberes e dos procônsules franceses. É um argumento no sentido de que remodelar o padrão das relações sociais é reordenar as coordenadas do mundo experimentado. As formas da sociedade são a substância da cultura [estou amando essa sujeito]
  • A análise cultural é intrinsecamente incompleta e, o que é pior, quanto mais profunda, menos completa.
  • Há uma série de caminhos para fugir a isso – transformar a cultura em folclore e colecioná-la, transformá-la em traços e contá-los, transformá-la em instituições e classificá-las, transformá-la em estruturas e brincar com elas. Todavia, isso são fugas.
  • A antropologia, ou pelo menos a antropologia interpretativa, é uma ciência cujo progresso é marcado por uma perfeição de consenso do que por um refinamento de debate. O que leva a melhor é a precisão com que nos irritamos uns aos outros [fofo]
  • [objetivo do autor] minha própria posição tem sido tentar resistir ao subjetivismo, de um lado, e ao cabalismo de outro, tentar manter a análise das formas simbólicas tão estreitamente ligadas quanto possível aos acontecimentos sociais e ocasiões concretas, o mundo público da vida comum, e organizá-la de tal forma que as conexões entre as formulações teóricas e as interpretações descritivas não sejam obscurecidas por apelos às ciências negras (mágicas).
  • Na busca de tartarugas demasiado profundas, está sempre o presente perigo de que a análise cultural perca contato com as superfícies duras da vida; a única defesa contra isso e, portanto, contra transformar a análise cultural numa espécie de esteticismo sociológico é primeiro treinar tais análises em relação a tais realidades e tais necessidades.  É por isso que eu [Geertz] escrevi sobre nacionalismo, violência, identidade… e principalmente sobre as tentativas particulares de pessoas particulares de colocar essas coisas em alguma espécie de estrutura compreensiva e significativa.
  • Olhar as dimensões simbólicas da ação social – arte, religião, ciência… – não é afastar-se dos dilemas existenciais da vida em favor de algum domínio empírico de formas não-emocionalizadas; é mergulhar no meio delas. A vocação essencial da antropologia interpretativa não é responder às nossas questões mais profundas, mas colocar à nossa disposição as respostas que outros deram e assim incluí-las no registro de consultas sobre o que o homem falou.

Roteiro de leitura

  1. Como Geertz define cultura?
  2. Segundo Geertz, o que faz a antropologia social?
  3. Segundo Geertz, o comportamento humano é vito como ação simbólica. Quais as implicações deste mode de entender o comportamento?
  4. Como essa concepção de cultura diverge da concepção de Lévi-Strauss?
  5. Quais as características da descrição etnográfica?
  6. Qual o objetivo da abordagem proposta por Geertz e quais as principais contribuições teóricas dessa abordagem, segundo o autor?

Notas de aula gentilmente cedidas pela querida e chiquérrima Camila Forsini

Geertz – Por uma teoria interpretativa da cultura

  •  (Pág. 4- último parágrafo) Define cultura como uma ciência interpretativa a cerca de significados.
  • O homem construirá o que determinará o modo em que ele irá agir. É dentro da cultura que vemos como as relações de poder se dão. Esta teia de significados que o homem constrói, ele fica preso dentro destas teias.
  • Não se trata de uma experiência experimental que busca leis, a antropologia vai em busca de significados, ele toma um passo importante que Dumont também tomou, o antropólogo não constrói uma ciência objetiva, não é positivista, por este motivo entende que a antropologia é interpretativa.
  • O antropólogo irá interpretar uma ação e uma interação e uma narrativa sobre a ação e também em busca de significados derivados de uma ação, portanto interpreta e escreve, faz etnografia.
  • Lévi-Strauss distingue etnologia de etnografia, etnografia para ele é parecido como história coleta de dados, tal como a sociologia a etnologia é análise de dados com base em modelos.
  • “O ETNÓGRAFO INTERPRETA, NÃO TEM NADA A VER COM O QUE LÉVI-STRAUSS ENTENDE DE COLETA DE DADOS” (GEERTZ)
  •  Lévi-Strauss é positivista e objetivo (importante diferenciação de Lévi-Strauss e Geertz). Geertz contesta a posição de Lévi-Strauss.
  • GEERTZ entende que na etnografia é a interpretação da interpretação, é seleção do olhar, é interpretação. É análise da ação simbólica, sendo indissociáveis a ação e representação. 
  • Geertz descreve “o fazer” na antropologia com esta escrita “descrição densa”, descreve a etnografia, dá dois exemplos:
  • O primeiro baseado em Ryle – tiques nervosos, detetive (brincadeira), piscadelas…. necessário saber a diferenciação deste significados, da piscadela, do tique nervoso….. Dentro de um ambiente que não é o meu vou interpretar os sentidos e significados tentando se situar neste ambiente desconhecido.
  • A antropologia entre outros é se comunicar. O se situar envolve uma imersão, um envolvimento, é tentar ser adequado, perceber as normas e não quebrá-las, não ofender ninguém, não ser rude, porém não é suficiente para entender algumas coisas, sendo necessário portanto ter uma certa convivência, um certo tempo de convivência, a partir de uma convivência maior o compreenderemos os valores e símbolos daquela ação simbólica.
  • O segundo entre os bárbaros e o judeus e os franceses….

Filme – Janela da Alma 

  • Trata de relatar o modo em que as pessoas lidam com a deficiência visual, o modo que interpreta não é uniforme, há uma heterogeneidade na maneira que as pessoas lidam com estes diferenças, isto tem a ver com a cultura de cada um e o modo de enxergar as coisas conforme experiência de cada indivíduo.
  • Este filme em relação ao Geertz – dar relevância ao que é visto, tem a ver com experiências vividas.
  • A ideia de descrição densa é a capacidade de interpretação, não somente quantidade de dados.
  • O antropólogo dever dar sentido aos significados do que está vendo. Deve entender os significados da ação do outro. Situar-se é tentar entender os sentimentos do outro, tendo que se distanciar do sentimento próprio.
  • Geertz – o antropólogo é também um narrador, faz crítica do que está narrando, permitindo a análise de valores que estão em conflitos.

 Dica para a prova: DIFERENCIAR A IDÉIAS DOS DIFERENTES AUTORES.

Minhas notas de aula [meio barro, meio tijolo]

  • P. 04 ver a citação
  • Descrição superficial: mecânica
  • Etnografia: descrição densa –  tique nervoso X imitador
  • Descrição superficial: todos estão contraindo rapidamente a pálpebra direita.
  • Descrição densa do imitador: praticando a farsa de um amigo imitando uma piscadela para levar um inocente a pensar que existe uma conspiração
  • Organizar os significados
  • O autor trabalhou em Marrocos: ideia da estrutura de significados; estruturas de significação estão envolvidas na realidade [judeu, berberes]
  • Quando se faz uma etnografia se tenta entender as várias coisas que estão em uma interpretação simbólica [várias versões?]; perceber as situações de conflitos, as visões e perspectivas dos atores sociais são conflitantes, não estão todas arrumadas dentro de uma estrutura. [ele é bem diferente de Lévi-Strauss]
  • A análise é um fictio [ASSISTIR JANELA DA ALMA]; o olhar não é algo transparente, a visão não é a janela da alma, ela tem a ver com a nossa perspectiva de vida, várias interpretações, a análise antropológica é muito mais próxima do trabalho do crítico literário do que um decifrador de códigos; podemos nos aproximar das interpretações, as experiências dos antropólogos também criam interpretações e informam a maneira do meu olhar para com o outro. É por isso que se deve entender melhor a perspectiva do outro.
  • A COERENCIA NÃO PODE SER O PRINCIPAL TESTE DE VALIDADE DE UMA DESCRIÇÃO CULTURAL p. 13
  • No sistema simbólico de Lévi-Strauss se é possível validar as estruturas através da matemática, o princípio estrutural se daria em todas as sociedades, haveria um lógica, e o Geertz não concorda com isso [Lévi-Strauss, A noção de estrutura em antropologia, p 316 e 323, 313 e 360 da edição de 2003] para o nosso autor não há isso
  • Quais as características da descrição etnográfica? P. 15: ela é interpretativa; o que ela interpreta é o discurso do fluxo social, interpretamos a ação simbólica de maneira contextualizada, há dinamismo, assim não há estrutura, a cultura não é estática; a interpretação consiste em salvar o dito num tal discurso de sua possibilidade, extinguir-se e fixa-lo em formas pesquisáveis, pesquisar algo que dependa da nossa presença, as sociedades estão em fluxo; o que o etnógrafo escreve também é uma interpretação o que se registra no momento é para resguardar de um possível desaparecimento; ela é microscópica p. 15. Locus [micro] de estudo é diferente de objeto de estudo, se estou estudando na aldeia X, a briga de galos não significa que estou pesquisando a aldeia, estou tentando entender algo para que os meus leitores entendam alguma coisa sobre aquela cultura. [antropologia da cidade e na cidade]. O locus é da , não é um estudo da briga de galos [uma confusão da porra, isso aí]
  • Qual o objetivo desta abordagem antropológica? Conversar com os sujeitos; efetuar uma análise do discurso social, a língua é um elemento, mas não é o único para dialogar.
  • Quais as principais contribuições teóricas dessa abordagem? Generalizar dentro dos casos, buscando explicitar qual o papel da cultura na vida humana; se situar entre os objetos permite DIALOGAR com eles, é na conversa que se expande e se amplia a pesquisa.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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