Notas para a Prova de Antropologia: Louis Dumont (Homo hierarchicus)

[Atenção 1: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

[Atenção 2: O que segue abaixo está uma confusão da moléstia]

 

Notas do texto:

DUMONT, Louis: “Do sistema à estrutura: o puro e o impuro” (cap. 2) In: Homo hierarchicus: o sistema de castas e suas implicações. São Paulo: EDUSP. 1992.

 Elemento e Sistema

  •  A casta é um estado de espírito; se traduz pela emergência; não se deve ver o conjunto a partir da noção do “elemento”, segundo a qual se conheceriam pelo nome e pela natureza dos “elementos” constituintes, mas a partir da noção de “sistema”, segundo a qual alguns princípios fixos presidem ao agenciamento de “elementos” fluídos e flutuantes.
  • A verdade é que, enquanto uma casta é uma unidade social num sistema social mais ou menos orgânico, e é suficientemente de uma ponta a outra da Índia para ser reconhecida de imediato, a natureza dessa unidade é (entretanto) muito variável e torna difícil uma definição concisa. Se não se pode definir o elemento, pode-se definir o sistema; “mais ou menos orgânico”.
  • Sistema de castas: um sentido empírico e um sentido ideológico; se pode falar do sistema das castas como de instituição pan-indiana. Nesse nível, o sistema das castas é antes de tudo um sistema de ideais e de valores, um sistema de forma compreensível racional, um sistema no sentido intelectual do termo.
  • A ideia de hierarquia, tão importante no que concerne à casta, não se apresenta isolada, ela penetra todo o domínio do parentesco; é preciso, para essa exposição, traçar um limite arbitrário e rejeitar os fatos desse tipo – entendamos: aquilo que transborda o sistema de ideias relativo às castas – naquilo que chamaremos de implicações e concomitâncias do sistema.

Lugar da ideologia 

  • Dissemos que nosso objeto primeiro era um sistema de ideias e valores. Reconhecemos também, de passagem, no território ou na localidade, o exemplo de um fator que sempre vem figurar diretamente na ideologia, intervém no nível das manifestações concretas do sistema das castas. Deve-se aclarar um pouco essa dualidade. Note-se, em primeiro lugar, que percebemos duas espécies de aspectos de maneira diferente, de sorte que a distinção entre eles exprime nossa posição com relação ao objeto. Com efeito, de um lado, é a teoria indígena que nos permite dar seu nome às coisas; se, ao contrário, falamos de “estratificação social”, introduzimos julgamentos arbitrários (ou: 1. Casta e classe social são fenômenos de mesma natureza; 2. A hierarquia é incompreensível; 3. No sistema indiano a separação e a interdependência dos grupos estão subordinadas a essa espécie de hierarquia obscura ou vergonhosa). Por outro lado, se somos capazes de perceber nos fatos uma outra dimensão que não apenas aquela da consciência indígena, isso acontece graças à comparação, graças em primeiro lugar à comparação implícita e inevitável com nossa própria sociedade. Isso deve ser evidente.
  • Devemos, então, proceder em dois tempos: primeiro, ir à escola dos Hindus, dos Hindus de hoje e de outrora, para ver se as coisas como eles; modificações correm naturalmente por conta de nossos riscos e perigos.
  • Mas a ideologia não é tudo. O fato é a observação de um conjunto local qualquer que mostra uma vida social que, se orientada de maneira decisiva pela ideologia, a extravasa amplamente; nos nossos dias, muito frequentemente, sacrifica-se a ideologia ao aspecto empírico; No nosso caso, em todo conjunto concreto, encontraremos em ação o princípio forma, mas encontraremos também alguma outra coisa, uma matéria prima que ele ordena e engloba logicamente; É aqui que se situa o equivalente do que chamamos relações de força, fenômenos econômicos e políticos, poder, território, propriedade etc; segundo nossa própria ideologia, podemos chama-los de concomitâncias (comparativas) do sistema ideológico. Esses fenômenos, esperados pelo especialista imbuído da ideologia moderna, são aqui sufocados pela golilha de bronze de uma ideologia oposta. Limitar-se a eles, é, para usar uma expressão local, fechar-se na casta inferior; É preciso, ao contrário, ao nosso ver, restituí-los ao seu lugar, relaciona-los à ideologia que de fato eles acompanham, ficando claro que é só com relação à totalidade assim reconstituída, que a ideologia assumirá seu sentido sociológico verdadeiro.
  • Tomando globalmente, nosso objeto nos aparece um pouco como um iceberg; O fenômeno observado tem um componente ideológico e um outro que chamamos residual sem preconceito ontológico, para assinalar a maneira pela qual é ele colocado em evidência; Da observação e da ideologia deduzimos por “subtração” a componente residual empírico de cada fenômeno observado. É obvio que o erro nos espreita nessa espécie de operação: muito particularmente nos arriscamos a nos enganar na aplicação da ideologia a uma situação particular, sobretudo no início e se superestimamos nossa compreensão do sistema. Muito felizmente os diferentes fenômenos ou vetores não são independentes uns dos outros, e vemos pouco a pouco se destacarem os primeiros delineamentos de uma lei geral das relações.
  • Nem é preciso repetir que, se os aspectos ditos político-econômicos são assim postos em segundo plano com relação à ideologia da cata, isso é o efeito não de um preconceito qualquer, mas apenas da necessidade de dar uma imagem fiel do sistema tal como ele surge para nós.

A noção de estrutura

  • Felizmente as coisas mudam, se considerarmos os princípios que servem para classificar mais ou menos perfeitamente as castas numa ordem. Encontramos assim, subjacente a essa ordem, um sistema de oposições, uma estrutura.
  • Devemos a Lévi-Strauss a introdução do conceito estrito de estrutura em antropologia; a dificuldade encontrada: a individualidade dos corpúsculos elementares é tanto mais atenuada quanto mais engajados na interação. Como, de um lado, não existe corpúsculo inteiramente isolado e como, por outro, a ligação dos corpúsculos num sistema na prática nunca é completa, de maneira a não subsistir qualquer coisa de sua individualidade, vê-se que a realidade parece em geral intermediária entre o conceito de individualidade autônoma e o de sistema totalmente fundido.
  • Faz-se abstração dos “elementos”, em si mesmo, de que o sistema parece ser composto, e só se os considera como resultantes da rede de relações de que o sistema será então constituído. Um fonema só possui caracteres que o opõem a outros fonemas, ele não é qualquer coisa, mas apenas o outro dos outros, graças ao que ele significa alguma coisa. Falaremos de estrutura exclusivamente nesse caso, quando a independência dos elementos de um sistema é tão estrita, que eles desaparecem sem resíduo quando se faz o inventários das relações entre eles: sistema de relações, em suma, e não mais sistema de elementos; Aqui mesmo temos a oportunidade de estar diante de um universo que é estrutural em altíssimo grau. Que se reflita nisso um instante, pois é a primeira razão da dificuldade que temos em compreender o mundo da casta; essas castas se parecem com nossas preciosas pessoas modernas, são tantas outras pequenas sociedades fechadas sobre si e justapostas como nós nos justapomos aos nossos semelhantes na sociedade moderna. Muito bem, nada é mais falso que isso; é a hierarquia que comanda a separação; enquanto que para nós a referencia fundamental é o elemento, ela é aqui o conjunto.
  • A ressonância única da monografia de Evans-Pritchard sobre Nuer, testemunha no mesmo sentido. Ela se deveu à descoberta independente da noção e à sua revelação para um meio profissional saturado de empirismo por uma análise profunda e prudente, alimentada ademais de sociologia francesa; se sua descoberta tem valor particular enquanto desenvolvimento independente proveniente – até onde se sabe – apenas da análise dos sistemas políticos e de linhagem dos Nuer, sua noção de estrutura é, à primeira vista, mais limitada e menos radial que a que Lévi-Strauss emprestou de outras disciplinas. Para ele, trata-se de não-substancialidade, da relatividade das diversas ordens de agrupamentos, ou de distinções, com relação à situações onde elas são vistas em ação. Evans-Pritchard soube muito bem destacar por sua própria conta o princípio estrutural da oposição distintiva – conceitual -, mas ele a expressa na maior parte do tempo na linguagem da oposição de fato, do conflito; sua “estrutura” aparece geralmente ligada a circunstâncias empíricas; seu estudo introduz diretamente a noção de segmentação à qual teremos de recorrer. Tanto no sistema das castas quanto no sistema político dos Nuer, os grupos que aparecem ou desaparecem, dependem da situação em que nos encontramos. Tanto teremos pela frente uma casta oposta a uma outra, quanto veremos a mesma casta se segmentar em subcastas. A segmentação é um aspecto da estrutura por oposição à substância. [p 93 ver nota de revisão da prova]

A oposição fundamental 

  • Castas: sistema forma.
  • Bouglé: o sistema de castas é constituído de grupos hereditários que não são ao mesmo tempo distinguidos e relacionados entre si de três modos: por uma gradação de estatutos de hierarquia; por regras detalhadas que visam a assegurar sua separação; por uma divisão do trabalho e pela interdependência que disso resulta.
  • Os três princípios repousam numa concepção fundamental, ligam-se a um único e verdadeiro princípio: a oposição do puro e do impuro; essa oposição subentende a hierarquia, que é a superioridade do puro sobre o impuro; é preciso manter separados o puro e impuro; a separação subentende a divisão do trabalho. O conjunto está fundamentado na coexistência necessária e hierarquizada de dois opostos.
  • O fato é de extrema importância, pois ele nos leva de imediato para o universo puramente estrutural: é o todo que comanda as partes, e esse todo é concebido, muito rigorosamente, como fundado numa oposição.

Acho que estes tópicos não caem na prova, por isso não li:
O puro e o Impuro: Ideia Geral; Impureza Temporária e Impureza Permanente; Dados antigos; Complementaridade; Multiplicação dos Critérios e Segmentação do Estatuto; Variantes e Anomalias; Esboço de Comparação Semântica.
Segmentação: Casta e subcatas – não li

Roteiro de Leitura 

  1. Para Dumont, a antropologia é produto da modernidade. A) Explique. B) Qual a consequência para a investigação antropológica?
  2. Explique sua proposta de “perspectivação” da sociedade moderna. Em outras palavras, o que é o perspectivismo comparativo?
  3. Em que sentido pode-se dizer que Dumont representa uma continuidade em relação à Mauss?
  4. Qual o princípio social fundamental do sistema de castas Indiano? [será que é o puro e o impuro?]
  5. Qual o princípio social fundamental do sistema de castas indiano?
  6. Em que sentido pode-se dizer que Dumont representa uma continuidade ou desdobramento de Lévi-Strauss?
  7. Para Dumont, a hierarquia é diferente de hierarquia de poder. Explique.
  8. Qual a contribuição de Evans-Pritchard para a análise que Dumont faz do sistema de castas indiano? [acho é a segmentação]

Notas da aula: 

Para Dumont, a antropologia é produto da modernidade:

  • Surge após as luzes;
  • Individualismo: ideologia individualista que tem como valores principais a igualdade e a liberdade, isso influi no modo como a disciplina se coloca [a antropologia]; por exemplo: como Durkheim caracteriza/pensa a sociedade? Individuo X sociedade = coerção social que constrói o indivíduo, ele é produto da modernidade. O modo como os sociólogos pensam é influenciado no período em que ele surgiu.
  • Em cultura e personalidade, qual é a ideia de contrapor a cultura com a sociedade? Olhar para uma sociedade tendo como característica principal [sei lá o que…], opondo cultura e sociedade como fruto do individualismo, assim, é preciso compreender melhor a noção de sociedade através destes paradigmas para que possamos olhar outras sociedades, uma forma de olhar o outro.

Qual a consequência disto para a investigação antropológica?

  • Temos uma visão enviesada, pois são baseadas em nossos teóricos ocidentais.

Explique sua proposta de “perspectivação” da sociedade moderna. Em outras palavras, o que é perspectivismo comparativo?

  • Dumont seria muito diferente das correntes que o precederam, estes tinham a ambição de fazer da sociologia e da antropologia uma ciência; ele diz que não é nada disso, por isso ele é importante, é um momento em que se começa a interrogar sobre o próprio ocidente, e percebe-se que não temos uma neutralidade na nossa abordagem, esta é fruto da nossa perspectiva e do iluminismo [isso passará a ser uma preocupação do pós-modernos]; ele critica esse racionalismo; ele possibilitou mudar esse olhar; voltar o olhar para as sociedades complexas; menos preocupação com a objetividade que tem pautado nossos pensamentos; se nós reconhecemos que somos filhos da sociedade moderna e olhamos o outro a partir destes valores;  para que a gente possa repensar e entender melhor o nosso olhar, é preciso olhar para sociedades que tenham valores chamados opostos aos nossos; se eu olho a sociedade moderna a partir de castas […]

Em que sentido pode-se dizer que Dumont representa uma continuidade em relação à Mauss?

  • A nossa sociedade é individualista e a deles é holista [visão holística: uma maneira de ver o mundo, o Homem e a vida em si como entidades únicas completas e intimamente associadas];
  • O sistema de castas é uma forma de sociedade tradicional; todas as sociedades tradicionais trabalham com a noção de pessoa; o homem é um homem coletivo, a individualização não está completa, isso só ocorre na sociedade moderna, é ela que desenvolve o conceito do indivíduo; essa pessoa sempre tem vínculos muito fortes com a coletividade; não haveria a ideia de que há um indivíduo diferenciado; Dumont representaria a continuidade de Mauss, pois também faz uma ruptura entre pessoa e indivíduo; o sistema de castas também seria compartilhado por nós;

HOLISMO:

  • Evans-Pritchard: sociedade segmentada; identidade situacional; é isso porque há segmentos correspondentes; há linhagens que podem englobar-se; segmentação: se estou me confrontando com outra ideia, se eu sou de um segmento primário da aldeia X ou Y, e tem dois segmentos primários X1 Y2; me identificarei com a [Pqp.. sei lá o que, não estou entendendo nada ;o(], equivalente, equiparável; “eu tenho da sociedade segmentada uma noção de hierarquia; ela é hierárquica e igualitária, temos equiparação entre segmentos do mesmo nível; “brasil, com estados diferentes que podem estranhar-se entre si, mas se reconhecem enquanto brasileiros, vide guerra, vide copa do mundo”.
  • O que isso tem a ver com castas, hierarquias e HOLISMO? Também temos segmentos englobados por outros, um encadeamento; o sistema de castas é uma sociedade holística, as partes não funcionam independentes, mas integradas, ele faz uma ponte com o sistema Nuer; só os entendemos em sua dinâmica entre si. Esse princípio de segmentação/holismo está não só nas castas, mas em várias outras.

Qual o principio social fundamental da sociedade moderna para Dumont?

  • Igualdade

Qual o princípio social fundamental do sistema de castas indiano?

  • Hierarquia

Em que sentido pode-se dizer que Dumont representa uma continuidade ou desdobramento de Lévi-Strauss?

  • Ele tem um esquema estrutural de análise. Não se pode pensar um elemento separado de seu sistema.  Nesse sentido ele representa uma continuidade, entretanto sua análise é mais concreta. Não utiliza a abstração do espírito humano de Lévi-Strauss, ele compara castas com modernidade e ponto final.

Para Dumont, hierarquia é diferente de hierarquia de poder. Explique.

  • Ele postula a ideia de que a hierarquia nem sempre está associada a uma relação de poder [desiguais], teríamos que separar um pouco ao fazer a análise.

Qual a contribuição de Evans-Pritchard para a análise que Dumont faz do sistema de castas indiano?

  • Ele também pensa em segmentos como uma característica básica da sociedade [dos Nuer]; pode ser ao mesmo tempo hierárquico, segmentado e igualitário. [não entendi esse final]

Notas Gerais:

  • Temos a sociedade moderna [o princípio norteador é a igualdade] X Sistema de castas [principio norteador é a hierarquia]
  • Para ele o princípio moderno é uma ideologia; assim, nosso olhar, às vezes, pode ser preconceituoso com relação aos valores que julgamos opostos aos nossos. Por que o antropólogo faz antropologia, só para entender o outro? Seria para entender a própria sociedade em que vive.
  • Se se compreende o outro, é possível entender a nós mesmos, a nossa ideologia igualitária na verdade obscurece o seu caráter de hierarquia.
  • Tocqueville: também se propõe a entender melhor o sistema americano de democracia, comparando-o com o francês, quando ele fala da aristocracia há uma analogia ao sistema de castas, ele não fala em estamentos, mas podemos pensar assim; esse todo integrado e coletivo, onde o indivíduo  não consegue se pensar à parte, isso aproxima Dumont de Tocqueville [p 65 – não tenho];
  • No individualismo temos a noção do semelhante (afinal seriam todos iguais), na sociedade aristocrática há vários estamentos: sempre nos identificamos com algum, mas sempre temos um acima e outro abaixo que são interdependentes, participa-se desta sociedade entendendo os elementos dessa hierarquia como interdependentes, e assim também é no SISTEMA DE CASTAS [EU “SÓ” POSSO CASAR COM ALGUÉM DA MINHA CASTA E ASSIM O É COM ALGUÉM DA MINHA CLASSE = ISSO CARACTERIZA O HOLISMO];
  • Interdependência = uma longa corrente; a sociedade moderna e a democracia quebram a corrente e separam cada um de seus elos [o Aldo falou sobre isso] No individualismo é como se não nos sentíssemos parte de um segmento [?]
  • O sistema holísta para Dumont tem regras segmentadas, separadas hierarquicamente; divisão do trabalho, mas ao mesmo tempo interdependente;  É ISSO QUE CARACTERIZA AS SOCIEDADES TRADICIONAIS – parecido com Mauss.
  • A sociedade individualista é uma sociedade fragmentada. Individuo X sociedade. Na sociedade segmentada sempre nos identificamos com algum segmento.
  • No holismo se obscurece a noção de semelhante e na sociedade moderna se obscurece a noção de hierarquia.

Notas da revisão da prova: 

  • Antropologia produto da modernidade.
  • Contexto histórico: iluminismo; as consequências são as buscas por leis;
  • O trabalho do antropólogo é visto como uma interpretação [ele se aproxima do Geertz]; esse novo olhar traz um novo viés, sempre será uma interpretação; não será possível fazer uma ciência.
  • Perspectivação: para que se possa compreender melhor a sociedade [a própria e a outra] é preciso fazer uma aproximação ao olhar do outro [interacionismo simbólico?].
  • Ele compara, na questão das castas, que é possível ter uma visão da sociedade moderna e entender melhor as diferenças entre ela e aquela. Propõe um quadro de análise comparativas. Ele diz que se trata de interpretação e não de ciência, não se busca objetividade. Se se pesquisa uma civilização, se tem mais chances de interpretar a nossa própria.
  • Continuidade com relação ao Mauss: em todas as sociedades tradicionais se têm noções de pessoas; a sociedade moderna teria uma questão de ruptura, pois passa-se a ter uma noção de indivíduo: de pessoas para indivíduos e individualismos.
  • Castas: princípio de hierarquia; relação entre puro e impuro.
  • Modernidade: princípio do individualismo; é o princípio ordenador da liberdade e igualdade. Em ambos, o que ordena é a ideologia.
  • Castas para Lévi-Strauss: a relação dos elementos é em oposição e em complementaridade.
  • Hierarquia é diferente de hierarquia de poder:
  • Sociedades Tradicionais X Modernas
  • Sociedades Tradicionais: homem coletivo: sociedade em seu conjunto é enfatizada [ser membro de uma casta, ideia de coletivo, faz parte de um segmento, o pertencimento está relacionado ao conjunto hierárquico como um todo [castas: holista]], não faço parte apenas da minha casta, esta é um elo da cadeia de castas; o homem é um homem coletivo; O ideal é a sociedade. Valores: ordem – cada indivíduo particular contribui para o global
  • Sociedades Modernas: indivíduo coletivo: cada indivíduo encarna a sociedade inteira. O ideal é o coletivo. Igualdade, liberdade “a sociedade é apenas … p. 57 [não tenho o texto]”
  • Castas: totalidade social; homem coletivo – ideologia holista; ideia de unidade na segmentação [Evans-Pritchard fala disso e o Dumont o utiliza]
  • Do sistema à estrutura: principio norteador: puro X impuro; já há uma divisão hierárquica que costura os 03 sistemas de castas [?]; ele se baseia no Bouglé; Separação [com relação a outras castas – também a coisa do puro e impuro] – Divisão do trabalho [idem] – Hierarquia = estas 3 características são interdependentes na relação do puro e do impuro;  Tudo é o tal do Holismo.
  • Aproximação com Lévi-Strauss: os elementos do sistema são fluídos e flutuantes, isso seria um contraste com a sociedade moderna, se se estuda castas no norte ou no sul da Índia, os números de castas e sub-castas vão variar, etc;  nunca há um elemento fixo, as coisas dependem da região. Ele aborda o contraste entre os extremos, não vai para o detalhe de cada casta. O que é fixo? O que vai ajudar a analisar o sistema de castas? São alguns princípios norteadores, assim ele se aproxima do conceito de estrutura de Lévi-Strauss; haveria certos princípios lógicos [ideias e valores] e a relação desses elementos e a dinâmica desse sistema são opositores e complementares: não é possível ter o puro sem o impuro. É a ideia de oposição e complementariedade na construção da estrutura.
  • A diferença quanto a Lévi-Strauss: esse sistema é interessante para analisar o sistema de castas, mas na sociedade moderna não é possível, pois aqui o sistema não é fluído e flutuante, ele utiliza o trabalho de Lévi-Strauss para alguns objetos, pois o estruturalismo não é universal, o estruturalismo tem um limite. [p 91]
  • Mentalidade moderna: mundo da substância; o indivíduo é o fundamental [não dá para usar o estruturalismo, não há oposição e complementaridade]
  • Mentalidade tradicional: um uso localizado
  • Inspira-se em Evans-Pritchard e Lévi-Strauss: p 93 “empregaremos as palavras segmento e segmentação apenas parra designar a divisão ou subdivisão de um grupo em vários grupos de mesma natureza, mas de escala menor. A segmentação é um aspecto da estrutura por posição à substância. Substancialmente, reduzimos tudo a um único plano de consideração: o homem individual, ou a nação, ou a casta. Estruturalmente, a casta aparece em algumas situações e desaparece em outras em proveito de entidades maiores ou menores. Não há aqui, como em nosso universo do indivíduo, nível privilegiado. Em particular, veremos que as diversas propriedades da cata está ligada a níveis diferentes do fenômeno”
  • A sociedade Hindu funciona como um todo: casca X pode fazer isso e Y pode fazer aquilo outro, sempre em uma relação entre puro e impuro. E isso é diferente de hierarquia de poder, é hierarquia de valor.
  • O principio ordenador é a ideologia, nem é o politico nem o econômico.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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