Notas para a Prova de Antropologia: Clifford Geertz (O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem)

[Atenção 1: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]

[Atenção 2: O que segue abaixo está uma confusão da moléstia]

Notas do texto: O impacto do conceito de cultura sobre o conceito de homem

  • Whitehead uma vez ofereceu às ciências naturais a máxima “procure a simplicidade, mas desconfie dela”, para as ciências sociais ele poderia ter oferecido “Procure a complexidade e ordene-a”. O estudo da cultura se tem desenvolvido, como se essa máxima fosse seguida.
  • [Lovejoy] “O cenários em períodos e locais diferentes é alterado, de fato, os atores mudam sua indumentária e aparência; mas seus movimentos internos surgem dos mesmos desejos e paixões dos homens e produzem seus efeitos nas vicissitudes dos reinos e dos povos”.
  • A noção de que os homens são homens sob quaisquer disfarces e contra qualquer pano de fundo não foi substituída por “outros costumes, outros animais”.
  • A enorme e ampla variedade de diferenças entre os homens, em crenças e valores, em costumes e instituições, tanto no tempo como de lugar para lugar, é essencialmente sem significado ao definir sua natureza. Consiste em meros acréscimos, até mesmo distorções, sobrepondo e obscurecendo o que é verdadeiramente humano – o constante, o geral, o universal – no homem.
  • A imagem de uma natureza humana constante, independente de tempo…, pode ser uma ilusão, que o que o homem é pode estar tão envolvido com onde ele está, quem ele é e no que ele acredita, que é inseparável deles. É precisamente o levar em conta tal possibilidade que deu margem ao surgimento do conceito de cultura e ao declínio da perspectiva uniforme do homem; antropologia moderna tem a firme convicção de que não existem de fato homens não-modificados pelos costumes de lugares particulares [ele está ironizando a antropologia?]
  • Como observou o próprio Shakespeare: eles estão sempre atuando [os homens]
  • Essa circunstância faz com que seja extraordinariamente difícil traçar uma linha entre o que é natural, universal e constante no homem, e o que é convencional, local e invariável. Com efeito, ela sugere que traçar tal linha é falsificar a situação humana, ou pelo menos interpretá-la mal, mesmo de forma séria.
  • O que se pode aprender sobre a natureza humana a partir dessa espécie de coisa e das milhares de coisas igualmente peculiares que os antropólogos descobrem, investigam e descrevem? Que os balineses são espécies peculiares de seres, marcianos dos mares do Sul? Que eles são iguais a nós, no fundo, mas com alguns costumes peculiares, verdadeiramente incidentais, que não nos agradam? Que eles são mais dotados inatamente ou mais instintivamente dirigidos em certas direções que outros? Ou que a natureza humana não existe e que os homens são pura e simplesmente o que a sua cultura faz deles?
  • É entre interpretações como essas, todas insatisfatórias, que a antropologia tem tentado encontrar seu caminho para um conceito mais viável sobre o homem, no qual a cultura e a variabilidade cultural possam ser mais levadas em conta do que concebidas como capricho ou preconceito e, no entanto, ao mesmo tempo, um conceito no qual o princípio dominante na área, “a unidade básica da humanidade”, não seja transformado numa expressão vazia.
  • Se nos descartamos da noção de que o Homem, com letra maiúscula, deve ser visto “por trás”, debaixo”, ou “além” dos seus costumes, e se a substituímos pela noção de que o homem, sem maiúscula, deve ser visto “dentro” deles, corre-se o perigo de perde por completo a perspectiva do homem.
  • Tivemos, e de alguma maneira ainda temos, ambas essas aberrações nas ciências sociais – uma marchando sob a bandeira do relativismo cultural, a outra sob a bandeira da evolução cultural. Mas tivemos também, mais comumente, tentativas de evitar a ambas procurando nos padrões culturais os elementos definidores de uma existência humana a qual, embora não constante na expressão, é ainda diferente no caráter.
  • As tentativas de localizar o homem no conjunto dos seus costumes assumiram diversas direções, adotaram táticas diversas; mas todas elas, ou virtualmente todas, agiram em termos de uma única estratégia intelectual ampla: a que eu chamarei, de forma a ter uma arma a brandir contra ela, de concepção “estratigráfica” das relações entre os fatores biológico, psicológico, social e cultural na vida humana. De acordo com essa concepção, o homem é um comporto de “níveis”, cada um deles superposto aos inferiores e reforçando os que estão acima dele. À medida que se analisa o homem, retira-se camada após camada, sendo cada uma dessas camadas completa e irredutível em si mesma, e revelando uma outra espécie de camada muito diferente embaixo dela. Retiram-se as variegadas formas de cultura e se encontram as regularidades estruturais e funcionais da organização social.
  • O atrativo dessa espécie de conceitualização, além do fato de ter garantido a independência e soberania das disciplinas acadêmicas estabelecidas, era parecer tornar possível ter o bolo e comê-lo.
  • Para a imagem do homem do século XVIII, como racional nu que surgiu quando ele se despiu dos seus costumes culturais, a antropologia do final do século XIX e início do XX substitui a imagem do homem como do animal transfigurado que surgia quando ele novamente se vestia com esses costumes.
  • Se alguns costumes pudessem ser destacados no meio do abarrotado catálogo da cultura mundial como comuns a todas as variantes locais, e se eles pudessem ser ligados, de maneira determinada, a certos pontos invariantes de referência nos níveis subculturais, então pelo menos algum progresso poderia ser feito para especificar quais os traços culturais que são essenciais à existência humana e quais aqueles que são apenas adventícios, periféricos ou ornamentais. Dessa forma, a antropologia podia determinar as dimensões culturais de um conceito do homem coincidente com as dimensões fornecidas, de maneira semelhante, pela biologia, pela psicologia ou pela sociologia.
  • Se alguém define a religião de maneira geral e indeterminada – como a orientação mais fundamental do homem quanto à realidade, por exemplo -, então esse alguém não pode atribuir a essa orientação um conteúdo altamente circunstancial.
  • Para fazer uma generalização em torno de uma vida eterna idêntica para os confucionistas e os calvinistas, para os zen-budistas e os budistas tibetanos, há que se defini-la, na verdade, nos termos mais gerais – tão gerais, de fato, que qualquer força que porventura tenha virtualmente se apavora.
  • Meu ponto de vista [do Geertz], que deve ser claro e, espero, logo se tornará mais claro não é a que não existam generalizações que possam ser feitas sobre o homem como homem, além da que ele é um animal muito variado, ou de que o estudo da cultura nada tem a contribuir para a descoberta de tais generalizações. Minha opinião é que tais generalizações não podem ser descobertas através de uma pesquisa baconiana de universais culturais, uma espécie de pesquisa de opinião pública dos povos do mundo em busca de um consensus gentium que de fato não existe e, além disso, que as tentativas de assim proceder conduzem precisamente à espécie de relativismo que toda a abordagem se propunha expressamente evitar.
  • Uma vez que se abandona o uniformitarismo, mesmo que apernas parcial e incertamente, como os teóricos do consensus gentium, o relativismo passa a ser um perigo genuíno.
  • Uma vez que a cultura, a psique, a sociedade, o organismo são convertidos em “níveis” científicos separados, completos e autônomos em si mesmo, é muito difícil reuni-los novamente.
  • A forma mais comum de tentar fazê-lo é através da utilização dos assim chamados “pontos invariantes de referência”.
  • Os universais culturais são concebidos como respostas cristalizadas a essas realidades inevitáveis, formas institucionalizadas de chegar a termos com elas.
  • A análise consiste, portanto, em combinar suportes universais com necessidades subjacentes postuladas tentando mostrar que existe alguma combinação entre as duas.
  • O método é olhar as exigências humanas subjacentes, de uma ou outra espécie, e tentar mostrar que esses aspectos da cultura, que são universais, são, para usar novamente a menção de Kluchhohn, “modelados” por essas exigências.
  • Não é difícil relacionar algumas instituições humanas ao que a ciência (ou senso comum) nos diz serem exigências para a existência humana, mas é muito mais difícil afirmar essa relação de forma inequívoca. Qualquer instituição serve não apenas uma multiplicidade de necessidades sociais, psicológicas e orgânicas (de forma que dizer que o casamento é mero reflexo da necessidade social de reprodução, ou que os hábitos alimentares são mero reflexo das necessidades metabólicas, é fazer uma paródia), mas não há qualquer modo de se afirmar, de forma precisa e testável, quais as relações interníveis que se supõe manter-se.
  • Com a abordagem de níveis não podemos jamais, mesmo invocando “pontos invariantes de referência”, construir interligações funcionais genuínas entre os fatores cultural e não-cultural, apenas analogias, paralelismo, sugestões e afinidades mais ou menos persuasivas.
  • Precisamos procurar relações sistemáticas entre fenômenos diversos, não identidades substantivas entre fenômenos similares. E para consegui-lo com bom resultado precisamos substituir a concepção “estratigráfica” das relações entre os vários aspectos da existência humana por uma sintética, isto é, na qual os fatores biológicos, psicológicos, sociológicos e culturais possam ser tratados como variáveis dentro dos sistemas unitários de análise. É uma questão de integrar diferentes tipos de teorias e conceitos de tal forma que se possa formular proposições significativas incorporando descobertas que hoje estão separadas em áreas estanques de estudo.
  • [proposta?] Alcançar assim, uma imagem mais exata do homem, quero propor duas ideias. A primeira é que a cultura é melhor vista não como complexos de padrões concretos de comportamento – costumes, usos, tradições, feixes de hábitos -, como tem sido o caso até agora, mas como um conjunto de mecanismos de controle – planos, receitas, regras, instruções (o que os engenheiros de computação chamam “programas”) – para governar o comportamento. A segunda ideia é que o homem é precisamente o animal mais desesperadamente dependente de tais mecanismos de controle, extragenéticos, fora da pele, de tais programas culturais, para ordenar seu comportamento.
  • Todos nós começamos com o equipamento natural para viver milhares de espécies de vida, mas terminamos por viver apenas uma espécie.
  • A perspectiva da cultura como “mecanismo de controle” inicia-se com o pressuposto de que o pensamento humano é basicamente tanto social como público – que seu ambiente natural é o pátio familiar, o mercado e a praça da cidade. Pensar consiste não nos “acontecimentos na cabeça”, mas num tráfego entre aquilo que foi chamado de símbolos significantes. Do ponto de vista de qualquer indivíduo particular, tais símbolos são dados, na sua maioria. Ele os encontra já em uso corrente na comunidade quando nasce e eles permanecem em circulação após a sua morte, com alguns acréscimos, subtrações e alterações parciais dos quais pode ou não participar. Enquanto vive, ele se utiliza deles, ou de alguns deles; para fazer uma construção dos acontecimentos através dos quais ele vive, para auto-orienta-se no curso corrente das coisas experimentadas.
  • O homem precisa tanto de tais fontes simbólicas de iluminação para encontrar seu apoio no mundo.
  • Ao homem o que lhe é dado de forma inata são capacidades de resposta extremamente gerias; uma efetividade de comportamento, deixam-no muito menos regulado com precisão. Este é assim, o segundo aspecto do nosso argumento. Não dirigido por padrões culturais – sistemas organizados de símbolos significantes – o comportamento do homem seria virtualmente ingovernável, um simples caos de atos sem sentido e de explosões emocionais, e sua experiência não teria praticamente qualquer forma. A cultura, a totalidade acumulada de tais padrões, não é apenas um ornamento da existência humana, mas uma condição essencial para ela – a principal base de sua especificidade [cultura é fundamental para que o homem se organize?]
  • Perspectiva tradicional; homem primeiro; o biológico, foi completado para todos os intentos e propósitos, antes que o último, o cultural, começasse. Isso significa dizer novamente que era estratigráfico. O ser físico do homem evoluiu; começou então o desenvolvimento cultural; uma mudança genética marginal de alguma espécie tornou-o capaz de produzir e transmitir cultura; o homem se tornou homem; após esse momento “mágico”, o avanço dos hominídeos dependeu quase que inteiramente da acumulação cultural, do lento crescimento das práticas convencionais e não da mudança orgânica física, como havia ocorrido em áreas passadas. O único problema é que tal momento não parece ter existido [adoro esse Geertz].
  • Na perspectiva atual a evolução do Homo sapiens – o homem moderno; com o aparecimento do agora famoso Australopitecíneo, chamados homens macacos; parecem ter estado presentes entre alguns dos Autralopitecíneos, há então uma superposição de mais de um milhão de anos entre o início da cultura e o aparecimento do homem como hoje o conhecemos; os homens comemoram aniversários, mas o homem não. Isso significa que a cultura, em vez de ser acrescentada, por assim dizer, a um animal acabado ou virtualmente acabado, foi um ingrediente, e um ingrediente essencial, na produção desse mesmo animal.
  • Apoio cada vez maior sobre os sistemas de símbolos significantes; à medida que a cultura, num passo a passo infinitesimal, acumulou-se e se desenvolveu, foi concedida uma vantagem seletiva àqueles indivíduos da população mais capazes de levar vantagem; até que o que havia sido o Autralopiteco proto-humano, de cérebro pequeno, tornou-se o Homo sapiens de cérebro grande, totalmente humano. Submetendo-se ao governo de programas simbolicamente mediados para a produção de artefatos, organizando a vida social ou expressando emoções, o homem determinou, embora inconscientemente, os estágios culminantes do seu próprio destino biológico. Literalmente, embora inadvertidamente, ele próprio se criou. [ah… que lindo!]
  • Grosso modo: não existe o que chamamos de natureza humana independente da cultura.
  • Como nosso sistema nervoso central cresceu, em sua maior parte, em interação com a cultura, ele é incapaz de dirigir nosso comportamento ou organizar nossa experiência sem a orientação fornecida por sistemas de símbolos significantes. O que nos aconteceu na Era Glacial é que fomos obrigados a abandonar a regularidade e a precisão do controle genético detalhado sobre nossa conduta em favor da flexibilidade e adaptabilidade de um controle genético mais generalizado sobre ela, embora não menos dela. Para obter a informação adicional necessária no sentido de agir, fomos forçados a depender cada vez mais de fontes de cultura – o fundo acumulado de símbolos significantes. Sem os homens certamente não haveria cultura, mas, de forma semelhante, sem cultura não haveria homens. Nós somos animais incompletos e inacabados que nos completamos e acabamos através da cultura; extrema dependência de uma espécie de aprendizado.
  • Nossa capacidade de falar é inata certamente, nossa capacidade de falar inglês é cultural.
  • Existe um conjunto complexo de símbolos significantes, sob cuja direção nós transformamos os primeiros no segundo, os planos básicos em atividade. Nossas ideias, nossos valores, nosso atos, até mesmo nossas emoções são, como nosso próprio sistema nervoso, produtos culturais.
  • Homens: eles também, até o último deles, são artefatos culturais.
  • Quaisquer que sejam as diferenças que elas apresentam, as abordagens para a definição da natureza adotadas pelo iluminismo e pela antropologia clássica têm uma coisa em comum: ambas são basicamente tipológicas. Elas tentam construir uma imagem do homem como um modelo, um arquétipo, uma ideia platônica.
  • No caso do iluminismo, os elementos do tipo essencial deviam ser descobertos desvendando as exterioridades da cultura dos homens verdadeiros para ver o que sobrava – o homem natural. Na antropologia clássica, seriam descobertos pela decomposição das banalidades da cultura, verificando, então o que aparecia – o homem consensual. A individualidade passa a ser vista como excentricidade. Estamos buscando uma entidade metafisica, o Homem com “H”.
  • Se queremos descobrir quanto vale o homem, só podemos descobri-lo naquilo que os homens são: e o que os homens são, acima de todas as outras coisas, é variado.
  • Conceito de cultura tem seu impacto no conceito de homem: quando vista como um conjunto de mecanismos simbólicos para controle de comportamento, fontes de informação extra-somáticas, a cultura fornece o vínculo entre o que os homens são intrinsecamente capazes de se tornar e o que eles realmente se tornam, um por um. Tornar-se humano é tornar-se individual e nós nos tornamos individuais sob a direção dos padrões culturais. Os padrões culturais envolvidos não são gerais, mas específicos. O homem não pode ser definido nem apenas por suas habilidades inatas, como fazia o iluminismo, nem apenas por seu comportamento real, como o faz grande parta da ciência social contemporânea, mas sim pelo elo entre eles.
  • Assim como a cultura nos modelou como espécie única, assim ela nos modela como indivíduos separados. É isso o que temos realmente em comum – nem um ser substancial imutável, nem um consenso de cruzamento cultural estabelecido.
  • Ser humano certamente não é ser Qualquer Homem; é ser uma espécie particular de homem, e sem duvida os homens diferem.
  • Temos que descer aos detalhes, além das etiquetas enganadoras, além dos tipos metafísicos, para apreender corretamente o caráter essencial não apenas das várias culturas, mas também dos vários tipos de indivíduos dentro de cada cultura, se é que desejamos encontrar a humanidade face a face.

Roteiro de leitura:

  1. Ao efetuar uma revisão de diferentes conceitos de cultura, Geertz se contrapõe às duas tendências que considera radicais e insatisfatórias. Quais são estas tendências e por que as considera insatisfatórias?
  2. À concepção “estratigráfica” de cultura, Geertz contrapõe a concepção sintética de cultura. Como Geertz define cada uma destas concepções e por que defende a segunda?
  3. Geertz afirma que a cultura é a condição de existência da espécie humana. A) Explique. B) Como a evolução da espécie humana ilustra essa concepção?
  4. Por que e como sua proposta de entender a cultura como condição de existência da espécie humana se contrapõe à proposta de Lévi-Strauss da relação entre natureza e cultura?

Notas de aula

  • Visão universalista: deterministas [evolucionista], olha-se para qualquer tempo e espaço e é possível encaixar as culturas em uma hierarquia.
  • Visão particularista: linha de cultura e personalidade; relativismo cultural.

○    As duas visões trazem problemas porque para entender a especificidade de uma cultura é entender que ela faz parte de um todo maior, há múltiplas interpretações de uma cultura.

  • Estratigráfica: estratos que se sobrepõe “se eu quero olhar para a espécie humana em diversos graus, posso pensar no nível do biológico estou no reino dos universais e se tem o psicológico etc, tem-se o estrato da análise cultural: ele também discorda dessa coisa de estrato, pois um seria independente ao outro, seriam esferas autônomas. Daí ele chega no Lévi-Strauss. O LS retrata a relação entre natureza e cultura com a proibição do incesto, este apresenta a passagem da natureza para a cultura, o incesto seria uma regra universal, essa regra existe em todas as sociedades, mesmo que de diversas maneiras, pode ser uma regra “vazia” pois varia de sociedade para sociedade, haveria assim, um estrato norteado por leis universais, mas haveria outros estratos, seria uma visão iluminista que pressupõe que tem-se o homem formado biologicamente, atravessa-se este pórtico e adentra-se ao reino da cultura, cria-se a sociedade com suas regras.
  • O autor diz que não existem os estratos isolados, porque há relação entre natureza e cultura, ele utiliza a evolução da espécie; “temos um ancestral bípede [autralopitécos] com o cérebro menor; no seu processo de evolução que teve mais de um milhão de anos até chegar no homo sapiens sapiens; mas já somos bípedes e já se produz cultura; nesse processo há um grande desenvolvimento do cérebro humano e isso se deu por conta da interação do homem com a natureza, seu ambiente externo, com os membros de sua espécie; as relações são muito dinâmicas entre si, nesse caminho temos o desenvolvimento da comunicação, do simbolismo e do trabalho, o homem cria seus instrumentos de trabalho, torna-os complexos e os desenvolve;  da relação cultura/natureza há uma interdependência fundamental, foi um processo longo que dependeu dessa interação.
  • [Que significados eu dou na minha vida?]
  • A evolução é multilinear, natureza e cultura não são esferas separadas, a cultura se desenvolve e desenvolve o homem.
  • O homem construiu sua cultura de formas diferentes, mas antes de ser o homem moderno os dois universos são interdependentes.
  • Não poderíamos ter evoluído para o homem moderno sem ter desenvolvido a capacidade de significação e isso é MUITO diferente de LS, para ele o homem só desenvolve a cultura depois de estar pronto enquanto homem, ele estratigrafa [para ele há uma PASSAGEM um pórtico: a criação da regra]
  • [O GEERTZ É LEGAL] sem a cultura o homem não teria se desenvolvido, a cultura é o motor do processo, não há separação do homem com cultura ou sem cultura; o desenvolvimento do trabalho foi essencial, o desenvolvimento das capacidades motoras [polegar] se deu por conta do trabalho. [o símio tem possibilidades elementares de trabalho: colocar um pau no formigueiro para comer, por exemplo] o australopiteco, ou seja, antes do sapiens sapiens já tinha cultura, uma coisa está imbricada na outra; na medida que desenvolvo minha destreza, desenvolvo o cérebro e vai se complexificando [É UM PROCESSO]
  • Um outro autor dá o exemplo de um embrião: a espécie humana é a que nasce mais vulnerável, a cabeça do bebê ainda tem a moleira, daí o bebê vai se desenvolvendo, vai se socializando, é nesse processo de desenvolvimento que o cérebro vai se desenvolvendo – na interação – e a moleira desaparece, a cultura foi fundamental para isso. Para que o cérebro se desenvolva é preciso o contato com a cultura. NOS SOMOS ANIMAIS SOCIAIS E A CULTURA É FUNDAMENTAL NO NOSSO DESENVOLVIMENTO.
  • Essa visão estratigráfica não torna possível o entendimento do homem contemporâneo.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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