Notas para a prova de Política: Karl Marx e Friedrich Engels – Crítica ao Programa de Gotha

[Atenção 1: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática]
Este texto ajuda a compreender a economia política de Marx.

  • Para os burgueses o trabalho tem a mágica de criar riqueza.
  • Aqueles que não têm nada além de sua força de trabalho, submetem-se ao outro, outro homem.
  • [a única mercadoria que o capitalismo inventou foi a força de trabalho]
  • Trabalho produtivo é o que gera mais-valia, e o útil é o simples (limpar a casa, por exemplo).
  • Em todas as sociedades ninguém jamais vai receber a riqueza que vai produzir com seu trabalho. Uma parte vai pegar uma parte do que produz para dividir; há sempre quem não trabalha, nem que seja por um momento, isto é a sociedade. Um grupo administrativo qualquer sempre teria que existir (segundo a professora) para redistribuir a renda, sempre uma forma de Estado.
  • Trabalho abstrato é trabalho social. Tudo o que se faz foi aprendido com alguém que aprendeu, sempre há um trabalho a ser feito, há uma dependência temporal e espacial quanto ao trabalho de alguém (vestir, comer, divertir). Não é trabalho intelectual; é um trabalho social, é o exercício de um trabalho abstrato (mais ou menos aquela coisa da solidariedade orgânica).
  • Fruto do trabalho e Direito igual: é a coisa mais importante do texto, para a professora.
  • Marx se irrita com a coisa o “fruto [íntegro] do trabalho”. As coisas não surgem do nada, além da mão de obra, ainda tem a matéria prima [sei lá].
  • Marx aceita sorrateiramente a ideia de um Estado em um momento futuro no que diz respeito a uma centralização para a redistribuição.
  • P. 231, 4º parag.: uma ciranda – trabalho, produto, salário, cidadão… “o fruto íntegro do trabalho transformou-se já, imperceptivelmente, no “fruto parcial”, ainda que o que se retira ao produtor na qualidade de indivíduo, a ele retorna, direta ou indiretamente, na qualidade de membro da sociedade”.
  • A sociedade deveria ser, para que fosse justa quanto ao direito: “De cada um, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades, Marx.”

 Trechos do Texto [apenas da pg. 223 a 237]: 

  • O programa tinha a intenção de formar uma organização única: Partido Operário da Alemanha.
  • O programa de Gotha foi abandonado, pelos próprios autores por ser inservível.
  • Carta de Marx a W. Bracke, dizendo que ele e Engels não estavam de acordo com o programa e com seus princípios. Um silêncio poderia fazer dele uma espécie de cúmplice, o programa seria absolutamente inadmissível e desmoralizante para o Partido.
  • Programa de Gotha: trabalho é fonte de riqueza e da cultura, todos da sociedade têm direito a perceber o fruto íntegro do trabalho.
  • Marx: não é o trabalho a fonte de riqueza é a natureza a fonte dos valores de uso, que integram a riqueza material; quando o homem trabalha, seu trabalho converte-se em valores de uso e portanto de sua fonte de riqueza, como o homem nem sempre é dono da propriedade [da natureza] passa a ser escravo de outros homens, aqueles que se tornaram donos das condições materiais do trabalho. “como o trabalho é a fonte de toda a riqueza, ninguém na sociedade pode atribuir riqueza que não seja produto do trabalho. Se, portanto, a pessoa não trabalha, é que vive do trabalho alheio e adquire também sua cultura às custas do trabalho dos outros”.
  • Programa de Gotha: o trabalho útil só é possível dentro da sociedade e através dela.
  • Marx: sem a sociedade não pode existir o trabalho útil; só dentro da sociedade se pode viver o ócio.
  • Programa de Gotha: o trabalho útil só é possível dentro da sociedade e através dela, todos os membros da sociedade tem igual direito a perceber o fruto íntegro do trabalho.
  • Marx: o fruto do trabalho pertencerá à sociedade, e o trabalhador individual só perceberá a parte que não seja necessária para manter a “condição” do trabalho, que é a sociedade; o trabalho do indivíduo isolado (pressuposto suas condições materiais) também possa criar valores de uso, não pode criar riqueza nem cultura; na sociedade capitalista atual, já se produzem, as condições materiais que permitem e obrigam os operários a destruir essa maldição social.
  • Programa de Gotha: os meios de trabalho são monopólio dos capitalistas, o estado de dependência da classe operária que disto deriva, é a causa da miséria e da escravidão em todas as suas formas.
  • Marx: esta frase é falsa; os estatutos da Internacional falam dos monopolizadores dos meios de trabalho, das fontes da vida; o solo está compreendido entre os meios de trabalho
  • Programa de Gotha: o trabalho deve ser regulado coletivamente, com uma repartição equitativa do fruto do trabalho.
  • Marx: que é fruto do trabalho? O produto do trabalho, ou seu valor? O valor total do produto, ou só parte do valor que o trabalho acrescenta ao valor dos meios de produção consumidos? Que é repartição equitativa? O fruto do trabalho coletivo será a totalidade do produto social: 1º uma parte para repor os meios de produção consumidos; 2º uma parte suplementar para ampliar a produção; 3º o fundo de reserva ou de seguro contra acidentes. Estas deduções do fruto íntegro do trabalho constituem uma necessidade econômica e sua magnitude será determinada de acordo com os meios e forças existentes […] não se pode calculá-lo partindo da equidade; Para chegar á repartição individual é preciso deduzir: 1º as despesas gerais de administração, não concernentes à produção: irá aumentando à medida que a nova sociedade se desenvolva; 2º a parte que se destine a satisfazer necessidades coletivas [escolas, saúde etc]; 3º os fundos de manutenção das pessoas não capacitadas para o trabalho. O fruto íntegro do trabalho, transformou-se no fruto parcial, ainda que o eu se retira ao produtor na qualidade de indivíduo, a ele retorna, direta ou indiretamente, na qualidade de membro da sociedade; o fruto do trabalho perde todo o sentido; o produtor individual obtém da sociedade aquilo que deu; a jornada social de trabalho compõe-se da soma das horas do trabalho individual, o tempo individual de trabalho de cada produtor em separado é parte da jornada social de trabalho com que contribui – a sociedade lhe entrega um bônus consignado que prestou tal ou qual quantidade de trabalho, este bônus ele retira dos depósitos sociais de meios de consumo a parte equivalente à quantidade de trabalho prestou. A mesma quantidade de trabalho que deu à sociedade sob uma forma, recebe-a desta sob uma outra forma diferente. É o mesmo princípio que regula o intercâmbio de mercadorias, uma vez que este é um intercâmbio de equivalentes. Variam a forma e o conteúdo, porque sob as novas condições ninguém pode dar senão seu trabalho;
  • Marx: O direito igual é o direito burguês; o direito dos produtores é proporcional ao trabalho que prestou; a igualdade aqui, consiste em que é medida pelo mesmo critério: pelo trabalho; alguns indivíduos são “superiores”, física ou intelectualmente, assim prestam mais trabalho e o trabalho, para servir de medida, tem que ser determinado quando à duração ou intensidade, assim deixa de ser uma medida. O direito igual é um direito desigual para trabalho desigual, não reconhece nenhuma distinção de classe, porque cada indivíduo não é mais do que um operário como os demais, é o direito da desigualdade.
  • Marx: uns operários são casados, têm filhos etc, para igual participação no fundo social de consumo, uns obtém mais que os outros, o direito não seria igual, mas desigual. O direito não pode ser nunca superior à estrutura econômica nem ao desenvolvimento cultural da sociedade por ela condicionado. Na fase superior da sociedade comunista, quando houver desaparecido a subordinação escravizadora dos indivíduos à divisão do trabalho e o contraste entre o trabalho intelectual e o trabalho manual, quando não for somente um meio de vida, quando o desenvolvimento dos indivíduos crescerem também as forças produtivas e jorrarem em caudais os mananciais da riqueza coletiva, só então será possível ultrapassar-se totalmente o estreito horizonte do direito burguês e a sociedade poderá inscrever em sua bandeira “De cada qual, segundo sua capacidade, a cada qual, segundo suas necessidades”.
  • Marx: o socialismo vulgar (e através dele uma parte da democracia) aprendeu com os economistas burgueses a considerar e tratar a distribuição como algo independente do modo de produção e, portanto, a expor o socialismo como uma doutrina que gira principalmente em torno da distribuição.
  • Programa de Gotha: a emancipação do trabalho tem que ser obra da classe operária, diante da qual todas as demais classes não constituem senão uma massa reacionária.
  • Marx: na Internacional está “a emancipação das classes trabalhadoras deverá ser conquistada pela próprias classes trabalhadoras”, não tem nada de emancipação do trabalho.
  • Programa de Gotha: a classe operaria busca, em primeiro lugar, sua emancipação dentro do marco do Estado nacional de hoje, consciente de que o resultado necessário de suas aspirações, comuns aos operários de todos os países civilizados será a fraternização internacional dos povos.
  • Marx: em oposição ao Manifesto Comunista e a todo o socialismo anterior, Lassalle concebia o movimento operário do ponto de vista nacional mais estreito. E depois da atividade da Internacional, ainda se seguem suas pegadas por esse caminho; […] a ação internacional das classes trabalhadoras não depende, de modo algum, da existência da Associação Internacional dos Trabalhadores. Esta constitui somente uma primeira tentativa para fornecer àquela ação, um órgão central; uma tentativa que, pelo impulso que deu, teve uma eficácia perdurável, mas que em sua primeira forma histórica não podia prolonga-se depois da queda da Comuna de Paris.
  • Programa de Gotha: o Partido Operário alemão aspira, por todos os meios legais, a implantar o Estado Livre – e – a sociedade socialista; a abolir o sistema do salário, com sua lei de bronze – e – a exploração sob todas as suas formas; a suprimir toda desigualdade social e política.
  • Marx: depois da morte de Lassalle, havia progredido em nosso Partido a concepção científica de que o salário não é o que parece ser, isto é, o valor – ou o preço do trabalho, mas parece ser, isto é, o valor – ou o preço do trabalho, mas só uma forma disfarçada do valor – ou do preço – da força de trabalho. Com isto, havia sido lançada ao mar, de uma vez para sempre, tanto da velha concepção burguesa do salário, com toda crítica até hoje dirigida contra esta concepção, e se havia tornado claro que o operário assalariado só está autorizado a trabalhar para manter sua própria vida, isto é, a viver, uma vez que trabalhar grátis durante certo tempo para o capitalista (e, portanto, também para os que, como ele embolsa a mais-valia); que todo o sistema de produção capitalista gira em torno do prolongamento deste trabalho gratuito, alongando a jornada de trabalho ou desenvolvendo a produtividade, ou seja, acentuando a tensão da força de trabalho, etc; que, portanto, o sistema do trabalho assalariado é um sistema de escravidão, uma escravidão que se torna mais dura à medida que se desenvolvem as forças sociais produtivas do trabalho, ainda que o operário esteja melhor ou pior remunerado. E quando esta concepção cada vez mais ia ganhando terreno no seio do nosso partido, retrocede-se aos dogmas de Lassalle, apesar de que hoje já ninguém pode ignorar que Lassalle não sabia o que era salário mas que, indo na esteira dos economistas burguês, tornava a aparência pela essência da coisa. E como se, entre escravos que finalmente tivessem descoberto o segredo da escravidão e se rebelassem contra ela, viesse um escravo fanático das ideias antiquadas e escrevesse no programa da rebelião: a escravidão deve ser abolida porque a manutenção dos escravos, dentro do sistema da escravidão, não pode passar de um certo limite, extremamente baixo […] Em vez da vaga frase “suprimir toda desigualdade social e politica”, o que se deveria ter dito é que, com a abolição das diferenças de classe, desaparecem por si mesmas as desigualdades sociais e políticas que delas emanam.

Coisas

Gotha é uma cidade na Alemanha, na qual houve um congresso onde foi formado o partido social democrata alemão (operário alemão) [um partido sempre é formado por grupos, sempre há pelo menos dois grupos que se juntam]

Este partido que surge em 1875  foi uma união entre os grupos Lassalle e Eisenach, o primeiro era contemporâneo de Marx, que tinha muita importância, ambos brigaram, ele construiu uma grande aceitação no movimento socialista alemão, foi uma pessoa muito conhecida no movimento (proletariado). Na sede do partido tem a foto de Marx, Engels e dele, Lassalle. Entre Marx e Lassalle não há comparação, Marx é superior. (Lassalle era um mau caráter, ele morre assassinado em um duelo, porque transou com uma mulher casada). Ele era uma espécie de reformista [pensava-se que o capitalismo poderia ser adaptado para a melhoria da vida do proletariado]

As divergências entre os pensamentos de Lassalle (incentivador das cooperativas) e Marx aparecem nesse texto

Crédito da ilustração: “Sosialistisia kuvia”. Disponível em: http://www.marxists.org/archive/marx/photo/art/index.htm

Anúncios

Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
Esse post foi publicado em FESP e marcado , . Guardar link permanente.

2 respostas para Notas para a prova de Política: Karl Marx e Friedrich Engels – Crítica ao Programa de Gotha

  1. rafael ribeiro disse:

    Foi a professora Rosely que pediu o fichamento?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s