Notas para a prova de Sociologia: GIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje

[Atenção: Bem vindos ao Festival dos Erros de Digitação e Gramática] 

Notas da aula

  • Modo de olhar a realidade.
  •  Aproximar o olhar sociológico da verdade e da ciência.
  • Crise epistemológica (século  XX).
  • Caminhar em busca de uma verdade: projeto cartesiano (início do sec. XX) não atendeu à expectativa =  crise.
  • Depois da crise: estudos embasados na fenomenologia
    • Que diabeisso? Kant: ciência que estuda a matéria enquanto objeto possível da experiência; Husserl: método que visa encontrar as leis puras da consciência intencional.
    • Religação dos saberes.
    • Fenda na sociologia = não dar à sociologia o rotulo de ciência
    • Esforço da sociologia: algumas alternativas para se aproximar da ciência: estruturalismo (lembrar da matemática de Lévi-Strauss)
    • Saussure: língua é premente para toda a cultura humana.
    • Lévi-Strauss: a partir de Saussure traça sua estrutura elementar do parentesco (independente do lugar a estrutura do parentesco se repete = proibição do incesto, por exemplo). A proibição é da ordem da cultura, não da natureza.
    • A língua permite se vincular. É através dela que se realiza o pensamento. Também se dão as regras sociais, etc. Só com a língua é permitido realizar coisas. Sempre nomeamos as coisas. Exteriorizamos através dela, ela é uma chave de acesso. Para o professor o estruturalismo é muito acertado, porque tudo passa pela fala.
    • (Platão) Pharmakón (língua) é o mesmo que remédio, veneno e/ou máscara-cosmético (é algo que engana = maquiagem).
    • Na corrente estrutural está implícito que todo homem é passível de linguagem, ele pode através da fala estabelecer todas as coisas em uma sociedade (conhecimento, mentira, verdade). Se eu sei como a fala se organiza é possível compreender os projetos dos homens.
    • Aristóteles: o homem se move por algum motivo exterior, o homem é atraído por alguma coisa que o move.
    • Intenção como projeto: associa-se a uma visão de futuro. Os indivíduos não estão no presente por conta do passado, mas por conta do futuro. “não estou aqui porque nasci, estou aqui porque vou morrer (eita conversa de doido). Passo a projetar a minha vida, vou me aposentar com tal idade para fazer sei lá o que com tantos anos. Compreender essa intencionalidade (padrões)  voltada para o futuro (sempre através da fala) é compreender os projetos da sociedade.
    • Aristóteles: o homem é homem porque fala e porque fala é o homem politico.
      •  (lembrar da moça que nasceu muda, surda e cega: ela conseguiu pensar após aprender a “falar”)
      • A linguagem não é apenas um conjunto de signos, ela compreende uma forma lógica de existir. A linguagem compreende o pensamento como um todo. (lembrar do cara que separou as fitas azuis)
      • O pensamento pode ser compreendido através da linguagem.
      • Na sociologia: uma força invisível não é necessariamente a língua, por não ser absoluta. Há algo que extrapola a intencionalidade. Dar-se-ia uma compreensão melhor da realidade. Ela quer uma explicação universal mais próxima da ciência: estariam além do estruturalismo.
      • O inconsciente não é totalmente inconsciente, pois alguém sempre sabe identificar esse “inconsciente”: alguém nos conta algo que não sabemos que fazemos, daí fica consciente. (isso é muito interessante)
      • Essa coisa de inconsciente/consciente já é uma critica ao estruturalismo. Não haveria uma força invisível que conduziria a minha vida sem a possibilidade de mudança.
      • “o que é morto (estruturalismo) é a questão de ser apenas uma forma de estabelecer um complexo de perspectivas para compreender um fato”. É possível utilizar o estruturalismo, mas não seria o único meio.
      • A crítica é um alerta quanto ao estruturalismo como mais um método de análise, não é o único.
      • A língua é viva, ela se modifica e quem permite isso é o homem.
      • Signo = significante (materialidade) e significado
      • Palavra-signo = significado de coisas (significantes)
      • A realidade social altera as coisas; os significados podem ser alterados, “surgem” novas palavras; uma forma mais orgânica de compreensão. No estruturalismo há uma força maior na palavra-signo (a questão do dogma é estrutural, por exemplo, é possível estabelecer vínculos dentro desse ambiente religioso).
      • O texto é uma tentativa de estabelecer uma conexão do estruturalismo e pós-estruturalismo dentro da sociologia. Ele trata das implicações dos conceitos. A tentativa da aula é deixar o texto mais palatável. Haveria sempre a possibilidade de avaliar a estrutura de determinado fato, com os pés atrás, pois há a necessidade de ampliar o fato no contexto em que ele se insere; o sentido que dou à determinado objeto só faz sentido dentro de determinada estrutura: o significado da palavra balada, por exemplo. Os significados são alterados através da vivência social.
      • Para que o pensamento estruturalista seja útil ele deverá se ampliar a partir de variados pontos de vista e variadas estruturas.
      • O autor e propõe a falar de uma teoria morta. Comte utiliza as ciências naturais para analisar as sociais, assim, procura colocar leis universais para a sociedade, naquele momento ele teve algum mérito, deixou-se o campo da filosofia para ir ao campo da ciência exata, hoje sabemos que não era possível analisar a sociedade com ferramentas exatas, pois o ser humano tem o universo simbólico. Assim, o estruturalismo seria uma tentativa de, independente do contexto, explicar determinadas coisas (condutas, atitudes), encontrar-se-ia certas universalidades.
      •  O estruturalismo daria subsídios para o olhar sociológico, significa que não olharíamos a esfera rolando e faríamos anotações, olharíamos o que haveria por traz, no caso dos homens seria possível “olhar para além do evidente”.
      • Declarar o estruturalismo uma ciência morta, significa deixar de lado, por exemplo a dinâmica do trabalho, ou então o estudo: estuda-se por uma série de motivos, por exemplo.
      • O estruturalismo motivaria as formas de interpretações e perspectivas. “no fundo queremos enxergar o que ninguém enxerga”. “O viver dentro do vivido”. “Vivenciar com os objetos, adquire-se experiência”
      • Acontece uma necessidade de adequar métodos aos contextos que se queira pesquisar.
      • A linguagem é mais um produto das relações sociais do que algo que determina as ações.
      • De um lado se tem a estrutura que determina as ações e as ações que determinam a estrutura, para os estruturalistas, é a estrutura que determina as ações. Porém os sentidos e significados são adaptados a novos contextos.  A estrutura se movimenta (Lévi-Strauss não pensa assim), a tradição estruturalista não se sustenta sozinha, ela é um referencial. Tem que se construir a estrutura a partir do fato. A estrutura é apenas uma perspectiva dentre tantas outras.

Tópicos/anotações do Texto:

GIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje. p 281, 319

Estruturalismo, Pós-Estruturalismo e a Produção da Cultura:

  • [Acho que ele não acredita no estruturalismo].
  • Estruturalismo e pós-estruturalismo: tradições mortas de pensamento, embora não hajam transformado nosso universo intelectual da maneira que pretendiam, chamaram nossa atenção para alguns problemas de considerável e duradoura importância.
  • Características persistentes e definitivas do estruturalismo e do pós-estruturalismo:
    • linguística é de importância fundamental;
    • ênfase na natureza relacional das totalidades ligada à tese do caráter arbitrário do signo e da primazia do significante sobre o significado;
    • descentralização do sujeito;
    • aspecto temporal como algo constitutivamente integrante da natureza dos objetos e eventos.
    • Nenhum desses temas deixa de suscitar questões importantes para a teoria social contemporânea. Mas também nenhum deles recebeu uma explicação aceitável.

Problemas de Linguística:

  • A distinção de Saussure entre langue (língua) e parole (fala) pode ser, com justiça, considerada a ideia-chave da linguística estrutural […] a língua deve ser isolada dos usos múltiplos dos atos particulares da fala. Parole: “o lado executivo da língua”, langue é “um sistema de signos onde o elemento essencial único é a união de significados com imagens acústicas”. Portanto, a língua é um sistema idealizado, inferido dos usos particulares da fala, mas independente deles. Os conteúdos sonoros da língua são, de certa maneira, irrelevantes para a análise da langue, pois o que importa são sua substancia real.
  • A língua é um produto coletivo, um sistema de representações sociais […] se a língua for essencialmente uma realidade psicológica, os signos não serão arbitrários. […] se a língua for vista como uma realidade mental, o signo deixará de ser arbitrário e sua significação de modo algum poderá ser definida por suas relações com elementos contemporâneos da língua.
  • Bloomfield e Harris tentaram separar completamente a linguística de todo tipo de mentalismo ou psicologia.
  • Chomsky conseguiu reconciliar a base mentalista da língua com um modelo complexo de linguística formal.
  • Chomsky reintroduz a interpretação, pois a identificação da correção sintática depende do que é considerado aceitável pelos falantes de uma determinada língua.
  • O que falta é uma descrição do “termo mediador” ente langue e parole. O agente é, para Chomsky, o locus daquilo que ele considera a “criatividade normativamente governada” da linguagem como sistema.
  • A linguística da Escola de Praga concentra-se na língua como meio de comunicação. Dessa forma, a semântica não é completamente apartada da sintaxe e a natureza da langue exprime relações de significação.
  • Pareceria então que a língua teria de ser analisada nas instituições da vida social.
  • Em épocas diversas, tanto Lévi-Strauss quanto Barthes supuseram que as bases principais do estruturalismo consistiam na aplicação de procedimentos linguísticos a outras áreas de análise. Para Lévi-Strauss, a linguística estruturalista fornece modos de análise aplicáveis em toda parte e chaves concretas para explicar a natureza da mente humana.
  • É que a linguística estrutural nos permite discernir aquilo que, mais tarde, ele considerou “realidades fundamentais e objetivas, formadas por sistemas de relações que são o produto de processos de pensamento inconscientes”. Culler, atribui à linguística uma importância capital para o estruturalismo geralmente acarreta inúmeras implicações.
  • Dadas as conexões entre linguística estruturalista e estruturalismo em geral, diz-se com frequência que o estruturalismo participou da ampla “reviravolta linguística” que caracteriza a filosofia e a teoria social moderna. Eis ai uma conclusão falaciosa.
  • Embora Chomsky reconheça e mesmo acentue a capacidade criativa do ser humano, essa qualidade é atribuída às características da mente e não a agentes conscientes que desempenham suas atividades diárias no âmbito das instituições sociais. Conforme declarou um observador “o poder criador do indivíduo deve ser tomado logo que seja reconhecido e dado a um mecanismo inscrito na constituição biológica da mente
  • Conduta social. A competência linguística pressupõe não apenas o domínio sintático de sentenças, mas o controle das circunstâncias em que determinados tipos de sentenças são viáveis. Nas palavras de Hymes “a pessoa adquire competência a respeito de quando falar e quando calar, o que falar com quem, quando, onde e como”. O domínio da língua é inseparável do controle da variedade de contextos em que essa língua é utilizada.
  • A obra de autores tão dispares quando Wittgenstein e Garfinkel nos conscientizou do que isso significa tanto para a compreensão da natureza quanto para a apreensão do caráter da vida social. Saber uma língua significa certamente conhecer regras sintáticas, mas, igualmente importante, saber uma língua é adquirir um conjunto de recursos metodológicos para, ao mesmo tempo, produzir sentenças e constituir (e reconstruir) a vida social nos contextos diários da atividade social. […] conhecer uma forma de vida é poder aplicar certas estratégias metódicas ligadas a qualidades iniciais dos contextos em que se executam as práticas sociais.
  • Crítica. Lévi-Strauss algumas vezes pretendeu, que a vida social é como uma língua. A linguística não pode fornecer um modelo analítico da natureza da ação ou das instituições sociais porque, fundamentalmente, ela só se explica graças à compreensão destas. A “reviravolta linguística” não passa de um afastamento da linguística, concebida como uma disciplina de formação independente, rumo ao exame da coordenação mútua de língua e práxis.

A Natureza Relacional das Totalidades:

  • A ideia fundamental por demonstrar que a totalidade linguística não “existe” nos contextos do uso da língua. “A totalidade não está presente” nas exemplificações que constituem seus traços.
  • A crítica de Saussure baseia-se inteiramente na ideia da constituição da langue por meio da diferença. Considerando-se que a palavra extrai sua significação apenas das diferenças estabelecidas entre ela e outras palavras, as palavras não podem “significar” seus objetos. A língua é forma, não substancia, e só consegue gerar significação graças ao jogo interno de diferenças.
  • O que importa não é o que se usa para significar, mas sim as diferenças que criam o “espacejamento” ente eles.
  • Se a substância real revestida pelos significados pouco importa, sem as diferenças criadas pelos sons, marcas e outros diferenciadores nenhuma significação existiria. Portanto, o programa da semiótica não é apenas um acessório da linguística na formulação saussuriana, mas uma coextensão do exame da langue em si.
  • A filosofia de Derrida radicaliza ainda mais nesse ponto. Sua negação da “metafisica da presença” deriva diretamente de seu tratamento da ideia da diferença como elemento constitutivo, não apenas dos modos de significação, mas também da existência em geral. Derrida não buscava propriedades universais da mente nem tentava construir de modo alguma uma filosofia sistemática. […] o estudo de Lévi-Strauss sobre as culturas orais seria, paradoxalmente, uma forma de “logocentrismo” ocidental.
  • Graças à distinção ente langue e parole, Saussure pôde inserir a ideia de diferença num “sistema virtual” fora do tempo. A transformação da versão saussuriana de diferença na différance de Derrida foi realizada pela introdução do elemento temporal. Diferenciar é também diferir (adiar).
  • Derrida: Toda significação opera por meio de traços: traços de lembrança no cérebro, o esmorecimento dos sons à medida que vão sendo emitidos, traços que a escrita deixa.
  • A inversão de Derrida da prioridade usual concedida à fala sobre a escrita denuncia a preocupação com o significante em detrimento dos significados. Para Derrida, a fala parece representar um momento em que forma e significação estão presentes ao mesmo tempo. Depois de percebermos, conforme o próprio Saussure demonstra, que isso não é possível, somos levados a questionar o pressuposto de que a fala constitui a expressão mais elementar da língua. Quando ouço minha própria fala, é como se as palavras proferidas fossem meros veículos de meus pensamentos: a língua envolve e expressa consciência. (LINDO)
  • A escrita surge como a melhor ilustração da diferença.
  • A fala “personaliza” a língua vinculando-a aos pensamentos do falante. Na verdade, a língua é essencialmente anônima, jamais propriedade de falantes individuais, e sua forma depende de propriedades retroativas. Derrida não pretende com isso conceder, à escrita concreta, primazia sobre instâncias de fala.
  • A proto-escrita, sustenta Derrida “é invocada pelos temas da arbitrariedade do signo e da diferença”, mas “jamais poderá ser reconhecida como objeto de ciência”. Quer dizer, não deve ser o objeto de investigação de uma linguística não-logocêntrica.
  • Critica. A noção do caráter arbitrário do signo é responsável não apenas por alguns pontos fortes, mas também pela duradoura fraqueza que contamina as tradições estruturalistas e pós-estruturalista de pensamento.
  • Saussure: O uso linguístico decerto não é arbitrário no sentido de que o usuário da língua pode escolher qualquer possibilidade expressiva que queira. Ao contrário, o uso aceito é fortemente coercitivo.  […] a natureza dos significados permanece em grande medida inexplicada. […] a significação de uma palavra não é o objeto a que essa palavra pode referir-se; […] a confusão percebida por Benveniste.
  • Os escritos de Saussure promoveram uma “retirada para o código” que, desde então, caracterizou os autores estruturalistas e pós-estruturalistas. Ou seja, a descoberta de que os componentes da langue só possuem identidade graças à sua diferenciação dentro do sistema geral afasta a língua de quaisquer conexões referenciais com o mundo objetivo. O pensamento estruturalista e pós-estruturalista não conseguiu elaborar um conjunto de referência e, seguramente, não é por acaso que essas tradições de pensamento tanto se concentraram na organização interna dos textos.
  • Os escritos de Derrida, o produto mais sofisticado da transição do estruturalismo para o pós-estruturalismo. […] os objetivos da metafísica […] têm de ser “desconstruídos” e não “reconstruídos”, pois repousam em premissas enganosas […] não existem essências a serem apreendidas por formulações linguísticas adequadas.
  • Wittgenstein protestaria contra a ambição de Derrida de ampliar o conceito de escrita, mas concordaria com ele em que a língua não deve ser interpretada nos termos das significações subjetivas dos agentes individuais. A rejeição, por parte de Wittgenstein, da tese da língua privada. […] as instâncias da língua são necessariamente uma produção “anônima” e, portanto, “impessoal”.
  • Ao invés de promover uma “retirada para o código”, Wittgenstein procura compreender o caráter relacional de significação no contexto das práticas sociais. […] a visão de língua e significação apta a ser extraída de sua filosofia (ou pelo menos de algumas noções básicas dessa filosofia) sejam mais sofisticadas que as oferecidas pelo estruturalismo e o pós estruturalismo.
  • O caráter insatisfatório da tese da arbitrariedade do signo, tal qual se difundiu pelas tradições estruturalistas, empobreceu radicalmente os trabalhos sobre significação que estas tradições poderiam oferecer.
  • Para Wittgenstein, a significação dos itens lexicais deve ser buscada na mescla de língua e prática, dentro do complexo de jogos linguísticos vigentes nas formas de vida. […] a compreensão da significação implica a apreensão da veracidade de certas classes de declarações.

A Descentralização do Sujeito

  • Como gostam de salientar os próprios autores estruturalistas e pós-estruturalistas, a psicanálise já mostrou que o ego não reina em sua própria casa sendo suas características reveladas só por um desvio através do inconsciente.
  • Saussure: A língua é um sistema de signos constituídos por diferenças e em relação arbitrária com os objetos […] Assim como a significação de “árvore” não é o objeto árvore, a significação de termos referentes à subjetividade humana, em especial o “eu” do sujeito pensante ou atuante, não podem ser os estados de consciência. Como qualquer outro termo numa língua, “eu” se constitui em signo apenas por causa de suas difernças em relação a “tu”, “nós”, “eles”, etc.
  • Lévi-Strauss. Seus escritos foram o elo mediador entre Saussure e as críticas do humanismo na filosofia pós-estruturalista. […] “não como os homens pensam em forma de mito, mas como os mitos atuam na mente dos homens sem que eles se deem conta do fato”; “os mitos traduzem a mente que os elabora utilizando o mundo do qual ela mesma faz parte”. Não há um “eu penso” nessa caracterização da mente humana. As categorias inconscientes da mente são o pano de fundo contra o qual se revelam os sentimentos da individualidade. A consciência se torna possível graças à estruturas mentais que não lhe são imediatamente acessíveis.
  • O “eu” não é imediatamente acessível a si mesmo, já que deriva sua identidade do envolvimento num sistema de significação. O “eu” não é expressão de um núcleo constante de identidade que constitua sua base. O “ser” sugerido pelo “existo” independe da capacidade do sujeito de empregar o conceito “eu”. Aquilo que Lacan chama de “discurso do Outro” seria a fonte tanto da capacidade do sujeito de empregar o “eu” quanto da afirmação existencial em “existo”. Lacan: “O outro é, portanto, o sítio onde se constitui o Eu que fala a quem o escuta, aquilo que é dito por um sendo já a resposta, enquanto o outro decide escutá-lo quer o primeiro tenha ou não falado”.

Todos os autores acima mencionados concordam quanto à irrelevância do autor para a interpretação do texto. […] o “eu” do autor é uma forma gramatical e não um agente em carne e osso. O texto se organiza em termos de jogo interno de significantes, pouco importa à nossa compreensão, o que seu criador ou criadores quiseram colocar nele. Os autores estão em toda parte e consequentemente em parte alguma de seus textos. Barthes: “um texto é … um espaço multidimensional em que toda uma variedade de escritos, nenhum deles original, se mistura e se choca”. Isso, repetimo-lo, não é uma conclusão especificamente do âmbito do pós-estruturalismo. […] tanto a análise textual quanto a crítica literária precisam romper com as perspectivas “intencionalistas”.

Rejeitar a ideia de que a consciência (a consciência de si ou o registro sensorial do mundo exterior) possa embasar o conhecimento de uma das mais importantes transições da moderna filosofia.

  • Os estudos estruturalistas e pós-estruturalistas sobre a descentralização do sujeito estão inevitavelmente ligados às versões de língua e inconsciente associadas à linguística estruturalista e sua influência.
  • O desvio necessário para se recuperar o “eu” não é só tomado, de modo muito amplo, através da língua como é filtrado por uma teoria linguística particular. Se situarmos a língua nas práticas sociais e rejeitarmos a distinção estruturalista/pós-estruturalista entre consciente e inconsciente, alcançaremos uma concepção diversa do sujeito humano – como agente. [que bonito]

Escrita e Texto

  • Derrida:
  • Nenhum elemento pode funcionar como signo sem se relacionar a outro elemento que não esteja meramente presente. Esse vínculo significa que cada “elemento” – fonema ou grafema – se constitui por referência aos traços que nele deixam os outros elementos da sequencia… Nada, nos elementos ou no sistema, está mais simplesmente presente ou ausente.
  • Wittgenstein. O que precisa ser elucidado, na verdade, é a “gramática” do tempo. O tempo não possui essência, não há formulações abstratas capazes de explicar sua natureza.
  • A imagem wittgensteiniana do caráter relacional da significação, tal qual expressa na organização de práticas sociais, não implica o colapso do tempo em espaço. Tempo e espaço não entram na estruturação da significação através da dimensão “plana” da escrita, mas através da contextualidade das próprias práticas sociais.
  • Importante: o que importa não é o “uso” e sim o processo de usar palavras e frases nos contextos de conduta social. A significação não é construída pelo jogo dos significantes, mas pela interseção da produção de significantes com objetos e eventos do mundo, enfocados e organizados pelo agente. A ser isso correto como penso que é, a prioridade da escrita sobre a fala – ou antes, a conversa – volta a impor-se a outros meios de significação. A conversa, que ocorre em contextos cotidianos de atividade, é o “veículo” fundamental da significação porque opera em contextos comportamentais e conceituais saturados. A escrita possui certas propriedades distintas que podem ser explicadas com precisão apenas quando as opomos ao caráter cotidiano da conversa. A constituição da significação, nessa conversa, condiciona além disso as propriedades significativas da escrita e dos textos.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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