As Relações da Juventude na Pós-Modernidade (2ª parte)

Trabalho Temático
FESPSP
Sociologia–4 Semestre
Disciplinas Métodos qualitativos e
Sociologia: Pensamento Sociológico Contemporâneo

VC M ADD?
As Relações da Juventude na Pós-Modernidade
a um Clique de Distância

  ALESSANDRA FELIX DE ALMEIDA
Coordenadora 2ª etapa

 

Introdução 

Zygmund  Baumann entende que a pós-modernidade valorizaria mais a arte de esquecer do que a de aprender, por uma necessidade permanente de adaptação, haveria sempre novas coisas e pessoas a saírem e a entrarem de nossas vidas sem qualquer finalidade específica, trazendo aos seus indivíduos um constante problema de identidade. “Eles sofrem, pode-se dizer, de uma crônica falta de recursos com os quais pudessem construir uma identidade verdadeiramente sólida e duradoura” (BAUMANN, 1998: 38).

Lúcia Santaella (2007) difere modernidade de pós-modernidade no sentido de que a primeira buscava a solidez e a última a volatilidade e a flexibilidade. A autora entende o ciberespaço como um ambiente propício para a linguagem fluida e instável. Texto, imagem e som já não são o que costumavam ser, deslizam uns para os outros, os obstáculos materiais desapareceram, estes obstáculos, para a autora, bloqueavam as formas de comunicação. O ambiente do ciberespaço traria novidades nas relações humanas, seria um meio de comunicação de aspectos emergentes e inéditos. Santaella utiliza os estudos de Poster[1], que observa a reconfiguração da linguagem a partir dos ambientes virtuais. Surgiria um sujeito fora do padrão racional, ele seria autônomo, multiplicado e descentrado, com uma identidade instável, em contraponto com o sujeito da era da cultura impressa. A velocidade da comunicação virtual reconfigura a posição do indivíduo, os pontos fixos são removidos, passa-se a ter uma cultura da simulação, com novas posições para o sujeito e novos locais nas suas relações, havendo um caminho emancipatório a ser encontrado nas novas comunicações. O corpo entraria inteiramente no campo do simbólico em busca de um dever ser, através de uma pessoa mais fluída que pode assim construir uma persona em um ambiente simulado, pode brincar com o seu eu e com outras personas do ciberespaço, que não buscariam uma identificação, mas uma incorporação.

José Outeiral observa a questão do conflito e respectivo embate entre os paradigmas da modernidade e o “desconhecido” da pós-modernidade. A relação do tempo interno do adolescente com relação ao do adulto seria o ponto de partida para a discussão deste conflito, pois as elaborações temporais dos adolescentes são urgentes e grandiosas e a espera tem um aspecto irracional. A existência da cibernética propicia ao adolescente a vivência em um espaço de extrema velocidade de acordo com suas necessidades.

A tradicional ou moderna cadeia impulso-pensamento-ação cede lugar a um modelo novo caracterizado pela supressão do pensamento que demanda elaboração e por conseguinte, tempo, e que se configura pós-modernamente como impulso-ação, baixa tolerância à frustração, dificuldade em postergar a realização dos desejos e necessidade de descarga imediata. (OUTEIRAL, 2001: 101).

Para o autor, tais aspectos sempre estiveram presentes na adolescência, porém, a sociedade atual os tem exacerbado.

A bibliografia inicial nos apresenta a visão de Baumann quanto a uma possível valorização da arte de esquecer em decorrência da necessidade permanente de adaptação do indivíduo na contemporaneidade, Lúcia Santaella nos mostra que a velocidade da comunicação virtual permite a reconfiguração do indivíduo, o sujeito encontraria no ciberespaço um ambiente propício para encenação e simulação de sua identidade e representação, sem barreiras materiais, e José Outeiral, na questão do adolescente, nos chama a atenção para a potencialização da baixa tolerância a frustrações presentes no mundo material em decorrência das possibilidades vividas no mundo virtual.

Para a escolha do nosso tema e posterior elaboração do problema de pesquisa utilizamos a orientação de Max Weber de que o cientista deve “entregar-se ao trabalho e responder às exigências de cada dia – tanto no campo da vida comum, quanto no campo da vocação. Se cada um encontrar e obedecer ao demônio que tece as teias de sua vida, esse trabalho será simples e fácil”. (WEBER, 2008: 58)

“O menino é pai do homem” (ASSIS, 2001: 32)  é o título de um capítulo da obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, onde o protagonista, fazendo uma leitura de sua infância, consegue traçar algumas características de seu comportamento adulto. Seria possível entender que pesquisar a adolescência pode nos fornecer pistas para uma leitura da nossa atual conjuntura. Somado a esta possibilidade e “obedecendo aos demônios que tecem as teias das nossas vidas”, percebemos que o conflito entre adolescentes, seus pais e professores, têm-se potencializado, seja por uma insatisfação constante do adolescente, seja por convocações frequentes dos pais, por parte da escola, para relatar maus comportamentos, seja pelo consumo de álcool cada vez mais prematuro, seja ainda por parte das corporações que manifestam sua frustração com jovens funcionários. Neste sentindo e no âmbito da temática deste trabalho “Mídia e Sociedade”, procuramos identificar qual seria o meio de comunicação desses jovens, visto que a interpretação do cotidiano também se dá com a troca de informações, e assim escolhemos o meio internet. Portanto, a utilização do meio internet – com suas características de velocidade e fluidez -, pelos adolescentes, traria alterações nas relações sociais, haveria um novo padrão para essas relações e consequente ressignificação do mundo material?

Definição de objetivos e hipóteses

Procuraremos compreender a conduta juvenil no ambiente virtual e seus impactos nas relações pessoais, com relação à velocidade e à fluidez.

Se o meio internet apresenta-se como uma mídia em contínua construção, pelo próprio usuário, diferentemente das mídias tradicionais, como TV, Rádio e Impressa, que se apresentam e transmitem seus conteúdos de maneira dada – com métrica e tempo determinados -, haveria assim, a possibilidade de uma constante ressignificação simbólica e a “coisa” dada perderia sua solidez, proporcionando ao indivíduo/usuário um maior repertório quantitativo de informações e consequentemente novas condições para  perceber sua própria vida e o meio que o cerca,  podendo abrir mão do que já estava aqui quando ele nasceu.

O meio internet, mais especificamente as redes sociais ou de relacionamento, tem como característica principal a velocidade e o compartilhamento de informações, sejam elas de texto ou de imagem, que sofrem a interação dos membros inseridos nessa rede. Portanto, para o entendimento dessa característica utilizaremos a linha de pesquisa do Interacionismo Simbólico analisada por Hans Joas e a obra Mídia Radical de John Downing como uma alternativa de comunicação para um poder estabelecido.

O enfoque do Interacionismo Simbólico “são os processos de interação – ação social caracterizada por uma orientação imediatamente recíproca -, ao passo que o exame desses processos se baseiam num conceito específico de interação que privilegia o caráter simbólico da ação social.” (GIDDENS e TURNER, 1999: 130)

A interação entre os indivíduos através da troca simbólica envolve uma permuta de significação, seria a partir desta troca que os indivíduos simbolizariam o mundo. Considerando a velocidade da internet podemos supor que o mundo do usuário é extremamente volátil e quem conduz esta volatilidade é o próprio usuário, os sentidos que eles atribuem aos signos estão o tempo todo em mutação e a velocidade dessa mutação seria diferente da velocidade do mundo material.

O interacionismo simbólico é criticado porque seriam ignoradas as questões de poder e dominação, porém no meio internet estas questões poderiam de fato ser ignoradas, pois neste tipo de ambiente a interação não apresenta um poder macro ou uma regulação explícita, seriam micro regras para que os usuários interajam uns com os outros, ressignificando os textos e imagens compartilhados por outros indivíduos que compõe a sua rede, entretanto os significados atribuídos dizem respeito ao âmbito virtual e dialogam com a velocidade, desregulação e com os repertórios de quem está inserido nesta virtualidade, de modo que poderiam não corresponder, ou não serem significados da mesma maneira, por aqueles que não compartilham desse mundo virtual. Assim, seria possível que a internet teria potencializado a interação simbólica e suas características de velocidade e fluidez poderiam determinar alterações nas relações entre os indivíduos que dela fazem parte.

A “realidade/verdade” do mundo virtual, assim como no entendimento do interacionismo simbólico, “já não expressa a correta representação da realidade na cognição, que pode ser considerada uma espécie de metáfora, de uma cópia; expressa, antes, um aumento do poder de agir em relação a um ambiente.” (GIDDENS e TURNER, 1999: 134) E é a partir deste aumento de poder que percebemos a internet como uma ferramenta para o usuário adolescente ressignificar as “verdades” estabelecidas, entretanto há uma geração que antecede esse usuário (pais, professores, empresários) que significaria as “verdades” de maneira menos fluída, por conseguinte as expectativas sociais desses grupos poderiam ser conflitantes, entretanto ambos os grupo tem as mesmas expectativas do resultado de suas ações, que podem ser divididas em: “o desejo de novas experiências; o desejo de domínio duma situação; o desejo de reconhecimento social e o de certeza da identidade” (GIDDENS e TURNER, 1999: 149), as respostas aos nossos comportamentos tem como base a nossa percepção, a questão é que são percepções diferentes, quiçá avessas.

A internet possui milhões de usuários, diversas redes sociais, websites, blogs e ferramentas de bate-papo, assim os canais de interação são mais abrangentes, bem como, a quantidade de símbolos trocados e suas respectivas intepretações. Podemos entender que a velocidade da comunicação, através do meio internet, e sua liberdade de expressão, também pode suscitar a velocidade e liberdade nas ressignificações. As relações virtuais, através das redes, demonstram o poder do simbólico, debatem-se ideias (ou melhor, compartilham-se conteúdos) e equilibrariam as tensões de seus membros, os sentidos são construídos de acordo com o ambiente em que estão inseridos, assim, à medida que novas interpretações se dão em determinado ambiente, tornam-se verdades, ainda que provisórias. Nas redes, os indivíduos interagem com um outro indivíduo, com grupos e até com si mesmos, através da imagem que constroem na rede, a questão que fica é como essa imagem se dá na vida material e se a quantidade de relações virtuais acaba esvaziando as relações interpessoais, de qualquer maneira, percebemos que a transformação social e consequente transformação do padrão das relações está anunciado.

Vale ressaltar o pensamento de Paul Virilio (1997), analisado por Rafael Araújo (2009) em seu artigo “Internet e educação: a compressão espaço-temporal e o civismo” quanto à velocidade da internet. Este ambiente virtual poderia representar um não-espaço, um não lugar, pode-se estar em muitos lugares e em lugar nenhum ao mesmo tempo, de modo que o tempo sofre uma aceleração diferentemente do tempo material, trazendo assim, superficialidade aos significados e consequentemente, às próprias relações, “pois o pensar, como característica humana, precisa de certa temporalidade para que se realize”. (ARAÚJO, 2009: 3)

Downing, em sua obra Mídia Radical, apresenta a cultura popular como a “matriz genética” da mídia radical alternativa que também se mistura com a cultura de massa comercializada, entretanto estaria relativamente independente da pauta dos poderes constituídos, seria parte da malha social e nas culturas modernas inclui uma série de meios de atividade como teatro de rua, murais, dança, música, rádio, vídeo, imprensa e internet (DOWNING, 2004: 39), neste último o autor a representa como uma nova era para a mídia alternativa que tem em si múltiplas formas de comunicação

ao proporcionar a transmissão fácil de textos simples bem como os meios de combinar e recombinar uma série de formatos de mídia e atores sociais, permite a distribuição de conhecimentos e recursos a quase todos os lugares do globo, de maneira até então inédita. (DOWNING, 2004: 39)

Nesse sentido os jovens usuários do meio internet têm, ao contrário de seus pais, professores ou superiores profissionais, a oportunidade de se manifestarem de variadas formas, de maneira fácil e até descompromissada com os dogmas estabelecidos pelas mídias tradicionais, utilizando sua própria “voz”, ou seja, o consumidor dessa mídia é ativo, ele interage, faz a sua própria audiência e tem uma infinita opção de “canais” de comunicação.

Os meios de comunicação on-line além de proporcionarem o livre compartilhamento de informações, possibilita ainda uma série de atividades, como distribuição gratuita de softwares, livros, músicas, arte multimídia, divulgação de textos não publicados, vazamento de informações confidenciais, manifestações de protesto, contato com personalidades, entre outras, demonstrando uma reconfiguração de valores e, portanto de condutas e relações sociais. É possível que em um futuro não muito distante, os jovens de hoje que serão adultos um dia, não mais aceitarão pagar, utilizando dinheiro, por uma foto, um software, um livro, por exemplo, ou que se calem diante de um fato que os incomoda. A pergunta que fica é como os fabricantes de produtos ou os que têm poder em uma determinada situação lidarão com tamanha liberdade. “É a primeira vez que se tem um veículo acessível a um vasto número de indivíduos e coletivos do mundo inteiro, que permite a transmissão global de praticamente qualquer informação.” (DOWNING, 2004: 270)

O autor lembra que os críticos da internet se defendem ao questionarem a veracidade das informações contidas nesse meio, porém duvidar dos conteúdos virtuais seria uma forma de ignorar que os meios tradicionais também têm seus “pontos de vista particulares e com frequência divulga informações que estão longe de constituir a verdade total.” (DOWNING, 2004: 274) e por fim atribui à internet uma forma de mídia radical, pois

consiste na participação das pessoas na criação de formas interativas de comunicação que atuam como força de compensação para o fluxo unilateral que é próprio da mídia comercial […] um veículo poderoso para a sociedade civil global. (DOWNING, 2004: 275)

A importância da internet como um meio democrático de comunicação pode ser representada pelas pressões que sofre por parte de quem não tem interesse à troca de informações, que ocasionaria a reflexão e a reelaboração de significados, como é o exemplo da China que constantemente bloqueia determinados conteúdos para a população[2].

Os jovens usuários do meio internet poderiam assim representar – talvez ainda sem saber –, através de sua forma de comunicação, um novo padrão nas relações sociais, “o menino pai do homem”.

Definição e justificativa da Técnica de Entrevista

A técnica a ser utilizada é a Entrevista Semi-Dirigida, segundo Haguette (2003) a entrevista é um processo de interação social entre o entrevistador e o entrevistado, sendo interesse do primeiro obter informações do último (HAGUETTE, 2003: 86). A autora orienta que as informações sejam obtidas através de um roteiro de entrevista com tópicos norteadores para atender às respostas esperadas para a problemática em questão, orienta ainda que não tenhamos a objetividade como um ideal e essa orientação dialoga com o nosso objeto: os adolescentes no meio virtual; e com nosso objetivo: compreender as possibilidades da internet na interação simbólica e como ou se se dá na vida material.

A Entrevista semi-dirigida, embora tenha intenções prévias do entrevistador, consegue abordar um tema predefinido de maneira mais flexível, permitindo ao entrevistado discorrer de maneira fluída quando questionado e seria nessa fluidez que o entrevistador seria capaz de captar os dados fornecidos de maneira menos rígida do que em uma entrevista dirigida. “Os métodos não estruturados valorizam o tipo de interação estabelecido entre pesquisador e informantes.” (HAGUETTE, 2003: 102)

Os tópicos elencados não exigem uma ordem rígida, eles fluem de acordo com a dinâmica da entrevista e essa característica da técnica parece ser a dinâmica da comunicação dos nossos entrevistados, os tópicos poderão se reinventar sem perder o foco da temática e do entrevistador, possibilitando ainda novas hipóteses para o aprofundamento dos objetivos da pesquisa, o pesquisador não está preso a prejulgamentos, uma vez que tem a possibilidade de reformular o problema ao longo da entrevista.

O processo da entrevista semi-dirigida terá a função de complementar a observação participante que segue no próximo item.

Descrição de Observação participante

A observação participante (física) foi realizada no dia 01/10/2011, das 21h às 23h, na Av. Paulista, 2100 em frente ao Banco Safra (ponto de encontro de jovens) e na Rua Augusta.

A escolha do primeiro local foi porque sempre houve um considerável acúmulo de jovens na escadaria do referido Banco, qual foi minha surpresa? O Banco colocou grades, provavelmente para inibir a presença dos jovens, mas eles estavam lá assim mesmo, ainda que em menor número.

Eles têm vários estilos, todos estão produzidos à sua maneira, há os cabelos roxos, curtos, compridos, tatuagens, alargadores de orelha, piercings, salto alto, tênis, boné, mochila, muita maquiagem, maquiagem nenhuma. Ficam em grupos separados por estilo, mas todos juntos ao mesmo tempo. Muitos andando de skate, outros se beijando e abraçando, tanto entre gêneros iguais quanto diferentes. As meninas costumam andar abraçadas umas às outras e os meninos ficam mais de mãos dadas. A minoria fuma maconha e cigarro e a maioria consome bebida alcoólica.

O que mais chama a atenção é a diversidade dos grupos (parece que todos os estilos, classes sociais, etnias, estão lá) e a indiferença entre eles, não uma indiferença pejorativa, seria mais uma questão de “cada um na sua”, a exemplo disso, um morador de rua alcoolizado sentou-se em meio a um dos grupos e era como se ele não estivesse ali, não foi percebida nenhuma discussão, todos conversavam, sorriam e muitos bebiam. Embora, aparentemente indiferentes uns aos outros, os grupos não são fechados, foi observado um grupo vestindo camiseta e bermudas, com corte de cabelo curto e sem nenhuma produção (como tingimento ou alisamento) que começou a interagir com outro que vestia roupas coloridas assim como os cabelos, tatuagens e alargadores nas orelhas. Quando os indivíduos do mesmo grupo (a partir do estilo visual) se encontram demonstram uma sensação de grande satisfação, gritam, abraçam-se e beijam-se.

Não há predominância de nenhum gênero, em muitos deles não é possível avaliar com certeza de qual gênero seja, a faixa etária é aproximadamente dos 15 aos 25 anos e os looks (combinação de roupas, cabelos, acessórios, calçados) apresentam uma produção doméstica.

Na esquina da Rua Augusta com a Avenida Paulista, havia um grupo dançando ao som do aparelho celular, na própria Rua Augusta, há um tráfego frenético de jovens, uns descendo, outros subindo, se esbarrando, mas sem confusão, muitos camelôs vendendo bebida alcoólica, bijuterias, DVDs e cachorro quente. Os restaurantes, lanchonetes e bares são frequentados por pessoas acima dos 20 anos, os mais jovens ficam andando de um lado para o outro, a maioria em grupos, é constante observar grupos com mais de 20 pessoas andando no mesmo sentido e percebe-se que todos se conhecem.

A partir do que é vendido no local, no tipo dos estabelecimentos e na dinâmica das relações, é possível perceber que não há predominância de uma classe socioeconômica, de etnia, aparência física ou opção sexual, a sensação é de que aquele ambiente abriga todas as classes e todos os estilos, não há um ponto de início e outro de fim, parece que os “grupos” têm uma continuidade no outro, coloco aspas na palavra grupo, pois no detalhe percebe-se as diferenças visuais, mas com um olhar macro, no que diz respeito às relações, parece ser apenas um grande grupo, cuja condição para integrá-lo é ser diferente, a diferença é o que torna o grupo possível e forte o suficiente para ter se apropriado daquele espaço urbano, ressignificar sua dinâmica e torná-lo democrático, através de uma diversificada rede de relações que pela própria diversidade amplia o repertório de significações simbólicas.

A observação participante (virtual) foi realizada na rede de relacionamentos Orkut, essa rede é pública, possibilita descrever detalhes do perfil de seus usuários, como idade, sexo, religião, região geográfica, interesses, profissão, etc, é possível inserir fotos, vídeos, adaptar o layout da interface (template: cores e imagens do plano de fundo).

O Orkut permite que os usuários interajam entre si e se manifestem através de seu status (no início da página o usuário pode escrever uma frase que corresponda ao que está pensando naquele momento) recados/conversas, redação de depoimentos uns sobre os outros, atribuição de nível de confiabilidade, sensualidade e amizade, declarar-se “fã” de outro usuário e ainda participar de comunidades das quais tenham interesse ou se identifiquem, os usuários podem ainda determinar, a título de privacidade, quem ou o que pode ser visualizado pelos demais usuários.

Foram observados quatro usuários, duas meninas e dois meninos, entre quatorze e quinze anos, a observação de seus perfis foram autorizadas pelos próprios usuários. Quanto às interações, as observadas foram relativas à: Quem sou eu: o usuário tem a possibilidade redigir uma autodescrição; Depoimentos: os amigos redigem textos que descrevem o amigo ou lhe fazem algum tipo de homenagem; Recados (Scraps): conversas entre os usuários, com aspectos diversos; e Fotos.

Foi percebido primeiramente a utilização de códigos de linguagem dos quais não tenho experiência, tanto verbal quanto de caracteres, assim, houve uma certa limitação na interpretação dos textos.

Os templates escolhidos também são uma forma de expressão e correspondem ao observado nos perfis, comunidades, recados e fotos. Um dos indivíduos tem em seu template elementos que podem fazer referência às “baladas” (fundo preto com luzes) e em sua página de recados há apenas flayers de festas, um outro quase não tem recados, tem um álbum de fotos só de meninas e seu template é de uma ilustração de praia com sol nascente.

As declarações do status também caracterizam uma forma de expressão e que podem gerar interação de maneira mais dinâmica, pois após o nome é a primeira informação que aparece, como por exemplo “chegou há hora da garotinha imperfeita crescer e se torna uma mulher tomar suas opiniões sem te medo de errar….”.

No relacionamento pela internet há diversas formas de interações, desde uma discussão, “fofocas”, até o “nascimento” de sentimentos mais fortes, como o “amor” ou o “ódio”. A família natural não está presente, algumas brigas foram observadas, assim como declarações de amor em recados ou depoimentos. As fotos demonstram felicidade, beleza e sensualidade.

Os usuários não utilizam o Orkut em sua totalidade, informações como gênero, escolaridade, interesses (filmes, livros, esportes, etc) não são fornecidas, não há preocupação em obedecer ao que a Rede sugere, aquele espaço lhes pertence, são filhos deles mesmos ou elegem uma família virtual (há tratamentos de mãe, pai e irmãos que não são da família natural), preenchem o que querem e da maneira que querem, comunicam-se através de signos próprios, amam-se e odeiam-se ao mesmo tempo. Expressam-se, constroem-se, desconstroem-se quase que simultaneamente, são livres.

As duas observações, física e virtual, apresentam duas características comuns: apropriação do espaço (urbano e virtual) e liberdade de expressão, ambas apresentam uma possível ruptura com os paradigmas da construção das relações sociais e condutas comportamentais experimentadas pela geração que antecede os adolescentes.

Questionário a ser Empregado como Roteiro de Entrevistas

Procuraremos, através deste questionário, encontrar as respostas para uma possível alteração do padrão das relações sociais que teriam ocorrido por conta da velocidade e fluidez presentes na internet e ainda confirmar ou não a bibliografia utilizada.

Título Base nº 1: Coleta de dados gerais para traçar o perfil do entrevistado
1. Nome

2. Idade

3. Trabalha?

4. Estuda?

5. Onde mora?
    a. Com que mora?
    b. Tem irmãos?

Título Base nº 2: Utilização da Internet
6. Utiliza a internet?
   a. Acessa de onde?
   b. Acessa para que?

7. Os responsáveis têm conhecimento?
   a. Se a resposta for sim: eles determinam o quanto e o que utilizam?

8. Em média, quantas horas por dia você utiliza a internet?
    a. Você conseguiria ficar uma semana sem utilizar a internet?
         i. Independente da resposta: por que?

9. O que você usa na internet?
    a. Já baixou programas?
     b. Já baixou músicas?
        i. Pagou por algum arquivo baixado?

10. Utiliza redes sociais?
      a. Se a resposta for sim:
          i. Quais?
          ii. Por que utiliza?
     b. Se a resposta for não: por que?

11. Tem quantos amigos na rede?
      a. Em média, quantos deles conhece pessoalmente?
      b. Se uma pessoa pede para ser seu amigo na rede, quais são as coisas que você faz, na própria rede, para aceitá-lo?
      c. Quando não aceita é por qual motivo?
      d. Você já excluiu alguém da sua rede?
           i. Se a resposta for sim: por que?
          ii. É possível que esta pessoa volte a ser seu amigo na rede.
              1. Como e por que?

12. Tem pais ou parentes na sua rede?
       a. Se a resposta for sim: quem?
       b. Se a resposta for não: por que?

13. Tem fotos na rede?
       a. Se a resposta for sim:
           i. De quem?
             ii. Em média, quantas são suas?
            iii. Você utiliza Photoshop?
                 1. Se a resposta for sim: por que?
       b. Se a resposta for não:
            i. Por que?

Título Base nº 3: Como a internet se dá na vida material
14. Você é capaz de dizer como uma pessoa é através de seu álbum de fotos?
      a. Independente da resposta: por que?

15. Você é capaz de dizer como uma pessoa é através da maneira como ela escreve?
      a. Independente da resposta: por que?

16. Você já presenciou alguma briga pela rede?
       a. Se a resposta for sim:
           i. Como foi resolvida?
           ii. Você participou da briga, como?

17. Você já se sentiu mal com alguma coisa que aconteceu na rede?
      a. Se a resposta for sim:
          i. Você fez alguma coisa?
             1. Se a resposta for sim:
                  a. O que fez?
                  b. Esperou quanto tempo para tomar a atitude?
                  c. O mal estar passou?
        b. Se a resposta for não:
            i. Por que?

18. Você já ficou sabendo de alguma coisa com relação aos seus amigos através da internet antes de falar pessoalmente?

19. Você costuma contar os seus segredos para os amigos através da internet?
       a. Independente da resposta: por que?

20. Se você está com um problema de família, você compartilha com os amigos da internet?
       a. Se a resposta for não: por que?
       b. Se a resposta for sim: eles te ajudam a encontrar uma solução?
            i. Se a resposta for sim: o que eles te falam, ajudam na solução do seu problema?

21. Você acha que o tempo de resposta da internet poderia ser o mesmo na vida material?
       a. Independente da resposta: por que?
       b. Quando você está usando a internet, você se sente ansioso(a) quando alguém demora para responder?
          i. Se a resposta for sim: o que você faz?
          ii. Se a resposta for não: por que?
          iii. E quando a demora é na vida real, como você se sente?
               1.  Por que?

22. Você já fez amizades virtuais que se tornaram reais?
       a. Se a resposta for sim: como foi?
       b. Se a resposta for não: por que?

23. A maneira como você age na internet é a mesma como você age na sua casa e na escola?
      a. Independente da resposta: por que?

24. Como você se sente quando está utilizando a internet e alguém mais velho quer ver o que você está fazendo?
       i. Por que?

25. Na internet você fala com várias pessoas ao mesmo tempo?
       a. Se a resposta for sim: você sabe me dizer qual foi o máximo que você já conseguiu falar?

26. Você acha que a maneira como você aparece na internet interfere na sua popularidade?
       a. Independente da resposta: você se importa com isso?
       b. O que você acha que torna uma pessoa popular na internet?
       c. O que você acha que torna uma pessoa popular na vida material?

27. Você acha que as coisas que estão na internet são verdadeiras?
       a. Se a resposta for não: você tenta desmentir?
       b. Se a resposta for sim: por que?

28. Quando você vê alguma manifestação na internet, como por exemplo, acabar com a caça às baleias, você apoia de alguma forma?
      a. Independente da resposta: por que?

29. Quando você vai sair com seus amigos, vocês combinam pela internet?

30. A imagem que você coloca de si mesmo na internet é um [nome do entrevistado] diferente [nome do entrevistado] da vida material?
      a. Independente da resposta: por que?

31. Você acha que vida material e a vida virtual são coisas diferentes?
       a. Independente da resposta: por que?
       b. Você acha que a maneira como você é na internet gera algum tipo de problema na vida material?
           i. Independente da resposta: por que?

32. Você acha que existem dois [nome do entrevistado] uma da internet e outra na vida material?
      a. Independente da resposta: por que?

33. As conversas que você tem na internet contribuem para a sua vida material?
       a. Se a resposta for sim: poderia dar um exemplo?
       b. Se a resposta for não: por que?

34. Você se lembra de alguma coisa importante que você aprendeu com a internet?
       a. Se a resposta for sim: Quais?

35. O que tem na internet que você gostaria que tivesse na vida material?

36. Você acha que na internet vale falar tudo?
       a. Independente da resposta: Por que?

37. Você consegue resumir o que a internet significa para você?

Título Base nº 4: Mídia internet X Mídia Tradicional
38. Você assiste televisão?
       a. Se a resposta for sim: em média quantas horas por dia?
       b. Se a resposta for não: por que?

39. Você ouve músicas no rádio?
       a. Se a resposta for não: por que?

40. Você compra CDs de artistas na loja?
       a. Se a resposta for não: por que?

41. Você aluga DVDs de filmes?
      a. Se a resposta for não: por que?

42.  Quando você precisa fazer um trabalho na escola, você vai à biblioteca?
        a. Independente da resposta: por que?
        b. Se responder que utiliza a internet: qual site?

43. Com relação aos anúncios publicitários na internet você sente vontade de comprar algum produto?
       a. Se a resposta for sim: Já comprou? O que?
       b. Se a resposta for não: por que?

44.  Você lê jornal?
       a. Se a resposta for não: por que?

45. Você lê revistas?
       a. Se a resposta for não: por que?

46. Você tem blog?
      a. Se a resposta for sim:
           i. O que você posta?
           ii. Há visitação no blog?
           iii. Há comentários nos posts?
      b. Se a resposta for não: por que?

 Análise das Entrevistas

Esta análise trata de duas entrevistas, este número não é o suficiente para uma amostra do comportamento da juventude face à mídia virtual e suas possíveis consequências no âmbito das relações interpessoais. De qualquer maneira, foi possível perceber, diante da realidade da entrevistadora, o quanto o mundo adolescente é distante do seu, no que se refere à linguagem e ao tempo de reflexão para se responder às questões propostas.

Um fato interessante que pediu atenção foi a transformação dos comportamentos virtuais versus interpessoais, entre as duas entrevistadas que tinham uma diferença de três anos quanto às suas idades (elas tinham 14 e 17 anos). Foi possível perceber que a mídia internet sofre alterações em seu grau de importância e de objetivos. Ambas, demonstraram que a utilização do meio virtual tem escalas qualitativas e quantitativas no percurso de suas vidas, quanto mais jovens a quantidade de relações estabelecidas na rede é o que mais importa, é que lhes atribui maior status, porém com o passar do tempo, a quantidade vai cedendo lugar à qualidade, elas passam a selecionar e entendem que o número de relações estabelecidas não dá conta da representação de seus Eus, é preciso fazer uma seleção que atenda às expectativas do que seria apresentável ou não.

É possível afirmar que há uma transformação no padrão das relações sociais, no que diz respeito a tornar explícito, e colocar em ação, os desejos que socialmente, e quiçá moralmente, não são aceitos dentro de uma lógica da valorização da segurança sobre a liberdade, conforme o estudo de Baumann (1998). O autor afirma que a pós-modernidade possibilita um problema de identidade por conta do volume de pessoas e de informações a saírem e a entrarem na vida dos indivíduos, os sujeitos dessa época teriam dificuldades para construir uma identidade sólida e duradoura (BAUMANN, 1998) entretanto, não acredito ser possível atribuir à identidade, solidez e durabilidade, pois de acordo com a linha de pesquisa do interacionismo simbólico, os indivíduos passam por processos de ressignificações durante suas vidas através de suas interações, a troca simbólica envolve uma permuta de significação que proporciona a simbolização do mundo, de modo que durabilidade e solidez não dialogam com  ressignificações (GIDDENS e TURNER, 1999).

Seria uma ilusão ou até mesmo uma certa dose de superioridade do crítico, entender a internet como a responsável por questões de volatilidade e superficialidade dos usuários do referido meio. É possível que a internet tenha viabilizado e colocado de maneira explícita aqueles desejos que por uma regra social não podemos atender, como por exemplo, deletar pessoas das nossas vidas, ou então dar ao mundo um Eu próximo da perfeição, sem “defeitos” tanto físicos quanto pessoais. Lúcia Santaella (2007) entende que a mídia internet poderia gerar incertezas interpessoais e/ou organizacionais, pois a relação entre o Eu e o outro fica cercada de ambiguidades, porém não seria o ciberespaço o responsável pela multiplicidade da identidade, essa seria uma condição humana. “Se a identidade é múltipla por que a questão do ambiente digital é colocada em dúvida, o que esses ambientes modificaram em relação ao tema?” (SANTAELLA, 2007: 84). Do ponto de vista da imagem física, as entrevistadas são indivíduos assim como todos os outros, cabeça, tronco e membros, minha expectativa, influenciada pelo problema de pesquisa, era o de encontrar seres diferentes de mim, mas não, elas são iguais, trabalham, estudam, namoram, desejam, são apenas mais jovens, mais fluídas, dinâmicas e bonificadas pelas conquistas de liberdade de seus antepassados.

O ambiente virtual como um não-espaço, entendido por diversos autores e em especial por Paul Virilio (1997), pode acelerar o tempo, tornando-o diferente do tempo material, trazendo aos significados e às relações, superficialidade. Entretanto as entrevistadas demonstraram saber disso e se posicionam diante desta questão. No processo de suas vidas sabem que o tempo presente na internet é diferente do tempo da vida material e não colocam o virtual sobre o real, ao contrário, atribuem às relações interpessoais um maior valor.

A transformação mais explícita, observada nas entrevistas, viabilizada pela mídia internet está relacionada ao consumo, às relações de trabalho e ao compartilhamento de conteúdos para um “público” quantitativamente maior, as duas entrevistadas nunca pagaram por um produto, consomem apenas o que é de graça, uma delas vê as redes sociais como um currículo virtual, está disposta a mudar de emprego a qualquer momento e a rede a auxilia nesse sentido essa mesma entrevistada, a mais velha, também vê a rede como um meio de praticidade para compartilhar seus pensamentos e os pensamentos daqueles que ela entende como relevantes.

Esta análise não traz uma conclusão preliminar, muito menos um retrato das alterações das relações sociais proporcionadas pela mídia internet, gostaria que ela trouxesse uma recomendação, a de que não fiquemos imaginando que no nosso tempo era melhor, que os jovens respeitavam os mais velhos e que se pedia a benção aos pais antes de dormir. Se recuarmos o nosso olhar na história veremos as grandes transformações que ocorreram nas relações entre os indivíduos, se foram para pior ou para melhor deveremos analisar sobre todos os pontos de vista possíveis, a questão que se coloca é a que as transformações existem e lidamos com elas desde sempre.

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 Bibliografia

ASSIS, Machado. Memórias Póstumas de Brás Cubas. 28ª edição. São Paulo: Ática, 2001.

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.

DOWNING, John D. H. Mídia Radical – Rebeldia nas comunicações e movimentos sociais. 2ª edição. São Paulo: Senac, 2004

HAGUETTE, Teresa Maria Frota. Metodologias qualitativas na sociologia. Petrópolis:  Vozes, 2003.

HANS JOAS. “Interacionismo simbólico”. In: GIDDENS, A. e TURNER, J. (org.). Teoria socialhoje. São Paulo: Editora Unesp, 1999.

SANTAELLA, Lúcia. Linguagens liquidas na era da mobilidade. São Paulo: Paulus, 2007.

WEINBERG, Cybelle. Geração Delivery. São Paulo: SA Editora, 2001.

WEBER, Max. Ciência e Política – Duas Vocações. 2ª Edição. São Paulo: Martin Claret, 2008.


[1] Mark Poster é professor emérito de Cinema, História e Estudos de Mídia na UC Irvine. Recebeu seu Ph.D. na Universidade de Nova York em 1968, seus interesses de investigação incluem Europa Intelectual e História Cultural, Teoria Crítica e Estudos de Mídia. É conhecido por aplicar as ideias de teóricos franceses (Althusser, Baudrillard, Deleuze, Derrida e Foucault) para as novas mídias (incluindo bases de dados, hipertexto e da internet).  Ele procura politizar a questão do uso e desenvolvimento da Internet, enfatizando suas possibilidades para a mudança política libertadora.

[2] Autoridades e a mídia chinesa têm se queixado recentemente da propagação de danos e rumores infundados na internet. Mas o comentário leva a questão política a outro patamar, argumentando que adversários organizados e subversivos estão explorando a regulamentação desatualizada para inflamar a opinião pública e espalhar suas opiniões. O comunicado pediu mudanças na forma como a China controla inovações na Internet.

“Opiniões publicadas na Internet são espontâneas, mas cada vez mais mostram sinais de se tornarem organizadas”, disse o comentário assinado por uma equipe de escritores para o jornal do Partido Comunista Qiushi, que significa “busca da verdade”.

Um comentário no Diário do Povo não equivale a um pronunciamento sobre uma política do governo, e pode refletir uma corrente de pensamento mais conservadora do debate oficial. Mas ele se soma a sinais de que Pequim está se inclinando para um maior controle da internet. A China já filtra rigidamente a internet e bloqueia populares sites estrangeiros como Facebook, YouTube e Twitter.

Disponível em http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5327779-EI12884,00-Jornal+estatal+chines+pede+controle+mais+rigido+da+internet.html. Acessado em 02/10/2011;

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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