Notas para a prova de antropologia: CLIFFORD, James. Sobre a autoridade etnográfica. In A Experiência Etnográfica

Grifos do texto:

  • O sistema de troca kula foi transformado em algo perfeitamente visível, centrado numa estrutura de percepção, enquanto o olhar de um dos participantes [da foto] redireciona nossa atenção para o ponto de vista do observador que, como leitores, partilhamos com o etnógrafo e sua câmera. O modo predominante e moderno de autoridade no trabalho de campo é assim expresso: ‘Você está lá… porque eu estava lá’. Este estudo traça a formação e a desintegração da autoridade etnográfica na antropologia social do século XX [p 18]
  • Agora que o Ocidente não pode mais se apresentar como o único provedor de conhecimento antropológico sobre o outro, tornou-se necessário imaginar um mundo de etnografia generalizada. Com a expansão da comunicação e das influências intercultural, as pessoas interpretam os outros e a si mesmas, numa desnorteante diversidade de idiomas […] escrita etnográfica: lutar conscientemente para evitar representar ‘outros’ abstratos e a-históricos […] As experiências de escrita etnográfica analisadas neste texto não seguem nenhuma direção claramente reformista ou evolução […] são componentes daquela ‘caixa de ferramentas’ […] Foucault: “a teoria construída não é um sistema, mas sim um instrumento, uma lógica da especificidade das relações de poder e das lutas em torno delas; que esta investigação só pode se desenvolver passo a passo na base da reflexão (que será necessariamente histórica em alguns aspectos) sobre determinadas situações”. [p 19, 20]
  • O trabalho de campo etnográfico permanece como um método notavelmente sensível. A observação participante obriga seus praticantes a experimentar tanto em termos físicos quanto intelectuais […] árduo aprendizado linguístico […] desarranjo das expectativas pessoais e culturais […] produzir conhecimento a partir de um intenso envolvimento intersubjetivo, a prática etnográfica mantem um certo status exemplar [p 20]
  • A ciência etnográfica não pode ser compreendida em separado de um debate político-epistemológico mais geral sobre a escrita e a representação da alteridade [p 20]
  • [questões] Se a etnografia produz interpretações culturais através de intensas experiências de pesquisa, como uma experiência incontrolável se transforma num relato escrito e legítimo? Como um encontro intercultural loquaz e sobredeterminado, atravessado por relações de poder e propósitos pessoais, pode ser circunscrito a uma versão adequada de um ‘outro mundo’ mais ou menos diferenciado, composta por um autor individual? [p 21]
  • A etnografia está, do começo ao fim, imersa na escrita [discurso de poder] […] autoridade […] aparece como a provedora da verdade [p 21]
  • O silêncio da oficina etnográfica foi quebrado – por insistentes vozes heteroglotas e pelo ruído da escrita de outras penas [ai que bonito!] [p 22]
  • [mudança do papel do etnógrafo] o que emergiu durante a primeira metade do século XX com o sucesso do pesquisador de campo profissional foi uma nova fusão de teoria geral com pesquisa empírica, de análise cultural com descrição etnográfica […] o teórico-pesquisador de campo substituiu uma divisão mais antiga entre o ‘man on the spot’ e o sociólogo ou antropólogo na metrópole. Esta divisão de trabalho variava entre tradições nacionais [Morgan, Boas] [p 23]
  • Condrington [eu acho que isso é verdade] está agudamente consciente da incompletude de seu conhecimento, acreditando que a verdadeira compreensão de seu conhecimento, acreditando que a verdadeira compreensão da vida nativa começa apenas depois de uma década, ou algo assim, de experiência de estudo. Esta compreensão da dificuldade de se captar o mundo de outros povos tendia a dominar os trabalhos de sua geração. Tais suposições seriam em breve desafiadas pelo confiante relativismo cultural do modelo malinowskiano [p 24]
  • [alterações do método] O novo estilo de pesquisa era claramente diferente daquele dos missionários e outros amadores no campo, e parte de uma tendência geral que vinha desde Tylor, de ‘elaborar de modo mais articulado os componentes empíricos e teóricos da pesquisa antropológica […] Uma comunidade de antropologia científica nos moldes das outras ciências requeria o uso de uma linguagem comum de discurso, canais de comunicação regular [p 25]
  • Antes do final do século XIX, o etnógrafo e o antropólogo, aquele que descrevia e traduzia os costumes e aquele que era o construtor de teorias gerais sobre a humanidade, eram personagens distintos (Uma percepção clara da tensão entre etnografia e antropologia é importante para que se perceba corretamente a união recente, e talvez temporária, dos dois projetos). Malinowski nos dá a imagem do novo ‘antropólogo’:  acocorando-se junto às fogueiras […] preocupado com o problema retórico de convencer seus leitores de que os fatos eram objetivamente adquiridos, não criações subjetivas [p 26]
  • Os argonautas são uma complexa narrativa, simultaneamente sobre a vida trobriandesa e sobre o trabalho de campo etnográfico. Ela é arquetípica do conjunto de etnografias que com sucesso estabeleceu a validade cientifica da observação participantes [p 27]
  • Resumo das ‘inovações’:
  •  a persona do pesquisador de campo foi legitimada, tanto pública quanto profissionalmente […] o etnógrafo profissional era treinado nas mais modernas técnicas analíticas e modos de explicação cientifica […] o profissional podia afirmar ter acesso ao cerne de uma cultura mais rapidamente […] distinguia o pesquisador de campo de missionários, administradores e outros, cuja visão era menos imparcial […] sofisticação científica e simpatia relativista [p 28]
  • o etnógrafo podia usar as línguas nativas mesmo sem dominá-las [p 28]
  • poder de observação. A cultura era pensada como um conjunto de comportamentos, cerimonias e gestos característicos passiveis de comportamentos, cerimônias e gestos característicos passíveis de registro e explicação por um observador treinado […] o observador-participante emergiu como uma norma de pesquisa […]a interpretação dependia da descrição [p 29]
  • abstrações teóricas prometiam auxiliar os etnógrafos acadêmicos a chegar ao cerne de uma cultura mais rapidamente do que alguém que empreendesse um inventário exaustivo de costumes e crenças. Sem levar anos para conhecer os nativos, seus complexos hábitos e língua, em íntimos detalhes, o pesquisador podia ir atrás de dados selecionados que permitiriam a construção de um arcabouço central ou ‘estrutura, do todo cultural […] era como se alguém pudesse deduzir os termos de parentesco sem uma profunda compreensão da língua nativa e o necessário conhecimento contextual convenientemente limitado [p 29, 30]
  • o novo etnógrafo pretendia focalizar tematicamente algumas instituições especificas. O objetivo não era contribuir para um completo inventário ou descrição de costumes, mas sim chegar ao todo através de uma ou mais de suas partes […] na representação de um universo coerente, o cenário composto por instituições em primeiro plano, situadas contra panos de fundo culturais, adequava-se a convenções literárias realistas [p 30]
  • os todos assim representados tendiam a ser sincrônicos, produtos de uma atividade de pesquisa de curta duração. O pesquisador de campo, operando de modo intensivo, poderia, de forma plausível, traçar o perfil do que se convencionou chamar de ‘presente etnográfico’ [p 30]
  • Estas inovações serviram para validar uma etnografia eficiente [p 31]
  • Evans-Pritchard focaliza a ‘estrutura’ social e política e social dos nuer, analisada como um conjunto abstrato de relações entre segmentos territoriais, linhagens, conjuntos etários e outros grupo mais fluidos. Este conjunto analiticamente construído é representado contra um pano de fundo ‘ecológico’ composto por padrões migratórios, relações com o gado, noções de tempo e espaço […]Evans-Pritchard argumenta com rigor que ‘os fatos só podem ser selecionados e articulados à luz da teoria [p 31] […] Defende o poder da abstração científica para direcionar a pesquisa e articular dados complexos. Seu argumento teórico é cercado por evocações e interpretações habilmente narradas e observadas […] estas passagens funcionam retoricamente como mais do que apenas ‘exemplificações’, pois envolvem o leitor na complexa subjetividade da observação participante [força do discurso] […] “se você é um diel…”, a construção na segunda pessoa une o leitor e o nativo numa participação textual [p 32]. Realiza-se assim, a união subjetiva de análise abstrata com experiência concreta [p 33]
  • [observação participante] Ainda que entendido de formas variadas, e agora questionado em muitos lugares, esse método continua representando o principal traço distintivo da antropologia profissional. Sua complexa subjetividade é rotineiramente reproduzida na escrita e na leitura das etnografias [p 33]
  • Observação participante: vaivém entre o interior e o exterior dos acontecimentos: de um lado, captando o sentido de ocorrências e gestos específicos, através da empatia, de outro, dá um passo atrás, para situar esses significados em contextos mais amplos. Acontecimentos singulares, assim, adquirem uma significação mais profunda ou mais geral, regras estruturais e assim por diante. Entendida de modo literal, a observação participante é uma fórmula paradoxal e enganosa, mas pode ser considerada seriamente se reformulada em termos hermenêuticos, com uma dialética entre experiência e interpretação [p 33, 34]
  • As tarefas da transcrição textual e da tradução, junto com o papel dialógico crucial de intérpretes e informantes privilegiados, foram relegadas a um status secundário, ou mesmo desprezadas. O trabalho de campo estava centrado na experiência do sholar que observava-participava […] mas vale a pena considerar seriamente o seu pressuposto principal: o de que a experiência do pesquisador pode servir como uma fonte unificadora da autoridade no campo […] A autoridade experiencial está baseada em uma ‘sensibilidade’ para o contexto estrangeiro, uma espécie de conhecimento tácito acumulado [p 34]
  • É difícil dizer muita coisa a respeito da ‘experiência’. Assim como ‘intuição’, ela é algo que alguém tem ou não tem, e sua invocação frequentemente cheira a mistificação. Todavia, pode-se resistir à tentação de transformar toda experiência significativa em interpretação. Embora as duas estejam reciprocamente relacionadas, não são idênticas. Faz sentido mantê-las separadas, quanto mais não seja porque apelos à experiência muitas vezes funcionam como validações para a autoridade etnográfica [p 35]
  • O ato de compreender os outros inicialmente deriva do simples fato da coexistência num mundo que é partilhado […] durante os primeiros meses de campo (e na verdade, durante toda a pesquisa), o que acontece é um aprendizado da linguagem, em seu sentido mais amplo. A esfera comum deve ser estabelecida e restabelecida, a partir da construção de um mundo de experiências partilhadas, em relação ao qual todos os ‘fatos’, ‘textos’, ‘eventos’ e suas interpretações serão construídos [p 35]
  • A experiência está intimamente ligada à interpretação [p 36]
  • Experiência etnográfica: construção de um mundo comum de significados [p 36]
  • “Na verdade, nosso contato com o outro não é realizado através da análise. Antes, nós o apreendemos como um todo. Desde o início, podemos esboçar nossa visão dele a partir de um detalhe simbólico, ou de um perfil, que contém um todo em si mesmo e evoca a verdadeira forma  de seu modo de ser. Esta última é o que nos escapa se abordarmos nosso próximo usando apenas as categorias de nosso intelecto. Leenhardt” [p 37]
  • [resultados de pesquisas etnográficas] Esse ‘mundo’ quando concebido como uma criação da experiência é subjetivo, não dialógico ou intersubjetivo. O etnógrafo acumula conhecimento pessoal sobre o campo (a forma possessiva ‘meu povo’ foi até recentemente bastante usada nos círculos antropológicos, mas a frase na verdade significa ‘minha experiência’) [p 38]
  • [novos tempos] A interpretação baseada num modelo filológico de ‘leitura’ textual, surgiu como uma alternativa sofisticada às afirmações hoje aparentemente ingênuas de autoridade experiencial. A antropologia interpretativa desmistifica muito do que anteriormente passara sem questionamento na construção de narrativas, tipos, observações e descrições etnográficas. Ela contribuiu para uma crescente visibilidade dos processos criativos pelos quais objetos ‘culturais’ são inventados e tratados como significativos [p 39]
  • A textualização é entendida como um pré-requisito para a interpretação […] processo através do qual o comportamento, a fala, as crenças etc não escritos vem a ser marcados como um corpus, um conjunto potencialmente significativo, separado de uma situação discursiva ou performativa imediata […] são criadas partes que são relacionadas ao todo – usualmente chamamos de cultura [p 39]
  • Ricoeur: propõe uma relação necessária entre o texto e o mundo […] a textualização gera sentido através de um movimento circular que isola e depois contextualiza um fato em sua realidade globalizante […] O discurso não transcende a ocasião específica na qual um sujeito se apropria dos recursos da linguagem […] Ricoeur argumenta que o discurso não pode ser interpretado do modo aberto e potencialmente público como um texto é lido, para entender o discurso você tem de ter estado lá; para o discurso se tornar texto, ele deve se transformar em algo ‘autônomo’, separado de uma locução e de uma intenção autoral […] O texto, diferentemente do discurso, pode viajar. Se muito da escrita etnográfica é produzido no campo, a real elaboração de uma etnografia é feita em outro lugar. Os eventos da pesquisa se tornam anotações de campo. As experiência tornam-se narrativas. Esta tradução da experiência traz consequências para a autoridade etnográfica […] estes textos se tornam evidências de um contexto englobante, uma realidade ‘cultural’ […] O etnógrafo tem sido como um intérprete literário, um crítico tradicional, que encara como sua a tarefa de organizar os significados não controlados em um texto numa única intenção coerente […] transforma as ambiguidades e diversidades de significado da situação de pesquisa num retrato integrado [p 40, 41, 42]
  • [relato de Geertz sobre o incidente da briga de galos] permite ao escritor funcionar em sua análise subsequente como um exegeta e um portador onipotente e sábio. Este intérprete situa o esporte ritual como um texto num mundo contextual e brilhantemente ‘lê’ seus significados culturais […] leitura da cultura ‘por cima de seus ombros’ [ele está folgando com o Geertz?? O pior é que ele tem razão, e agora?] [p 42]
  • A antropologia interpretativa, ao ver as culturas como conjuntos de textos, frouxa e ao ressaltar a inventiva poética em funcionamento em toda representação coletiva, contribuiu para o estranhamento da autoridade etnográfica […] têm rejeitado discursos que retratem as realidades culturais de outros povos sem colocar sua própria realidade em questão […] nem a atividade interpretativa do pesquisador científico podem ser consideradas inocentes […] torna-se necessário conceber a etnográfica não como a experiência e a interpretação de uma ‘outra’ realidade circunscrita, mas sim como uma negociação construtiva envolvendo pelo menos dois, e muitas vezes mais, sujeitos conscientes e politicamente significativos. Paradigmas de experiência e interpretação estão dando lugar a paradigmas discursivos de diálogo e polifonia [p 43]
  • Um modelo discursivo de prática etnográfica traz para o centro da cena a intersubjetividade de toda a fala, juntamente com seu contexto performativo imediato [p 43]
  • As palavras da escrita etnográfica não podem ser pensadas como monologas, como a legítima declaração sobre uma realidade abstraída e textualizada […] toda linguagem é uma ‘concreta concepção heteroglota do mundo [Bakhtin]’ [p 44]
  • As formas da escrita etnográfica que se apresentam no modo ‘discursivo’ tendem a estar mais preocupadas com a representação dos contextos de pesquisas e situações de interlocução [p 44]
  • ‘o evento da interlocução sempre destina ao etnógrafo uma posição específica numa teia de relações intersubjetivas’. Não há nenhuma posição neutra no campo de poder [p 44]
  • [utilização de diálogos na etnografia] os interlocutores negociam ativamente uma visão compartilhada da realidade […] nesse processo a autoridade do etnógrafo como narrador e intérprete é alterada  [p 45]
  • [entretanto…] uma autoridade puramente dialógica reprimiria o fato inescapável da textualização [por exemplo: Platão retém o controle do diálogo textualizado com Sócrates] […] deve haver uma estranheza da outra voz e não perder de vista as contingências específicas do intercâmbio [p 46]
  • Processo de dar e receber da etnográfica (estudo de 1980) [p 47] Questão: quem na verdade é o autor das anotações feitas no campo? [p48]
  • Uma ‘cultura’ é um diálogo em aberto, criativo, de subculturas, de membros e não membros, de diversas facções. Uma ‘língua’ é a interação e a luta de dialetos regionais. Para Bakhtin, o romance polifônico não é um tour de force de totalização cultural ou histórica, mas sim uma arena carnavalesca de diversidade [p 49]
  • Os etnógrafos têm evitado atribuir crenças, sentimentos e pensamento aos indivíduos, mas não têm hesitado em atribuir estados subjetivos a culturas [p 50]
  • Os poucos experimentos recentes de trabalhos de múltiplos autores parecem requerer o interesse de pesquisa de um etnógrafo que no fim assume uma posição executiva, editorial, a estratégia de autoridade de ‘dar voz’ ao outro não é plenamente transcendida. A própria ideia de autoria plural desafia a profunda identificação ocidental de qualquer organização de texto com a intenção de um único autor [compartilhamento da autoridade? Melhor do que nada?] [p 55]
  • É intrínseco à ruptura da autoridade monológica que as etnografias não mais se dirijam a um único tipo geral de leitor. A multiplicação das leituras possíveis reflete o fato de que a consciência ‘etnográfica’ não pode mais ser considerada como monopólio de certas culturas e classes sociais do Ocidente […] Os trabalhos polifônicos são abertos a leituras não especificamente intencionais […] Bathes: se um texto é ‘a trama de citações retiradas de inumeráveis centros de cultura’, então ‘a unidade de um texto repousa não em sua origem, mas em seu destino’ [ai que bonito] A escrita da etnografia ganha coerência através de atos específicos de leitura [p 57]
  • A concretização textual da autoridade é um problema recorrente para os experimentos contemporâneos em etnografia [p 58]
  • ** Os modos de autoridade resenhados aqui – o experiencial, o interpretativo, o dialógico, o polifônico [cacete… é tudo autoritário? Que texto do inferno] estão à disposição de todos os escritores de textos etnográficos, nenhum é obsoleto, nenhum é puro, há lugar para invenção em cada um deles[p 58]
  • [quantos aos tipos de autoridade] cada um deles pressupõe um modo controlador de autoridade [pára o mundo que eu quero descer]

Notas de aula:

  • A questão pós-moderna
  • O que é antropologia moderna, segundo Clifford? Tem a ver com a autoridade etnográfica.
  • Quando e em que contexto ela emerge?
  • Por que ela entra em cheque?
  • Quais as características enquanto gênero científico literário? O gênero é a questão da produção da escrita?
  • Qual a proposta de Clifford para a antropologia pós-moderna? Seria a dispersão da autoridade. Precisamos entender a dispersão da autoridade, o que ela é.
  • A antropologia moderna é um encontro colonial; nela emerge a autoridade etnográfica que será característico da antropologia social de grande parte do século XX; delimitação do período de construção dessa autoridade etnográfica: 1900 – 1960; final do século XIX – expedição de Boas ao estreito de Torres – 1889; o papel central desempenhado por Malinowski, nas décadas de 1920 – 1930 [encontro colonial: império ocidental, países imperialistas que estão indo às colônias fazer antropologia]
  • A partir de 50 há a desintegração das colônias
  • Prática de representação intercultural, elaborada a partir de relações históricas específicas de dominação e diálogo passam a ser questionadas [havia uma relação de dominação e passa a ser criticada dentro da própria antropologia];
  • Crise de consciência da antropologia
  • O ocidente não é mais visto como o único produtor de conhecimento [o mito do ocidente]
  • O discurso como dominação e justifica a repressão
  • A desintegração das colônias, a crítica ao imperialismo que cria um cimento em todos os países como uma ideologia única; em 1960 há vários críticos como Ep Thompson, Raymond Williams e Foucault
  •  A historiografia também é revista em 1970 com esse novo olhar, percebe-se novos valores culturais; a história dos dominados
  • Quais as características da etnografia enquanto gênero? a etnografia: produto de pesquisa de campo intensiva feita por acadêmico; processo de legitimação pública e profissional da persona do pesquisador de campo. Este deveria: viver na aldeia, usar a língua nativa, ficar tempo suficiente para investigar certos temas clássicos;
  • As questões que unem, não se tratam apenas de um encontro colonial, há uma preocupação em entender as teorias antropologias dentro do ocidente
  •  [a legitimação é um gênero científico p. 28-30]
  • Estadia no campo [raramente mais de 02 anos] ênfase… p 28-30; ênfase no poder de observação, primazia dada ao visual – a interpretação dependia da descrição; modo predominante moderno da autoridade etnográfica “você está lá… porque eu estava lá” p 18; instrumentalização de poderosas abstrações teóricas: o que era central para a compreensão da estrutura de toda a cultura; sinédoque: as partes eram concebidas como microcosmos ou analogias do todo, ex: Malinowski  – O Kula e Geertz – Briga de Galos
  • O autor faz um percurso da história da antropologia
  • Etnólogo X viajantes, missionários, funcionários da administração colonial
  • A antropologia pós-moderna desqualifica os relatos dos atores acima [não eram dados colhidos por cientistas]
  • Malinowski faz um ‘manual’ do que é antropologia em os Argonautas
  • Clifford propõe olhar para esse material, pois a antropologia pós-moderna dá muita importância à história
  • Deve ser revista a observação participante e a ênfase no visual
  • A imagem: cria a ilusão de que ela é um retrato fiel da realidade [isso é a antropologia moderna clássica]
  • “você está lá porque eu estava lá”: isso é autoridade do antropólogo [meio napoleônica]
  • O Kula foi tido como central daquela cultura e isso só foi possível diante da autoridade do antropólogo, Clifford não questiona se era central ou não, a questão é a autoridade como determinante.
  • Os ‘todos’ assim representados tendiam a ser sincrônicos; cabe ao etnógrafo traçar o perfil do ‘presente’ etnográfico: ciclo de um ano, rituais, padrões de comportamento típico.
  • A autoridade etnográfica…: a produção textual da antropologia moderna tanto obscurece quanto revela; as estratégias narrativas ‘envolvem o eleitor na complexa subjetividade da observação participante’; deslocamentos na antropologia moderna: ênfase na experiência subjetiva [não dialogia ou intersubjetiva]; ênfase na interpretação e leitura ‘textual’; co-participação textual do leitor e nativo [ex. p 32 dos Nuer]; iniciação em campo é narrada de modo a construir a autoridade etnográfica [ex. Geertz: briga de galos]
  • [a antropologia contemporânea procura sair do discurso ‘redondo’; pensa-se nos sujeitos e nos leitores]
  • Clifford pergunta onde os autores clássicos aparecem em suas obras [como o leitor é envolvido]; quando o autor mostra na introdução o quanto ele sofreu para fazer seu trabalho ele envolve o leitor… o leitor é convidado, retoricamente, a se colocar no lugar do autor ou do nativo e tudo isso contribui para dar autenticidade e autoridade ao trabalho do etnógrafo.
  • Qual a proposta…: é preciso efetuar uma dispersão da autoridade etnográfica;
  • Produção da escrita pós-moderna: incorporação da interlocução, do encontro – o que incluiu contexto específico; a etnografia como atividade plural [como de fato apareçam os diálogos], dialógica e intersubjetiva à tentativa de escapar a ‘procedimentos tipificantes: uma ‘negociação construtiva envolvendo pelo menos dois, e muitas vezes mais sujeitos [versões e preocupações distintas] conscientes e politicamente significativos’ p 43; ‘paradigmas de experiência e interpretação estão dando lugar a paradigmas discursivos de dialogo e polifonia’ p 43; assim é possível que o leitor possa refletir e até criticar. [negociação entre leitor, entrevistado e entrevistador; em encontrando Taso o autor apresenta que o entrevistado foi escolhido por ele e Taso tem características específicas, é como se houvesse uma relação entre os dois, uma relação de humanos]
  • Na pós-modernidade a antropologia não é mais objetiva e sim interpretativa.
  • É preciso efetuar uma dispersão da autoridade; etnografia como crítica cultural; cultura como polifônica p 49; não se dirige a um único leitor; [possibilidade de ter uma leitura crítica de um povo com relação a outros povos e outros sistemas]; leitor como agente; hipótese: etnografia como produção de escrita com abertura para múltiplas interpretações [a etnografia não é isolada]
  • [a autora da próxima aula faz uma crítica quanto a antropólogos pós-modernos que não fazem uso de um olhar político e crítica cultural: isso os pós-modernos realizaram pouco]
  • Para discutir determinada cultura é preciso saber que há vozes dissonantes: polifonia
 
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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2 respostas para Notas para a prova de antropologia: CLIFFORD, James. Sobre a autoridade etnográfica. In A Experiência Etnográfica

  1. Veronica disse:

    Adorei! Muito bom!

  2. Ajudou-me imensamente, muito obrigada.

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