Notas Sociologia do Trabalho: O debate sobre Classes na sociologia clássica, Weber

Ele sempre pensa da perspectiva do indivíduo – não pensa na classe

  • Indivíduo à Ação Social à relação social
    • Ação Social: Tradicional, afetiva, racional
      • Tradicional e Afetiva: ação comunitária à comunidade
      • Racional: Valores e Fins à ação societária; sociedade
    • Ação social: tipo ideal à modelo de análise/explicativo
  • Marx: estamento estava relacionado ao conjunto de padrões econômicos que davam sustentáculo à monarquia absoluta; as classes se dão com o capitalismo [opressores e oprimidos; é preciso tomar o Manifesto do partido comunista com um objetivo panfletário]
  • Weber: são criados tipos ideais trans-históricos; as classes são TÍPICAS da ordem capitalista, isso não quer dizer que não existiram em outros momentos históricos [relação social relativa a fins]; no capitalismo os trabalhadores começam a ver suas relações com certos fins.
    • Os tipos ideais são trans-históricos à transpõe a história
    • O tempo todo Weber constrói tipos ideais que podem ser considerados em sua teoria como conceitos, que são tidos como os tipos ideais à conceitos/categorias weberianos.
  • 3 ordens que derivam as estratificações sociais: Jurídica; Econômica; e Social

[só existe tipo ideal porque há recorrência na realidade concreta: empirismo]

  • Ordem jurídica sistematiza e dá um sentido lógico, no conjunto da ordem social; ela legitima a estratificação social; legitima a própria dominação;

[há determinados hábitos que se tornam um preceito; uma convenção; uma obrigação; normas de condutaà podem tomar parte da ordem jurídica]

  • Ordem econômica e a ordem social acabam interferindo na ordem jurídica, pois esta sistematiza os seus preceitos.
  • Ordem econômica consiste em como os indivíduos distribuem o poder de acordo com os seus interesses, seu objetivo é o interesse dos bens e serviços no mercado; o lugar onde os indivíduos se movem de acordo com seus interesses.
  • Ordem socialé forma pela qual as honras sociais são distribuídas na comunidade;
    • A ordem econômica interfere na ordem social

[no texto não está explicito que há uma relação entre as ordens, elas seriam autônomas]

Estamento

Ordem Social à Estamento [estratificação]

  • Ordem Social à Honra Social
    • Honra Social à Estamento
      • Poder/dominação à ordem social

[ele quer entender como o poder, a partir da ordem econômica, da posse ou não de honras sociais, quem é que detém o poder e domina aquela sociedade; quais são os elementos que se baseiam as dominações]

  • A base do Estamento é a Honra Social:
    • A honra social está próxima da ideia de prestígio social; a profissão ou nobreza seriam formas de prestígio, por exemplo. Não está ligado à posse de bens, estaria mais próximo do Estilo de Vida, segundo Bourdieu [o estilo de vida está ligado ao uso/consumo de bens materiais/bens simbólicos]
      • O Estamento tem a característica de ser fechado; NÃO HÁ ORDEM ECONÔMICA, FAZ RELAÇÃO COM ECONOMIA – PODE TER SIDO NO PASSADO -, NÃO HÁ SITUAÇÃO DE MERCADO NO ESTAMENTO; [estamento não é classe]; o Estamento tem uma baixa mobilidade; a mobilidade se dá quando a imitação se transforma em hábito.
    • O Estamento é uma comunidade, ele não é meramente um conjunto de pessoas; as pessoas do estamento sabem quem elas são, qual é o seu prestígio e constroem cada vez mais os símbolos de distinção e afastamento aqueles que não fazem parte do estamento, eles agem enquanto Estamento; eles racionalizam, agem como um grupo específico.
    • Ordem Econômica à Classe [estratificação]
      • Como os indivíduos agem de acordo com a necessidade ou oportunidade da aquisição e valorização de bens no mercado = Ordem Econômica

[Em Marx a base da estratificação de classe é a ordem econômica, renda ou posse, em Weber não tem renda, está na possibilidade de valorização do bem]

  • Classes não são comunidades – não são definidas por ações de classe;

Podemos falar de um classe quando:

  • 1) certo número de pessoas tem em comum um componente causal específico em suas oportunidade de vida, e na media em que 2) esse componente é representado exclusivamente pelos interesses econômicos da posse de bens e oportunidades de renda, e 3) é representado sob as condições de mercado de produtos ou mercado de trabalho [esses pontos referem-se à ‘situação de classe’, uma oportunidade típica de uma oferta de bens, condições de vida exteriores e experiências pessoais de vida, e na medida em que essa oportunidade é determinada pelo volume e tipo de poder ou falta deles, de dispor de bens ou habilidade em benefícios de renda de uma determinada ordem econômica. A palavra ‘classe’ refere-se a qualquer grupo de pessoas que se encontrem na mesma situação de classe]
  • Componente causal específico em comum: é representado exclusivamente pela posse de bens e oportunidades de renda
    • Condições de mercado de produto ou trabalho
      • É oriundo da oportunidade de bens e posse de renda que são disputados no mercado de produtos

Porém como eu [pequeno indivíduo] me torno membro de uma classe? É preciso estar em uma situação de classe. [cada trabalhador sozinho tem um conjunto de atributos que o diferencia de outro trabalhos = os trabalhadores não são iguais, uns são qualificados, outros não, por exemplo]

A forma pela qual a propriedade material é distribuída entre várias pessoas, que competem no mercado com a finalidade de troca, cria, em si, oportunidade específica de vida, o que constitui um fato econômico bastante elementar. Segundo a leia da utilidade marginal, esse modo de distribuição exclui os não-proprietários da competição pelos bens muito desejados; favorece os proprietários e, na verdade, lhes dá o monopólio para aquisição desses bens. Em igualde de fatores, esse modo de distribuição monopoliza as oportunidades de transações lucrativas para todos os que, dispondo de bens, não têm necessariamente de troca-los. Aumenta, pelo menos em geral, seu poderio nas guerras de preço com os que, não tendo propriedades, só tem a oferecer seus serviços, em forma bruta, ou bens numa forma constituída através de seu próprio trabalho e que, acima de tudo, são compelidos a se desfazer desses produtos para que possam, simplesmente, subsistir. Essa forma de distribuição dá aos proprietários um monopólio da possibilidade de transferir bens da esfera de uso como ‘fortuna’ para a esfera de ‘bens de capital’; isto é, dá-lhes a função empresarial e todas as oportunidade de participar direta ou indiretamente dos lucros sobre o capital. Tudo isso é válido dentro da área na qual predominam as condições de mercado pura e simplesmente. ‘Propriedade’ e ‘falta de propriedade’ são, portanto categorias básicas de todas as situações de classe. Não importa se essas duas categorias se tornam efetivas em guerras de preço ou em lutas competitivas.

Dentro dessas categorias, porém, as situações de classe distinguem-se melhor: de um lado, segundo o tipo de propriedade utilizável para lucro; de outro, segundo o tipo de serviços que podem ser oferecidos no mercado. A propriedade dos edifícios de residência; dos estabelecimentos produtores; [..] – diferenças quantitativas com possíveis consequências qualitativas -; propriedade de minas; gado; escravos; disposição sobre instrumentos móveis da produção, ou bens de capital de todos os tipos, especialmente dinheiro ou objetos que possam ser trocados por dinheiro, facilmente e a qualquer momento; controle do produto do próprio trabalho e do trabalho de outros; diferindo segundo as variações na possibilidade de consumo; controle de monopólios transferíveis de qualquer tipo – todas essas distinções caracterizam as situações de classe assim como o ‘sentido’ que elas podem dar, e dão, à utilização da propriedade, especialmente a propriedade que tem equivalentes monetários. “Assim, os proprietários, podem pertencer à classe dos arrendadores ou à classe dos empresários.”

  • A situação de classe é a oportunidade de valorizar os bens e serviços no mercado em conjunto com os atributos pessoais

[não necessariamente ligados à posse de bens ou serviços; uma pessoa pode ter a mesma formação profissional do que eu, mas fala inglês, assim minha situação de classe é diferente da dela].

  • Situação de mercado à ter ou não ter algo.

O QUE ESTÁ ABAIXO SÃO CONCEITOS, E SEGUNDO WEBER, PODE SER ENCONTRADO EM QUALQUER CONTEXTO HISTÓRICO [SERIAM OS TIPOS IDEAIS]

  • Weber divide em classe proprietária e classe lucrativa: São positivamente ou negativamente privilegiadas, mas não são apenas 2 classes, são frações de classe.
    • Proprietária à ligada ao feudalismo // Lucrativa à ligada ao capitalismo

[em Marx a classe só classe quando há a consciência de classe ‘para si’]

[para Weber a classe não age enquanto classe; seria uma ação imitativa para uma ação social racional [valores e fins]; por exemplo: é preciso compreender o conteúdo político de uma greve]

[DA IMITAÇÃO PARA A AÇÃO SOCIAL É PRECISO O PARTIDO [da ordem jurídica]]

  • Os Partidos fazem valer os interesses próprios que não estão na ordem econômica nem social – está na ordem jurídica. Traz ao trabalhadores o pensamento sobre qual a forma de dominação a quem estão submetidos. São interesses de classe ou de estamento. Seriam as formas legítimas de fazer os interesses de classe. Uma ação de massa para uma ação racional. Pensar que não só indivíduos são indivíduos com componentes comuns que os colocam em determinada situação de mercado e de classe que são comuns. De modo que com outros indivíduos se possa agir coletivamente se pensando enquanto classe. Tornando o conjunto de preceitos em regulamentos, em leis  = ordem jurídica. Disputando o poder de dominação da sociedade. Vai para a arena da disputa política, onde os indivíduos disputam em pé de igualdade [dominantes e dominados, na ordem social e econômica  = essa possibilidade não existe].
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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