Notas Sociologia do Trabalho: O debate sobre classes sociais na sociologia, Bourdieu

O autor tem olhar filosófico

  • A construção de suas análises estão pautadas nos conceitos:
    • Campo: esse conceito é necessário para entender a teoria social do autor; os campos podem ser denominados como espaços de relações de forças entre os agentes, é um lugar onde os indivíduos pertencentes àquele campo empreendem uma luta relativa ao Capital; este campo tem opostos; o campo é um espaço de campos opostos [dominação existente no campo].
    • O Campo é autônomo à tem regras próprias, mas ao mesmo tempo sofre influência dos outros campos [há ponto de contato]; nos campos o que está em jogo é o capital; seja no campo religioso, econômico, etc, sempre há uma forma de capital; este capital é importante para que os indivíduos, a partir da sua aquisição, tenham uma posição naquele campo.
    • O campo interfere na posição que os indivíduos terão no espaço social [é a sociedade como todo].
      • O espaço social é resultado das relações que os indivíduos obtem em cada um dos campos nos quais eles circulam; de como os indivíduos empreendem sua luta para a obtenção do capital social.
      • Espaço social à multidimensional à três dimensões, que  se dão através do capital

[em cada um dos campos lutamos pelo capital; transitamos por diversos campos; os principais campos são o econômico e o cultural [bens culturais; não é relativo à escola]

[todo campo tem um mercado; produtor e consumidor; todo campo é formado por instituições e agentes – campo da produção econômica e campo da produção cultural (as instituições produtoras tem função dominante, classificam o que tem valor no campo, produzem o capital que estará disponível naquele campo)]

[os indivíduos entendem a vida sobre uma determinada perspectiva, através de uma classificação, classificando assim o mundo social (serão disputados neste campo pelos ‘agentes’; na medida que os agentes sofrem influência do campo, também externalizam esta influência; adquirem o poder de classificar e não se apenas classificável), a posição que o indivíduo ocupa nestes campos, influencia a posição do individuo em outros campos à possibilidade de conversão de capital]

  • É possível transformar o capital econômico em cultural e vice-versa;
  • Quando o capital é adquirido é possível classificá-lo e isso se dá no espaço social, que é o resultado das forças:
    • 1º dimensão: volume global: qual é o volume de capital que indivíduo tem nos diversos campo nos quais ele circula, mas o indivíduo não o adquire na mesma quantidade;
    • 2º dimensão: estrutura do capital
      • O resultado é a trajetória que o individuo terá no espaço social e isso dá a classe social do individual.

[capital social lembra o estamento de Weber; volume global de capital (eles têm volumes diferentes de acordo com os campos)]

  • Instituições à produtores: diz o que é legítimo ou não = PODER SIMBÓLICO
  • Agentes à consumidores do capital cultural produzido pelas instituições; este agentes, ao passo que consomem o capital cultural, o classificam.

[lembrar da música ligeira; há uma divisão sobre o que é bom e o que não é]

  • Além do volume total do capital tem o volume de cada tipo de capital, e isso interfere na posição na classe social:
    • Classe superior // Classe média // Classe popular
      • Em cada uma delas existem frações.
      • Como se adquire posições de classes? NA ESTRUTURA DO CAPITAL = fração de classe
  • Estrutura de capital = composta pelas frações:
    • Posição de classe // Condição de classe

[lembrar do Weber = situação de classe]

  • Todos nós nascemos em uma fração de classe = capital de partida
    • É uma condição de classe; as classes são dinâmicas; é preciso ver quais as condições que o individuo possui para ‘mudar’ de classe; há as varias: sexo, idade, etnia.
      • No caso do sexo, relativo às mulheres, há menos possibilidades de mudar de classe; porém elas estudam mais para compartilhar do mesmo campo profissional [exemplo] à uma possibilidade de traçar a trajetória no campo social, através da posição de classe/condição de classe.
  • Como sabemos a posição e a condição de classe? Através do HABITUS.
    • Habitus à processo de mediação; nós transitamos pelos campos onde há as estrutura objetivas [produtos, consumidores, classificados, classificadores]; os indivíduos interiorizam o que acontece no espaço social [quem domina e quem é dominado] e exteriorizam este conhecimento através de suas práticas sociais, mostram da maneira como agem, a sua posição de classe. O habitus é o princípio gerador. Ao agir também mostro que sei classificar.
  • O indivíduo compreende como ele é classificado e como os outros o classificam de acordo com suas práticas:
    • Estilos de vida.
      • As classes vivem como classe, não como indivíduos; nós agimos [gostamos de algo] porque pertencemos à determinada fração de classe, pois somos donos de determinado capital social.
      • Os estilos de vida apresentam as classes sociais dos indivíduos, é possível entender o processo de dominação de determinada sociedade [o que come, o que ouve, o que veste, como ama à a vida vivida, é possível saber se é dominante ou dominado; é a lógica da prática]
  • Na análise das classes sociais o autor não quis criar uma nova teoria de classe social, mas queria dizer que o que existia não dava para explicar as classes sociais; não é pela lógica da produção ou pela origem da renda que é possível determinar o dominante; ele quer analisar com qual classe se luta contra.
    • Segundo ele ninguém quer lutar por transformação, cada um quer a sua parte do bolo [EITA]
    • As pessoas querem ascender, não querem lutar por uma sociedade mais justa e igualitária.
      • Por que? Não temos consciência da nossa atuação enquanto classe [já estudamos isso]
      • Não há um processo de racionalização da ação [Weber] enquanto classe. Não quer dizer que nunca haja consciência
  • A construção da classe é resultado dos sei lá… campo, sei que compõe o habitus do individuo que se materializa nos estilos de vida.
  • A partir da compreensão do habitus do indivíduo conseguimos perceber sua na classe
  • Sinais distintivos = gostos
  • Os estilos de vida representam qual o poder simbólico que resulta da posição de classe que os indivíduos possuem. Sinais distintivos, através do exercício do seu capital simbólico.
    • O capital adquirido permite ter uma apreciação do mundo e gerar práticas percebidas por outros.
    • Capital de partida dá posição e condição de classe.
    • Para ir para outra classe é preciso ter uma trajetória onde serão incorporados habitus e aquisição de diversos capitais.
      • Para que o habitus não seja uma ‘mentira’, para que ele seja natural, é preciso a aquisição de variados capitais que compõe determinada classe a qual se queira participar. É preciso ter os sinais distintivos que distinguem uma sociedade da outra.
      • Quando se adquire determinado grau de capital se é possível classificar as coisas = adquire-se poder
      • O autor diz que o habitus tem que ser trabalhado de tal maneira até que o capital de origem se perca.

[em Bourdieu o conceito serve para observar a realidade social]

  • Para o que serve o tipo de ideal? Modelo de análise que permite se aproximar da realidade entendendo-a [trans-históricos igual como é para Weber; e deve ser observável em ação]
  • O gráfico…
    • Ele compõe o espaço social com inúmeras variantes que vai até do que a pessoa come até o qual o tipo de jogo que ela gosta.
      • Critérios de hierarquização à processos de dominação
    • Os indivíduos ao adquirirem certos tipos de vida se inserem no espaço social [no gráfico] e passam a ter um certo poder quanto à classificação, tendo um poder dentro do espaço social;

[o habitus é a classe em ação]

[negação é se auto afirmar e se reconhecer enquanto classe = a classe construída; o reconhecimento de que a classe existe enquanto classe [a classe para si]

[a afirmação das culturas populares, o reconhecimento da música erudita como um instrumento de dominação e uma possível submissão à ideologia dominante é um posicionamento de classe e um empoderamento da classe ‘inferior’… INTERESSANTE… o sistema passa a não se reproduzir]

Texto:

A classe social não é definida por uma propriedade, nem por uma soma de propriedades [sexo, idade, origem social, etnia, remunerações…], mas pela estrutura das relações entre todas as propriedades pertinentes que confere seu valor próprio a cada uma delas e aos efeitos que ela exerce sobre as práticas.”

Levar em consideração na própria construção dessas classes e na interpretação das variações… da distribuição das propriedades e das práticas – a rede das características secundárias manipuladas, de maneira mais ou menos inconsciente … também de apreender a origem das divisões objetivas… os agentes têm mais possibilidade de se dividirem e de voltarem a agrupar-se realmente em suas práticas habituais.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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