Notas Sociologia do Trabalho: Metamorfoses do Trabalho, Gorz

  • A consciência de classe de Marx é uma utopia, segundo o autor. Deveria se pensar em uma sociedade ‘tempo livre’, os homens poderem se dividir em atividades remuneradas e atividades de tempo livre
  • Texto: O que a crise que se iniciou em 1970 reflete na ‘classe’ do trabalhador
  • Crítica: Há um afastamento da teoria marxista da base empírica.

O que ele pensa sobre o trabalho:

  • O trabalho tal qual conhecemos é uma invenção da modernidade [a partir do capitalismo]
  • Na antiguidade o trabalho se dava na esfera privada [que estavam em estado de dominação por outros indivíduos – servos e escravos – ideia de labor pensada por Hannah Arendt. Trabalho concreto – valor de uso. O labor é destituído de liberdade. Quem não era escravo ou servo tinha liberdade para circular]
  • Na modernidade o trabalho se desenvolve na esfera pública [o home precisa ir para a sociedade para trabalhar – não está mais restrito às necessidades corporais; o trabalho não é mais valor de uso, o trabalho gera valor de troca – trabalho abstrato]. QUANDO FALAMOS, HOJE, DE TRABALHO, É DESTE AQUI. à É trabalho remunerado.
  • A troca de mercadorias é a troca de relações sociais

“A característica mais importante deste trabalho – aquele que ‘temos’, ‘procuramos’, ‘oferecemos’ – é ser uma atividade que se realiza na esfera pública, solicitada, definida e reconhecida útil por outros além de nós e, a este título, remunerada. É pelo trabalho remunerado (trabalho assalariado) que pertencemos à esfera pública, adquirimos uma existência e uma identidade sociais (profissão), inserimo-nos em uma rede de relações e de intercâmbios, onde a outros somos equiparados e sobre os quais vemos conferidos certos direitos, em troca de certos deveres. O trabalho socialmente remunerado e determinado – mesmo para aqueles a quem falta trabalho – é, de longe, o fator mais importante de socialização. Por isso, a sociedade industrial pode perceber a si mesma como uma ‘sociedade de trabalhadores’, distinta de todas as demais que a precederam.”

  • Como há a passagem do trabalho da antiguidade para o trabalho da modernidade?
  • Etapa de transição:
    • Idade média[gestação do capitalismo e talvez desse tipo de trabalho moderno], ela traz a figura do artesão ou trabalhadores de ofício [comércio em um trabalho restrito].
      • Imposição de uma única racionalidade que dominará [o mercado dita as regras, podendo inclusive penetrar nas tradições] a vida do homem que é racionalidade econômica que irá suplantar todas as outras [utiliza Weber – está no texto].
      • Há um processo de coexistência entre os processos de produção à a revolução industrial não foi como um trator se estabelecendo sobre tudo o que havia antes dela.
      • O homem passa a separar a esfera da família da esfera pública. O trabalho não é mais com caráter de vivência. Antes o trabalho era parte da vida à O trabalho agora é um meio de ganhar a vida.

[Quando ele fala do homem livre é o LIVRE PARA VENDER A SUA FORÇA DE TRABALHO]

  • O trabalho foi para a esfera pública à o homem vende sua força de trabalho à na esfera pública se dão as relações sociais =
    • Contradição à alienação.
  • O homem tem que vender a sua força de trabalho
    • O capitalista compra a força de trabalho [não interessa o que é o homem – o que sente, como vive…] = DESUMANIZAÇÃO. A única coisa que interessa é a força de trabalho do homem = A MECANIZAÇÃO DO HOMEM [nos termos de Marx é a coisificação]

[Esse homem desumanizado que vende a sua força de trabalho, foi a questão de Marx, a racionalidade econômica que geriria a luta de classe, mas a racionalidade desumaniza o homem, logo não faz sentido que o homem se mobilize (para isso ele precisa ser humano) – acho que essa é a crítica seguindo um raciocino lógico (utopia de Marx – desconsiderou as necessidades existenciais – o proletariado negaria a sua parte humana. A própria classe focaria nas necessidades materiais – ainda está confuso)].

  • Como os homens se relacionarão com essa nova racionalidade [econômica]? Através do consumo. Serão trabalhadores-consumidores.
    • O trabalho como não mais como parte da vida, mas como ganhar a vida nos dá a ‘capacidade’ de consumo.
    • O TRABALHO ROMPE O LAÇO SOCIAL [lembrar do filho da Marta: leão corrigindo provas]
  • O trabalho é gerador de valor social, mas não gera identidade a ideia de sociedade de trabalhadores tende a desaparecer, as pessoas podem se relacionar pelo consumo

Habermas:

  • 2 esferas:
    • Sistema: heterorregulação à o que regula são regras que estão fora dos indivíduos [mas por eles foram feitas]à
      • Organização funcional [não se discute o teor/objetivos das atividades]
      • 1º momento: a heterorregulação é espontânea [acontece no mercado]
      • 2º momento: heterorregulação programadaa partir da organização funcional
        • Mundo da vida: autorregulação da sociedade civil = os indivíduos constituem e partilham os valores [há consenso]
        • Em um 3º momento há uma fusão entre sistema e mundo da vida. [entre a vida e o mundo do trabalho]

Texto:

O capitalismo industrial só pôde desenvolver-se a partir do momento em que a racionalidade econômica emancipou-se de todos os outros princípios de racionalidade, para submetê-los a seu único domínio.

O trabalhador […] adentrar o processo produtivo despojado de sua personalidade e de sua singularidade, de seus fins e de seus desejos próprios, como simples força de trabalho, intercambiável e comparável à de qualquer, outro trabalhador, servindo a fins que lhe são estranhos e indiferentes.

A recusa dos operários em fornecer cotidianamente uma jornada de trabalho integral foi a principal causa da falência das primeiras fábricas. A burguesia imputava tal recusa à preguiça e à indolência do trabalhador. Não via outro modo de conseguir o que queria senão pagando salários mais e mais rebaixados de tal modo que operário precisava penar uma boa dezena de horas diárias, para garantir sua subsistência.

Foi uma revolução, uma subversão do modo de vida, dos valores das relações sociais e das relações com a natureza […] tornar-se simples meio de ganhar um salário. Deixava de fazer parte da vida para tornar-se o meio de ‘ganhar a vida’. O tempo de trabalho e o tempo de viver foram desconectados um do outro.

Fez nascer o indivíduo que, alienado em seu trabalho, também o será, obrigatoriamente, em seu consumo e finalmente, em suas necessidades. […] Sua extensão cresce com a riqueza social.”

A integração funcional ou a cisão entre o trabalho e a vida: A conduta da empresa só pode adequar-se à racionalidade econômica se todas as esferas da sociedade e a própria vida dos indivíduos forem conduzidas de maneira racional, previsível e calculável.

“[burocratização] resulta para cada indivíduo, sem seu trabalho, uma retração do domínio de suas possíveis responsabilidade e iniciativas, mas também, e sobretudo, uma ininteligibilidade crescente da coerência e dos fins da organização da qual consente, mais ou menos, em ser uma engrenagem.”

“[aula] A esta cisão entre a esfera autorregulada da sociedade civil e a esfera heterorregulada da megamáquina industrial-estatal, correspondem duas racionalidades; aquela dos indivíduos perseguindo fins que, mesmo quando motivam condutas funcionais, são irracionais com relação à finalidade das organizações nas quais trabalham; e aquela das organizações, que não mantem nenhuma relação sensata com as finalidades que motivam os indivíduos.”

“[aula] Tal cisão do sistema social e tal divórcio entre racionalidades diversas engendram o esfacelamento da vida dos próprios indivíduos: vida profissional e vida privada são dominadas por normas e valores radicalmente diversos e até contraditórios. O êxito profissional pede, no interior das grandes organizações, a vontade de ser bem sucedido conforme os critérios de eficácia puramente técnica das funções que se ocupa. Exige um espírito de competição, de oportunismo e condescendência com superiores. Será recompensado e compensado na esfera privada com uma vida confortável. O êxito profissional torna-se meio de conforto e prazeres privados sem relação alguma com as qualidades profissionais, isentas de virtudes profissionais e a vida protegida dos imperativos da vida profissional.”

“[aula] É assim que as virtudes privadas de bom pai, bom marido, podem andar de par com a eficácia profissional do funcionário, que passa indiferentemente do serviços da República àquele do Estado totalitário e inversamente; o amável colecionador de objetos de arte e protetor dos pássaros trabalhará indiferentemente na fabricação de pesticidas ou de armas químicas[…] encontrar depois de sue trabalho um nino aconchegante onde os valores econômicos são substituídos pelo amor dos filhos, etc.”

“[aula] burocratização e maquinização: faz da sociedade uma só megamáquina […] qualidade puramente técnica [racional] […] comparação entre a máquina industrial burocrática a uma carapaça de servidão, a nos proteger contra a insegurança e a angústia, ao preço de uma privação de sentido e de liberdade, de uma desumanização geral desse universo colossal que é a ordem econômica moderna [estilo de vida de todos os indivíduos]”.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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