Notas de Política: Modelos de Partido, Panebianco

PANEBIANCO, Angelo. Modelos de partido – organização e poder nos partidos políticos. São Paulo. Martins Fonte, 2005. (capítulos I, II e III, páginas 3-87).

Livro de 1982.  É um marco na ciência política [ele radicalizou Durverger].

  • O autor pegou as organizações partidárias e a organizou por dentro, não analisou o eleitorado. Ele trata dos partidos, da sua organização. A radicalização pode ser observada quando o autor analisa o partido como uma organização qualquer, do ponto de vista da administração. Analisar um partido é analisar sua estrutura de poder [hierarquia]
  • A ciência social deve ser ciência: O livro serve para afastar uma espécie de acusações feitas aos partidos pelas ciências sociais, quanto ao afastamento dos políticos esquecem suas promessas quando são eleitos.
    • ‘se afastou’, ‘traiu o povo’, ‘quando alcançam o poder esquecem das promessas’ = afirmações leigas.
    • A verdade está em algo muito mais complexo e mais FRIO, quanto ao funcionamento da organização. E a organização enquadra e é enquadrada.
  • Filtrar e plasmar [p 5] são os verbos utilizados para mostrar que tudo o que se passa na realidade não se dá totalmente do partido político, ele plasma e filtra, ele não adere de maneira automática.
    • As demandas da sociedade civil são filtradas.
  • O partido é desigual, é uma maquina hierárquica, ele produz desigualdade em seu próprio interior. A ORGANIZAÇÃO DO PARTIDO TEM UM ORGANISMO PROPRIO, independente das demandas sociais.
    • O sistema partido é um sistema autônomo de desigualdade.
  • Preconceito teleológico[relativo a fins] = Os partidos políticos existem para obter o poder.
    • Mais do que a busca do poder, está a manutenção e a organização da própria organização.
    • O partido é uma estrutura peculiar de desigualdade, portanto de poder.
      • Como se cria e se mantem essa estrutura?
        • Através de incentivos, seja material, coletivo [manutenção da identidade; os laranjas = a grande maioria do partido]
  • O partido deve ter atitudes concretas, a fim de reforçar a ideia de pertencimento dos membros [eu acho que isso é uma contradição do autor]. Ele não pode se movimentar da esquerda para a direita, por exemplo, ele não pode abrir mão completamente da sua identidade.
    • Nos partidos haveria uma parte sincera [p 26]
    • O que é poder organizativo?
      • Poder não é uma coisa que se possui, o poder é uma relação social.
      • É uma relação de influência, um processo, que envolve pessoas.
      • É sempre estar ‘azeitando’, mexendo, viabilizando
        • O PODER PRECISA SER TRABALHADO, ASSIM COMO NO PARTIDO.
  • O pessoal especializado é quem constitui o partido.

[O autor escreve este livro para os cientistas políticos, é uma análise fria que deveríamos ter quando da pesquisa de partidos políticos]

  • ELE FAZ UMA ANÁLISE PELA ESTRUTURA.
  • Se o partido é uma organização, é naturalmente hierárquica e portanto há desigualdades internas.
  • O principal incentivo coletivo é a reafirmação da ideologia, reforçando a identidade.
  • A importância do partido está ligada à estrutura.
  • Fases: gênese, desenvolvimento e amadurecimento.
  • Qualquer sociedade tende à elitização [teoria das elites, no texto chamada de lei férrea das oligarquias].
  • O partido político é constituído por estratos de poder.
    • Teoria das elites [para qualquer organização tem o formato de uma pirâmide]
    • Dentro do partido há várias pirâmides [estratos de poder]

[meu pensamento: parece que o partido fica tão envolvido consigo mesmo que as questões para as quais ele existe desaparecem]

  • A comunidade de iguais no início do partido, vai se perdendo com a institucionalização que está diretamente ligada a maior participação do poder [o PT é um exemplo claro disso].

 

Sobre o poder:

  • Nunca é unilateral, é um instrumento de inúmeras faces.
  • Não é uma propriedade, é uma relação que deve ser sempre reiterada. O que mantem o poder são as trocas.
  • Sempre os integrantes do partido têm um certo quantum de poder que servem em negociações de troca.
  • O poder é relacional e assimétrico [é diferente em quantidade, todos têm algum poder] e recíproco
    • O líder que é líder tem uma coalização dominante = uma aliança de alianças. Ele sabe que não há partido no mundo que não tenha grupos internos.

Crentes e carreiristas: círculos concêntricos [militantes, eleitores… formam círculos que um está dentro do outro

 

  • O aspecto técnico interno do partido é fundamental para sua estrutura.
    • O partido precisa funcionar e para isso deve ter pessoal técnico e especializado e isso nem sempre coincide com a democracia [no sentido interno da organização]
    • O partido tem uma organização empresarial, há uma dicotomia entre democracia e eficiência [contratar pessoas especializadas para o bom funcionamento do partido enquanto ‘máquina’]

[o autor não faz nenhum juízo de valor, apenas descreve os mecanismos de manutenção do partido/poder]

  • Quanto mais específico for o partido político [como o conservador inglês] isso tem correspondência no mercado externo, o que o partido defende tem correspondência na sociedade [p 62]
  • Como a sociedade está mais democrática, do ponto de vista do Estado de Bem Estar Social, se houver algum abuso de poder o militante ou funcionário pode cair fora, na época de Michels essa ação era mais difícil [as pessoas, na época, dependiam do partido].
  • À medida que o partido cresce as possibilidades de inserção profissional cresce. Há instâncias externas e do próprio Estado, o partido vai ganhando espaço.
  • Os partidos de massa são mais oligarquizados.
  • As chances de carreira para integrantes de partidos operários são praticamente inexistentes, o contrário são para partidos ligados às elites [muitas vezes já profissionais, como economistas, advogados, médicos…]

Áreas de incerteza [p 66 – 70]

  • O mais importante é a manutenção do partido, a sua organização.
    • A organização pode sofrer abalos, mas ela se mantem, pois todos trabalham para isso.
  • A organização filtra o que se passa na sociedade.
  • No interior do partido politico há uma reprodução da dinâmica da sociedade, como por exemplo, a desigualdade, só que tudo é filtrado.
  • O partido de massa [de classe ou religiosos] está cedendo lugar ao partido pega tudo, o partido de massa era fundado na identidade de classe e isso tem desaparecido.
  • O partido não pode inventar uma outra identidade, nunca há uma substituição completa dos princípios, o que pode acontecer é acabar o partido e funda um outro.
    • Uma negação da identidade inicial é impossível.

 

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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