Notas: Sociologia Urbana – Conceito e Categorias da Cidade, Weber

  • Weber, conforme sua metodologia, quer criar um tipo ideal de cidade para que  sirva de modelo de análise [suas características essenciais], ele quer organizar o pensamento para entender as forças produtivas dentro do capitalismo.
    • Este debate será aprimorado com outros autores. Sendo retomado por Milton Santos [evolução da técnica junto com a evolução da cidade]
  • Como o espaço e os transportes são organizados e assim o tempo é entendido, a partir da técnica aplicada.
  • Debate sobre a técnica: O autor parte de uma perspectiva histórica, analisando as características centrais de cada cidade, a fim de construir o seu tipo ideal [desde a mitologia até os dias de hoje]

Mito fundador: Métis [a deusa de técnica]

  • O professor está contando a lenda, mas eu perdi, é algo com uma tal de Gaia, Urano e seus filhos.
    • Gaia estava cansada de parir os filhos de Urano e pede a ajuda de Métis [um dos filhos é Zeus].
    • A partir de uma armação política […] há a separação entre o céu e a terra. Zeus se torna o rei do Olimpo com a ajuda de Métis
    • Resultado: a técnica é definida como um procedimento que viabiliza a vitória dos mais fracos sobre os mais fortes [sutileza + criatividade + adaptação a contextos + soluções técnicas e bélicas, para os carpinteiros, artesãos, políticos; são características da deusa que são atribuídas à técnica, viabilizando a guerra [hein?]]
      • Não é a força, é a técnica [atribuída à política].
        • Se produz as leis, um regramento social, através da técnica.
        • Essa técnica na mitologia tem força na filosofia cosmológica.
          • Aleteia: verdade parcial.
          • O conhecimento da verdade obriga Édipo a se cegar; a visão é tida como enganosa, seria preciso não enxergar para atingir a verdade [?]
          • Pré-socráticos: Técnica como produção da verdade.
  • Sofistas: necessidade de dominar todas as técnicas, sendo que a ausência de conhecimento em determinada técnica será suprida por outra; assim todos técnicos, com exceção do político, serão trabalhadores e o trabalho tem caráter de castigo; o conhecimento poderia ser partilhado por todos, por isso Sócrates e Platão, por serem aristocratas, eram contra. A eloquência era apresentada como técnica, assim a política, portanto a participação na Polis.
    • Técnica para quem domina a arte de fazer, colocando o arquiteto como o mais importante de todos, onde o artesão é o último [confusão da moléstia!]
  • No debate grego a democracia aparece como um mal, pois o povo não tem a técnica da política.
  • A técnica tem uma ambivalência: pode ser utilizada para o bem e para o mal [sendo até mortífera, como a guerra ou o desenvolvimento do capitalismo que também é ambivalente].
    • A possibilidade do ambíguo sempre está presente da mitologia [bem e mal, por exemplo, pode ser bom ou mal]
  • Se este olhar da técnica for associado à construção da cidade é possível vê-la como orgânica [?], mas na visão de Platão há uma hierarquia [?].
    • Com a técnica da filosofia e da política seria possível organizar toda a vida, toda a Polis.
    • Em Platão a técnica não é para todos, é restrito a um grupo, assim a cidade será política e a agricultura será periférica = hierarquia entre a cidade e campo.
      • A técnica da agricultura é considerada menor, embora todos os filósofos e políticos precisem comer. Isso só muda em Roma.
      • A agricultura será considerada uma técnica de potencialização do solo [deixando de ser uma técnica menor]; colocando os agricultores como cidadãos. Assim, a técnica da retórica será super valorizada em Roma.
  • A técnica da política seria cuidar dos homens [perdi o foco, é muita loucura para mim]
  • A maneira como os habitantes lidam com a cidade diz muito sobre a cidade [memória e monumentos, por exemplo].

Tese defendida por Weber

  • Visualizar que dentro da cidade há um conhecimento técnico que se organiza a distribuição populacional, disposição e utilização do espaço público, a política que regulamenta a relação dos indivíduos.
  • Luiz … [escola de Chicago] – definição da cidade: para fins sociológicos, uma cidade pode ser definida como um núcleo relativamente grande e denso de indivíduos heterogêneos. [isso é para complementar a tese de Weber] isso traz em si o conceito de intencionalidade que se reporta à atividade política.
    • Indivíduos heterogêneos – intencionalidades interpretadas como projeto. No entanto os projetos são conflitantes por conta da heterogeneidade [oxente].
    • Pensamento liberal: liberdade de ir e vir desde que não passe pela liberdade do outro [Locke; Stuart Mill na chave utilitarista: no momento em que a liberdade não for respeitada o Estado deve se colocar como regulador, assim o Estado se vale da própria cidade para potencializar os indivíduos, para que cada um possa contribuir para o bem da cidade; os indivíduos adaptados podem ser potencializados].
  • Weber começa a criar o seu tipo ideal, onde as cidades analisadas possuem um conjunto de características presentes apenas no ocidente. Por isso o capitalismo não teria se desenvolvido no oriente [essa tese não funciona em sua totalidade, segundo o professor. O importante aqui é a forma de se aprender a construção do tipo ideal]
    • O pressuposto é de que o capitalismo seria inevitável [?]. Essa teria sido a falha de Weber, pois ele partiu da sua realidade [?]
    • Ele faz uma racionalização do mundo [desencantamento do mundo – do mito à realidade]
    • A política é apresentada como sendo do interior da cidade; assim a política deve ser observada no decorrer da história e suas técnicas específicas. Aqui o critério econômico se apresenta.
      • Exemplo do Oikós = Casa: existe antes de Roma, é uma espécie de hospedaria onde se tem o espaço para os estrangeiros e outro para o cultivo da agricultura. É produzido pouco, mas mesmo sendo uma produção de subsistência é um lugar de novidade por conta dos estrangeiros que trazem objetos de suas terras que servem como pagamento para a hospedagem. Assim, são produzidos excedentes = florescimento da economia para a construção da cidade [este processo é para que Weber comece a classificar o tipo]; o comércio não é central, é a política, mas é a partir do comércio que se começa a pensar a propriedade privada que dá corpo ao início do capitalismo. Em Weber, nessas cidades já há o equivalente geral [moeda] em Marx não.
    • Mesmo na 1ª cidade já se tem um embrião de comércio, porque o centro de qualquer cidade é o mercado, isso é identificado em todas as cidades ocidentais. A 2ª característica são as fortalezas que servem para proteger o mercado e não as pessoas.
    • As cidades modernas, os burgos, ampliam suas muralhas [isso é para entender o processo histórico]
    • Hoje as cidades ainda são fortificadas, mas não com muros, as fortalezas ganham uma conotação racional [os aeroportos que são um controle do que entra e do que sai, e isso é para proteger o mercado, alfandega, por exemplo, ou plantas com pragas, bichos com doenças]
  • A definição da cidade para Weber:
    • O espaço não é critério;
    • O critério econômico: toda a cidade é um espaço de mercado [eu entendi que o critério econômico é muito importante, mas não define]; as cidades são mercantis e mistas, produzem e consomem ao mesmo tempo e podem ter medidas diferentes.
    • Características exclusivas para ser uma cidade:
      • Uma organização autônoma, administrativa e política [política voltada ao mercado e fabricada na própria cidade = leis próprias = lei orgânica do município [zoneamento, por exemplo].
      • 1º Fortaleza
      • 2º Mercado
      • 3º Tribunal próprio e direito parcialmente próprio
      • 4º Caráter de associação [aquela intencionalidade, sofisticar as discussões]
      • 5º Administração com alguma participação dos moradores locais [isso garantiria o cumprimentos dos contratos]

A técnica política evoluiu de tal forma que possibilitou que todas as artes do saber para se construir uma metrópole. E a política vai se articulando para lidar com o espaço [a cultura da cidade delimita o Estado]

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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