Notas: Sociologia Urbana – A Revolução Urbana, Lefebvre

  • Abordagem marxista sobre a cidade.
  • Este livro seria o mais importante na sociologia urbana, talvez este autor seja um dos mais importantes interpretes de Marx [ele conseguiu ter uma leitura próxima do neutro]
  • A produção de suas ideias são influenciadas pelos conceitos e métodos marxilianos [cidade = lugar onde se desenvolve a luta de classes]
    • A suspeita do autor: a interpretação de Marx não deveria ser vista como determinista [para o autor o futuro não seria o comunismo].
      • Ao longo da história observar o desenvolvimento do capital para perceber a relação do indivíduo com o espaço; haveria um certo tipo de ação social – práxis urbana – que apresenta como o indivíduos se relacionam com a cidade que implicará em um novo conceito: revolução urbana.
      • Para ele não caminhamos para a revolução ou para o comunismo, haveria um processo no dia a dia da cidade [sei lá]; existiriam processos, que uma vez identificados, seria possível traçar algumas tendências.
      • Há determinação, mas não há determinismo: o determinismo quer dizer que ele discorda de Marx, mas quanto às determinações, significa que é possível traçar as tais tendências, haveria processos que influenciam a história; ele quer identificar esses processos.
      • A história da humanidade pode caminhar de um 0% de urbanização até 100% de urbanização [ideia de processo, apresentando uma trajetória da humanidade]; esta sociedade 100% é hipotética, trata-se de um tipo ideal.
      • Não há possibilidade de a urbanização retroceder; a urbanização acontece com o desenvolvimento da técnica, que também não retrocede.
        • A presença da técnica implica no processo de sociabilidade, não é que a técnica obriga a uma sociabilidade, mas contribui para isso [novas realidades com novas reorganizações das relações sociais e ‘consequências’] = avaliação do desenvolvimento político.
    • Urbanização e política estão relacionadas [quando surge o 0,01% de urbanização já há política]
  • A primeira cidade construída pelo autor é a cidade política [não lembro o período, deve ser lá pela Grécia; já tem comércio, não é o que caracteriza esta cidade, mas há formas de comércio com moeda e organização jurídica para tanto]
    • A política regula o convívio [dividido em duas lideranças: o sacerdote e o guerreiro]; há aqui um certo tipo de organização que é um ponto de partida para o pensamento do autor, onde já há hierarquia e vantagens de status; começa-se um processo contraditório que impõe diferentes materiais entre os indivíduos, que se reproduz até hoje
    • Na cidade política começa haver a contradição entre um pólo de inteligência e o campo [acho que entendi errado]; há uma minoria que fica na cidade, que decide, e uma maioria que vive no campo que estabelece uma relação de dependência com a primeira, e esse formato segue uma tendência que se mantem até hoje.
      • Esse é um processo dialético, fruto desta contradição [material e hierárquico]
      • Aqui há uma crise, onde se passa para a cidade comercial.
        • Crise: uma cidade que se organiza por muito tempo, mas no interior da cidade política surge a tal crise que se dá a cidade comercial [não entendi]
    • A cidade comercial [século XVI – período do mercantilismo]:
      • A política se mantem, a cidade comercial se avoluma à sociedade política [é a sociedade política que viabiliza a organização e as relações sociais].
  • Foi preciso um desenvolvimento técnico sofisticado para o homem atravessar o atlântico [a técnica é muito importante para a urbanização… dã?!?!]
    • Seria possível assim fazer previsões, porém sem determinismo [em Marx não há alternativa, assim em Lefebvre há grandes possibilidades, mas não certezas; Marx faz uma análise de traz para frente: o que estrutura o capital? A propriedade privada, assim, sem a propriedade privada acabaria o capitalismo, ou seja, ele fez uma dedução; Marx trabalha com a miséria gerada pela desigualdade, se não houvesse miséria, talvez ele não tivesse feito da desigualdade um problema de pesquisa, o que incomoda Marx é a miséria, o que não pode é eu ganhar com a miséria do outro; diferença entre divisão social do trabalho e divisão manufatureira do trabalho; sociedade simples e complexa]
      • O autor se preocupa com a análise como palco da construção da desigualdade.
        • Cidade comercial para cidade industrial, que entra em crise que se estende até hoje.
        • O processo dialético é percebido pelas crises em cada ‘fim’ de tipo de cidade, e conforme as determinações, pode traçar uma tendência de que a próxima cidade, será a cidade do prazer.
          • Possibilidade da existência social sem problemas [100% urbanizada], comunista ou não.
          • O meio do raciocínio do autor é igual ao de Marx, mas o fim é diferente.
  • Fixar território: cidade e campo; relação de dependência, o habitante do campo produzirá alimento para si e para a cidade, portanto desenvolverá técnicas para atender as duas regiões [muita produção demanda técnica]
    • O desenvolvimento técnico ocorre com a presença da urbanização; o urbano será maior do que cidade, pois além de da sua própria relação, há a relação com o campo [seja por conta da produção rural ou dos meios de acesso (estradas: para o trânsito de mercadorias)].
    • Campo: a relação com a natureza já passa a pressupor uma renda.
    • O urbano tem seus tipos de relações extrapolando para o campo [pensar que ‘todas’ as pessoas assistem à mesma novela]
      • Condutas ‘obedecendo’ às mesmas regras.
  • ‘Construção da Cidade: Técnica > sociabilidade > processo civilizador/racionalização
  • A cidade passar a ser um polo de atração que demanda cálculos [planejamento] para organizar as pessoas [exemplo: prédios: menos gasto para levar água, energia e esgoto]
    • A cidade industrial não tem cálculo para a urbanização, por isso a crise [eu acho]
    • Na cidade industrial há o estabelecimento de uma nova forma de produção, a questão é que a indústria se apresenta como algo que potencializa a cidade, mas na realidade ela vem para destruir a cidade e é isso o que qualifica a crise – IMPLOSÃO E EXPLOSÃO [tem no texto]
      • Processo de urbanização = práxis urbana = forma como os homens estabelecem a relação com si mesmo e com o espaço, através da técnica e é uma forma de responder a esta crise = revolução urbana está atrelada a respostas pontuais do homem [acontece de forma processual, em Marx é a luta de classes e para o autor é a revolução urbana, é um conjunto de transformações que pressupõe um tipo de transformações [oi?]
        • A aposta na cidade do prazer [pode ser] é porque acumulamos muita técnica, assim, não seria preciso trabalhar 8 horas para alcançar os mesmos objetivos [e além disso aumenta o tempo para o mercado consumidor + ampliação do lazer]

[carta de Atenas: Niemayer se inspirou nesta carta para planejar Brasília – setor para cada tipo de coisa: banco, escola…]

  • A revolução urbana não se realiza porque é sufocada pelo Estado; dentro da crise o processo dialético [contradição] será entre a presença da indústria e a cidade como um todo; a presença da indústria gera uma tensão que só será equacionada com a participação do Estado.
    • A Revolução não se realiza porque o Estado atua fortalecendo um desequilíbrio [não entendi]
      • O Estado produz e fortalece o mundo da mercadoria.
      • Assim, a necessidade da práxis revolucionária.
        • Com conhecimento da filosofia se dá a práxis revolucionária [para Marx não é necessariamente ligado a um ativismo político, ele serve apenas para o fortalecimento da revolução = consciência = produção de conhecimento, que tem que avaliar a concretude das questões, para Lefebvre está ligado ao urbano – práxis urbana, pressupõe a busca da melhoria da relação dos indivíduos com o espaço – não se trata de uma revolução clássica que solicita o fim da alienação; a mudança social pode acontecer no dia a dia sem que seja necessária a consciência de classe, para Marx isso é impossível]
          • Revolução atrelada ao desenvolvimento da cidade; busca de transformações típicas de sociedades pós-industrial [tem indústria, mas esta já foi reelaborada, tem outro papel no cotidiano das pessoas]
            • A QUESTÃO É COMO QUALIFICAR ESTAS MUDANÇAS.
    • Quem não entende o autor o tomará como um conformista, pois seria uma proposta de reforma social; a questão é reelaborar o conceito de revolução que para o autor não é necessariamente um processo violento. Será que a revolução não seria uma ação natural da sociedade?
      • A violência para o autor: a revolução urbana trata de um período de buscas por soluções próprias das sociedades urbanas [convívio, por exemplo]. Ela não é violenta necessariamente, embora possa ser.
        • O que é possível equacionar sem a violência? Não seria próprio da violência desencadear-se?
          • O lucro é melhor adquirido sem a violência, através de um cálculo de docilidade por parte dos trabalhadores. Assim, a crise é recalcada, oprimida, o que gera lucro [gasta-se dinheiro: terapias, remédios]. A DOCILIDADE PERMITE QUE O CAPITAL SE MANTENHA – TRABALHO E CONSUMO PACÍFICOS [SOCIEDADE DO CONTROLE – LÓGICA]; O CIDADÃO PARCEIRO GERA MAIS LUCRO DO QUE O CIDADÃO QUE SOFRE VIOLÊNCIA [acho que isso é parte da biopolítica].
    • A cidade gera em si mesma as soluções para os seus problemas; a crise na cidade é gerada pela indústria.
    • Em nossa crise atual o autor apresenta uma cidade futura [sem especificações, pois não há determinismo], mas algo vai acontecer [dã?!?!]
      • A cidade industrial vai materializar o antagonismo da indústria e da cidade [a indústria comercial em crise, gera outra cidade, a industrial], a indústria cria as próprias condições para que ela própria desapareça [em Marx é o capitalismo que se destrói]
        • Quando se tem a indústria dentro da cidade, se tem subúrbio, desigualdade, etc, no entanto as pessoas continuam buscando sua existência e seriam estas pessoas e as periferias que buscariam a revolução, não necessariamente violenta, assim a superação da cidade industrial é inevitável, assim como para Marx é o capital.
          • Isso em alguma medida já existe, São Paulo, por exemplo, já não tem seu capital especificamente industrial.
            • Mudança de Direita: ligada à iniciativa privada
            • Mudança de Esquerda: tentativa de abrir a via do possível [não do inevitável] capaz de explorar um terreno que não seja exatamente o concreto, mas que haja possibilidade; a esquerda vai trabalhar com utopias [o fim da desigualdade, não é concreto, mas é uma via do possível]: a partir daqui é que são desenvolvidos os processos de urbanização que tanto pode ser pelo Estado quanto pela sociedade civil [esta ultima esta sendo mais ativa – ex.: a ciclovia foi ação da sociedade civil]. O processo de urbanização é uma resposta à crise.

Cidade politica, cidade mercantil, cidade industrial – ver as características, pois acho que servirá para a prova e vale como entendimento do texto à crises que geram mudanças [a indústria surge como uma anti-cidade que obriga o autor a buscar uma metáfora na física que é a implosão e a explosão] – analogia ao BigBang [enche até explodir]

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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