A Governamentalidade

Fichamento: FOUCAULT, Michel. A Governamentalidade. In Ditos e Escritos IV Rio de Janeiro, Forense universitária, 2006.

O autor procura analisar, a partir do século XVI, como o Estado passa a requerer um “manual” para ampliar a sua dominação através dos questionamentos de “como ser governado, por quem, até que ponto, com que fins, por quais métodos?” para assim adquirir uma forma política de governo. Foucault, a fim de exemplificar o cenário literário desenvolvido para atender à demanda da referida época, cita a obra “O Príncipe” de Maquiavel que teria ressurgido no início do século XIX, cujos questionamentos sobre a política de governo e respectivo poder do Estado ecoavam àqueles do século XVI “como e em quais condições se pode manter a soberania de um sobrenado sobre um Estado? “O Príncipe” teria como elemento principal de sua pedagogia, o tratamento da política como “o governo da família, que se chama justamente ‘economia’”.  Toda a literatura desenvolvida nesta temática teve como objeto a “arte de governar” e como objetivo traçar métodos de como “introduzir a economia, quer dizer, a maneira de gerir como se deve os indivíduos, os bens, as riquezas, tal como se pode fazer no interior de uma família, tal como pode faze-lo um bom pai”.

Foucault entende que a introdução da economia no exercício político foi a “aposta essencial do governo”, representando assim o que era governar e ser governado – um complexo de homens, coisas e território -, este fator econômico como centro do poder político faria do governo, um governo de coisas. Em referência ao título deste texto, “A Governamentalidade”, o autor apresenta o seu sentido como sendo o conjunto das instituições, procedimentos, análise e reflexões, cálculos e táticas etc, que permitem o exercício do poder sobre a população através da economia política (com caráter de instrumento técnico), da soberania do Estado e da disciplina das pessoas. Técnica, soberania e disciplina como fonte de poder teriam sido desenvolvidas a partir do “Estado de Justiça da Idade Média, tornado nos séculos XV e XVI Estado Administrativo, encontrou-se, pouco a pouco ‘governamentalizado’”. O Estado moderno seria o fruto do que se plantou na Idade Média, portanto encontra-se em modo pleno de governamentalidade para a sua própria sobrevivência enquanto forma de poder.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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