Notas: Sociologia Urbana – Michel Courad

  • Hoje falaremos sobre os aspectos subjetivos da cidade e urbanismo, a fim de compreender o espaço a partir de sua significação e de aspectos subjetivos.
  • A cidade ultrapassa as pessoas, os prédios etc., pensar uma cidade é pensar a relação que os indivíduos têm com ela, que gera o seu aspecto cultural.

Texto:

  • Ao deslocarem-se na cidade, os indivíduos emprestam significados a ela, reformulam a cidade e modificam o espaço, suas subjetividades são alimentadas, os indivíduos inventam e reinventam a cidade.
  • O autor compara o caminhar dos cidadãos à linguística – na medida que os indivíduos transitam pela língua, resulta em significados inéditos, resultando em uma nova materialidade da língua:

Espaço calculado

[arquiteto urbanista]

Racionalidade

Cartesiana

Espaço da cidade

← Significante →

Estrutura da língua [+/- fixa]

Vivências no espaço:

Caracterizam o cotidiano das cidades [cidade como um organismo vivo; é apresentada como língua; há uma maleabilidade pois os indivíduos têm suas subjetividades]

Cotidiano das cidades

← Significado →

Sentidos à cultura

Movimento

Vivência + Significado = Homem –> Simbólico

  • Há um cálculo da cidade [do espaço], porém este cálculo passa por uma resistência, por cota da capacidade dos indivíduos.
  • Situações e vivências alteram os espaços e estes são recalculados para atender à ‘demanda’ das vivências dos homens simbólicos.
    • Estas alterações são pautadas pelo capital [pensar nos grandes cinemas em regiões nobres, sendo que os cinemas de rua são pouco frequentados, estes espaços serão utilizados a favor do capital: prédios, bancos etc].
    • Uma praça cercada por grades por exemplo: o cidadão, morador de rua, pode utilizá-las para estender a roupa.
  • As vivências podem não ser 100% respeitadas: exemplo: uma favela, para urbaniza-la, as ruas têm que ser alargadas, assim algumas pessoas perderão suas casas [não entendi]… sei que as pessoas têm seus cotidianos e quando a favela for urbanizada, os arquitetos procurarão reproduzir aquele cotidiano e as relações sociais [ir à padaria, ser vizinho de fulano, pegar tal ônibus], acho que isso é porque as pessoas costumam vender as casas que ‘ganharam’ e voltam a morar em barracos: APOSTA-SE NA VIVÊNCIA – foi um projeto da Odebrecht na obra do rodoanel, isso foi premiado – procurar referência na internet [acho que isso é importante]
    • Atitudes são tomadas em virtude do espaço.
  • Metáfora do autor: ver a cidade do alto [World Trade Center] a visão do alto permite um totalização da cidade: se vê a cidade inteira, mas não se vê nada; um sentimento de Deus, enquanto metáfora; o cidadão tem uma visão aérea da cidade, sem vínculo, do alto se vê uma sociedade geográfica, sem barulho, ordenada, não se percebe a tensão, estresse, poluição etc.
    • É uma visão de distanciamento da cidade [essa é a proposta do pensamento de Descartes – regras para a direção do espírito: é um livro, eu acho; sujeito e objeto não se misturam, a coisa toda é o distanciamento… não entendi]
      • Quando temos o olhar interno não temos a dimensão da cidade, mas temos contato com a vivência… [estou entendendo], quando se olha de longe, se vê a totalidade, mas não se tem contato com a vivência.
  • A Kiefer é um pintor, fez uma mostra chamada alguma coisa de Lilith; o mito de Lilith é relacionado com a solidão [ela comia os ‘filhos’ para ter os mesmo direitos de adão].
    • Quando quero dominar a cidade, preciso me distanciar dela, para vê-la como um todo.
      • Agora entrou no mito de Dedalus [tem as asas coladas com cera, alguém que está com as asas não pode voar nem alto nem baixo, mas Ícaro tem a ideia da visão de
        Deus, por ver a cidade do alto, chega perto do Sol e suas asas derretem; O sol tem a metáfora da razão: assim a razão tem que ser dosada]

        • Quando o cálculo ultrapassa a vivência, a arquitetura se torna autoritária [arquitetura moderna].

Papel da subjetividade

  • É central, não é possível pensar a cidade sem este aspecto, a subjetividade é extraída das vivências.
    • Existem situações que não podem ser resolvidas com a racionalidade, porque há as vivências; a ideia de uma cidade planejada é para uma cidade imóvel; a metodologia cartesiana pressupõe que as coisas são imóveis. A proposta de um conhecimento de tudo, verdadeiro e preciso é um pensamento de Deus [o autor faz uma referência ao panóptico], uma visão do alto, esta é uma metáfora divina.
      • O conceito de cidade precisa ser pensado. É preciso uma racionalidade, mas é preciso um conhecimento da racionalidade do espaço em conjunto com o conhecimento da vivencia e da autonomia das pessoas que se deslocam na cidade. A racionalidade no pensar a cidade deve ser moderada.
        • Sempre que há a intenção de um controle haverá uma resistência a partir da vivência [isso aconteceu com a arquitetura moderna que pretendeu organizar a vida das pessoas, porém as pessoas adaptaram aquele espaço ao seu gosto – a fachada de vidro foi tampada por uma cortina, por exemplo]
        • O conceito de cidade do autor pressupõe que ela é um sujeito e é autônoma. Uma tentativa de controle é sempre incompleta.
        • Um modo cartesiano de pensar a cidade é simplificar a sua vivência. OLHANDO DE CIMA ESTARIA TUDO CERTO. [pensar que quando Deus mandou Jesus, ele tinha uma visão de cima, assim Jesus se deu muito mal]; não se pode dominar o que não se conhece, a cidade por ser uma soma de subjetividades impossibilita um conhecimento total [isso é tão legal], o projeto totalitário está previsto apenas no pensamento cartesiano, ninguém pode ser Deus [acho que o plano de Descartes, que queria ser médico, queria fazer do homem um Deus] Ler o início do Leviatã, lá Hobbes produz um Deus [Estado] artificial, lembrar que Hobbes foi leitor de Descartes.
  • A vivência da cidade é associada à linguística, no sentido de novas palavras, novos significados, gírias, que se dão com a necessidade, o espaço da cidade se modificaria mais ou menos desta forma.
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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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