Refugiados diante da nova ordem mundial

Fichamento: AGIER, Michel. Refugiados diante da nova ordem mundial. Tempo social vol.18, n.2, pp. 197-215. 2006.

Este artigo começa com a frase “Uma mão que fere, a outra que socorre” apresentando uma análise do desdobrar dos atentados de 11 de setembro: “em 2001, enquanto uma mão soltava sobre o Afeganistão víveres e medicamentos […], a outra despejava bombas americanas, mostrando o espetáculo da mão esquerda do Império”, uma paradoxal associação entre a guerra e o humanitário. O Humanitário norte-americano teria como proposta a sua edificação social e moral, efetivando-se como orientador do mundo, transformando-o em uma única sociedade de controle. O caráter atribuído a esta proposta justificaria a “existência simultânea de um conjunto de guerras, de violências coletivas, de distúrbios e terrores que conduzem as populações civis à morte ou à fuga”, seriam guerras despolitizadas, sem enraizamento social, fazendo refém a população civil (75% das vítimas são civis). Há ainda duas questões que compõem o “humanitário mundial”: a intervenção militar, onde as vítimas são mantidas num mínimo de vida; e o isolamento: os sítios humanitários são afastados dos locais de vida comuns, onde são perdidos os laços sociais, estes sítios podem ser classificados como espaços de exceção (sem direitos), como não-lugares.

Neste artigo são apresentados os exemplos de Bogotá, Luanda (Angola), Sangatte (França), “Tampa”, Nauru, Woomera (Austrália), Campos de Albadaria (Guiné Florestal), Campos de Dadaab (Quênia) e do Campo de Tobanda (Serra Leoa), onde a situação de seus refugiados rompe a continuidade entre o homem e o cidadão.  O espaço dos refugiados é, a princípio, um não-lugar e um vazio no plano sociológico e político, no entanto este espaço é preenchido de relações, que podem ser os lugares da existência política, “os campos de refugiados constituem-se como meios sociais e políticos paralelamente à sua construção material”, sendo uma política da vida. “Os deslocados e refugiados cessam de sê-lo não quando retornam “para suas casas”, mas quando lutam como tais por seu corpo, sua saúde, sua socialização: cessam então de ser as vítimas que a cena humanitária implica para se tornarem os sujeitos de uma cena democrática que eles improvisam nos lugares onde estão”, de modo que a linguagem humanitária é reutilizada ou redirecionada.

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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