Notas: Sociologia Urbana – O Espaço Crítico, Paul Virilio

  • Atribuir sentidos ao espaço é o que caracteriza a cidade: Certau.
  • Os homens fabricam a materialidade da cidade – constroem a cidade: Sennet
  • Virilio: as vivencias são necessárias para a caracterização da cidade, mas há um distanciamento gradativo destas vivencias, por conta da inflação de imagens que se tem da cidade, o que media isso é a tela da TV. Passa-se a ter uma existência de superfície. Na sociedade contemporânea há uma aceleração do tempo, que em Sennet e Certau seria necessário ‘viver’ o tempo.
    • Há aqui uma tensão
      • Problema Político e Sociológico: cidade superexposta impede que os indivíduos sejam seres humanos no que diz respeito a atribuir significados. Com isso se cria um sistema de controle sofisticado, uma espécie de guerra, aquela apresentada por Foucault [guerra como continuação da política]
  • [rever Castoriadis – um dos maiores estudiosos e críticos de Marx – diz  isso está no 4º semestre]
    • O que faltou na obra de Marx foi um debate sobre o imaginário. Para o autor o imaginário é o elemento central do ser humano e por conta disso não poderia ter sido negligenciado por Marx.
      • Para que o mudo real seja debatido é preciso que haja a linguagem [não é possível o pensamento puro, precisamos de nomes, verbos, sentidos…]
      • O imaginário nos relaciona com o real, a partir de um significante [dá ‘forma’ ao signo] e um significado.
      • O mundo é sempre ressignificado, a partir de novas atribuições de sentido.
      • Na relação entre significante e significado surge a instituições, ou seja, ela vem depois do imaginário e assim é construída pelos próprios homens, a partir de um regramento de uma normalização [instituição família: significado + significante + o modus operandi (como funciona) + regra].
        • Quando o imaginário vai para fora da subjetividade, as normas surgem o que gera um modo de existir [modo de existir em diversos contextos, no nosso caso, a metrópole]
          • A partir do meu imaginário atribuo sentidos à cidade; apresento discursos a respeito da cidade [Me mate um bode, por favor!]
  • A partir da superexposição passo a reduzir a minha relação com a cidade, passo a ter relação com simulacros, ou seja, representações da cidade; as regras serão pautadas pelos simulacros, pela tela da TV que seria uma redução do que é a cidade.
  • ‘Dromologia’, ‘dromocultura’ ou uma ‘dromocracia’: conceitos que dizem respeito a uma cultura pautada pela velocidade – que tipo de democracia poderia surgir dessa velocidade a todo custo? [na cultura há uma forma de lidar com as realidades, com seus regramentos construídos em princípio pelo nosso imaginário; todos os conceitos são construídos a partir de nossos imaginários que tem seus imaginários precedentes, mas o homem tem a capacidade de partir do zero]
  • [há significados que estão além da experiência e isso não é levado em consideração por Marx, porque se ele levasse isso em consideração  seu estudo perderia o nível de ciência – Marx é materialista minha nega, não esqueça; só que mesmo com a queda do muro de Berlim, o que acabaria com a tese de Marx, ainda sim, e Castoriadis dá uma chance a tese de marx, os homens possuem seu imaginário e assim poderia pensar outras formas de luta]
  • [função da religião: alienação e possibilita a exploração, isso é a visão de Marx – uma visão causal – no entanto há mais questões relacionadas à religião [o professor está falando de Hegel – tentar ler o livro que você tem em casa, lindeza!] para Castoriadis, para utilizar o marxismo não é preciso utilizar o comunismo [?].
  • Na cidade superexposta e pautada pela velocidade, os indivíduos reagem não ficam babando, e se utilizam da dromocultra/dromocracia [uma manifestação na internet, por exemplo]. Utilizam seu imaginário o que lhe proporciona autonomia, por conta de sua capacidade de pensar, refletir e, portanto resistir às normas. A guerra passa a ser pautada pela velocidade, os indivíduos teriam uma relação de assimetria [não entendi], recheado de interrupções [um cotidiano que pode ser freado: trânsito, guerra] e assim o imaginário é convidado; será recheado também por ocultação [a tela da TV totaliza a cidade e ao mesmo tempo não diz nada sobre a cidade]:
    • Não se se relaciona com a cidade concreta, mas com o que vemos da cidade [na TV]
      • O centro do tempo é o trabalho e o tempo de ócio é o periférico e estará no subúrbio da existência. Essa visão fabrica a tal assimetria.
    • A experiência é necessária para elaborar pensamentos, julgar e resistir. Sem a vivência a cidade passa a ser imaterial, o real estaria no jornal da TV, por exemplo [os fatos são interpretados e ensinados para os telespectadores]

 

Texto:

  • O autor se pergunta sobre a organização da cidade superexposta: esta cidade tem ou não uma fachada? Ideia de fronteira, uma fortificação para a preservação de um mercado [isso é em Weber, aquele primeiro texto].
    • Como isso se daria na era da velocidade? No aeroporto [está no texto] há uma vigilância do trajeto, do movimento = um panóptico sofisticado [?] com o apoio da técnica, que controla o indivíduo enquanto este se movimenta. Há relações em velocidade, portanto superficiais [?], tudo sempre está em movimento na cidade, assim, são menores as chances de relações.
    • Os cidadãos estão sempre em movimento e terão rupturas [trânsito, greve, fechamento de empresas, os acasos, imprevistos e ocultações = organização e desorganização da cidade = a partir da ruptura]
    • Há ou não fachada material na metrópole? Não tem, porque ela não se limita à materialidade, mas à sua imagem [?]
      • Através da comparação com outras imagens [proporcionada pela TV] e isso é cada vez mais difícil, pois a materialidade está cada vez menos presente.
      • Ideias com público e privado perdem parâmetro [o autor recupera o pensamento de Benjamim] isso está no texto.
      • A ideia de proximidade e distância se confundem com as redes sociais [?]
    • Ideia de presente perpétuo [é uma sensação do esquizofrênico]; dificuldade de saber se está ou não na realidade.
  • O problema da mídia é que ela pauta as discussões do cotidiano [poder simbólico – isso para mim é o mais importante.]
  • Mito da caverna: as sombras seriam a TV [a verdade estaria na filosofia – em Platão – para Virilio o pensamento não tem mais condições de se aproximar da verdade; a verdade é a experiência, contrariando o pensamento de Platão; as vivências imagéticas fabricadas na nossa imaginação serão verdadeiras se a matéria prima for o contato real, o mundo sensível]
  • O problema é que lidamos com a cidade através de imagem.

[O contexto do texto é que o centro não é a indústria, mas a informação]

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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