Necessidade de Pais, Necessidade de Mães

Fichamento: STRATHERN, Marilyn. Necessidade de Pais, Necessidade de Mães. Florianópolis: Revista de Estudos Feministas, vol 3 nº 2, 1995.

A antropóloga Marilyn Strathern desenvolve seu texto tendo como ponto de partida uma polêmica gerada em maio/1991 na Grã-Bretanha, quanto a mulheres que buscavam tratamentos de fertilidade para terem filhos sem passar por relações sexuais, essa polêmica foi denominada como a “Síndrome do Nascimento Virgem” (entendida pelos críticos como anormal, perversa ou um desafio a ordem moral). Segundo a autora é possível comparar este “fenômeno” com relatos etnográficos das Ilhas Trobriand (a concepção não é dependente de relações sexuais) e com a ideia de parentesco euro-americana (relação direta entre o intercurso sexual e a concepção), sendo assim, a partir destas comparações, Strathern nos apresenta reflexões acerca de: “Síndrome do Nascimento Virgem”; “A necessidade de um pai”; “A necessidade de relações sexuais”; “Polêmica do Nascimento Virgem”; “Relacionando através de sexo”; “Relacionando através da paternidade”; e “Gênero uma comparação”.

As tecnologias desenvolvidas neste segmento podem ser encaradas como liberadoras da tradicional relação sexual para gerar filhos, podem ainda representar uma forma de ter filhos sem gerar a parentalidade e é este um ponto de interesse da autora: “como os euro-americanos pensam sobre a formação de relacionamentos íntimos baseados na procriação” (p 306), pois há uma exigência de parentesco para a parentalidade (a criança deve ter dois pais iguais em termos de adoção ou procriação, mas desiguais em termos dos papéis que vão representar, estando claro quem será chamado de pai e mãe e designados conforme o gênero). A questão é que as mulheres que procuram tratamentos de fertilidade com o objetivo de evitar o contato sexual desafiam a “ordem natural”, representando assim uma ameaça a paternidade, no entanto a paternidade, no que diz respeito à criação dos filhos, também não é dependente da relação sexual. Neste sentido, a autora chama a atenção para uma aceitação – construída culturalmente – de o homem desejar uma relação sexual, mas não o filho que dela resulta, em sentido oposto, as mulheres são criticadas por desejar um filho, mas não a relação sexual. A autora se pergunta: Por que o estardalhaço sobre essa “nova” possibilidade feminina? “Uma ‘mãe sem sexo’ seria uma espécie de afronta cultural” (p 326).

O debate sobre a Síndrome do Nascimento Virgem sugere que no que se refere à definição de pais, certamente não separaram procriação de relações de gênero (p 329).

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Sobre Alê Almeida

Alessandra Felix de Almeida
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Uma resposta para Necessidade de Pais, Necessidade de Mães

  1. Vambasters disse:

    Seu fichamento ficou muito bom, conciso e abordando as partes essenciais do texto.

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